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Síntese de proteínas
A síntese das moléculas de proteínas nos ribossomos se inicia com a leitura da porção correspondente do código genético contido no DNA. Ela é transcrita para uma molécula de RNA chamado de mensageiro (mRNA). Este migra para o interior de um ribossomo, onde será processada a informação nele contida para selecionar os aminoácidos necessários à fabricação da proteína. A etapa mais importante, a conexão entre os elos da cadeia de aminoácidos que constituem a proteína, ocorre na chamada subunidade grande do ribossomo. Cada ribossomo é dividido em duas subunidades, uma grande e uma menor. Foi a estrutura da subunidade grande que os pesquisadores determinaram.



O ácido ribonucléico (RNA), alojado dentro de uma célula viva, é uma cadeia longa de nucleotídeos composta por açúcares (ribose) ligados a bases nitrogenadas (adenina, citosina, guanina e uracil). A maior parte do RNA é sintetizada no núcleo e distribuída a vários lugares do citoplasma. O RNA mensageiro (mRNA) tem a responsabilidade de transportar o código genético transcrito do DNA para os ribossomos, onde a informação é traduzida em proteínas e onde se encontra o RNA ribossômico. Este consiste em uma cadeia simples na qual se encontram regiões helicoidais devido à formação de pares de bases dentro da cadeia. O RNA de transferência (tRNA) está envolvido no agrupamento dos aminoácidos para montar a cadeia da proteína que está sendo sintetizada. Cada um desses tRNA é específico para um único aminoácido e contém um triplete de bases que são complementares a outro triplete do RNA mensageiro.  

 

 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

Determinada a estrutura do ribossomo

Descoberta fundamental para a biologia celular ajuda a entender origem da vida

A estrutura atômica do principal constituinte do ribossomo foi determinada por Thomas Steitz, Peter Moore e colaboradores da Universidade de Yale (Estados Unidos). Os ribossomos são organelas no interior da célula onde ocorre a síntese  das proteínas. Estas são 'fabricadas' a partir da junção de diferentes aminoácidos e constituem a base do funcionamento dos organismos vivos. De importância básica para a biologia celular, o conhecimento da estrutura dos ribossomos contribui também para as teorias sobre a origem da vida e pode ajudar no combate às infecções.

Os ribossomos são compostos de duas subunidades, uma maior (cinza) e uma menor (violeta). Em azul, verde e vermelho, os RNAs de transferência

Os resultados dos pesquisadores foram obtidos a partir da análise do ribossomo da bactéria Haloarcula marismortui. Sabia-se que esse ribossomo é composto de três moléculas de RNA ribossômico (rRNA) e mais de 50 proteínas. O RNA (sigla para ácido ribonucléico) é um composto orgânico complexo responsável pela síntese de proteínas. Acreditava-se que a reação química de junção dos aminoácidos para formar as proteínas fosse catalisada pelas proteínas existentes no ribossomo. Os cientistas verificaram que o papel de catalisador é exercido pelas moléculas de rRNA. As proteínas do ribossomo parecem servir para a estabilização de sua estrutura.

A estrutura do ribossomo foi determinada por cristalografia de raio-X. A técnica produz imagens tridimensionais com resolução tão alta que permite identificar a posição de átomos individuais. Nos sítios em que os aminoácidos formam as cadeias de proteínas, os cientistas só encontraram RNA, o que sugere que ele seja o catalisador dessa reação química.

Como a estrutura básica do ribossomo é muito semelhante em bactérias, plantas e animais, acredita-se que o mesmo mecanismo de síntese de proteínas deve existir desde os primórdios da vida. Assim, os novos resultados reforçam a teoria de que uma molécula análoga ao RNA tenha sido a molécula primordial, pois contém ao mesmo tempo informação genética e a capacidade de catalisar a síntese de proteínas. É a teoria conhecida como 'Mundo do RNA'.

O mecanismo de ação de muitos antibióticos consiste em inibir a síntese de proteínas nos ribossomos de bactérias infecciosas, sem afetar os das células humanas. O conhecimento da estrutura do ribossomo poderá permitir o desenvolvimento de drogas eficazes contra bactérias resistentes aos antibióticos conhecidos.

Micheline Nussenzveig
Ciência Hoje/RJ
31/08/00

 

 

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