Grupos de mamíferos atuais teriam surgido na Ásia
Aquecimento global há 55 milhões de anos explicaria migração para altas latitudes
A Ásia pode ter sido o berço de importantes grupos de mamíferos atuais como primatas e ungulados (animais com dedos recobertos por casco, entre eles vacas, cavalos e ovelhas). A conclusão é resultado da comparação inédita entre fósseis da Ásia e América do Norte datados de cerca de 55 milhões de anos. Essa época, caracterizada pelo aquecimento da temperatura terrestre, marcou a transição entre os períodos Eoceno e Paleoceno.
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Reconstrução de esqueleto de hienodonte (Prolimnocyon atavus), espécie extinta de mamífero que teria surgido na Ásia e migrado para a América do Norte (Imagem: E. Kasmer e K.D. Rose - Journal of Vertebrate Paleontology) | |
A hipótese foi confirmada para os hienodontes -- espécie extinta de mamíferos predadores semelhantes a cachorros --, a partir de análises comparativas realizadas em cooperação entre pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA) e da Academia Chinesa de Ciências. O estudo foi publicado em 15 de março na revista Science.
A conclusão foi baseada na comparação de seqüências de fósseis asiáticos e norte-americanos de hienodontes, datados pelo método de isótopo 12 de carbono, e na análise das mudanças no campo magnético da Terra registradas em camadas geológicas. Os resultados indicam que os hienodontes teriam se deslocado da Ásia para a América do Norte. A migração teria ocorrido pelo estreito de Bering, onde na época teria havido uma passagem por terra. "A dispersão de animais para latitudes mais altas seria uma resposta ao aquecimento global da temperatura no período entre Eoceno e Paleoceno", conta à CH on-line o geocientista Paul Koch, co-autor do estudo.
O aquecimento súbito estaria ligado à liberação de gás metano produzido por bactérias do solo submarino e à alteração do ciclo do carbono. "Ao atingir a superfície, o metano reage com o gás oxigênio e forma gás carbônico, que se dissolve na água e é incorporado por plantas, depois ingeridas por animais", explica Koch. A liberação de metano está registrada nas camadas geológicas por nódulos de carbonato.