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Segundo a teoria desenvolvida pelo astrônomo holandês Jan Hendrik Oort, os cometas de longo período são formados na nuvem de Oort, um envoltório esférico situado nos limites do sistema solar. Nela, existem núcleos de cometas latentes: pedaços de gelo que, com a passagem de uma estrela, sofrem pertubação gravitacional e podem ser expulsos do sistema solar e vagar no espaço sem rumo ou ser jogados para dentro do sistema solar e acabar com órbitas se aproximando do Sol.

A nuvem de Oort está muito distante do Sol. Para se ter uma idéia, a distância da Terra ao Sol é de 150 milhões de quilômetros. Essa distância é considerada uma unidade astronômica. Plutão, o planeta mais afastado do Sol, está a 40 unidades astrônomicas, enquanto a nuvem de Oort encontra-se a cem mil unidades astronômicas. Apesar de nunca ter sido visualizada, nenhum astrônomo contesta sua existência hoje. "A visualização da nuvem de Oort é dificultada não apenas por ela ser uma estrutura muito afastada, mas também porque os núcleos de cometas existentes nela têm poucos quilômetros de diâmetro e são escuros", explica Luiz Augusto da Silva.

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Cometa recém-descoberto aproxima-se do Sol
"Linear" atinge o periélio em 26 de julho e poderá ser observado da Terra

Um cometa recém-descoberto está se aproximando do Sol e em breve poderá ser visto da Terra. Trata-se do Linear, que alcançará em 26 de julho a menor distância em relação ao Sol, chamada "periélio": nesse dia, ele estará a 114 milhões de quilômetros do astro-rei e a 56 milhões de quilômetros da Terra. O Linear foi descoberto em setembro de 1999 pelo Lincoln Laboratory Near Earth Asteroid Research, um projeto de pesquisa que utiliza um telescópio para catalogar asteróides que passam muito próximos à Terra. Seu nome é formado pelas iniciais do projeto.

O cometa Linear tem 5,5 de magnitude

A expectativa entre os astrônomos é que o cometa apresente um brilho intenso. A camada superior do Linear, como a de todos os cometas, é formada por pedaços de gelo e partículas sólidas. Ao se aproximar do Sol, o gelo sublima (passa do estado sólido direto para o gasoso), formando a cauda do cometa. No caso do Linear, que os astrônomos acreditam nunca ter passado perto do Sol, a tendência é que o brilho seja mais intenso, pois a camada de gelo está intacta.

A observação do Linear será melhor no Hemisfério Norte, pois o cometa está seguindo em direção ao sul. Ele poderá apresentar um brilho maior, podendo ser visto durante toda a noite, e estará mais alto em relação à linha do horizonte. No Brasil, a observação do Linear será melhor no final de julho e no início de agosto, logo após o pôr-do-sol, segundo informou Luiz Augusto da Silva, professor de física e astronomia do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Para ver o cometa, será preciso utilizar pelo menos um binóculo. O cometa estará saindo da constelação de Leão e entrando na de Virgem.

Acompanhe no mapa do céu a posição do cometa em função da data


Luiz Augusto da Silva vê com cautela a expectativa em torno do suposto brilho espetacular que o Linear possa apresentar, seja no Hemisfério Norte ou no Brasil. "O Linear é da mesma categoria do cometa Kohoutek, que passou na década de 1970. Dizia-se que o cometa teria brilho semelhante ao da Lua cheia, mas foi um fiasco". Silva lembra que o Linear apresenta magnitude de 5,5. Para se ter uma idéia, a estrela mais fraca em magnitude que pode ser observada sem telescópio tem magnitude 6. Além disso, estrelas são fontes puntiformes, enquanto o brilho do cometa é mais difuso e aparenta ser mais fraco do que é na realidade.

Acredita-se que a órbita do Linear seja elíptica com alta excentricidade. Como ele deve levar dezenas de milhares de anos para completar sua revolução em torno do Sol, ele é considerado um cometa de longo período. Os cometas de longo período, cuja duração da órbita é superior a 200 anos, são formados na nuvem de Oort.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
25/07/00

 

 

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