Vespa combate praga sem impacto ambiental
Controle biológico permite substituir uso de agrotóxicos no cultivo de frutas
Uma espécie de vespa, a Diachasmimorfa longicaudata, é eficaz no controle das moscas-das-frutas (Ceratis capitata), uma das maiores pragas da fruticultura. Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura. No entanto, o uso do inseto como pesticida (agente de controle biológico) requer registro oficial, o que caracteriza uma situação inédita e não prevista pela legislação brasileira. A Embrapa Mandioca e Fruticultura acaba de solicitar o primeiro registro de um inseto no país, com base nas leis que regulamentam o uso e comércio dos agrotóxicos.
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A vespa D. longicaudata em processo de parasitismo de larvas da mosca C. capitata | |
O controle biológico de moscas-das-frutas vem sendo estudado de duas formas: pela utilização das vespas e pelo uso de machos estéreis da própria mosca. A pesquisa com a D. longicaudata começou em 1994, quando os primeiros espécimes chegaram ao Brasil. Os insetos foram distribuídos por centros de pesquisas do país, que avaliaram sua eficácia no controle da praga em locais diferentes, com resultados satisfatórios em todos os climas e regiões.
A D. longicaudata é um parasitóide, pois só se reproduz através de outro inseto. A fêmea coloca seus ovos dentro das larvas da mosca-das-frutas e a larva do parasitóide passa a se alimentar dos nutrientes ali existentes. Estudos em campo mostram que esse processo pode reduzir em até 60% a densidade populacional das moscas. Para aumentar a eficácia do controle, são liberados machos estéreis da C. capitata, em quantidade maior que a população de moscas. As fêmeas copulam com esses insetos, sem gerar ovos férteis. Como essa espécie só copula uma vez na vida, é possível acabar com a praga em três gerações.