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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

A causa da transição do cambriano
Cientistas tentam entender surgimento da vida pluricelular há 540 milhões de anos

Há cerca de 540 milhões de anos, a história da vida na Terra passou por uma revolução única: após organismos unicelulares reinarem no planeta por 3 bilhões de anos, diversos seres pluricelulares surgiram no período relativamente curto de 40 milhões de anos. O evento, ocorrido na era paleozóica, é conhecido como transição do período cambriano. A aparição de seres macroscópicos - plantas, animais herbívoros e carnívoros -afetou radicalmente todos os ecossistemas, modificando, por exemplo, sua dinâmica e seus fluxos de energia.

O estudo do ecossistema acima pode ajudar a entender a causa da transição do cambriano (foto: W.L. Minckley/Arizona State University)


Não se conhece ainda a causa da transição do cambriano, mas várias hipóteses têm sido estudadas. O biólogo James Elser e o paleontólogo Jack Farmer integram o programa de astrobiologia da Universidade do Estado do Arizona (Estados Unidos) e vêm pesquisando o fenômeno. Elser coordena ainda um projeto da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) que pretende esclarecer as circunstâncias envolvidas mudanças na biosfera terrestre nesse período.

A pesquisa vai estudar uma área desértica próxima a Cuatro Cienegas, no México. A região tem várias nascentes e piscinas naturais com condições térmicas e químicas peculiares e seres vivos que evoluíram para sobreviver nesse meio. Segundo os cientistas, essas condições extremas podem ajudar a entender as circunstâncias em que surgiram formas complexas de vida. Estudando o ecossistema aquático de Cuatro Cienegas, os cientistas pretendem formular um modelo para a dinâmica da evolução da biosfera no início do cambriano.

Estromatólitos são depósitos minerais similares a recifes deixados por colônias de bactérias aquáticas (fotos: Alan Riggs/Arizona State University)

A região é uma das poucas no mundo que oferecem as condições químicas e físicas extremas para a ocorrência de bactérias formadoras de estromatólitos - a base do ecossistema local. Essas formações - fósseis comuns na Terra - são as únicas evidências geológicas de que se dispõe do período entre 3,5 bilhões e 600 milhões de anos atrás. Durante o cambriano, elas desapareceram e deram lugar aos metazoários (formas de vida pluricelulares).

A causa que levou ao surgimento de seres ainda mais complexos é uma incógnita. Segundo a hipótese de Farmer, um lento aumento de oxigênio no meio ambiente explicaria o fenômeno. O elemento teria sido 'bombeado' por cianobactérias fotossintéticas até que se atingisse o nível atmosférico que viabilizou o metabolismo de formas complexas de vida. Já Elser acredita que, alimentando-se de estromatólitos, os metazoários impediram a possibilidade de evolução, já que a quantidade de nutrientes era insuficiente para manter animais complexos. "Mas pode ter havido uma mudança no meio ambiente que alterou a composição dos estromatólitos e os tornou mais nutritivos para os metazoários, que assim puderam evoluir."

Helena Aragão
Ciência Hoje/RJ
adaptado de Newswise, 19/10/00

 

 
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