Os pesquisadores acreditam que as figuras não compõem um mapa físico, mas mitológico, pois há, por exemplo, pegadas de onça semelhantes a passos de dança, com uma pisada para frente e uma para trás em seqüência. "Essa seqüência de passos não é uma representação natural", explica Schmitz. Além disso, como não há vegetação no local onde foram esculpidas as figuras, os pesquisadores acreditam que ali deveriam acontecer rituais mitológicos em que se dançava.
O mapa deve ter sido esculpido pelos guaranis, que viviam nas áreas de florestas, ou por um outro grupo indígena que vivia na parte baixa da região, que está sendo chamado 'pantaneiro' por Schmitz. "As figuras devem ter levado muito tempo para ser feitas, pois a rocha onde estão é muito dura, composta de minério de ferro", diz Schmitz. Segundo ele, o local em que estão as figuras era a fronteira entre o grupo guarani, que vivia nas encostas dos morros, e os 'pantaneiros'. "As figuras podem representar uma fortaleza de fronteira para a defesa dos índios contra outros grupos que queriam alcançar os rios e lagoas para conseguir arroz nativo e frutos, abundantes na região e motivo de disputa."
A idade das figuras ainda não foi determinada precisamente, mas está ligada ao povoamento da região por guaranis e 'pantaneiros' há 4.400 anos. O sítio arqueológico mais antigo encontrado pelo Projeto Corumbá na região tem a idade de 8.200 anos. Porém, não foram encontrados sítios datados entre 8.200 e 4.400 anos. Os arqueólogos acreditam que não houve ocupação humana nesse período, porque a parte alagável do Pantanal deveria estar muito seca ou muito alagada.
Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
13/09/00