Um estudo anterior já havia mostrado que, para criar a cratera Giordano Bruno, um impacto teria lançado 10 milhões de toneladas de dejetos na atmosfera terrestre na semana seguinte. Em seu artigo, Withers calculou as propriedades da tempestade de meteoros decorrente de um tal choque. Segundo ele, a Terra seria bombardeada durante uma semana por pequenos fragmentos, a um ritmo de 50.000 meteoros por hora. "Esses fragmentos seriam brilhantes e fáceis de observar", conta ele. "No entanto, nenhum observador registrou qualquer fenômeno similar."
O que podem ter visto, portanto, as testemunhas do suposto impacto? Segundo Withers, "elas estavam no lugar e na hora certas para ver no céu um meteoro que estava bem em frente à Lua, vindo na direção dos observadores". Ele sustenta a hipótese, sugerida em 1977 pela primeira vez, de que os observadores medievais viram a entrada incandescente na atmosfera de um grande meteoro. A visão que tiveram seria uma questão de perspectiva: apenas em uma restrita porção da superfície terrestre foi possível observar a cena de forma tão espetacular. "É por isso há o registro de apenas cinco pessoas que viram o fenômeno", acredita Withers.
Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
20/04/01