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 PERFIS -  ANÍSIO TEIXEIRA

O educador revolucionário
Anísio Teixeira transformou o ensino no Brasil do primário à pós-graduação

As imagens deste perfil foram cedidas pela
Biblioteca Virtual Anísio Teixeira/Prossiga e pelo centro de
documentação da Fundação Getúlio Vargas (
CPDOC-FGV)

Ele queria ser jesuíta; o pai sonhava que fosse um político. No entanto, a vida levaria Anísio Spínola Teixeira a seguir outro rumo. O baiano de Caetité, nascido em 12 de julho de 1900, frustraria a expectativa dos grupos que imaginou integrar um dia. E foi a educação brasileira que mais se beneficiou com a reviravolta: Anísio revolucionaria o sistema de ensino no país, das escolas primárias à pós-graduação.

Como educador, Anísio Teixeira introduziu no país o conceito de escola gratuita e para todos e fundou instituições como a Universidade de Brasília (UnB) ou a Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O baiano concebia a escola como uma instituição democrática, que oferecesse as mesmas oportunidades a filhos da classe alta e do proletariado. Embora não se identificasse com o comunismo ou o anarquismo, Anísio queria fazer a revolução pela educação, desafiando os interesses da igreja católica e de políticos que até hoje fazem da ignorância uma aliada.

Em 1930, o educador publicou o artigo "Por que Escola Nova?", que lançava as bases do Manifesto dos pioneiros da educação nova, assinado dois anos depois por intelectuais brasileiros como Cecília Meireles e Roquette Pinto. Os princípios defendidos no manifesto - de um sistema educacional público, gratuito, obrigatório e leigo - seriam inseridos na constituição. A participação de Anísio foi também fundamental na elaboração e aprovação da Lei de Diretrizes e Bases de 1961, que definiu os rumos da educação no Brasil. No entanto, nem sempre o educador esteve ao lado do poder: por duas vezes, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e sob a ditadura militar, o educador foi obrigado a se afastar das universidades que fundara.

Anísio e o amigo Monteiro Lobato

O escritor Monteiro Lobato e o antropólogo Darcy Ribeiro foram dois de seus grandes amigos. Em uma carta para apresentá-lo ao educador Fernando de Azevedo, Lobato assim descreveu o baiano: "Ao receber esta, pára! Solta o pessoal da sala e atende o apresentado, pois ele é nosso grande Anísio Teixeira, a inteligência mais brilhante e o maior coração que encontrei nestes últimos anos da minha vida." Já Darcy contava que, muitas vezes, encontrava o amigo indeciso, incapaz de apontar a melhor das soluções que imaginava. "Eu, em minha afoiteza, optava por ele, que, malvado, dizia: 'Darcy tem a coragem de sua inciência'."

Anísio escreveu vários livros que compõem hoje a biblioteca básica de educação do país. Em 1971, convencido por amigos acadêmicos, candidatou-se à Academia Brasileira de Letras. No entanto, antes da eleição, faleceu em circunstâncias nada ordinárias: saindo para visitar Aurélio Buarque de Holanda, o baiano caiu no poço do elevador do seu prédio.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ
 

 

 
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