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O franco-suíço Charles Édouard Jeanneret (1887-1965), mais conhecido como Le Corbusier, foi o arquiteto mais famoso da escola modernista, cujos planos combinavam o funcionalismo do movimento moderno com um audacioso expressionismo escultural. Seu estilo teve grande influência sobre o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, seu discípulo no início da carreira. Entre os principais projetos de Le Corbusier, estão o edifício Centrosoyus, em Moscou, a Casa da Suíça, na cidade universitária de Paris, a cidade de Chandigarh, nova capital do estado indiano do Punjab, o Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio a sede do Ministério da Educação e Cultura, atual palácio Gustavo Capanema (RJ) -- que contou com a colaboração de Lúcio Costa e Niemeyer.
O plano vencedor de Lúcio Costa mescla aspectos monumentais de uma capital federal com locais intimistas para a vida dos moradores, além de espaços densos, com serviços e atividades culturais. A cidade foi planejada para 500.000 habitantes (hoje, são 1,8 milhão de pessoas). Adotou-se um eixo principal arqueado sem cruzamentos, pistas centrais de velocidade e laterais com tráfego local. Os edifícios dos três poderes são localizados num triângulo eqüilátero, com frente para a esplanada dos ministérios. Paralelos ao setor de diversões estariam dois núcleos destinados ao comércio: o setor bancário-comercial e dos escritórios para profissionais liberais. Os edifícios seriam ligados por lojas, cafés, agências. Para as residências, grandes quadras se localizariam ao redor da faixa rodoviária e seriam emolduradas por cintas arborizadas para garantir privacidade. | |
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| NOTÍCIAS :: ARQUITETURA E URBANISMO |
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As Brasílias que não vingaram
Estudo resgata projetos que concorreram com Lúcio Costa para a construção da capital
Uma Brasília composta por prédios de 300 metros de altura ou por vários hexágonos, onde viveriam 16 mil pessoas em cada. Esses são alguns dos 26 planos apresentados em 1957 no concurso nacional para a escolha do plano da nova capital federal, aberto pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Eles foram resgatados pela arquiteta Aline Moraes Costa em seu mestrado em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua dissertação, com 620 páginas, analisa os projetos apresentados, o contexto da época e a influência do urbanismo moderno no concurso.
Em um estudo pioneiro que durou três anos, Aline percorreu o país atrás de cada arquiteto e colheu informações e opiniões sobre o concurso. Em caso de falecimento, entrevistava familiares. "Mesmo 45 anos após o concurso, a maioria estava viva", conta. "Todos ficaram surpresos com meu interesse, por considerarem o concurso um ponto apagado na história. Alguns acham que Lúcio Costa mereceu a vitória; outros criticaram seu projeto." A arquiteta se surpreendeu com a escassez de dados sobre os projetos, exceto o plano vencedor. Os eliminados nunca foram catalogados; alguns têm registro em periódicos da época, outros foram esquecidos completamente.
Os planos deveriam atender a parâmetros impostos pelo júri: a capital deveria ser diferente de qualquer outra cidade, e suas funções deveriam convergir para a administração.
Segundo Aline, o projeto de Lúcio Costa era o que mais se adequava ao edital, baseado no urbanismo moderno de Le Corbusier. O plano desclassificado mais conhecido é o do arquiteto Rino Levi (terceiro lugar). Seu trabalho apresentava prédios de 75 andares, muito estreitos e de ferro, que serviriam como habitações. Ao contrário do esperado -- a valorização da dimensão governamental --, Levi privilegiou a residencial. O segundo lugar ficou com Boruch Milmann. A cidade teria um eixo semelhante ao concebido por Lúcio Costa, embora bem mais rígido, ortogonal.
Um dos projetos mais exóticos é o dos irmãos Marcelo e Maurício Roberto. Eles construíram espécies de células hexagonais -- como se fossem pequenas cidades -- que se repetiriam. Cada centro teria um poder governamental. "Esse projeto foi o mais detalhado, com uma análise sociológica da cidade que considerava o número, tipo e função dos habitantes", diz Aline. "Arquitetos como eles se ativeram muito a descrições imensas, mas não era o que o júri queria." O trabalho de José Geraldo da Cunha Camargo, com 60 páginas de estudo sobre o solo e o tipo de agricultura da região, também valorizou pontos considerados secundários pelo júri.
O projeto que mais se diferenciava, segundo Aline, era o de José de Sabóia Ribeiro. A cidade teria elementos renascentistas e seria toda construída na parte mais alta do relevo, característica dos tempos medievais.
Apesar de tantos trabalhos instigantes, a Brasília de hoje agrada à arquiteta. "O que mais me encanta são as superquadras, com centro comercial, botecos, escolas... É a idéia da coletividade neste mundo tão individualista", diz. "O Brasil é o único país que tem uma cidade construída à luz do pensamento urbanista moderno."
Juliana Martins Ciência Hoje on-line 25/11/02 |
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