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 NOTÍCIAS :: ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA

Fóssil ajuda a contar história da evolução de mamíferos 
Nova espécie datada em 125 milhões de anos seria primeira a apresentar placenta

O fóssil do mais antigo ancestral da linhagem dos mamíferos placentários, datado em 125 milhões de anos, foi descoberto na China em excepcional estado de conservação. A espécie foi chamada Eomaia scansoria por cientistas chineses e norte-americanos. Em grego Eomaia quer dizer 'mãe antiga', enquanto scansoria significa 'trepador' em latim, referência aos dedos alongados que permitiriam o deslocamento em galhos de árvores.

Esqueleto do E. scansoria, talvez o mais antigo mamífero placentário - cujo embrião se desenvolve na placenta, estrutura que cresce na parede do útero e promove trocas com o organismo materno (arte: Mark Klingler/CMNH) Clique na imagem para ampliá-la


Conforme descrito em 25 de abril na revista Nature, essa espécie conviveu com grandes dinossauros durante o Cretáceo (entre 144 e 65 milhões de anos atrás). A análise dos dentes sugere que o animal, de 14 centímetros e cerca de 25 gramas, se alimentava de insetos.

 

Acredita-se que o Eomaia fosse um animal pequeno e ágil, que habitaria arbustos. Ele conviveu com grandes dinossauros do Cretáceo e provavelmente fazia parte da dieta de terópodes carnívoros (arte: Mark Klingler/CMNH) Clique na imagem para ampliá-la

"A descoberta do Eomaia fornece a base anatômica para entender como primatas e humanos evoluíram em relação aos primeiros mamíferos placentários", disse à CH on-line Zhe-xi Luo, pesquisador do Museu Carnegie de História Natural (EUA) e um dos líderes do estudo. Até a descoberta desse fóssil, as mais antigas evidências de um mamífero placentário eram três dentes datados em 115 milhões de anos.

 

O fóssil, formado em arenito xistoso, foi encontrado no ano 2000 emum leito de rio na China e está tão bem conservado que apresentaaté marcas do pêlo do animal Clique na imagem para ampliá-la

"Os dentes e ossos do tornozelo indicam que o animal pertencia ao grupo dos mamíferos placentários (os eutérios) e não aos marsupiais ou monotremados", conta Luo. "Como os ossos do quadril eram estreitos, provavelmente os bebês de Eomaia nasciam em um estágio prematuro do desenvolvimento e se agarravam aos pêlos da mãe." No entanto, o cientista afirma que não é possível garantir que o Eomaia apresentasse placenta a partir dos fósseis.
 

 

 

 

 

Raquel Aguiar
Ciência Hoje on-line
08/05/02

 

 
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