Celso Furtado estudou formação econômica do Brasil e defendeu sua industrialização
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Nascido a 26 de julho de 1920, em Pombal, sertão da Paraíba, Furtado não "colava" nos exames do liceu paraibano pois não queria se submeter ao que considerava uma humilhação. Seu pai, o juiz Maurício Medeiros Furtado, tinha uma vasta biblioteca, fundamental para despertar no autodidata Celso o interesse pelos livros.
Participou da Força Expedicionária Brasileira, na última fase da Segunda Guerra Mundial e, após concluir seus estudos em direito, passou a se dedicar às ciências econômicas. Para o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas, André Tosi Furtado, filho mais novo de Celso, ele distingue-se dos outros analistas econômicos por dois motivos: o notável conhecimento de história e o extenso conteúdo teórico. "Seus livros têm um embasamento histórico fundamental e seus estudos, relevantes até hoje, serão recomendados por muitos anos."
Um dos primeiros a integrar a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), importante escola de pensamento econômico da região sediada no Chile, Furtado, que nunca prestou serviços para uma empresa privada, participou de importantes momentos da política brasileira. Fundou e dirigiu, por exemplo, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). No entanto, esbarrou nos interesses de políticos nordestinos ligados a setores que não admitiam perder suas posições e privilégios com a atuação da instituição.
Furtado é membro da Academia Brasileira de Letras e reveza sua morada entre o apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, e Paris. Aos 82 anos, continua a fazer, segundo ele, a mesma coisa de sempre: ler e escrever. Além de apaixonado pelos livros, o economista é fã de uma boa partida de tênis. "Foi o esporte que pratiquei por mais tempo em minha vida", afirmou em entrevista à CH on-line.
Rodrigo Polito
Ciência Hoje on-line
maio/2003
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Celso Furtado faleceu a 20 de novembro de 2004, em decorrência de um infarto. |