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Um sanitarista polêmico
Com medidas impopulares, Oswaldo Cruz saneou o Rio do início do século

Certo dia, no meio de uma aula, Oswaldo Gonçalves Cruz foi enviado de volta para casa a pedido do pai. Apavorado, ele pensou no que poderia ter acontecido. Ao chegar em casa, um alívio e uma bronca: tinha saído sem arrumar a cama. A rigidez com que Oswaldo Cruz foi criado talvez ajude a compreender a personalidade desse polêmico sanitarista, responsável pela estruturação da saúde pública no Brasil. Nascido em 5 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga, São Paulo, filho do renomado médico Bento Gonçalves Cruz, Oswaldo combateu a febre amarela, a varíola e a peste bubônica no Rio de Janeiro.
Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no dia em que seu pai faleceu, o sanitarista estudou no Instituto Pasteur, em Paris, sendo, segundo alguns, o primeiro brasileiro a freqüentar a instituição. De volta ao Brasil, Oswaldo foi convidado a ir a Santos, onde havia a suspeita de peste bubônica. Confirmado o caso, foram tomadas medidas como a criação do Instituto Soroterápico Federal, no Rio de Janeiro, cuja diretoria geral seria assumida por Oswaldo Cruz em 1902.
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Casa em que nasceu Oswaldo Cruz, em 5/8/1872, em São Luiz do Paraitinga (SP) | | |
No mesmo ano, ele era indicado para assumir a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), cargo que, na época, equivalia ao de Ministro da Saúde. Seus métodos polêmicos sanearam a cidade, apesar da oposição da mídia e da Revolta da Vacina. Em 1909, Oswaldo Cruz deixaria a DGSP para dedicar-se com exclusividade ao Instituto que leva seu nome. Passou então a realizar expedições pelo Brasil para combater as doenças que expulsara do Rio de Janeiro. Na construção da estrada de ferro Madeira-Marmoré, recomendou medidas drásticas, como o desconto dos dias de trabalho em que os funcionários não ingerissem quinino e gratificação para aqueles que passassem três meses sem contrair malária.
Em 1912, Oswaldo Cruz seria eleito para a Academia Brasileira de Letras, embora seus textos fossem todos científicos. Três anos mais tarde, complicações de saúde fariam com que ele se afastasse da direção do Instituto e se mudasse para Petrópolis. Cruz assumiu a prefeitura da cidade, contrariando interesses locais. Seus planos de saneamento e urbanização encontraram mais uma vez resistência. Cego, o sanitarista morreria na cidade em 1917, enquanto a população se manifestava contra ele sob sua janela.
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |