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NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA
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A hora da morte
Equipamento emprega luz
laser
para determinar com mais precisão a data de óbitos
Um método pioneiro pode ajudar peritos criminais a determinar rapidamente e com grande precisão a data da morte de uma pessoa. O sistema, desenvolvido no Brasil, emprega uma técnica que avalia o estado de deterioração do tecido do corpo por meio de luz
laser.
Os resultados são analisados por um computador portátil, que estima há quanto tempo ocorreu o óbito.
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Testes com animais mostraram que o sistema desenvolvido na USP é capaz de determinar com precisão a data da morte a partir da análise do estado de deterioração do corpo (foto: Éverton Estracanholli).
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Desenvolvido durante o mestrado do físico Éverton Sérgio Estracanholli, do Grupo de Ótica da Universidade de São Paulo (USP), o sistema utiliza um feixe de luz
laser,
ligado por fibra óptica ao computador. Ao ser atingido pelo
laser,
o tecido emite de volta uma luz – chamada fluorescência – imperceptível a olho nu, mas que pode ser captada por um aparelho detector, chamado espectrômetro. Como cada tecido responde de forma diferente à emissão do
laser,
em função de sua composição, essas variações são detectadas.
“Após a morte, algumas reações químicas e compostos presentes nos tecidos desaparecem; outros surgem”, explica Estracanholli. “Essas mudanças fazem com que a luz interaja de maneira diferente: alguns comprimentos de onda deixam de ser emitidos e outros passam a ser lançados com mais intensidade. Dessa forma, podemos estabelecer um padrão em função do tempo”, completa.
O sistema apresentou bons resultados em testes com animais. Análises em tecidos humanos ainda serão realizadas para confirmar a precisão da técnica. O físico destaca que o método poderá tornar mais eficiente o trabalho da polícia forense.
Resultados mais rápidos e baratos
Hoje a avaliação para determinar há quanto tempo ocorreu a morte de um indivíduo é baseada na observação do perito. Análises químicas mais precisas são caras e, muitas vezes, podem demorar semanas. “A análise pelo
laser
não necessita de retirada de amostra e o resultado pode ser obtido de maneira instantânea na cena do crime”, destaca o físico. “Outra vantagem seria o custo mais baixo dos exames feitos com o equipamento.”
Estracanholli diz ainda que, futuramente, a técnica poderá ser aperfeiçoada para reconhecer seqüelas nos tecidos provocadas pelo trauma da morte e, assim, permitir a identificação de sua causa (asfixia, afogamento, hemorragia etc.).
A análise por fluorescência já é usada para diagnosticar câncer, cáries nos dentes e doenças causadas por pragas em plantações. “O equipamento é capaz de detectar as diferenças de resposta entre tecidos sadios e doentes”, afirma o físico. E completa: ”O mesmo aparelho pode ser usado nas mais diversas áreas, o que muda é apenas o modo de avaliarmos os dados.”
Igor Waltz
Ciência Hoje On-line
17/06/2008
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