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Três partes compõem o sistema vascular das plantas: o xilema, que leva água e sais da raiz para todas as partes da planta; o floema, que transporta compostos orgânicos produzidos nas folhas para os outros tecidos vegetais; e a lignina, que envolve xilema e floema e confere rigidez às folhas.

 

 NOTÍCIAS :: BOTÂNICA

Modelo físico explica nervuras de folha

Regras universais determinariam organização de vasos transportadores de seiva

Folhas de diferentes espécies vegetais têm mais características em comum do que se imagina. A estrutura geométrica formada pelos vasos que transportam seiva parece seguir um padrão universal, determinado pelo equilíbrio de forças mecânicas. É o que sugere estudo realizado na Escola Normal Superior e no Museu Nacional de História Natural, ambos em Paris (França). O trabalho foi publicado em 28 de junho na revista Physical Review E.

Uma folha de Gloeospermum sphaerocarpum com comprimento de cerca de 11,5 cm tem mais de 73 mil nós, 127 mil segmentos e 46 mil extremidades livres

Em geral, o sistema vascular de folhas é descrito como uma rede de vasos interconectados. Essa estrutura beneficiaria a planta pois, se um vaso fosse danificado, a seiva poderia ser transportada por outro. Cientistas franceses apresentaram uma nova forma de estudar o sistema vascular em folhas que não se baseia apenas na continuidade dos vasos. Eles consideraram esse sistema como um conjunto de nós, segmentos e extremidades livres. Nó é o local onde pelo menos três vasos se juntam; segmento é a parte de um vaso situada entre dois nós ou entre um nó e uma extremidade livre (ponta de um vaso que não se liga a um outro).

As folhas estudadas tiveram seus tecidos removidos, de modo a restar apenas o sistema vascular. Em seguida, foram escaneadas e ampliadas. As imagens obtidas permitiram aos cientistas medir os ângulos formados em cada nó pelo encontro de três vasos.

A análise dos nós revelou que dois padrões se repetiam com maior freqüência. No primeiro, os três vasos tinham calibres parecidos e formavam ângulos de cerca de 120°. No segundo, o diâmetro do maior vaso era muito superior ao do menor e os dois segmentos mais grossos formavam ângulo pouco menor que 180°. "Nossos resultados mostram que há regras simples e universais no sistema vascular de folhas", diz à CH on-line Steffen Bohn, principal autor do artigo. Sua equipe propôs um 'modelo de forças' para explicar os padrões observados.

Padrões encontrados com freqüência em nós: três vasos de mesmo calibre formam ângulos de 120° (seta vermelha) ou um vaso fino conectado a dois segmentos mais grossos, que formam ângulo de 180° entre si (seta verde)

Quando um vaso 'jovem' e estreito se conecta a outro mais 'antigo' e espesso, a força que o primeiro exerce sobre o segundo é pequena e influencia pouco a sua forma. Conforme a folha cresce, o vaso jovem aumenta de calibre, passa a exercer uma força maior e consegue curvar o antigo, que se divide em dois segmentos. Quando o vaso jovem é ainda muito mais fino que o antigo (e, portanto, não tem força para curvá-lo), o ângulo entre os segmentos formados se aproxima de 180°. Por outro lado, quando os vasos se assemelham em força e calibre, esse ângulo passa a valer cerca de 120°. A curvatura produzida no vaso mais velho é necessária para que as forças exercidas sobre o nó se anulem e o sistema vascular permaneça em equilíbrio mecânico.

"Estudamos sistematicamente sete espécies vegetais", diz Bohn. "Mas sempre que vou a um parque, observo folhas de outras plantas e percebo que, pelo menos qualitativamente, também obedecem ao 'modelo de forças'."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
25/07/02

 

 

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