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 PERFIS -  BORIS FAUSTO

Um historiador nada ortodoxo
Mesmo fora da academia, Boris Fausto escreveu livros considerados clássicos

Imagens de Boris Fausto cedidas pela
Academia Brasileira de Ciências

Boris Fausto é um dos intelectuais mais respeitados do país. Seu livro A Revolução de 30 - historiografia e história, considerado um clássico do tema, é leitura obrigatória para se entender melhor a época. No entanto, Fausto seguiu a carreira de historiador quase que por acaso: sua primeira graduação foi em direito, e a advocacia sempre representou sua principal fonte de renda.

O historiador nasceu em 8 de dezembro de 1930 em São Paulo, onde ainda mora. Sua família, composta por imigrantes judeus, teve sua história contada por ele em Negócios e ócios - histórias da imigração. Fausto perdeu a mãe aos sete anos e foi criado por uma tia judia. No entanto, ele diz não ter religião: "a família da minha mãe era formalmente judaica". A opção pelo direito tem uma justificativa simples. "Escolhi por eliminação. Naquela época, fazia-se medicina, engenharia ou direito, e eu não queria ser médico nem engenheiro."

Como historiador, Fausto teve percurso pouco ortodoxo: ao contrário da maioria dos colegas, só abraçou a carreira acadêmica em 1989, quando passou a dar aula no departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Até então, já fora professor visitante algumas vezes, mas sempre mantivera seu foco profissional na carreira de assessor jurídico da USP. No entanto, desde 1970, Fausto escreveu, editou ou colaborou com diversos livros e artigos que abordam vários momentos e aspectos da história do Brasil.

Fausto vê com otimismo o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, embora reconheça falhas em sua atuação. Para o historiador, o período ficará marcado pela estabilização econômica e por avanços da sociedade civil. Fausto foi colega do presidente em uma revista literária na qual escrevia quando adolescente. "Éramos tão jovens que se chamava Revista de novíssimos", brinca. A relação dos dois, no entanto, se estreitaria progressivamente a partir da época em que o sociólogo fundou o centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

A imigração em São Paulo nas primeiras décadas do século
é um dos temas da historiografia de Boris Fausto


Recentemente, Boris Fausto obteve reconhecimento por sua influente produção ao ingressar na Academia Brasileira de Ciências (ABC). Antigamente, a instituição recebia apenas cientistas da área de ciências exatas, biomédicas e da terra. Com a abertura para as ciências sociais, Fausto tornou-se um acadêmico ao lado de um pequeno grupo de intelectuais. "Brincamos que somos oito das ciências humanas em um mar de desumanos", diz, rindo.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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