GALERIA :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Peixes orientados pelo odor
Cheiro exalado de substância sulfurosa atrai certas espécies para os corais    

Cardume de donzelas marrons (Chromis multilineata), espécie atraída para os corais por um composto sulfúrico liberado por algas e fitoplânctons (fotos: Sean Lema).


O odor de um composto sulfúrico liberado pelas algas e pelos fitoplânctons auxilia os peixes a encontrarem os recifes de corais. Esses ambientes são importantes para a sobrevivência dos animais, pois é onde peixes da mesma espécie se reúnem, buscam alimentos, se reproduzem e depositam seus ovos.

A substância dimetilsulfionipropianato (DMSP), responsável pelo odor, foi identificada pelos pesquisadores norte-americanos Jennifer L. Debose e Gabrielle A. Nevitt, da Universidade da Califórnia em Davis, e Sean C. Lema, da Universidade da Carolina do Norte, ambas nos Estados Unidos. Para comprovar seu efeito, a equipe realizou experimentos em quatro pontos ao longo de 62 quilômetros da costa da ilha de Curaçau, nas Antilhas Holandesas.

Nesses pontos, os cientistas colocaram garrafões contendo DPMS, que era gradativamente liberado para o ambiente. Em uma hora, os garrafões estavam rodeados por centenas de peixes, como a donzela marrom (Chromis multilineata), que se alimenta de plâncton. Por outro lado, embora tenham sido minoria, algumas espécies, como o sargentinho (Abudefduf saxatilis), que também consomem plânctons, mostraram-se indiferentes ao composto.

Durante o experimento realizado na ilha de Curaçau, nas Antilhas Holandesas, centenas de peixes se aglomeraram nos arredores dos garrafões contendo DPMS, o que comprovou o efeito do composto.


Para os pesquisadores, a descoberta evidencia a importância de se aprofundar os estudos a respeito dos papéis exercidos pelo DMPS na natureza. A substância já é conhecida por sua influência na regulação do clima global e agora mostrou ser também um importante regulador do ambiente marinho, já que é capaz de atrair algumas espécies de peixes para os locais mais adequados a sua sobrevivência.


Andressa Spata
Ciência Hoje On-line
11/03/2008