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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Extinção do Permiano afetou estrutura de rios
Perda de vegetação fez surgir sistemas trançados de cursos d'água

A extinção da maioria das espécies marinhas e dos vertebrados terrestres ocorrida há cerca de 250 milhões de anos, no final do período Permiano e começo do Triássico, foi acompanhada por uma perda importante de vegetação, que teria causado mudanças estruturais nos sistemas de rios da época. Indícios desse fenômeno foram encontrados por pesquisadores da Universidade de Washington (Estados Unidos) e do Museu Sul-Africano, que publicaram seus resultados em 8 de setembro na revista Science.

Espécies que provavelmente povoaram a Terra durante o período Permiano, que vai de 286 a 248 milhões de anos atrás e fecha a era Paleozóica

O exame de estratos sedimentários na bacia de Karoo, África do Sul, revelou aos cientistas indícios de que o desaparecimento das plantas de raízes profundas fez com que os rios sinuosos se tornassem rapidamente sistemas de rios trançados. Estes cursos d'água correm de maneira mais rápida e direta, além de provocar uma sedimentação mais veloz, pois a vegetação não retém o solo das margens e é 'varrida' pela água.

O desaparecimento de plantas de raízes profundas no fim do Permiano teria transformado cursos d'água sinuosos em sistemas de rios trançados


Cursos d'água trançados eram comuns até o período Siluriano, há cerca de 400 milhões de anos. No entanto, deram lugar a rios sinuosos com a evolução das plantas. O ressurgimento repentino de correntes trançadas há 250 milhões de anos é atribuído pelos cientistas a uma extinção global da vegetação - cuja causa seria a mesma que dizimou a maioria das espécies de animais marinhos e terrestres existentes à época. A atividade tectônica poderia ter transformado o curso dos rios. No entanto, estudos recentes mostram que isso não ocorreu na transição do período Permiano para o Triássico. Nessa época, havia na Terra apenas um grande continente chamado Pangea.

No período Triássico, após a extinção, a vida vegetal teria emergido de maneira relativamente rápida, segundo o geólogo Peter Ward, da Universidade de Washington. Nos dias de hoje, é raro encontrar sistemas de rios trançados. Eles ocorrem em regiões cuja vegetação foi 'varrida' por catástrofes naturais, como erupções vulcânicas, por exemplo.

Muitas teorias tentam explicar a extinção do Permiano. Especula-se se ela não teria sido causada pelo impacto de um asteróide ou cometa, mudanças ambientais ou vulcanismo. Os pesquisadores não apontam qual delas estaria correta, mas afirmam que a maneira como as plantas desapareceram indica que a extinção ocorreu rapidamente na escala geológica. "Os indícios que encontramos ajudam-nos a entender a dimensão desse fenômeno", disse Ward à Newswise. "Essa foi a maior catástrofe da história da vida na Terra."

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
adaptado de Newswise, 07/09/00

 

 
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