Segundo os autores, Espaçonaves tripuladas era um projeto tão antigo quanto a amizade entre eles: Jorge Luiz Calife e Cláudio Egalon se conheceram na faculdade de jornalismo. O primeiro colaborou com Arthur C. Clarke, roteirista de 2001, uma odisséia no espaço. Trabalhou no Jornal do Brasil, onde conheceu o diagramador Reginaldo Miranda Júnior, que também assina o livro. Cláudio tornou-se físico e hoje pertence à equipe da agência espacial americana (Nasa), onde chegou a participar de um treinamento de astronautas.
O livro apresenta conceitos físicos e aspectos históricos que ora se alternam, ora se fundem para contextualizar os avanços da astronáutica -- ciência das viagens espaciais. A Guerra Fria, por exemplo (competição ideológica que opôs União Soviética e Estados Unidos na segunda metade do século 20), se manifesta na corrida espacial pela busca desses países por supremacia militar e tecnológica. Em 1957, a URSS inaugura a era das viagens espaciais com o lançamento do Sputinik 1, primeiro satélite artificial não-tripulado. Quatro anos depois, o país enviaria ao espaço o primeiro homem - Yuri Gagárin, célebre desde então por ter constatado que a Terra é azul.
Espaçonaves tripuladas tem uma linguagem agradável que lembra uma conversa informal e conta também com fotografias e desenhos de espaçonaves antigas e modernas. Os autores optam por uma análise não determinista da história do espaço, apresentada em uma narrativa leve e simpática que garante uma leitura agradável.