Dentre os fósseis analisados pelo paleontólogo, destacam-se os de animais de grande porte como mastodontes, semelhantes aos atuais elefantes; toxodontes, próximos dos rinocerontes das savanas africanas; preguiças e tatus gigantes. No entanto, toda essa megafauna desapareceu quando as florestas voltaram a crescer, no fim da última glaciação (que durou de 30 mil a 12 mil anos atrás). Apenas alguns animais de pequeno e médio porte sobreviveram à extinção generalizada por possuírem "adaptações que lhes permitem viver tanto em florestas pluviais ou decíduas, cerrado, chaco e caatinga", segundo Ranzi. A irara, a anta, o tatu e o porco do mato são exemplos de animais que já existiam no pleistoceno e ainda são vistos hoje na Amazônia.
Para escrever o livro, Ranzi trabalhou por 10 anos à procura de fósseis de mamíferos do pleistoceno na região amazônica. A análise do material levou-o a formular uma hipótese para explicar a grande biodiversidade da fauna e flora da região: segundo ele, ela se deve à mistura de espécies de savana e floresta.