A região é uma das poucas no mundo que oferecem as condições químicas e físicas extremas para a ocorrência de bactérias formadoras de estromatólitos - a base do ecossistema local. Essas formações - fósseis comuns na Terra - são as únicas evidências geológicas de que se dispõe do período entre 3,5 bilhões e 600 milhões de anos atrás. Durante o cambriano, elas desapareceram e deram lugar aos metazoários (formas de vida pluricelulares).
A causa que levou ao surgimento de seres ainda mais complexos é uma incógnita. Segundo a hipótese de Farmer, um lento aumento de oxigênio no meio ambiente explicaria o fenômeno. O elemento teria sido 'bombeado' por cianobactérias fotossintéticas até que se atingisse o nível atmosférico que viabilizou o metabolismo de formas complexas de vida. Já Elser acredita que, alimentando-se de estromatólitos, os metazoários impediram a possibilidade de evolução, já que a quantidade de nutrientes era insuficiente para manter animais complexos. "Mas pode ter havido uma mudança no meio ambiente que alterou a composição dos estromatólitos e os tornou mais nutritivos para os metazoários, que assim puderam evoluir."
Helena Aragão
Ciência Hoje/RJ
adaptado de Newswise, 19/10/00