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 PERFIS -  CARLOS DE PAULA COUTO

O paleontólogo autodidata
Paula Couto foi um dos maiores estudiosos de fósseis de mamíferos no Brasil

O gaúcho Carlos de Paula Couto é um dos nomes de maior destaque da paleontologia brasileira no século 20. Tido como continuador da obra do botânico dinamarquês Peter Lund (1801-1880) - pioneiro da paleontologia no Brasil -, Paula Couto se notabilizou por seu trabalho em paleontologia de mamíferos e pela publicação de uma obra de referência fundamental nessa área, além de centenas de artigos. Em diversas expedições pelo Brasil, o gaúcho coletou vários fósseis que hoje compõem o acervo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde trabalhou por boa parte da vida. No entanto, o paleontólogo teve uma formação peculiar: não tinha sequer curso superior.

Paula Couto preparando material em laboratório,
(fotos cedidas pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul)

Nascido em Porto Alegre em 30 de agosto de 1910, Paula Couto era fascinado por paleontologia desde a época de suas aulas de geografia no colégio militar. Aos 21 anos, o jovem decidiu deixar a carreira militar para se dedicar à ciência, atitude que pareceu loucura aos olhos de amigos e familiares. O caminho que tinha pela frente não era dos mais fáceis: ele estava deixando uma carreira estruturada por uma para a qual não havia sequer uma faculdade que pudesse cursar.

Paula Couto segurando um tamanduá-mirim

Sozinho, Paula Couto mergulhou na paleontologia e reuniu uma bibliografia cara e escassa para poder se formar. O esforço certamente foi recompensado: pouco depois de ingressar no Museu Nacional, o paleontólogo se tornou reconhecido internacionalmente e recebeu diversos convites de instituições estrangeiras. O gaúcho se especializou em paleomastozoologia (paleontologia de mamíferos). Em expedições pelo Brasil, identificou diversos animais, alguns ainda desconhecidos. Paula Couto se preocupou também com a destruição de jazidas fósseis no Brasil, e conseguiu que o presidente Getúlio Vargas publicasse uma lei de proteção a esses depósitos, chamada lei Paula Couto.

Paula Couto era uma pessoa séria, alegre e obstinada. Seus alunos reconheciam essas características e diziam, brincando, que havia uma 'estratégia Paula Couto': mire um alvo e vá em frente, não importa o que acontecer. O gaúcho tinha boa relação com os alunos e foi responsável pela formação de toda uma geração de paleontólogos. Em várias ocasiões, o pesquisador manifestou interesse em fazer uma pós-graduação. No entanto, todas as vezes que levantava a questão com colegas e discípulos, obtinha a mesma resposta: "E quem é que vai lhe dar esse título, se todo mundo foi formado pelo senhor?"

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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