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As galáxias são classificadas em três tipos quanto à morfologia. As elípticas são ligeiramente achatadas ou alongadas - "elas têm a forma de uma bola de futebol americano", explica Walter Maciel. As galáxias espirais, como a Via Láctea, são bem achatadas e possuem braços de estrelas que formam a estrutura dos arcos de uma espiral. As galáxias irregulares não possuem formato definido. Acredita-se que as galáxias elípticas sejam as mais antigas do universo, por conter estrelas velhas. Por outro lado, as galáxias espirais e irregulares formam novas estrelas à razão de uma por ano nas galáxias calmas e até mil por ano nas ativas.

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

O passado dos buracos negros
Imagens da Nasa trazem novo olhar sobre as galáxias nos últimos 12 bilhões de anos

Imagens de raios-X obtidas pelo satélite Chandra, da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), podem ajudar cientistas a entender melhor o processo de formação das estrelas e evolução dos buracos negros. As imagens, realizadas por meio de longas exposições no decorrer de mais de um ano, trazem um novo olhar sobre os buracos negros nos últimos 12 bilhões de anos.

A imagem de raios-X de maior exposição já obtida (um milhão de segundos) mostra objetos pouco nítidos nunca retratados antes, como galáxias com buracos negros supermassivos em seu centro (Nasa/JHU/AUI/R. Giacconi et al.)

O Chandra revelou objetos distantes ou pouco nítidos, que detectores sensíveis a outros comprimentos de onda não haviam conseguido captar. Entre esses objetos, destaca-se uma grande quantidade de buracos negros supermassivos (de massa milhões de vezes superior à do Sol). Segundo Riccardo Giacconi, da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos), envolvido na realização e análise das imagens, os dados obtidos pelo Chandra levam a crer que, no passado, buracos negros gigantes eram bem mais ativos que hoje.

O astrofísico brasileiro Walter Maciel, da Universidade de São Paulo (USP), explica que o universo está se expandindo e, por isso, os objetos mais distantes tendem a ser mais velhos. Por exemplo, quando observamos uma galáxia muito distante, a luz emitida por ela levou muito tempo para chegar até nós, de modo que a estamos vendo como era no passado. "No caso dos buracos negros, a detecção dos raios X sugere que eles eram mais ativos no passado, possivelmente porque já absorveram tudo o que girava em torno deles", conta Maciel.

Galáxias contendo em seu centro buracos negros de massa 100 milhões de vezes superior à do Sol (imagens: Universidade de Michigan)


Buracos negros são corpos celestes com campo gravitacional tão intenso que nem mesmo a própria luz consegue escapar. Segundo Maciel, a idéia de que existe um buraco negro no centro de cada galáxia já é bem aceita por uma grande quantidade de astrônomos. Para localizar um deles, cientistas procuram por mudanças abruptas na velocidade das estrelas. A partir da observação do padrão de movimentação das estrelas que estão próximas ao centro das galáxias, é possível determinar a força gravitacional de um buraco negro e estimar sua massa.

De acordo com o professor Douglas Richstone, que coordena pesquisas sobre buracos negros na Universidade de Michigan (EUA), na última década, sua equipe de astrônomos detectou a presença desses objetos em 29 das 30 galáxias espirais que analisaram. Segundo Richstone, é impossível discutir o processo de surgimento das galáxias e a história da formação estelar sem considerar a gênese dos buracos negros, já que eles têm enorme influência na termodinâmica das galáxias jovens.

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
21/03/01

 

 
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