A pesquisa relacionou dados sobre a composição química da Via Láctea e permitiu concluir que houve dois períodos de formação de estrelas em nossa galáxia: entre dois e quatro bilhões de anos e entre sete e nove bilhões de anos atrás. Os cientistas ainda não podem precisar por que esses surtos ocorreram. "Uma causa possível é a interação com outras galáxias", avalia Walter Junqueira Maciel, astrônomo que coordenou a pesquisa. Essa interação seria provocada pela proximidade entre as galáxias, que levaria a uma troca maior entre seus gases. O processo tende a aumentar a densidade na Via Lactea, uma vez que forma mais estrelas.
Os dados permitiram concluir que a Via Láctea - uma galáxia adulta, de aproximadamente 15 bilhões de anos - não é estática e se comporta como galáxias mais jovens, que sofrem surtos de formação de estrelas. Até então, considerava-se que as estrelas eram formadas em nossa galáxia de forma constante. Segundo Maciel, "houve periodos em que a taxa de formação de estrelas na Via Láctea foi muito baixa, além dos períodos de surto, em que ela foi muito alta."
O critério adotado para estabelecer essas comparações foi a quantidade de ferro presente no espaço. Isso porque esse elemento químico é um dos últimos a serem transformados pelas estrelas. "A quantidade de elementos pesados aumenta a cada geração de estrelas. Elas transformam hidrogênio em hélio, hélio em carbono, até chegar ao ferro, que precisa de muita energia para ser queimado", conta Maciel. Por causa dessa resistência, o ferro é o parâmetro pelo qual se mede o enriquecimento químico da galáxia. Segundo os cientistas, sua concentração aumentou pelo menos quatro vezes desde o surgimento da Via Láctea.
Estrelas grandes evoluem muito rápido e duram bem menos que as menores. Quando morrem, os elementos químicos produzidos por elas (tais como o ferro) são jogados na galáxia e formam novas estrelas. A análise da quantidade desse ferro pode precisar a idade dos astros e sua dinâmica de formação. Segundo Maciel, as estrelas pequenas - como o Sol, que tem perto de 4,5 bilhões de anos - duram muito, geralmente até dez bilhões de anos.
Rachel Ruiz Romano
Ciência Hoje/RJ