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 NOTÍCIAS :: AGRICULTURA E AGRONOMIA

Sementes no espaço
Brasileiros vão analisar crescimento de plantas em ambiente de baixa gravidade

Para entender como as sementes crescem na Terra, cientistas brasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vão analisar o desenvolvimento de algumas espécies a bordo de uma nave espacial. O experimento será a única participação brasileira na Estação Espacial Internacional, projeto que enviará, por meio de foguetes lançadores não-tripulados, toneladas de equipamentos para o espaço. O programa inclui a montagem de um complexo composto por alojamentos, laboratórios e painéis solares. Astronautas vão pesquisar o comportamento de seres vivos e de materiais em ausência de gravidade. As primeiras amostras de sementes, de milho e trigo provavelmente, devem entrar em órbita em 2003.

O envio de sementes ao espaço previsto para 2003 será a única participação brasileira na Estação Espacial Internacional (acima)


No espaço, em um ambiente de microgravidade (gravidade próxima de zero), o crescimento de plantas é diferenciado, pois a absorção de nutrientes pelos vegetais é realizada de forma mais eficiente. "A idéia é analisar essas diferenças para desenvolver uma biotecnologia que melhore a qualidade de vida na Terra", afirma Paulo Estevão Cruvinel, coordenador do projeto da Embrapa. Para monitorar o crescimento das plantas, os pesquisadores vão utilizar tecnologia de ponta, com aparelhos de ressonância magnética, tomografia computadorizada e raios X.

Uma experiência com sementes sob ambiente de microgravidade realizada nos anos 90 por cientistas búlgaros já havia demonstrado como a pesquisa espacial pode trazer avanços importantes na evolução da biotecnologia. Ao enviar 50 mudas de trigo à estação orbital Mir e comparar seu crescimento ao de 50 unidades que ficaram na Terra, eles constataram que a produtividade no primeiro caso foi muito maior. As razões da diferença, que ainda são uma incógnita para os pesquisadores, motivaram a realização de um novo experimento. "Entramos nesse projeto para realizar uma missão diferente da anterior", explica Cruvinel. "Enquanto a experiência da Mir pretendia desenvolver tecnologia para sobrevivência no espaço, temos como objetivo melhorar a produção no nosso planeta."

A inclusão desse experimento nacional em um projeto astronáutico de grande porte é um avanço para a comunidade científica brasileira. Cruvinel acredita que os resultados possam impulsionar o desenvolvimento de uma tecnologia nacional e acarretar benefícios econômicos e comodidade para produtores e consumidores.

Helena Aragão
Ciência Hoje/RJ
17/10/00

 

 
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