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| PERFIS - PAULO EMÍLIO VANZOLINI |
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Samba de um zoólogo paulistano
Paulo Emílio Vanzolini elaborou a teoria dos refúgios e compôs "Ronda"
O zoólogo Paulo Emílio Vanzolini é um autêntico paulistano: nascido em São Paulo em 25 de abril de 1923, ele é o autor da música "Ronda", considerada hino da cidade. No entanto, a maioria de seus fãs não sabe que a música funciona apenas como hobby do cientista. Na realidade, foi como herpetólogo (especialista em répteis) que Vanzolini obteve reconhecimento internacional no meio científico.
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O zoólogo (dir.) durante expedição ao Pantanal Mato-grossense | | |
O zoólogo é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da ciência em sua cidade. Foi ele quem escreveu a lei que criou a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e também quem organizou o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). Sob seus cuidados, a coleção de répteis e anfíbios da instituição passou de 1200 para 230 mil exemplares, e a biblioteca, montada com o dinheiro que ele ganhou com a música, é reconhecida como um dos mais completos acervos de herpetologia do mundo.
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Vanzolini deu impulso à biblioteca e à coleção de répteis e anfíbios do Museu de Zoologia da USP | | |
Muitos dos animais que se encontram no museu foram descobertos pelo zoólogo, e a grande maioria foi fichada por ele. Vanzolini não gosta de trabalhar em parceria e prefere se responsabilizar pessoalmente por cada etapa do estudo. Foi a partir de parcerias, no entanto, que nasceu seu trabalho mais conhecido: a teoria dos refúgios. Baseada em trabalho do geomorfologista Aziz Ab'Sáber, a teoria foi desenvolvida por Vanzolini em outra colaboração que funcionou bem, com o americano Ernest Williams.
Desde muito novo, o zoólogo realizou expedições pelo Brasil afora. Sobre uma de suas viagens à Amazônia, o cineasta Ricardo Dias realizou o documentário No Rio das Amazonas. "Acho a floresta o melhor lugar do mundo", disse certa vez em entrevista a Ciência Hoje. Esse é o hábitat de alguns dos vários animais que descobriu. Além deles, o nome do zoólogo batiza também diversas espécies descritas por outros pesquisadores, como um sapo Vanzolinius ou um gambá Vanzolini. "Isso é normal nessa área", diz, fazendo pouco caso da merecida homenagem.
Embora aposentado, Vanzolini continua a ir ao museu todos os dias, inclusive aos sábados. "É o melhor dia, porque não tem ninguém." Lá, ele faz suas pesquisas, consulta livros e utiliza o computador, que considera uma grande revolução. O zoólogo desenvolve os programas que usa e já fez curso de computação. "Mas quando a máquina dá pau, peço socorro."
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |
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