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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Mapa mitológico de índios do Pantanal
Conjunto de 2500 figuras de estilo inédito no Brasil se estende por 3300 m2

Um mapa mitológico formado por 2500 figuras e sulcos esculpidos em cinco lajedos na beira do Rio Paraguai é uma das principais descobertas do Projeto Corumbá, apresentado em 5 de setembro durante o Encontro Internacional de Integração Técnico-científica para o Desenvolvimento Sustentável do Cerrado e do Pantanal, em Corumbá (MS). O projeto, que já encontrou na região 204 sítios arqueológicos, reúne a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e o Instituto Anchietano de Pesquisa.

Mapa mitológico traz figuras como grandes traços, círculos e pegadas (fotos: Pedro Ignácio Schmitz)


O mapa cobre 3300 metros quadrados e apresenta figuras como círculos de até 50 centímetros de diâmetro, formas triangulares e retangulares, além de pegadas humanas, de onças e sapos. Há também grandes sulcos sinuosos, um deles com 200 metros de extensão e que pode representar o rio Paraguai. "É a primeira vez que se encontra no Brasil esse estilo de gravura, com grandes traços, círculos e pegadas", afirma Pedro Ignácio Schmitz, coordenador do Projeto Corumbá e professor da Unisinos.

Detalhes de algumas figuras que compõem o mapa mitológico


Os pesquisadores acreditam que as figuras não compõem um mapa físico, mas mitológico, pois há, por exemplo, pegadas de onça semelhantes a passos de dança, com uma pisada para frente e uma para trás em seqüência. "Essa seqüência de passos não é uma representação natural", explica Schmitz. Além disso, como não há vegetação no local onde foram esculpidas as figuras, os pesquisadores acreditam que ali deveriam acontecer rituais mitológicos em que se dançava.

O mapa deve ter sido esculpido pelos guaranis, que viviam nas áreas de florestas, ou por um outro grupo indígena que vivia na parte baixa da região, que está sendo chamado 'pantaneiro' por Schmitz. "As figuras devem ter levado muito tempo para ser feitas, pois a rocha onde estão é muito dura, composta de minério de ferro", diz Schmitz. Segundo ele, o local em que estão as figuras era a fronteira entre o grupo guarani, que vivia nas encostas dos morros, e os 'pantaneiros'. "As figuras podem representar uma fortaleza de fronteira para a defesa dos índios contra outros grupos que queriam alcançar os rios e lagoas para conseguir arroz nativo e frutos, abundantes na região e motivo de disputa."

A idade das figuras ainda não foi determinada precisamente, mas está ligada ao povoamento da região por guaranis e 'pantaneiros' há 4.400 anos. O sítio arqueológico mais antigo encontrado pelo Projeto Corumbá na região tem a idade de 8.200 anos. Porém, não foram encontrados sítios datados entre 8.200 e 4.400 anos. Os arqueólogos acreditam que não houve ocupação humana nesse período, porque a parte alagável do Pantanal deveria estar muito seca ou muito alagada.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
13/09/00

 

 
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