Sozinho, Paula Couto mergulhou na paleontologia e reuniu uma bibliografia cara e escassa para poder se formar. O esforço certamente foi recompensado: pouco depois de ingressar no Museu Nacional, o paleontólogo se tornou reconhecido internacionalmente e recebeu diversos convites de instituições estrangeiras. O gaúcho se especializou em paleomastozoologia (paleontologia de mamíferos). Em expedições pelo Brasil, identificou diversos animais, alguns ainda desconhecidos. Paula Couto se preocupou também com a destruição de jazidas fósseis no Brasil, e conseguiu que o presidente Getúlio Vargas publicasse uma lei de proteção a esses depósitos, chamada lei Paula Couto.
Paula Couto era uma pessoa séria, alegre e obstinada. Seus alunos reconheciam essas características e diziam, brincando, que havia uma 'estratégia Paula Couto': mire um alvo e vá em frente, não importa o que acontecer. O gaúcho tinha boa relação com os alunos e foi responsável pela formação de toda uma geração de paleontólogos. Em várias ocasiões, o pesquisador manifestou interesse em fazer uma pós-graduação. No entanto, todas as vezes que levantava a questão com colegas e discípulos, obtinha a mesma resposta: "E quem é que vai lhe dar esse título, se todo mundo foi formado pelo senhor?"
Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ