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 NOTÍCIAS :: BIOLOGIA

Melhor compreensão do funcionamento da dineína

Esclarecidos detalhes da estrutura em escala atômica de motor biológico

O funcionamento da dineína, um 'motor' biológico essencial para a vida de uma célula, pode ser melhor compreendido graças a resultados de um estudo recente. A dineína é um conjunto de proteínas responsável pelo transporte de materiais dentro de uma célula. Ela está envolvida no movimento dos cromossomos durante a divisão celular, na organização do fuso durante a mitose ou na regulação da formação de microtúbulos. A estrutura da dineína ainda é pouco conhecida: acredita-se que ela seja composta por 12 peças. Para que ela funcione corretamente, cada uma dessas peças deve ter uma forma e estrutura específica e posicionar-se em um sítio determinado.

Recentemente, cientistas coordenados por Elisar Barbar, da Universidade de Ohio (Estados Unidos), localizaram os sítios específicos de interação de algumas subunidades da dineína, além de caracterizar sua forma. Os pesquisadores estão investigando o local em que esse motor se acopla a sua 'carga' (cromossomos e outros materiais) para transportá-la das bordas para o centro da célula. Em fevereiro, os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Biofísica dos EUA e parte do estudo foi publicada na revista Biochemistry.

A equipe de Barbar estuda algumas das 12 peças da dineína, incluindo uma conhecida como LC8. Os pesquisadores trabalharam com proteínas de moscas de frutas, mas as descobertas também têm implicação para humanos. "A proteína LC8 é altamente conservada em todas as espécies conhecidas, incluindo ratos, vermes, lesmas ou fungos", disse Elisar Barbar à CH on-line.

O LC8 é um componente da dineína. Estudos em moscas de frutas sugerem que mutações dessa proteína podem causar esterilidade, defeitos neurais e até morte


As pesquisas sobre a dineína dão ainda seus primeiros passos, e não se sabe muito sobre sua estrutura em escala atômica. Apenas recentemente técnicas como espectrometria de massa ou ressonância magnética nuclear foram usadas para examinar a estrutura da proteína. Quando ela for melhor conhecida, poderão ser desenvolvidas drogas para interromper sua atividade em casos de divisão celular desordenada, como ocorre no câncer. Se a dineína for desativada, os cromossomos não serão mais transportados, e as células não se dividirão mais. Uma droga já existente para combater o câncer - o Taxol - serve-se de uma estratégia similar: a substância destrói os caminhos em que a dineína atua.

No entanto, resta ainda muito estudo a se fazer até que se chegue a uma droga que desative a dineína. "Ainda precisamos localizar as regiões da proteína que se ligam aos cromossomos, e outras proteínas envolvidas que não fazem parte da dineína", conta Barbar. Sua equipe está atualmente investigando um meio de eliminar as interações entre as subunidades da dineína. "Isso nos dará pistas sobre o tipo de modificações necessárias para desenvolver uma droga que interrompa essas interações."

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
08/03/01

 

 

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