Artefatos contestam teoria da ocupação da América
Ferramentas antecedem mais antiga evidência de presença humana no continente
Foi confirmada a importância das pedras e artefatos desenterrados no sítio de Topper em 1998 pelo arqueólogo Albert Goodyear, da Universidade da Carolina do Sul (EUA). Em 2000, geólogos haviam constatado a idade surpreendente das peças encontradas: entre 15 e 16 mil anos. Agora, um estudo mostrou que parte dos artefatos foi de fato elaborada a partir da ação humana. A validação da descoberta pode mudar o rumo dos estudos da ocupação da América pelo homem. Segundo a tese mais aceita entre arqueólogos norte-americanos, os primeiros hominídeos teriam chegado ao continente pelo Estreito de Behring há cerca de 11.500 anos -- idade das mais antigas evidências conhecidas até aqui da presença humana na América do Norte, no sítio de Clovis, no Novo México.
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Análises recentes confirmam: algumas ferramentas encontradas no sítio de Topper têm de fato procedência humana (fotos: SCIAA / Daryl P. Miller) | |
Albert Goodyear faz escavações na região de Allendale County, Carolina do Sul, desde 1984. O sítio Topper -- batizado com o nome do morador que levou Goodyear até lá -- foi descoberto em 1998. Desde então, a equipe de Goodyear desenterrou de lá centenas de peças. Entre elas, estão lâminas e 'martelos' feitos de pedra, supostamente usados para cortar madeira e remover o couro de animais. Também foram identificados os lugares onde possivelmente as ferramentas foram feitas.
A idade das peças foi avaliada a partir da estratificação e datação das camadas sedimentares de Topper em que elas haviam sido encontradas. A técnica conhecida como luminescência óptica estimulada mostrou que algumas peças poderiam até ter mais de 16.000 anos de idade. Neste ano, um estudo microscópico dos artefatos verificou em várias ferramentas sinais de intervenção humana.