que atacam a soja. Para isso, foi necessário colher a substância liberada pelo macho sexualmente maduro usada para atrair a fêmea. Após identificar os elementos que integram o composto, foi possível fazer um feromônio sintético.
O composto químico pode ser aplicado em pastilhas e colocado em armadilhas para atrair as fêmeas, que acabam presas. Isso permite diminuir a população de percevejos com capturas em massa. O método tem ainda a vantagem de detectar mesmo pequenas populações. Até agora ele foi testado em laboratório e em plantações de soja em campo experimental com resultados animadores: a técnica se mostrou até 50% mais eficiente que o monitoramento tradicional para avaliar a presença do inseto na lavoura.
Existem ainda outras formas de se administrar o feromônio. Ele pode, por exemplo, ser pulverizado sobre a lavoura, o que desorienta os insetos e reduz as chances de machos e fêmeas se encontrarem.
Como o feromônio possui aplicação localizada e atua especificamente sobre o percevejo, pode ser usado em pequenas quantidades. "Isso gera uma redução nos custos de produção, pois também permite que o uso de inseticida seja mais racional", explica o biólogo Miguel Borges, coordenador da equipe do Cenargen responsável pelo estudo. Além disso, a técnica não gera danos à saúde ou ao meio ambiente, pois usa um composto natural. "Há uma demanda internacional por produtos com menor teor de resíduos químicos. É preciso se preocupar com a qualidade da produção."
O Cenargen já possui a patente do novo método, mas ainda é preciso viabilizar sua produção em grande escala. Para isso, é necessário que os agricultores queiram aplicar o feromônio em suas lavouras. "Somente com essa procura a indústria vai se interessar em desenvolver um produto para colocar no mercado."
Rafael Barifouse
Ciência Hoje On-line
16/12/03