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Praga agrícola tem genoma seqüenciado
Besouro-castanho causa prejuízos aos estoques de grãos em armazéns de todo o mundo
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O besouro-castanho
(Tribolium castaneum)
costuma medir de 2,3 a 4,4 mm de comprimento e deposita seus ovos em sacarias, fendas ou alimentos. Por comer todos os tipos de cereais moídos (farinhas, fubá, rações), frutos secos e grãos de leguminosas, provoca grande prejuízo em armazéns do mundo inteiro (foto: Rebecca Baldwin/ Universidade da Flórida).
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O besouro-castanho, que causa grandes prejuízos aos estoques de grãos em armazéns de todo o mundo, teve seu genoma seqüenciado por completo por cientistas norte-americanos. Os resultados poderão ser usados para desenvolver métodos de controle do inseto, de modo a reduzir seus ataques e garantir a conservação dos alimentos.
O estudo foi liderado por Stephen Richards, da Faculdade Baylor de Medicina, em parceria com pesquisadores da Universidade do Estado do Kansas, ambas nos Estados Unidos. Além de soletrar o genoma do besouro-castanho
(Tribolium castaneum),
a equipe comparou a seqüência obtida com a de outros insetos, como a mosca drosófila. Os resultados foram publicados na
Nature
desta semana.
Os pesquisadores constataram que o besouro-castanho apresenta considerável sensibilidade a odores e sabores, por causa da grande quantidade de receptores olfativos e gustativos. A expansão desses receptores no
T. castaneum
é maior do que em drosófilas e mosquitos dos gêneros
Aedes
e
Anopheles,
por exemplo. Por outro lado, o besouro tem apenas dois genes responsáveis pela visão e é insensível à luz azul. A equipe acredita que essas características dariam ao inseto pouca habilidade visual.
Além disso, o besouro-castanho possui em seu organismo certas proteínas, hormônios e receptores que indicam uma adaptação a microambientes secos, quimicamente diversificados e ricos em toxinas. A presença de genes relacionados com a sensibilidade química e com a tolerância à toxicidade pode explicar a resistência do
T. castaneum
a todos os inseticidas usados para o seu controle.
O conhecimento do seu genoma permitirá aos pesquisadores determinar as substâncias para as quais esse besouro apresenta resistência, bem como as que o fragilizam. Esse é um passo fundamental para a criação de um pesticida adequado para o seu combate.
Andressa Spata
Ciência Hoje On-line
25/03/2008
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