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 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

O asteróide de basalto
Astrônomos brasileiros determinam a inesperada composição de corpo celeste

Ao mesmo tempo em que telescópios são apontados para galáxias longínquas em busca de indícios da origem do Universo, o Sistema Solar ainda surpreende os cientistas. Recentemente, descobriu-se que o asteróide Magnya, conhecido desde a década de 30, é constituído de basalto, um tipo de rocha característico de formações vulcânicas. A maneira como o corpo celeste se formou ainda é um mistério para os cientistas.

O Magnya, como o asteróide Vesta (foto), é composto de basalto

A descoberta, relatada na edição de 16 de junho da revista Science, foi feita por uma equipe de astrônomos brasileiros e norte-americanos, da Universidade de São Paulo (USP), do Observatório Nacional (Rio de Janeiro), do Cefet (Curitiba), do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e do Laboratório de Propulsão a Jato (Pasadena, Califórnia). A composição do Magnya foi descoberta a partir de análises do espectro da luz refletida por ele. Os dados foram coletados no telescópio do European Southern Observatory (Observatório Europeu do Sul), no Chile, do qual o Observatório Nacional dispõe de metade do tempo de operação.

Até então, apenas seis corpos basálticos eram conhecidos no Sistema Solar: a Terra e a Lua, Marte, Vênus, Io (uma das luas de Júpiter) e um outro asteróide, o 4-Vesta. Todos eles foram bombardeados por erupções vulcânicas, ou ainda são, no caso da Terra e Io. Já Magnya, não. Seu relevo não apresenta as características de corpos com essa atividade, como crateras e vales. Além disso, seu diâmetro mede apenas 30 km, incapaz, segundo os especialistas, de gerar força suficiente para vulcanismo.

"Acreditamos que ele seja um fragmento de um asteróide maior", explica Daniela Lazzaro, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, uma das responsáveis pela descoberta. A hipótese não pode ser comprovada até que se encontre pelo menos mais um dos fragmentos do suposto asteróide. Daniela descarta a possibilidade de Magnya ter sido parte de um dos corpos basálticos conhecidos no Sistema Solar. Segundo ela, a análise de suas órbitas e do jogo de influências gravitacionais atuantes nesse sistema mostra que nenhum fragmento seguiria a órbita do Magnya.

A órbita, aliás, é a principal responsável por sua existência até hoje. Ele segue uma trajetória ligeiramente fora do plano do cinturão de asteróides, o que o protege de colisões. Foi essa peculiaridade que motivou os astrônomos a estudá-lo e a se deparar com sua inesperada composição.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ

 

 

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