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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Baleias e ovelhas têm ancestral comum
Fósseis podem solucionar antiga controvérsia sobre origem dos cetáceos

Uma antiga controvérsia sobre a origem das baleias pode ter sido solucionada: fósseis encontrados no Paquistão confirmam que os cetáceos têm o mesmo ancestral de ovelhas e cervos -- e que o parente vivo mais próximo da baleia é o hipopótamo. Os fósseis têm cerca de 47 milhões de anos e são de uma espécie muito primitiva de baleia. A descoberta, relatada na edição de 21 de setembro da revista Science, foi feita pela equipe do paleontólogo Philip Gingerich, da Universidade de Michigan (EUA).

Espécie primitiva de baleia da qual descenderiam as atuais

Baleias são mamíferos, como o homem. Apresentam, entretanto, tantas diferenças com relação aos mamíferos terrestres que é um antigo desafio identificar de que espécie elas descendem, e quando e como se transferiram para a água. Pesquisas nos campos genético, molecular e imunológico -- desenvolvidas desde os anos 50 -- surpreenderam ao indicar que as baleias são parentes dos mamíferos da ordem dos artiodáctilos, como as vacas, cabras, ovelhas e hipopótamos.

Para os paleontólogos, no entanto, o quebra-cabeça estava longe de ser montado, já que essas pesquisas divergiam de análises morfológicas de fósseis. A partir do estudo de dentes fossilizados, eles sustentavam a hipótese de que as baleias teriam evoluído de espécies semelhantes às hienas. Na década de 90 foi descoberto no Egito um fóssil de baleia com pernas, pés e polegares. A comparação com tornozelos de artiodáctilos poderia confirmar o parentesco, mas os pés encontrados já não tinham utilidade há alguns milhões de anos, e eram muito rudimentares para qualquer análise.

Os fósseis encontrados no Paquistão por Philip Gingerich podem conciliar as observações morfológicas e moleculares e solucionar a questão. Eles são do primeiro espécime já estudado a apresentar simultaneamente ossos de tornozelo parecidos com o de ovelhas e crânio similares às mais antigas baleias. O paleontólogo afirma que esse animal podia entrar e sair da água como os leões-marinhos de hoje, tinha mãos e pés membranosos e usava sua cauda para impulsioná-lo dentro d'água. Para ele, os hipopótamos seriam a espécie viva dos artiodáctilos mais próxima às baleias atuais.

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
21/09/01

 

 

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