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O mais antigo artefato de ouro das Américas
Cordão de contas encontrado na região do lago Titicaca tem 4100 anos de idade   


O cordão encontrado às margens do lago Titicaca foi provavelmente elaborado a partir de pepitas de ouro achatadas com ferramentas rudimentares para que pudessem ser enroladas de maneira a formar as nove contas que compõem o artefato (foto: Mark Aldenderfer / National Academy of Sciences, PNAS).

O hábito de utilizar metais preciosos para a ornamentação pessoal surgiu antes do que se imaginava nas Américas. Esta é a conclusão dos arqueólogos norte-americanos que encontraram o artefato de ouro considerado o mais antigo do continente, próximo ao Lago Titicaca, nos Andes peruanos.

O artefato data de 2100 anos a.C. e foi achado em uma cova pela equipe liderada pelo arqueólogo Mark Aldenderfer, do Departamento de Antropologia da Universidade do Arizona. Por ter sido encontrado próximo ao maxilar de um indivíduo adulto e ser composto por nove contas de ouro e de turquesa, os cientistas concluíram se tratar de um cordão.

A descoberta, publicada esta semana na revista PNAS, ajudará os pesquisadores a compreender melhor a vida dos habitantes da aldeia de Jiskairumoko, que existiu na região entre os anos de 3300 a 1500 a.C. Esse povo de caçadores e coletores estava então em plena transição para a vida sedentária.

Para os arqueólogos, a descoberta do colar é uma prova de que sociedades andinas com menor grau de complexidade e com baixo excedente de alimentos, como a aldeia de Jiskairumoko, já usavam artefatos de ouro como forma de diferenciação dos indivíduos na hierarquia social.

Naquela época, o ouro era utilizado em cerimônias e rituais, em sua maioria, fúnebres. A descoberta feita no Peru também é uma evidência de que o ouro não servia apenas para a decoração de ambientes, mas também era um símbolo de prestígio para seu portador. Até hoje, a sociedade contemporânea atribui valores elevados aos artefatos feitos do metal precioso, independentemente de sua simbologia religiosa. 


Andressa Spata
Ciência Hoje On-line
01/04/2008