Uma controvérsia luminosa
Colunista mostra que a natureza da luz tem duas interpretações físicas distintas
Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 20/03/2009 | Atualizado em 15/12/2009
A luz é um fenômeno natural que pode assumir comportamentos distintos em função do ponto de vista pelo qual é observada (foto: Dan Metcalfe).
A natureza da luz No século 17, o físico inglês Isaac Newton (1642-1727) elaborou uma teoria para interpretar a luz. Para ele, a luz era composta por pequenas partículas. Com esse conceito, ele pôde explicar, por exemplo, por que a luz branca se divide em várias cores quando passa por um prisma ou quando é espalhada por gotículas de água em suspensão, formando o arco-íris no céu. Aproximadamente na mesma época, o astrônomo holandês Christian Huygens (1629-1695) propôs que a luz era um fenômeno ondulatório, ou seja, a luz se comportaria como se fosse uma onda se propagando sobre a superfície de um lago. Esse tipo de interpretação para a luz permitiu explicar os fenômenos conhecidos como difração e interferência. Na difração, a luz, ao passar por uma fenda estreita ou contornar um objeto, espalha-se e produz faixas iluminadas e escuras. Já a interferência é a superposição de duas ou mais ondas num mesmo ponto.
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(muito usado para apontar) sobre um CD (não deixando que ela atinja os olhos, pois pode danificá-los). Nesse caso, a luz projetada apresentará um padrão de claros e escuros. Isso ocorre porque a luz se comporta como uma onda ao se refletir sobre a superfície do CD. Como o CD tem vários sulcos usados para a gravação, as ondas ora se somam, gerando faixas brilhantes (interferência construtiva), ora se anulam, formando faixas escuras (interferência destrutiva).
No final do século 19, o físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879) mostrou que a luz era uma manifestação de campos elétricos e magnéticos que se propagam no espaço na forma de ondas, denominadas ondas eletromagnéticas.
Curiosamente, quando o físico alemão Heinrich Rudolph Hertz (1857-1894) estudava a natureza das ondas eletromagnéticas previstas por Maxwell, deparou-se com outro fenômeno que, alguns anos depois, iria revolucionar novamente a compreensão da natureza da luz.
Tratava-se do efeito fotoelétrico, que aparece quando incidimos luz sobre a superfície de um metal. Hertz observou que uma corrente elétrica surgia somente quando o metal era iluminado com a luz em uma determinada frequência (cor). Se fosse utilizada outra cor, o fenômeno não ocorria, independentemente da intensidade de luz usada.
Em 1905, foi apresentada uma explicação revolucionária para esse intrigante fenômeno. A luz se comporta como pequenos corpúsculos de energia (posteriormente batizados de fótons), que, ao se chocarem com os elétrons do metal, arrancam-nos dos átomos, permitindo o surgimento da corrente elétrica. Essa explicação foi proposta pelo físico alemão Albert Einstein (1879-1955) e lhe valeu o Prêmio Nobel de Física de 1921. A confirmação da teoria de Einstein foi feita pelo físico norte-americano Arthur Holly Compton (1892-1962) em 1911.
Mas, afinal de contas, qual é a verdadeira natureza da luz?
Dualidade essencial
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Experimentos mais cuidadosos mostraram que a luz tem tanto o comportamento ondulatório como o corpuscular. Um único fóton pode apresentar esses dois comportamentos, dependendo da situação. Um fóton comporta-se como partícula quando está sendo emitido por um átomo ou quando é absorvido (ou detectado) pelos nossos olhos ou qualquer outro dispositivo. Por outro lado, comporta-se como uma onda quando está se propagando da fonte para o local onde será detectado.
Esse comportamento bizarro à primeira vista não é exclusividade da luz. Ele também é observado em outros objetos, como as partículas que compõem o átomo. Os modernos microscópios eletrônicos utilizam justamente os elétrons para “iluminar” objetos muito pequenos e permitir que sejam observados diretamente. Na escala atômica, tudo se comporta segundo essa dualidade.
A compreensão desse aspecto da natureza foi possível graças à física quântica, que introduziu novos conceitos para interpretarmos a realidade. Dependendo da maneira como observamos um objeto, verificamos determinada característica. De fato, a construção da realidade depende fundamentalmente do ponto de vista, principalmente quando estamos no mundo quântico.
Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos
20/03/2009



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