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 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Nasa lança satélite com equipamento brasileiro
Monitoramento de sistema hídrico global ajudará a medir impacto humano sobre clima

A bordo do satélite Aqua, que a agência espacial norte-americana (Nasa) lança em 4 de maio, estará o sensor de umidade brasileiro (HSB), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O instrumento vai auxiliar o satélite a monitorar o sistema aquático do planeta para um melhor entendimento dos processos de mudança climática global. Os dados obtidos pelo Aqua, que serão captados todas as tardes, serão comparados com os do satélite Terra (lançado em 1999), que capta imagens durante as manhãs. O cruzamento dos dados permitirá estudar a variabilidade do ciclo da água ao longo do dia. Os satélites integram o Sistema de Observação da Terra, da Nasa.

Técnicos operam o sensor de umidade brasileiro, desenvolvido no Inpe (fotos: Nasa)

O HSB é um sensor que opera na faixa de microondas. O equipamento, que custou cerca de U$ 11 milhões, faz parte de um sistema avançado de sondagem atmosférica, composto também pelo Sensor Atmosférico no Infravermelho e pela Unidade Avançada de Sondagem em Microondas, ambos desenvolvidos pela Nasa. Esses equipamentos ajudarão a filtrar os efeitos das nuvens sobre os dados captados por esses sensores e permitirão traçar perfis mais precisos da temperatura de colunas de ar.

O projeto Aqua envolve EUA, Brasil e Japão. A Nasa desenvolveu o satélite e quatro instrumentos; Brasil e Japão são responsáveis por um instrumento cada. "A participação brasileira no projeto proporcionou grande aprendizado para os profissionais do Inpe e demonstra o reconhecimento da capacidade tecnológica e científica do instituto pelos países envolvidos", disse o coordenador de engenharia do Inpe, Leonel Perondi. O HSB resulta de um acordo de cooperação firmado em 1996 entre a Agência Espacial Brasileira e a Nasa.

O satélite Aqua vai viabilizar uma descrição mais precisa da interação entre a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre. O estudo dos novos dados permitirá detectar melhor os impactos da atividade humana sobre o clima e facilitará a previsão de mudanças climáticas.

"O Brasil vai ter acesso a informações que ajudarão a entender melhor a dinâmica da floresta tropical úmida", disse Leonel Perondi. A expectativa dos cientistas é que os dados gerados possam melhorar a previsão do tempo em áreas densamente povoadas e, assim, prevenir catástrofes. No Brasil, as informações serão recebidas por uma estação em Cuiabá e processadas em Cachoeira Paulista.

O lançamento do Aqua está previsto para as 6h55 (horário de Brasília) de 4 de maio, na Base Aérea de Vandenberg. O HSB será ativado uma semana após o lançamento. A missão deve durar seis anos.

Marina Ramalho
Ciência Hoje on-line
04/05/02

 

 
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