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Refração é a dispersão de um feixe de luz ao incidir e atravessar um meio de densidade e composição diferentes daquelas do meio onde vinha se propagando. É o fenômeno responsável pelo aparecimento do arco-íris (que nada mais é que o próprio espectro solar) no céu após a chuva. As diferentes cores que formam o feixe de luz incidente separam-se, propagando-se em direções diferentes da original e diferentes entre si, "abrindo o leque de cores".        

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Eclipse permite analisar atmosfera de Plutão
Planeta pode revelar segredos dos primórdios do Sistema Solar

Na tentativa de entender melhor o mais longínquo planeta do Sistema Solar, cientistas do mundo inteiro vieram à América do Sul para observar a ocultação da estrela dupla P126 por Plutão. Participaram dessa campanha internacional observatórios no Chile, Argentina e Brasil. Aqui, o local escolhido para estudar o fenômeno foi o Observatório do Pico dos Dias (Brazópolis/MG), gerenciado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). O eclipse ocorreu em 20 de julho e durou cerca de três minutos, tendo como melhores locais de observação o Equador e Peru. O estudo do fenômeno poderá trazer mais informações sobre a atmosfera de Plutão, ainda pouco conhecida.

Imagem mais nítida disponível de Plutão e sua lua Caronte (foto: Nasa)

Até aqui, a atmosfera desse planeta só havia sido observada uma vez, num eclipse ocorrido em 1988. Dessa observação concluiu-se que ela seria composta por nitrogênio e metano, e que se estenderia por cerca de 160 quilômetros -- mais de cinco vezes a altitude da atmosfera da Terra.

Em eclipses como o da P126, a luz da estrela que incide sobre a atmosfera de Plutão sofre o fenômeno de refração. "A refração fez com que parte da luz da estrela, ao atravessar a atmosfera de Plutão, fosse desviada em direção à Terra", explica a astrônoma Mariângela de Oliveira-Abans, do LNA. "As observações consistiram em fazer essa luz ser refratada pela rede de difração, uma espécie de prisma, a qual abriu o espectro e separou as cores entre si." Os elementos presentes na atmosfera do planeta -- gases, moléculas e poeira -- dispersam e absorvem parte da luz incidente, removendo algumas cores do espectro original. O reconhecimento das cores que faltam é que leva à identificação da composição da atmosfera.

Apesar das expectativas, o fenômeno não pôde ser observado no céu brasileiro. A observação mais bem sucedida foi realizada por Marc Buie, do Observatório Lowell (Arizona), na fronteira do Chile com o Peru. A primeira análise do eclipse concluiu que a atmosfera do planeta está intacta -- algumas previsões apontavam que ela poderia estar rarefeita.

O eclipse foi melhor visualizado no deserto do Atacama (acima). Para mais
informações, veja o site do astrônomo Bruno Sicardy, do Observatório de Meudon (Paris), principal pesquisador do projeto (foto: B. Sicardy)


Além de distante, Plutão é também muito pequeno -- sua massa é cerca de 470 vezes inferior à da Terra. Sua composição não se assemelha à dos planetas gasosos -- que são os mais distantes do Sol -- e sua órbita é peculiar. Essas características podem indicar que Plutão tenha vindo das partes mais externas do nosso sistema, tendo sido posteriormente atraído pela gravidade do Sol e dos outros planetas próximos.

A descoberta da composição da atmosfera de Plutão pode ser o primeiro passo para o conhecimento dos primórdios do Sistema Solar. Alguns cientistas acreditam que a composição do planeta seja similar à dos objetos que orbitam na Nuvem de Oort -- região mais externa do Sistema Solar --, que contém o material restante da formação do nosso sistema.

Em 22 de maio de 2005, os astrônomos terão uma nova oportunidade de estudar a atmosfera de Plutão, quando o planeta ocultará uma nova estrela. O fenômeno poderá ser visto da Nova Guiné, Austrália, Nova Zelândia, Havaí e em algumas ilhas do Pacífico.

Plutão em números

Diâmetro: 2300 km (5 vezes menor que o da Terra)
Massa: 1,2 x 1022 quilos (470 vezes inferior à da Terra)
Temperatura média: -200o C
Período de rotação: 6,38 dias
Gravidade na superfície: 0,4 m/seg2
Luas: uma (Caronte)
Distância média do Sol: 5.900.000.000 km (39 vezes maior que a que separa a Terra do Sol)
Como a órbita de Plutão cruza a de Netuno, há curtos períodos
em que Netuno passa a ser o planeta mais afastado do Sol

Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line
09/08/02

 

 
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