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Artefatos encontrados pertencem à indústria acheuleana (como os acima) | |
Os artefatos encontrados permitiram aos pesquisadores determinar com mais precisão a idade do sítio arqueológico. As novas estimativas atribuem a ele 780 mil anos, 280 mil a mais do que se pensava antes. A datação ajuda os paleontólogos a compreender melhor as migrações dos ancestrais humanos após sua saída da África. "Os ítens que estudamos são bastante semelhantes a contemporâneos africanos", declarou à CH on-line o arqueólogo Naama Goren-Inbar, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Nenhum indício semelhante foi encontrado em outros sítios mais antigos da região. Por isso, acredita-se que diversas levas de hominídeos passaram pelo local.
Segundo Goren-Inbar, o número de artefatos encontrados em Gesher Benot Ya'akov dá a entender que, além de fazer parte das rotas de colonização da Eurásia, o sítio era um local de fabricação de ferramentas de pedra e madeira e uma base de caça e estocagem de alimentos como frutas e sementes. Entretanto, apesar de tantos indícios dessas atividades, não se sabe exatamente quem as desenvolvia. "Culturas africanas extremamente similares a essa foram associadas com o Homo erectus, mas não encontramos nenhum osso de hominídeo para estabelecer uma relação com qualquer espécie."
A nova datação é fundamental para esclarecer as rotas migratórias dos primeiros homens. Ela preenche uma lacuna temporal e espacial nos registros arqueológicos, já que a presença de tecnologia fora do continente africano só havia sido encontrada nas primeiras ocupações da Europa, 500 mil anos atrás. Os achados em Gesher Benot Ya'akov permitem supor que a região do Levante, à qual pertence Israel, foi a porta de saída dos hominídeos para a colonização da Ásia e, a partir dali, do resto do mundo.
Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ
18/08/00