SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
   
   
   
 
 PERFIS - GRAZIELA MACIEL BARROSO

A dama do Jardim Botânico
Graziela Barroso é uma referência nacional na área de sistemática de plantas

Dorstenia grazielae, Diatenopteryx grazielae, Bauhinia grazielae. Essas árvores, mais conhecidas como caiapiá-da-graziela, maria-preta e pata-de-vaca, têm em comum o fato de terem sido batizadas em homenagem a 'Dona Graziela'. A princípio, a iniciativa pode parecer estranha: a senhora miúda, de fala pausada, mais parece uma flor. Aos poucos, no entanto, a impressão se desfaz. A botânica Graziela Maciel Barroso revela-se forte como uma árvore, que nenhum vento foi capaz de derrubar.

Nascida em Corumbá (MT) em 11 de abril de 1912, Graziela teve uma carreira peculiar se comparada à de outros cientistas. Começou a trabalhar aos 30 anos, ainda sem formação universitária, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e a ele dedicou toda a sua vida profissional. Salvo por um curto período na Universidade de Brasília, a seção de botânica sistemática do Jardim sempre pôde contar com a liderança da professora, responsável pela formação de um impressionante número de botânicos.

Casada com um agrônomo, Graziela chegou a morar no Horto Florestal, no Rio de Janeiro, por dois anos. Apaixonada por plantas, ela também viveu por muito tempo em uma casa na Pedra de Guaratiba, também no Rio, onde tinha um grande jardim. Fazer sistemática de plantas, para ela, é um prazer. O ritual se repete há décadas com as diversas espécies já descritas pela naturalista: com cuidado, ela pega a planta, abre, examina em seu microscópio binocular. Busca referência no livro Flora Brasiliensis, descobre se a família já foi determinada ou se a espécie pertence a uma família ainda desconhecida. Graziela recebe para identificação plantas de diversas partes do Brasil, enviadas muitas vezes por professores que têm nela uma referência.

Estas plantas, porém, são as únicas que se pode encontrar em seu apartamento no Leblon, em que mora com a filha. "Adoraria ter plantas e um cachorro, mas um apartamento de dois quartos não é próprio para isso", justifica-se. "Eles sofreriam muito." Aposentada desde 1982, Graziela continua trabalhando. Montou um laboratório em casa e vai ao Jardim Botânico uma vez por semana levar o que identificou. Sempre ativa, ela orienta alunos de pós-graduação e faz tai chi chuan duas vezes por semana. Como explicar tanta energia? "Essa coisa de terceira idade é bobagem. Sou alegre, compreendo os problemas, estudo e leio muito."

Graziela Maciel Barroso faleceu a 5 de maio de 2003, ano em que passou a integrar
a Academia Brasileira de Ciências. Sua posse estava prevista para 4 de junho.

 
Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO