Descobertos mais antigos hominídeos até hoje
Ancestrais do homem já andavam sobre duas patas há 5 milhões de anos
Dentes e ossos desenterrados na Etiópia mostram que os ancestrais do homem já andavam sobre duas patas há cerca de 5,2 milhões de anos, e são a mais antiga evidência de hominídeos já encontrada. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade de Berkeley, Califórnia, representa um avanço no estudo da evolução humana, e pode ajudar a definir em que estágio da árvore genealógica dos primatas houve a separação entre os antepassados do chimpanzé e os do homem. O estudo foi publicado na edição de 12 de julho da revista Nature.
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Os ossos encontrados na Etiópia são de uma espécie próxima ao últimoancestral comum a homens e chimpanzés (imagem: Universidade de Berkeley) | |
A equipe do doutorando etíope Yohannes Haile-Selassie utilizou imagens por satélite para identificar o melhor local para as escavações. A pesquisa indicou que o lugar ideal seria a 25 quilômetros do sítio arqueológico em que haviam sido encontrados os mais antigos fósseis de hominídeos até então -- os da espécie Ardipithecus ramidus, com cerca de 4,4 milhões de anos. Os dentes e ossos da mandíbula, da mão, da clavícula e de dedos do pé encontrados por Selassie foram atribuídos a pelo menos cinco indivíduos de uma nova subespécie: Ardipithecus ramidus kadabba.
Dos fósseis encontrados, aqueles que chamaram maior atenção foram os dentes e ossos do dedo do pé. Segundo Selassie, os dentes desenterrados indicam fortemente que os indivíduos eram hominídeos, e não macacos. O dedo do pé é uma evidência de que a espécie já andava em posição bípede quando estava no chão. Os fósseis, entretanto, têm características primitivas que levaram os cientistas a concluir que a espécie era, segundo Selassie, "filogeneticamente próxima ao antepassado comum a homens e chimpanzés".
Além de proporcionar novas evidências para definir o 'elo perdido' -- último ancestral comum a homens e chimpanzés --, a pesquisa de Selassie coloca em xeque a tese de que os primeiros hominídeos viviam em um tranqüilo ambiente de savana. Foram encontrados no sítio arqueológico indícios de que o que hoje é a Etiópia era um vale com vulcões (alguns embaixo de lagos) e uma floresta densa e úmida. Os cientistas acreditavam que os ancestrais do homem já viviam em savanas há pelo menos oito milhões de anos. Com as novas descobertas, entretanto, fica estabelecido que os hominídeos só viveram em savanas há cerca de 4,4 milhões de anos.
"Uma descrição mais precisa da espécie encontrada ainda não é possível, já que não foram encontrados costelas ou crânios intactos", diz o paleoantropólogo Tim White, da Universidade de Berkeley. "Os ossos da mandíbula, entretanto, indicam que um desses indivíduos teria aproximadamente o tamanho de um chimpanzé."
Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
30/07/01