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Lagartixa acrobata
Animal usa a cauda para corrigir a postura do corpo durante quedas e aterrissar de pé
As lagartixas são conhecidas na natureza como ótimas escaladoras, graças a estruturas em suas patas que as permitem soltar-se e prender-se em superfícies verticais em milésimos de segundo.
Agora, um estudo norte-americano mostra que a cauda desse réptil exerce importante papel para melhorar seu equilíbrio ao escalar e descer paredes verticais. Em caso de queda, essa estrutura ajuda a lagartixa a cair sempre com as patas voltadas para baixo, como os gatos.
Com a ajuda de câmeras de grande precisão, uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), liderada pelo biólogo Ardian Jusufi, observou a escalada de lagartixas em paredes com o objetivo de estudar o movimento de répteis em superfícies escorregadias. Eles puderam, então, assistir às acrobacias aéreas desses animais quando caíam.
A análise do material, publicada na
PNAS
desta semana, revelou que a cauda da lagartixa funciona como uma espécie de quinto membro de emergência, usado para prevenir quedas durante escaladas rápidas e para corrigir a posição do animal caso o tombo seja inevitável.
Quando se depara com superfícies com pouca capacidade de aderência, a lagartixa empurra a cauda contra a parede, para manter os pés presos com mais segurança. Em algumas situações, a cauda pode até ser utilizada para equilibrar o corpo, enquanto o animal desprende as duas patas dianteiras ao mesmo tempo (o vídeo ao lado mostra como a lagartixa realiza essa manobra).
Mas, quando sofre uma queda, a lagartixa realiza um rápido movimento com a cauda no ar, com duração aproximada de um décimo de segundo. A cauda faz com que o réptil gire seu corpo e fique de cabeça para cima (veja a manobra no vídeo ao lado).
Esse movimento se diferencia do realizado pelos gatos, que usam a coluna para girar o corpo e aterrissarem sobre os pés. Testes realizados em túneis de vento mostraram que a lagartixa pode ainda afastar suas pernas e 'planar', para evitar que o tombo seja feio.
Igor Waltz
Ciência Hoje On-line
18/03/2008
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