SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Medindo o vapor d'água no espaço
Número de moléculas em nuvens de gás interestelares é menor que o esperado

Um satélite da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) comprovou que algumas teorias dos astrônomos sobre a química do espaço não correspondiam à realidade. O SWAS (abreviatura para Satélite de Astronomia de Ondas Submilimétricas) detectou que os níveis de vapor d'água e de oxigênio encontrados nas nuvens de gás interestelares são bem menores do que se supunha. Nos pontos mais frios dessas regiões, de temperatura poucos graus acima do zero absoluto, foram encontradas apenas algumas moléculas de água para cada bilhão de moléculas de hidrogênio (usada como referencial por ser a mais abundante em nuvens desse tipo). O esperado era um valor não menor que 3 por 10 milhões. As moléculas de oxigênio, que os cientistas esperavam encontrar em uma proporção de 9 por 100 mil (quase uma a cada 10 mil), foram achadas em quantidade irrelevante.

Nuvem de gás Corona Australus, vista do Observatório
Anglo-australiano e fotografada por David Malin

Segundo Ronald Snell, um dos pesquisadores que analisaram os dados recolhidos pelo SWAS, várias hipóteses surgiram na tentativa de explicar essa disparidade. "Uma possibilidade é que grande parte do oxigênio esteja congelada em grãos de poeira. Outra, que o elemento permaneça em sua forma atômica, sem se agregar em moléculas", disse ele à CH on-line.

A descoberta esclarece uma das muitas dúvidas dos astrônomos quanto às nuvens de gás interestelares. Esses grandes aglomerados de grãos de poeira e moléculas de oxigênio, hélio, hidrogênio, vapor d'água e monóxido de carbono são verdadeiros 'berçários celestes', onde novas estrelas se formam. Ironicamente, essas nuvens são compostas por material deixado por estrelas mortas. "As estrelas surgem quando uma nuvem dessas entra em colapso e começa a se condensar", explica Walter Maciel, do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). "Quanto maior a densidade de uma nuvem, maior a chance de, no futuro, originar uma estrela."

SWAS, satélite da Nasa que mediu a quantidade de vapor d'água nas nuvens de gás interestelares

No entanto, um outro fator descoberto pelo SWAS pode ser importante para explicar a origem de estrelas. A concentração de vapor d'água nas regiões em que elas estão sendo formadas é cerca de 10 mil vezes maior que se imaginava. Segundo os pesquisadores, isso pode auxiliar o esfriamento e a condensação dos gases da nuvem, eventualmente dando condições para a origem de estrelas. Apesar de tantas descobertas, Ronald Snell adota um ar comedido ao abordar o possível impacto que as medições do SWAS podem ter: "É ainda muito cedo para saber o quanto nossas teorias podem precisar ser modificadas."

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ
13/09/00

 

 

  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO