O passado dos buracos negros
Imagens da Nasa trazem novo olhar sobre as galáxias nos últimos 12 bilhões de anos
Imagens de raios-X obtidas pelo satélite Chandra, da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), podem ajudar cientistas a entender melhor o processo de formação das estrelas e evolução dos buracos negros. As imagens, realizadas por meio de longas exposições no decorrer de mais de um ano, trazem um novo olhar sobre os buracos negros nos últimos 12 bilhões de anos.
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A imagem de raios-X de maior exposição já obtida (um milhão de segundos) mostra objetos pouco nítidos nunca retratados antes, como galáxias com buracos negros supermassivos em seu centro (Nasa/JHU/AUI/R. Giacconi et al.) | |
O Chandra revelou objetos distantes ou pouco nítidos, que detectores sensíveis a outros comprimentos de onda não haviam conseguido captar. Entre esses objetos, destaca-se uma grande quantidade de buracos negros supermassivos (de massa milhões de vezes superior à do Sol). Segundo Riccardo Giacconi, da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos), envolvido na realização e análise das imagens, os dados obtidos pelo Chandra levam a crer que, no passado, buracos negros gigantes eram bem mais ativos que hoje.
O astrofísico brasileiro Walter Maciel, da Universidade de São Paulo (USP), explica que o universo está se expandindo e, por isso, os objetos mais distantes tendem a ser mais velhos. Por exemplo, quando observamos uma galáxia muito distante, a luz emitida por ela levou muito tempo para chegar até nós, de modo que a estamos vendo como era no passado. "No caso dos buracos negros, a detecção dos raios X sugere que eles eram mais ativos no passado, possivelmente porque já absorveram tudo o que girava em torno deles", conta Maciel.