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O tempo de vida de uma estrela é inversamente proporcional à sua massa. As mais massivas consomem mais energia e mais rápido, portanto morrem mais cedo. As estrelas que têm massa aproximadamente 15 vezes superior à do Sol vivem cerca de 10 milhões de anos, o que é considerado muito pouco. O Sol, uma estrela relativamente pequena, está mais ou menos na metade de sua vida e ainda deve ter combustível para queimar por uns 6 bilhões de anos. Já as estrelas de menor massa podem viver trilhões de anos.

 

 NOTÍCIAS :: ASTRONOMIA E EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Crônica de uma morte anunciada 
Estrela Rho Cassiopéia é a mais provável candidata a próxima supernova da Via Láctea

A morte das grandes estrelas é marcada por uma explosão capaz de gerar uma luz equivalente à de toda uma galáxia, num fenômeno conhecido como supernova. Essas explosões são relativamente freqüentes no universo, mas os astrônomos ainda não conseguiram monitorar as reações que as antecedem. Até agora. Cientistas acabam de identificar, com a ajuda do telescópio William Herschel, operado pelo Instituto de Astrofísica de Canárias (IAC -- Espanha), a mais provável candidata à próxima supernova da nossa galáxia: a Rho Cassiopéia.

Remanescentes gasosos de uma explosão de supernova observada em 1572 pelo astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (foto: Steven L. Snowden, Nasa/GSFC/USRA)

A Rho Cas (como também é chamada) é uma hipergigante amarela -- tipo raro de estrela, do qual só se conhecem sete em toda a Via Láctea. Essa classificação vem da sua grande luminosidade (500 mil vezes maior que a do Sol), tamanho, massa (20

vezes a do Sol) e estágio avançado de evolução.

As estrelas são como grandes esferas de gás (sobretudo hidrogênio). Ao longo dos milênios, elas transformam esse 'combustível' em elementos cada vez mais pesados, em um processo que tem várias fases e ocorre no núcleo da estrela. Quando acaba o combustível, a temperatura da superfície da estrela diminui e ela colapsa. Nesse ponto, ela está perto do fim de sua vida, prestes a explodir numa supernova.

Concepção artística da estrela Rho Cassiopéia, que está prestes a se tornar uma supernova (imagem: Gabriel Pérez Díaz/IAC)

A Rho Cas já mostrou vários indícios de que sua derradeira explosão se aproxima. Em 1893 e 1945 ela sofreu grandes perdas de massa; em 1946 os astrônomos observaram uma diminuição em seu brilho, o que indicou que a temperatura de sua superfície havia descido. Em 1993 ela passou a ser monitorada regularmente; desde então foram percebidas variações constantes de centenas de graus na temperatura superficial.

Em 2000 a estrela surpreendeu os astrônomos. Ela teve uma diminuição brusca de temperatura superficial (de mais de 2500° C), seguida de uma perda de massa -- a maior quantidade ejetada numa única erupção estelar já observada até hoje, equivalente a 10 mil vezes a massa da Terra. "A maior parte das estrelas perde massa, em processos lentos ou rápidos", explica o astrofísico Walter Maciel, da Universidade de São Paulo. "Os estudos mostram que a Rho Cas já consumiu praticamente todo seu combustível, e por isso sua transformação em supernova é iminente."

Existe até a hipótese de que isso já tenha ocorrido e que, devido à imensa distância da estrela (10 mil anos-luz), o fenômeno ainda não tenha sido observado. "Só saberemos quando a luz da explosão nos atingir, o que pode ser amanhã ou daqui a milhares anos", explica à CH on-line Garik Israelian, astrônomo do IAC e um dos autores do estudo sobre a Rho Cas publicado em fevereiro no The Astrophysical Journal. "Mas é muito provável que ela já tenha explodido."

Outras duas estrelas hipergigantes -- HR8752 e IRC+10420 -- também são candidatas a supernova, embora empolguem menos os cientistas. "Vários parâmetros da IRC+10420 ainda não são conhecidos, o que complica sua análise", explica Garik. "Já a HR8752 tem perdido uma quantidade de massa muito inferior à da Rho Cas." As estrelas Wolf-Rayet também são prováveis candidatas à explosão. "Mas ninguém sabe quando elas podem explodir."

Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line
27/02/03

 

 
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