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O instigador da matemática Maurício Peixoto foi fundamental para desenvolver escola da disciplina no Brasil
Quais seriam os indicativos de que uma criança se tornará um matemático bem sucedido? A paixão pela matemática desde as primeiras aulas? A vontade de brincar com números? Se os pais de Maurício Matos Peixoto tivessem seguido esses critérios, nunca teriam adivinhado a futura profissão do filho. Quando criança, Peixoto não foi bom aluno em matemática. Recém-chegado ao Rio de Janeiro de Fortaleza (onde nascera em 15 de abril de 1921), foi reprovado no segundo ano do curso secundário do Colégio Pedro II.
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Conferência de Peixoto em Porto Alegre nos anos 60 | | |
"Naquele tempo, havia segunda época", relembra o matemático. Foi sua sorte. Como em três meses teria de prestar novo exame, decidiu ter aulas com um amigo da família que era aluno da Escola Politécnica. O entusiasmo e as explicações do professor particular deslumbraram o menino, que decidiu seguir alguma profissão que dependesse da matemática. Em 1939, Peixoto ingressou na Escola Nacional de Engenharia, onde teve como colegas de turma o matemático Leopoldo Nachbin e Marília de Magalhães Chaves, que seria sua primeira esposa.

Já formado, Peixoto tornou-se professor da mesma escola e, em seguida, partiu para um ano e meio na Universidade de Chicago. Lá, fez contatos que possibilitariam seu retorno aos Estados Unidos alguns anos mais tarde para trabalhar com o matemático russo Solomon Lefschetz, quando lançaria as bases do chamado Teorema de Peixoto. Lefschetz foi o grande mestre do brasileiro, uma influência fundamental para que ele conseguisse desenvolver o teorema e realizar diversos outros trabalhos fundamentais para a matemática. A obra de Peixoto revitalizou uma área conhecida como sistemas dinâmicos, e foi fundamental para o desenvolvimento de uma escola de matemática no Brasil.
O pesquisador teve também um papel fundamental em algumas das principais instituições de ciência do Brasil. Foi fundador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Lecionou na Universidade de São Paulo (USP) e na Brown University (Estados Unidos). Desenvolveu vários projetos de pesquisa no Impa, e recebeu no instituto a visita de importantes matemáticos, como o americano Steve Smale e o francês René Thom.
Peixoto se aposentou no Impa no dia de seu aniversário de 70 anos. No entanto, continua a freqüentar o instituto como pesquisador emérito. Usa a internet com auxílio de sua companheira, Alciléa Augusto, embora não saiba digitar. "Sinto-me analfabeto", brinca. Mas o matemático não nutre saudosismo pelos 'velhos tempos'. "O mundo moderno é muito bom."
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |