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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Descoberto fóssil com desnutrição no Nordeste
Crânio humano de 4000 mil anos apresenta lesões típicas de anemia

Sinais de desnutrição foram identificados no crânio de um habitante pré-histórico do Nordeste. A ossada foi descoberta no sítio arqueológico de Pedra do Alexandre, Rio Grande do Norte, por uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O tamanho e a formação do crânio indicam que ele pertenceu a um homem com idade entre 25 e 30 anos. Os pesquisadores utilizaram técnicas de datação por carbono 14 e constataram que esse homem viveu há 4000 anos.

Na pré-história, o homem dependia totalmente da natureza para se alimentar

Na pré-história, o homem dependia totalmente da natureza para se alimentar. Sua dieta era feita à base de vegetais, frutos silvestres e pequenos animais, como rãs, morcegos e tatus. Entretanto, a colheita às vezes era fraca e nem sempre a caça rendia uma refeição satisfatória. A agricultura ainda não tinha sido desenvolvida entre os habitantes do Nordeste pré-histórico e, além disso, não há sinais de que eles soubessem pescar. "Sua alimentação era muito precária: eles consumiam pouca carne e, conseqüentemente, pouca proteína. Por isso, ficavam desnutridos, anêmicos", explica o paleopatologista Adelson Santos, do Núcleo de Estudos Arqueológicos da UFPE.

A pré-história nordestina vem sendo estudada há 20 anos, mas um esqueleto em bom estado de conservação é difícil de ser encontrado, já que o solo da região é muito ácido. "Em outros países e mesmo no Sudeste brasileiro, esqueletos com desnutrição já tinham sido estudados", conta o cientista. "Mas no Nordeste, esse é o primeiro que encontramos com os indícios da doença."

A anemia se caracteriza pela redução da quantidade de hemoglobina na corrente sangüínea e é causada, principalmente, pela carência de ferro no organismo. Segundo Adelson, os exames feitos no crânio pré-histórico mostraram pequenas lesões nos ossos frontal e temporal que atestam a presença da anemia ferropênica: "Quando o ferro não é ingerido, a concentração de hemoglobinas abaixa e o sangue não consegue carregar os nutrientes até os ossos." A doença pode se manifestar clinicamente por sintomas como palidez, vertigens, taquicardia e distúrbios digestivos.

Hoje, a anemia é considerada pelo Ministério da Saúde o problema nutricional mais grave do país. No Nordeste, segundo o jornal Diário de Pernambuco, 82% dos bebês com idade entre 11 e 13 meses sofrem com a doença e, entre as mulheres pernambucanas em idade reprodutiva, o índice alcança 24,5%. As causas do desenvolvimento da doença não estão mais ligadas à carência de alimentos, como conta o professor Adelson: "Com o avanço tecnológico, conseguimos produzir grande quantidade de alimentos, mas eles não são bem distribuídos entre a população."

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
23/02/01

 

 
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