Cursos d'água trançados eram comuns até o período Siluriano, há cerca de 400 milhões de anos. No entanto, deram lugar a rios sinuosos com a evolução das plantas. O ressurgimento repentino de correntes trançadas há 250 milhões de anos é atribuído pelos cientistas a uma extinção global da vegetação - cuja causa seria a mesma que dizimou a maioria das espécies de animais marinhos e terrestres existentes à época. A atividade tectônica poderia ter transformado o curso dos rios. No entanto, estudos recentes mostram que isso não ocorreu na transição do período Permiano para o Triássico. Nessa época, havia na Terra apenas um grande continente chamado Pangea.
No período Triássico, após a extinção, a vida vegetal teria emergido de maneira relativamente rápida, segundo o geólogo Peter Ward, da Universidade de Washington. Nos dias de hoje, é raro encontrar sistemas de rios trançados. Eles ocorrem em regiões cuja vegetação foi 'varrida' por catástrofes naturais, como erupções vulcânicas, por exemplo.
Muitas teorias tentam explicar a extinção do Permiano. Especula-se se ela não teria sido causada pelo impacto de um asteróide ou cometa, mudanças ambientais ou vulcanismo. Os pesquisadores não apontam qual delas estaria correta, mas afirmam que a maneira como as plantas desapareceram indica que a extinção ocorreu rapidamente na escala geológica. "Os indícios que encontramos ajudam-nos a entender a dimensão desse fenômeno", disse Ward à Newswise. "Essa foi a maior catástrofe da história da vida na Terra."
Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
adaptado de Newswise, 07/09/00