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  <title>Notícias</title>
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 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/efeitos-das-politicas-de-preservacao">
  <title>Efeitos das políticas de preservação</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/efeitos-das-politicas-de-preservacao</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Em 2004, o desmatamento na Amazônia atingiu um pico de 27 mil km². Cinco anos depois, o assustador índice foi reduzido para 7 mil km². Um <a class="external-link" href="http://climatepolicyinitiative.org/publication/deforestation-slowdown-in-the-legal-amazon-prices-or-policie/">estudo feito pela Climate Policy Initiative</a> (CPI), organização que avalia ações de preservação ambiental, aponta as políticas públicas do governo brasileiro como responsáveis por essa redução.</p>
<p>Os pesquisadores buscaram estimar a área que teria sido desmatada caso duas políticas de conservação, instituídas em 2004 e 2008, não tivessem sido criadas. Para isso, eles usaram um modelo estatístico que leva em consideração alguns fatores associados ao desmatamento ou à preservação de florestas.</p>
<div class="pullquote">Os índices de desmatamento são fortemente influenciados pelo preço dos produtos agropecuários</div>
<p>Segundo o estudo, os índices de desmatamento são fortemente influenciados pelo preço dos produtos agropecuários no mercado: quanto maior é o preço de um produto, maiores são as chances de um ruralista desmatar a floresta a fim de expandir suas terras para plantio ou formação de pastos para o gado.</p>
<p>Para entender os efeitos da economia agrícola sobre a preservação ambiental, o estudo avaliou a flutuação dos preços de soja, arroz, mandioca, milho e cana-de-açúcar, além do preço do boi gordo, no período de 2002 a 2009. Os dados foram coletados em 380 municípios de quatro estados da Amazônia Legal, região que abriga trechos da floresta amazônica.</p>
<p>“Os preços dos produtos foram então inseridos em um modelo estatístico que simula a reação do fazendeiro diante de mudanças na economia”, diz Juliano Assunção, economista da PUC-Rio e coautor do estudo. A simulação também se baseou em informações sobre a área da floresta amazônica efetivamente desmatada entre 2002 e 2009, obtidas por meio de imagens de satélites do <a class="external-link" href="http://www.inpe.br/index.php">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais</a> (Inpe).</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/efeitosdaspoliticas02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/efeitosdaspoliticas02.jpg/image_preview" alt="Soja" title="Soja" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">A flutuação dos preços de produtos agrícolas como a soja e do gado influencia os índices de desmatamento, à medida que pode estimular os produtores a expandirem as terras usadas em suas atividades. (foto: Flickr/ tuli nishimura – CC BY-NC-SA 2.0)</dd>
</dl>

<p>Segundo o modelo, as políticas públicas de preservação são eficazes em determinada região quando, apesar de os preços altos dos produtos favorecerem o lucro e o aumento da produção, o agricultor não desmata a floresta para expandir suas terras.</p>
<p>O resultado da simulação revela que 62 mil km² do território que seria desmatado por conta do aumento dos preços foram conservados após a criação das políticas de preservação. O estudo mostra que a ausência das medidas levaria ao dobro do desmatamento registrado nas imagens de satélite entre 2005 e 2009.</p>
<p>Os principais pontos das políticas públicas criadas em 2004 e 2008 foram a expansão da área de territórios protegidos e a exigência de que o ruralista esteja em dia com a legislação ambiental para receber ajuda financeira.</p>
<p>Segundo Assunção, ao diminuir a disponibilidade de áreas férteis para plantio e pastagem, essas medidas estimulam a criação de tecnologias para melhor uso da floresta. “Além de impedir o desmatamento ilegal, as políticas podem melhorar o aproveitamento de recursos naturais.”</p>
<p>No futuro, a Climate Policy Initiative pretende entender como cada política influencia isoladamente os índices de desmatamento.<br /><br /></p>
<h3>Política pró-conservação?</h3>
<p>As imagens registradas por satélite evidenciam uma queda considerável no desmatamento da floresta amazônica. Mas o biólogo Jean Remy Guimarães, autor da <a title="Terra em transe" class="internal-link" href="/colunas/terra-em-transe/coluna">coluna ‘Terra em transe’</a>na <em>CH On-line</em>, ressalta que elas não são suficientes para o monitoramento efetivo na região.</p>
<div class="pullquote">Guimarães: As imagens de satélite não são suficientes para o monitoramento efetivo na região</div>
<p>“Ter os dados do satélite é ótimo, mas é preciso também fazer a fiscalização em solo, pois muitas áreas ainda são desmatadas”, diz. E completa: “O estudo dá a impressão de que o governo federal está atuante, quando na verdade ele é o principal ausente.”</p>
<p>Em relação à política ambiental brasileira, o biólogo lembra ainda que <a title="Ainda não foi neste ano" class="internal-link" href="/noticias/2011/12/ainda-nao-foi-neste-ano">o novo Código Florestal</a> – que foi aprovado recentemente na Câmara dos Deputados e agora aguarda sanção presidencial – pode ser prejudicial para a floresta amazônica.</p>
<p>Segundo Guimarães, o novo código, que, entre outros aspectos, desobriga pequenos agricultores a reconstituir a área desmatada, pode ser culpado por aumentar quase dez vezes os <a class="external-link" href="http://www.obt.inpe.br/deter/nuvens.php">índices de desmatamento </a>na Amazônia entre abril de 2010 e abril de 2011.</p>
<p>Ele explica que, embora o documento ainda não esteja em vigor, sua divulgação pode ter aumentado a devastação de áreas frágeis da floresta. "O novo código é um exemplo de política que atua em favor do desmatamento e sua possível aprovação cria expectativa sobre quem desmata a floresta”, completa.<br /><strong><br />Mariana Rocha</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Mariana Rocha</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Economia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Desmatamento</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Política ambiental</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Meio ambiente</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-15T14:47:35Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/por-uma-junta-cientifica">
  <title>Por uma junta científica</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/por-uma-junta-cientifica</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Cientistas brasileiros devem se unir e estabelecer maior interação com a sociedade para resolver questões nacionais comuns, defende o ecólogo Jean Paul Metzger, da Universidade de São Paulo (USP). Apesar do <a class="external-link" href="http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S0103-99892007000200006&amp;script=sci_arttext">aumento expressivo da produção científica brasileira na última década</a>, o baixo aproveitamento do conhecimento produzido na formulação de políticas públicas é um sinal de que a ciência nem sempre ajuda a solucionar os grandes problemas do país.</p>
<p>Alterar esse quadro, segundo Metzger, requer uma mudança de visão da comunidade científica, que tende a encarar a produção e a disseminação do conhecimento como processos lineares, ou seja, pesquisadores geram dados e produtos que são assimilados passivamente pelos indivíduos-usuários. Para o ecólogo, que participou da Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na semana passada, no Rio de Janeiro, cientistas e sociedade devem se organizar em torno de objetivos comuns, guiados por uma visão sistêmica e transdisciplinar.&nbsp;</p>
<div class="pullquote">Metzger: Cientistas e sociedade devem se organizar em torno de objetivos comuns, guiados por uma visão sistêmica e transdisciplinar</div>
<p>Como exemplo dessa abordagem sistêmica, Metzger menciona o estágio final do projeto <a title="Ponte para pesquisas" class="internal-link" href="/noticias/2010/06/ponte-para-pesquisas">Biota-Fapesp</a>, iniciado em 1999 em São Paulo, cujo principal objetivo era a caracterização da biodiversidade do estado. “Após oito anos de trabalho, adotamos uma abordagem transdisciplinar a fim de direcionar diretrizes para conservação e restauração da biodiversidade na região; num espaço muito curto de tempo, a Secretaria do Meio Ambiente se apropriou daqueles dados científicos para estabelecer estratégias nessa linha”, conta o ecólogo.</p>
<p>Maior organização e diálogo entre a comunidade científica e outras instâncias sociais foi exigida recentemente em meio à proposta de reformulação da legislação florestal brasileira. A polêmica discussão do novo Código Florestal, <a class="external-link" href="http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/MEIO-AMBIENTE/415823-CAMARA-APROVA-NOVO-CODIGO-FLORESTAL;-TEXTO-SEGUE-PARA-SANCAO.html">aprovado em abril pela Câmara dos Deputados</a>, provocou a manifestação em peso da academia em prol da manutenção de limites estabelecidos no <a class="external-link" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771.htm">marco legal de 1965</a>. “A comunidade científica brasileira entrou nesse debate, ainda que tardiamente, com uma mobilização única”, lembra Metzger.</p>
<p>A partir do Grupo de Trabalho do Código Florestal – liderado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela ABC – foi elaborado <a class="external-link" href="http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/codigo_florestal_e_a_ciencia.pdf">um documento com propostas da comunidade científica</a> a serem incorporadas à nova regulamentação. Apesar disso, Metzger lamenta que pouco ou nada dos dados contidos no documento tenha sido incorporado ao novo código, o que considerou “uma grande derrota para a ciência brasileira”.&nbsp;</p>
<dl class="image-inline captioned">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/juntadacientifica02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/juntadacientifica02.jpg/image_preview" alt="Jean Paul Metzger na ABC" title="Jean Paul Metzger na ABC" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">O ecólogo Jean Paul Metzger, da USP, na Reunião Magna da ABC, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro. O pesquisador defende visão transdisciplinar e envolvimento da sociedade na produção do conhecimento. (foto: Ascom ABC)</dd>
</dl>

<h3>Amazônia fragilizada</h3>
<p>A nova definição de Área de Proteção Permanente ao longo dos rios, lagos e nascentes – na qual a vegetação nativa terá como parâmetro o nível regular da água em vez da área de alagamento – é, na avaliação do ecólogo, uma das implicações negativas da recente legislação, principalmente para a região amazônica. “Além da perda de serviços ecossistêmicos com essas áreas desprotegidas, isso significa também risco de vida para as pessoas”, diz Metzger, uma vez que esses locais poderão ser ocupados e permanecer sujeitos a constantes alagamentos.</p>
<div class="pullquote">Piedade: “A versão atual deixa todas as florestas alagáveis fora do limite de 
proteção”</div>
<p>A ecóloga Maria Tereza Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), enfatiza a importância do ciclo hidrológico para a dinâmica florestal na região. “A versão atual deixa todas as florestas alagáveis fora do limite de proteção; 60% da população rural da Amazônia vive em várzeas e depende dos pulsos de inundação”, afirma.</p>
<p>Piedade alerta ainda que este ano, no período de cheia, o aumento do volume dos rios amazônicos será maior do que o habitual, o que já pode ser sentido pelas <a class="external-link" href="http://g1.globo.com/amazonas/noticia/2012/05/cheia-no-amazonas-faz-moradores-de-area-urbana-utilizarem-canoa.html">recentes enchentes noticiadas na região</a>. As consequências das cheias sobre a população podem ser maiores com o desmatamento das várzeas. Segundo a ecóloga, o desmatamento é a ameaça mais imediata para a região, “mais urgente do que as mudanças climáticas”.&nbsp; “Está na hora de fazermos juntas médicas de cientistas na Amazônia”, apela. <br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado"><strong>Uma oportunidade de diálogo? <br /></strong>Logo antes da <a class="external-link" href="http://www.rio20.gov.br/">Rio+20</a>, entre 11 e 15 de junho, vai ocorrer na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) o <a class="external-link" href="http://www.icsu.org/rio20/science-and-technology-forum">Fórum Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável</a>. O objetivo do encontro é reunir renomados cientistas, tomadores de decisão e sociedade para discutir o papel da ciência e da inovação na transição para o desenvolvimento sustentável, uma economia verde e a erradicação da pobreza.</div>
<p><br /><strong>Gabriela Reznik</strong><br />Especial para a Ciência Hoje On-line</p>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Gabriela Reznik</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Rio+20</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ciência e sociedade</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Sustentabilidade</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-14T14:44:42Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/em-tempo">
  <title>Em tempo</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/em-tempo</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O complexo arqueológico maia de Xultún, na Guatemala, foi descoberto há 100 anos, mas só agora começa a mostrar sua riqueza histórica. No local, pesquisadores encontraram o ‘escritório’ de um escriba maia com os mais antigos registros de cálculos astronômicos usados por essa civilização para construir calendários. Os <a class="external-link" href="http://on.natgeo.com/KQHQWq">símbolos estão pintados na parede</a> e datam de cerca de 1.200 anos atrás.</p>
<p>Já se sabia que os maias, povo pré-colombiano da América Central, contavam o tempo com base no movimento do Sol, da Lua e dos planetas há mais de três mil anos e o registravam em calendários esculpidos em monumentos de pedra, chamados estelas.&nbsp;</p>
<p>No entanto, até hoje, nunca haviam sido encontrados os rascunhos dos cálculos astronômicos feitos para criar esses calendários. A relíquia está pintada na parede com delicados traços de tinta preta e vermelha que apresentam números e desenhos das fases da Lua.</p>
<p>“É a primeira vez que vemos os dados na sua origem, guardados por um escriba, cujo trabalho era guardar as informações da comunidade maia”, diz o arqueólogo William Saturno, da Universidade Boston, nos Estados Unidos, e líder da pesquisa, financiada pela National Geographic e publicada na edição corrente da <em><a class="external-link" href="http://www.sciencemag.org/content/336/6082/714">Science</a></em>.</p>
<div class="pullquote">Saturno: “É a primeira vez que vemos os dados na sua origem, guardados por um escriba”</div>
<p>Os maias não tinham apenas um modo de contar o tempo. Segundo Saturno, os cálculos encontrados se relacionam a diferentes calendários usados por eles, como o cerimonial, de 260 dias; o solar, de 365; o baseado em Vênus, com 584 dias, e outro em Marte, com 780 dias.&nbsp;</p>
<p>O pesquisador também destaca que os cálculos e desenhos da Lua são semelhantes aos encontrados no <a class="external-link" href="http://www.famsi.org/research/graz/dresdensis/thumbs_0.html">códice de Dresden</a>, criado mais recentemente, em 1250 d.C. Os códices eram espécies de livro, feitos de pele de veado, que reuniam informações sobre eclipses e ciclos de astros.&nbsp;</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/copy_of_maia02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/copy_of_maia02.jpg/image_preview" alt="Hieróglifos maias" title="Hieróglifos maias" height="268" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">O escriba maia usou a parede de seu escritório como um quadro-negro, onde anotou cálculos astronômicos usados para fazer calendários. (foto: William Saturno e David Stuart/National Geographic)</dd>
</dl>

<h3 style="text-align: center;"><a title="Relíquias maias" class="internal-link" href="/galeria/reliquias-maias">Confira mais imagens da descoberta em nossa galeria</a></h3>
<div>&nbsp;</div>
<p>“Achávamos que o tipo de símbolo que vimos nas paredes só tinha aparecido muito depois; nunca tínhamos visto algo assim em material desse período”, afirma Saturno. “A maior parte do que sabemos da metodologia astronômica maia vem do estudo dos códices, então essa nova descoberta é uma oportunidade única de estudar a história da astronomia e dos calendários maias.”</p>
<div class="pullquote">Um dos principais objetivos dos calendários maias era buscar a harmonia entre os eventos astronômicos e os rituais sagrados</div>
<p>O arqueólogo ressalta que um dos principais objetivos dos calendários e dos códices era buscar a harmonia entre os eventos astronômicos e os rituais sagrados. O especialista em cultura pré-colombiana Alexandre Navarro, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ratifica e diz que os calendários tinham ainda funções mais profanas.</p>
<p>“Os calendários tornavam mais fácil controlar a natureza e saber quando se devia plantar e colher os diferentes cultivos”, diz Navarro. “Além disso, eles serviam como instrumento de cobrança de impostos, pois ajudavam a saber quando cobrar os tributos das cidades conquistadas.”<br /><br /></p>
<h3>Mal que veio para o bem</h3>
<p>A descoberta do cômodo só foi possível por causa da ação de saqueadores de tumbas, recorrente na região. Os pesquisadores, que já escavavam na região há três anos, nunca haviam percebido a estrutura, até que ela foi desvelada pelos ladrões.</p>
<p>Se por um lado a ação criminosa contribui para a descoberta, por outro, deixou as paredes desprotegidas e uma das pinturas ficou danificada pelas chuvas.&nbsp;</p>
<p>Além dos rascunhos matemáticos, a equipe de Saturno também se deparou com pinturas de figuras humanas. Na parede oeste, há três figuras masculinas que deveriam ser sacerdotes, vestindo roupas brancas, medalhões no pescoço e cocares de penas com o mesmo padrão.&nbsp;</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/maia03.JPG"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/maia03.JPG/image_preview" alt="Cômodo do escriba" title="Cômodo do escriba" height="303" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Esquema interno do cômodo encontrado. (foto: William Saturno)</dd>
</dl>

<p>Já na parede norte, de frente para a entrada, há o desenho de um rei adornado com penas azuis em seu trono. Ao lado dele, se ajoelha um homem, provavelmente o escriba que trabalhava ali. &nbsp;</p>
<p>Baseado em outros achados semelhantes, os arqueólogos acreditam que o escriba poderia ser filho ou irmão mais novo do rei, o que explicaria o ineditismo da situação, pois a parede é a primeira encontrada em uma casa comum, que não faz parte de um templo, exibindo uma figura real maia.</p>
<p>Saturno acredita que ainda há muito para ser estudado no local e planeja agora aplicar diferentes técnicas de imagem para decifrar o que estava escrito nas pinturas apagadas pelas águas.&nbsp;</p>
<div class="pullquote">Saturno: “Os calendários maias eram cíclicos e alguns só terminariam daqui a sete mil anos”</div>
<p>E para aqueles que já estão se perguntando sobre como essa pesquisa influencia nos boatos sobre o fim do calendário maia em 2012, Saturno avisa: “Os calendários maias eram cíclicos e alguns só terminariam daqui a sete mil anos”. E conclui: “Eles tinham um tipo totalmente diferente de mentalidade; ao contrário de nós, estavam procurando pela garantia de que nada iria mudar”.</p>
<h3 style="text-align: center;">&nbsp;</h3>
<p><strong>Sofia Moutinho<br /></strong>Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sofia Moutinho</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Arqueologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-11T14:46:47Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/vai-um-cafezinho-mamae">
  <title>Vai um cafezinho, mamãe?</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/vai-um-cafezinho-mamae</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O conselho bastante comum dado a mulheres grávidas e lactantes de reduzir o consumo de café para não provocar insônia no bebê pode não passar de superstição.</p>
<p>Pesquisa com 885 crianças feita na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rio Grande do Sul, mostrou que a qualidade do sono delas não foi afetada pela quantidade de cafeína ingerida pelas mães durante a gestação e nos três primeiros meses de amamentação.</p>
<p>O estudo, cujo <a class="external-link" href="http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2012/03/28/peds.2011-1773.abstract">resultado foi publicado recentemente na revista <em>Pediatrics</em></a>, se restringiu a bebês nascidos no ano de 2004 no município de Pelotas, esclarece a médica Iná da Silva dos Santos, uma das autoras do artigo.</p>
<div class="pullquote">A pesquisa permite questionar a ideia da agitação dos bebês provocada pelo café, que não é baseada em evidência científica</div>
<p>Por isso, ela ressalta que os resultados ainda não podem ser considerados definitivos. Ainda assim, a pesquisa permite questionar a ideia da agitação dos bebês provocada pelo café, que não é baseada em evidência científica, embora instituições médicas de vários países orientem gestantes e lactantes a não consumir mais que 300 mg de cafeína por dia.</p>
<p>Os pesquisadores entrevistaram as mães de todos os 4.231 bebês que nasceram em 2004 nos hospitais de Pelotas. Nas entrevistas, buscaram obter detalhes sobre seus hábitos de consumo de bebidas que contêm cafeína (como café e chimarrão), em cada um dos três trimestres de gestação.</p>
<p>Se respondiam que bebiam café, por exemplo, perguntava-se se o que consumiam era coado ou instantâneo, se consideravam forte ou fraco. “Com base nas respostas pudemos calcular quantos miligramas de cafeína eram ingeridos diariamente”, explica a médica, que integra o <a class="external-link" href="http://www.epidemio-ufpel.org.br/site/content/home/">Centro de Pesquisas Epidemiológicas</a> da UFPel.</p>
<p>Entre as participantes do levantamento, havia desde mulheres que não consumiam cafeína ou a consumiam em pequena quantidade, até as que ingeriam mais de 300 mg da substância por dia, o equivalente ao contido em aproximadamente meio litro de café.<br /><br /></p>
<h3>Sono normal</h3>
<p>Três meses depois dos nascimentos, os pesquisadores conseguiram entrar em contato novamente com 885 mulheres para saber sobre o comportamento de seus filhos.</p>
<p>Com o objetivo de apurar a qualidade do sono dos bebês, procuraram saber das mães o número de vezes em que seus filhos acordaram durante a noite nos 15 dias anteriores à entrevista.</p>
<p>Em média, as crianças dormiam 9,4 horas por noite e quatro horas durante o dia. Mais de 75,5% haviam acordado ao menos uma vez durante a noite, o que é considerado normal. Do total de mulheres entrevistadas, 13,8% relataram episódios frequentes de vigília noturna – quando os bebês acordavam mais de três vezes por noite.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/vaiumcafezinho02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/vaiumcafezinho02.jpg/image_preview" alt="Amamentação" title="Amamentação" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Ingestão de cafeína durante os três primeiros meses da amamentação também não teve consequências no sono do grupo de bebês investigado. (foto: Carin Araujo/ Sxc.hu)</dd>
</dl>

<p>Considerando apenas o grupo de mães que tanto na gestação quanto na amamentação consumiam mais cafeína (acima de 300 mg por dia), a taxa de episódios frequentes de vigília noturna foi de 22,5%. Esse grupo era composto por 40 mulheres.</p>
<p><em>Grosso modo</em>, isso poderia indicar a influência da cafeína no sono dos bebês. No entanto, explica Santos, quando se ajusta esse resultado a outras variáveis que também podem ter consequência sobre o sono, a diferença se torna estatisticamente insignificante.</p>
<div class="pullquote">Em relação a choro ou cólica, não foi observada diferença entre os filhos das mulheres que consumiam cafeína em grande 
ou pequena quantidade</div>
<p>Foram consideradas desde características biológicas e comportamentais até condição socioeconômica das mães, que poderiam interferir, por exemplo, no ambiente em que as crianças dormiam. “Levamos em conta dados da mãe como idade, cor da pele, escolaridade, renda familiar, número de partos anteriores e consumo de álcool, além do sexo do bebê”, diz a médica.</p>
<p>Em relação a episódios de choro ou cólica, não foi observada qualquer diferença entre os filhos das mulheres que consumiam cafeína em grande ou em pequena quantidade.</p>
<p>Antes desse trabalho, o grupo da UFPel já havia investigado a possibilidade de a cafeína prejudicar o desenvolvimento do feto e induzir nascimentos prematuros, como <a class="external-link" href="http://www.dailymail.co.uk/health/article-199739/Pregnancy-dangers-coffee.html">algumas pesquisas internacionais apontam</a>. “Também <a class="external-link" href="http://aje.oxfordjournals.org/content/147/7/620.full.pdf">não encontramos essas associações</a>”, diz Santos.<br /><br /><strong>Célio Yano</strong><br />Ciência Hoje On-line/ PR</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Célio Yano</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Epidemiologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-08T19:47:41Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/natureza-antialergica">
  <title>Natureza antialérgica</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/natureza-antialergica</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Cientistas estimam que até 2050 dois terços da população mundial estarão vivendo em cidades e terão pouca proximidade com a natureza e a biodiversidade. Uma das consequências desse afastamento, segundo estudo realizado na Universidade de Helsinque, na Finlândia, será o aumento de doenças crônicas como alergias e distúrbios respiratórios.</p>
<div class="pullquote">Uma das consequências da pouca proximidade com a natureza é o aumento de doenças crônicas como alergias e distúrbios respiratórios</div>
<p>Os pesquisadores investigaram como o contato do ser humano com a biodiversidade de flora e de microrganismos pode influenciar a ocorrência das chamadas doenças inflamatórias atópicas, ou seja, distúrbios causados pela hipersensibilidade a fatores ambientais diversos e que podem se manifestar na forma de asma, rinite, bronquite e doenças alérgicas alimentares.</p>
<p>O estudo, <a class="external-link" href="http://www.pnas.org/content/early/2012/05/01/1205624109.abstract">publicado esta semana na <em>PNAS</em></a>, foi feito com 118 adolescentes de 14 a 18 anos que, desde crianças, vivem no leste da Finlândia – em fazendas, casas espalhadas pelo campo e apartamentos. Os cientistas recolheram amostras de sangue para medir os níveis do anticorpo imunoglobulina E (IgE), que revelam quem é ou não alérgico, e da citocina IL-10, proteína anti-inflamatória produzida por células do sistema imunológico para evitar alergias. Também foram coletadas amostras das bactérias existentes na pele do antebraço desses adolescentes.</p>
<p>Paralelamente, os pesquisadores mapearam, via satélite, uma área de aproximadamente 3 km ao redor da moradia de cada um desses indivíduos, para verificar a extensão da cobertura vegetal no local.<br /><br /></p>
<h3>Bactérias benéficas</h3>
<p>A análise dos dados mostrou que as alergias eram menos comuns em pessoas que moravam perto de florestas e, portanto, tinham mais contato com a biodiversidade. Nesses indivíduos, havia maior incidência de bactérias do gênero <em>Acinetobacter</em>, que pertence à classe das proteobactérias gama e reúne microrganismos geralmente não patogênicos – embora algumas espécies possam causar infecções hospitalares.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/naturezaantialergica02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/naturezaantialergica02.jpg/image_preview" alt="Bactérias do gênero Acinetobacter" title="Bactérias do gênero Acinetobacter" height="280" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">A maior quantidade de bactérias do gênero ‘Acinetobacter’ na pele estaria relacionada a uma maior imunidade a doenças alérgicas. (foto: Janice Carr/ CDC)</dd>
</dl>

<p>Segundo Ilkka Hanski, professor do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Helsinque e um dos autores do estudo, essas bactérias são facilmente encontradas no solo e na vegetação. “Elas foram detectadas, por exemplo, nos grãos de pólen das plantas com flores”, acrescenta.</p>
<p>Os cientistas também observaram que, quanto maior a quantidade de bactérias do gênero <em>Acinetobacter</em> presentes na pele dos indivíduos analisados, mais IL-10 eles tinham em seu sangue, o que indica maior imunidade às doenças alérgicas. “Isso significa que estar próximo à natureza é importante para manter contato com microrganismos que ajudam na nossa imunidade”, conclui Hanski.</p>
<div class="pullquote">As proteobactérias gama têm um papel considerável no desenvolvimento e na manutenção de anticorpos</div>
<p>O pesquisador ressalta que, apesar de as proteobactérias gama representarem apenas 3% dos microrganismos que habitam a nossa pele, elas têm um papel considerável no desenvolvimento e na manutenção de anticorpos. Os resultados do estudo não revelam, no entanto, o mecanismo por trás da influência da biodiversidade na proteção contra alergias.</p>
<p>Hanski acredita que seus estudos podem ajudar as pessoas a prevenir doenças inflamatórias. “As cidades devem ‘construir’ mais espaços verdes, como parques”, sugere. E completa: “Além disso, poderia ser desenvolvido um remédio que aumentasse a dose de proteobactérias gama nas pessoas que vivem em metrópoles”.<br /><strong><br />Fernanda Braune</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Fernanda Braune</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Alergia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Imunologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ecologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Biodiversidade</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-08T13:18:55Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/sensor-de-bacterias">
  <title>Sensor de bactérias</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/sensor-de-bacterias</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Quem nunca tomou um antibiótico sem saber qual bactéria o deixou doente? Embora seja capaz de facilitar o surgimento de microrganismos resistentes, o uso indiscriminado desses remédios costuma ser justificado pela demora dos exames laboratoriais. Mas um <a class="external-link" href="http://www.nature.com/ncomms/journal/v3/n3/full/ncomms1767.html">estudo publicado na <em>Nature Communications</em></a> pode ajudar a combater o problema.</p>
<p>A pesquisa, feita por um grupo da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, deu origem a um dispositivo capaz de detectar em tempo real a presença de bactérias em tecidos como músculo e dente, além de equipamentos hospitalares. Mais fino que um fio de cabelo, o sensor é formado por diferentes materiais, que o tornam flexível.</p>
<p>A primeira camada do nanossensor é feita de grafeno, material composto por uma folha de carbono de apenas um átomo de espessura. O grafeno é colocado sobre uma camada de eletrodos de ouro e recebe proteínas antibacterianas capazes de se ligar a bactérias específicas. O conjunto é aplicado sobre um filme de seda.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/sensordebacterias03.JPG"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/sensordebacterias03.JPG/image_preview" alt="Composição do nanossensor" title="Composição do nanossensor" height="118" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">O nanossensor é composto por grafeno, que é colocado sobre eletrodos de ouro e recebe proteínas antibacterianas. O dispositivo é aplicado sobre um filme de seda que adere à superfície do corpo. (ilustração: Nature Communications)</dd>
</dl>

<p>Para testar o dispositivo, os pesquisadores escolheram proteínas que se ligam a três diferentes tipos de bactéria: <em>Staphylococcus aureus</em>, <em>Escherichia coli</em> e <em>Helicobacter pylori</em>. Quando uma delas entra em contato com o grafeno, a carga elétrica da membrana da bactéria é identificada pelos eletrodos que, imediatamente, transmitem a informação para um computador por meio de conexão sem fio.</p>
<p>De acordo com o estudo, testes feitos com a bactéria <em>Escherichia coli</em> comprovam que a presença de apenas uma célula bacteriana já altera a corrente elétrica, mostrando que mesmo infecções decorrentes de um pequeno número de bactérias podem ser diagnosticadas.<br /><br /></p>
<h3>Tecnologia eficaz</h3>
<p>O sucesso da nova técnica foi comprovado quando os cientistas aderiram o sensor a uma bolsa de administração intravenosa – as mesmas que são usadas em transplante sanguíneo ou administração de soro.</p>
<p>Durante meia hora, foram colocadas diferentes concentrações da bactéria <em>Staphylococcus aureus</em> sobre o dispositivo, e foi possível ver que, quanto maior a quantidade de bactérias, maior era a corrente elétrica detectada pelos eletrodos.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/sensordebacterias02.JPG"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/sensordebacterias02.JPG/image_preview" alt="Sensor de bactérias em bolsa de soro" title="Sensor de bactérias em bolsa de soro" height="277" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Quando aderido a materiais hospitalares, o dispositivo pode detectar a presença de bactérias no local, evitando a infecção de pacientes. (foto: Manu Manoor)</dd>
</dl>

<p>Os pesquisadores ressaltam que algumas cepas dessa bactéria causam infecções resistentes a antibióticos e costumam ser encontradas somente em hospitais. Segundo eles, o uso do nanossensor em equipamentos hospitalares permitirá que os profissionais da saúde identifiquem e controlem a presença desses microrganismos.</p>
<p>O passo seguinte foi testar a eficiência do nanossensor em um tecido vivo. O dispositivo foi colocado sobre a superfície de um dente bovino – para simular sua aderência a um dente humano – e posicionado em frente à boca de um voluntário. Cada vez que ele respirava, era possível ver as alterações da corrente elétrica na tela do computador. <br /><br /></p>
<h3 align="center">Veja abaixo um vídeo do experimento disponibilizado pela <em>Nature Communications</em></h3>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/-nIEkq3OggA" frameborder="0" height="335" width="450"></iframe></p>
<p><br />Os pesquisadores também aplicaram sobre o dispositivo uma pequena quantidade de saliva humana contendo <em>Helicobacter pylori</em>, bactéria que causa úlcera no intestino e câncer de estômago. Após 15 minutos, o sensor mostrou ser capaz de identificar a presença da bactéria na saliva. O estudo aponta que, caso o procedimento fosse feito em humanos, o diagnóstico seria rápido e indolor.<br /><br /></p>
<h3>Pequeno e inofensivo</h3>
<p>Além de identificar rapidamente a presença de bactérias, o nanossensor é muito mais maleável e menor que outros dispositivos similares. Segundo Manu Mannoor, coautor do estudo, a tecnologia é totalmente inofensiva. “O sensor não causa danos ao tecido e as propriedades do grafeno o tornam flexível e de fácil aderência.”</p>
<div class="pullquote">“É possível identificar outros microrganismos trocando o tipo de proteína antimicrobiana que se liga ao grafeno”</div>
<p>As três bactérias estudadas fazem parte da flora bacteriana normal e causam doença apenas quando há um desequilíbrio no organismo. Mannoor explica que a intenção do estudo foi descobrir se a tecnologia era funcional. “É possível identificar outros microrganismos trocando o tipo de proteína antimicrobiana que se liga ao grafeno.”</p>
<p>Apesar de usar eletrodos feitos de ouro, o pesquisador acrescenta que a produção do sensor é de baixo custo. “Após a criação desse protótipo, pretendemos diminuir ainda mais seu tamanho, além de fazer com que o dispositivo identifique exatamente que espécie está causando a infecção.”<br /><br /><strong>Mariana Rocha</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Mariana Rocha</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Nanotecnologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Medicina</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Microbiologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-03T22:27:18Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/propolis-para-que-te-quero">
  <title>Própolis, para que te quero</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/propolis-para-que-te-quero</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>“Menino, toma esse xarope de própolis para melhorar a garganta!” O leitor já pode ter ouvido essa frase da avó ou tê-la dito aos próprios filhos. Entre tantos remédios recomendados pela sabedoria popular, o própolis é famoso por sua ação antibiótica e fungicida.</p>
<p>Se tanta gente acredita que a substância faz bem ao homem, uma pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos resolveu pesquisar também se ela traz algum benefício para as abelhas, que a coletam na natureza. Os resultados indicam que esses insetos também se beneficiam das propriedades do própolis e tratam de usá-lo para combater infecções por fungos nas colmeias.</p>
<p>“Já que tanta gente está tentando usar própolis em benefício da saúde humana, pensei que deveríamos saber como a substância funciona para as abelhas, que a usam ativamente”, conta o biólogo Michael Simone-Finstrom, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, que desenvolveu a pesquisa durante seu doutorado na Universidade de Minnesota.</p>
<div class="pullquote">“Já que tanta gente está tentando usar própolis em benefício da saúde 
humana, pensei que deveríamos saber como a substância funciona para as 
abelhas, que a usam ativamente”</div>
<p>“Procuramos, então, saber se as abelhas respondiam de forma diferente em relação à coleta e ao uso de resina quando infectadas por parasitas e confirmar se o própolis teria efeitos diretos na colmeia contra esses patógenos. Isso nunca havia sido estudado antes.”</p>
<p>As abelhas coletam resinas de várias espécies de plantas, e o produto dessa coleta recebe o nome genérico de própolis, cuja origem é grega – <em>pro</em> significa “em defesa de” e <em>polis</em>, “cidade”. É normal que colônias de abelhas, especialmente as que vivem em cavidades nas árvores, apliquem uma fina camada de resina e cera nas colmeias. Esse comportamento, já observado em estudos anteriores, funciona como uma profilaxia contra infecções.</p>
<p>Porém, o estudo de Simone-Finstrom, <a class="external-link" href="http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0034601">publicado na revista <em>PLoS One</em></a>, aponta que o própolis pode ser usado também como medicamento para tratar infecções em curso, o que caracteriza automedicação. Para que determinado comportamento seja classificado assim, ele deve aparecer ou ser intensificado quando o animal é parasitado – o que, segundo a pesquisa, é justamente o caso das abelhas. <br /><br /></p>
<h3>Dando uma de enfermeiras</h3>
<p>O experimento consistiu em monitorar a coleta de própolis por abelhas de várias colônias diferentes: um grupo delas foi exposto ao fungo <em>Ascophaera apis</em>; o segundo, à bactéria <em>Paneabacillus larvae</em>; e o terceiro, ao fungo <em>Metarhizium anisopliae</em>, não patogênico para as abelhas e que, por isso, serviu como controle.</p>
<p>De uma maneira geral, a exposição ao<em> A. apis</em> fez aumentar a coleta de resina na colônia. O resultado é surpreendente se considerarmos que o fungo afeta apenas as larvas, mas são as abelhas adultas que modificam seu comportamento para combatê-lo – o que, à primeira vista, pode parecer pouco vantajoso. A explicação encontrada pelos pesquisadores é que a colmeia como um todo é o indivíduo afetado e, por isso, seus membros se envolvem no combate à infecção.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/propolis02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/propolis02.jpg/image_preview" alt="Abelhas" title="Abelhas" height="221" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">A exposição ao 'A. apis' fez abelhas adultas aumentarem a coleta de resina na colônia, apesar de o fungo só afetar as larvas. Para os pesquisadores, essa espécie de altruísmo se justifica pelo fato de a colmeia inteira ser vista como o indivíduo afetado. (foto: Michael Simone-Finstrom)</dd>
</dl>

<p>Por fim, a pesquisa concluiu que o própolis pode ter um papel direto na defesa contra o fungo. Uma parte das colônias estudadas teve o interior revestido com a resina e, três semanas após a exposição ao <em>A. apis</em>, as colmeias sem revestimento de própolis apresentaram uma infecção significativamente maior se comparadas às colmeias que foram protegidas com a resina.</p>
<p>A automedicação já foi observada em outras espécies animais e pode assumir duas formas: o uso externo de determinada substância, como no caso das abelhas, ou a ingestão de alimentos que não fazem parte da dieta normal da espécie – há, por exemplo, primatas que ingerem folhas especiais para se livrar de infecções por nematódeos.</p>
<p>Segundo Simone-Finstrom, os próximos passos da pesquisa incluem investigar se as abelhas respondem também à infecção por outros microrganismos. “É possível que as colmeias também respondam a infecções por bactérias, mas não tivemos resultados conclusivos quanto a isso neste estudo; é algo que queremos explorar num futuro próximo”, adianta.<br /><br /><strong>Catarina Chagas<br /></strong>CHC On-line<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado"><a class="external-link" href="http://chc.cienciahoje.uol.com.br/receitas-da-doutora-abelha">Clique aqui</a> para ler o texto que a <em>Ciência Hoje das Crianças On-line</em> preparou sobre a essa pesquisa.</div>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Catarina Chagas</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Medicina popular</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Biologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-02T15:25:23Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/alerta-aos-profissionais-da-saude">
  <title>Alerta aos profissionais da saúde </title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/alerta-aos-profissionais-da-saude</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Cansaço, desestímulo, depressão e frieza nas relações com outras pessoas. É assim que você se sente no seu trabalho? Pois esses são sintomas bastante comuns entre os portadores da síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional, que, embora pouco diagnosticada no Brasil, afeta muitos trabalhadores da área de saúde. Pesquisas feitas com enfermeiros na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), <em>campus</em> de Divinópolis (Minas Gerais), apontam agora situações e características associadas ao desenvolvimento da doença por esses profissionais.</p>
<p>A síndrome de Burnout desenvolve-se em profissionais que exercem função assistencialista e têm relação direta e frequente com outras pessoas. Professores, médicos, enfermeiros e psicólogos são os mais suscetíveis, devido à sobrecarga de trabalho e à falta de autonomia – principalmente quando trabalham em escolas e hospitais.</p>
<div class="pullquote">A síndrome de Burnout desenvolve-se em profissionais que exercem função assistencialista e têm relação direta e frequente com outras pessoas&nbsp;</div>
<p>Para averiguar a ocorrência da síndrome em profissionais de enfermagem, a UFSJ iniciou o projeto ‘De bem com a enfermagem’, que surgiu após a observação de que muitos profissionais que trabalhavam em um grande hospital de Divinópolis saíam de licença médica por problemas emocionais. “Eles nos contactaram para investigar as causas dessas licenças e nós logo suspeitamos da síndrome de Burnout”, conta um dos coordenadores do projeto, o enfermeiro e professor Richardson Machado.</p>
<p>Os pesquisadores começaram então a avaliar os profissionais de enfermagem que trabalham no setor de nefrologia e no centro de terapia intensiva (CTI) infantil do hospital, áreas fechadas e em que se mantêm relações com pacientes em estado crítico.&nbsp;</p>
<p>Nos dois setores, dois tipos de questionários foram usados para avaliar a ocorrência da síndrome. Um solicitava informações pessoais e profissionais e o outro apresentava 22 questões ligadas à exaustão emocional, à frieza nas relações interpessoais e à baixa realização pessoal no trabalho. Participaram da pesquisa 60 profissionais do setor de nefrologia e 36 do CTI infantil – dentre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.<br /><br /></p>
<h3>Sintomas comuns</h3>
<p>Segundo os pesquisadores, a maior parte dos entrevistados apresentou algum sintoma associado à síndrome, seja a frieza no tratamento dos pacientes, o desencanto com a profissão ou o cansaço emocional.</p>
<p>Os resultados mostraram que, no setor de nefrologia, os profissionais do turno da noite são mais afetados por esses sintomas. “Mesmo dormindo durante o dia, o sono nunca é completamente reposto, o que pode causar cansaço”, explica a estudante de enfermagem Taciana Ferreira, que aplicou e avaliou os questionários.</p>
<p>No CTI infantil, porém, os profissionais que trabalham durante o dia são os que mais apresentam alguma das características da síndrome. “A rotina de trabalho à noite no CTI é menos estressante, porque o profissional não tem que trocar curativo, dar banho nos pacientes, enfim, tem um menor número de atividades”, avalia Ferreira.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/alertaprofissionaissaude.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/alertaprofissionaissaude.jpg/image_preview" alt="Enfermeira com bebê" title="Enfermeira com bebê" height="323" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Segundo a pesquisa, as mulheres são mais propensas a desenvolver a síndrome de Burnout. (foto: Flickr/ BiblioArchives/ LibraryArchives – CC BY-NC-ND 2.0)</dd>
</dl>

<p>Embora vários profissionais desses setores tenham manifestado indícios da síndrome de Burnout, apenas três – dois do setor de nefrologia e um do CTI infantil – foram diagnosticados como portadores, pois apresentavam todos os sintomas característicos.</p>
<p>Segundo Ferreira, esses profissionais possuem perfil parecido: são mulheres entre 20 e 30 anos que têm apenas diploma do ensino médio. “As mulheres são mais propensas porque muitas delas, além de trabalharem, ainda têm que administrar a casa e, se tiverem filhos, se preocupar com sua educação e seu crescimento”, analisa.&nbsp;</p>
<div class="pullquote">A pessoa deve manter atividades físicas e de lazer em que relaxe e se desligue dos assuntos do trabalho&nbsp;</div>
<p>Os pesquisadores pretendem agora avaliar a ocorrência de depressão e ansiedade nos profissionais do setor de oncologia do hospital, bem como nos pacientes e seus acompanhantes. O objetivo é relacionar os resultados com os da pesquisa sobre a síndrome de Burnout nos enfermeiros, para diferenciar as patologias. “Isso é importante porque o diagnóstico de Burnout ainda é incomum no Brasil e, muitas vezes, é confundido com o de depressão”, destaca Richardson Machado.</p>
<p>Taciana Ferreira ressalta a necessidade de se divulgar a síndrome de Burnout para os jovens profissionais, com vistas não apenas ao seu diagnóstico, mas à sua prevenção. “A pessoa deve manter atividades de lazer em que se desligue dos assuntos do trabalho e fazer uma atividade física ou qualquer outra que a relaxe”, sugere. “Isso ajuda na busca pelo equilíbrio entre trabalho e lazer, que é necessário para uma boa qualidade de vida.”<br /><br /></p>
<p><strong>Fernanda Braune</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Fernanda Braune</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Psicologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Trabalho</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Depressão</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-01T20:40:36Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/d.o.r.t-e-sindrome-de-burnout.-voce-ja-ouvir-falar">
  <title>D.O.R.T e síndrome de Burnout. Você já ouviu falar?</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/d.o.r.t-e-sindrome-de-burnout.-voce-ja-ouvir-falar</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Fadiga, depressão, falta ou exagero de apetite, dores musculares, irritação, estresse. Em uma sociedade onde “tempo é dinheiro”, esses sintomas são muito fáceis de ser encontrados. Em entrevista à <em>CH On-line</em>, o médico Sérgio Roberto de Lucca, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica o que é o Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho (D.O.R.T.) e uma nova síndrome que tem se tornado cada vez mais popular entre os trabalhadores, a de Burnout.</p>
<p>Descubra qual deve ser o posicionamento das empresas em relação a esse novo cenário e como o trabalho em conjunto com o empregado pode ajudar a minimizar e até acabar com a ocorrência dessas doenças.<br /><br /><strong><em>Ciência Hoje On-line</em>: O que é o D.O.R.T?</strong><br /><strong>Sérgio Roberto de Lucca:</strong> O Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho inclui uma série de doenças do aparelho osteo-muscular resultantes de uma atividade repetitiva ou uma atividade de esforço, de modo geral, uma atividade antiergonômica. Manifesta-se principalmente pela síndrome do carpo (lesão causada por movimentos repetitivos do punho), a epicondilite [degeneração dos tendões que se originam no cotovelo] e a síndrome de impacto do ombro [inflamação no tendão supraespinhoso, localizado no ombro].</p>
<div class="pullquote">O D.O.R.T. é a segunda causa de afastamento do trabalho: são cerca de 9 mil casos por mês</div>
<p>A maioria dos trabalhadores que vêm da indústria metalúrgica e de onde o trabalho exige um esforço físico e repetitivo tem essas doenças. Segundo estatísticas do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], o D.O.R.T. é a segunda causa de afastamento do trabalho: são aproximadamente 9 mil casos por mês.<br />&nbsp;<br /><strong>A síndrome de Burnout é um tipo de D.O.R.T?</strong><br />Não. A síndrome de Burnout é um transtorno mental. A relação do D.O.R.T com os transtornos mentais ocorre depois do afastamento da pessoa do trabalho. A gente observa que as pessoas que ficam afastadas têm dificuldade de exercer as suas habilidades domésticas por causa da lesão e daí vem alguns dos distúrbios, como depressão, em uma espécie de síndrome pós-traumática. Segundo o INSS, os transtornos mentais – incluindo a síndrome de Burnout – são a terceira causa de afastamento do trabalho.<br /><br /><strong>Existe um grupo de pessoas mais afetadas?</strong><br />A síndrome de Burnout é uma doença caracterizada por transtornos mentais relacionados ao trabalho. Ela se manifesta em pessoas cuja profissão exija um envolvimento interpessoal direto e intenso. Os profissionais da área de educação, como os professores, que têm um envolvimento direto com os alunos, e os da saúde (médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem), que têm uma relação direta com o paciente, além de assistentes sociais, policiais, bombeiros e agentes penitenciários, são os trabalhadores que mais frequentemente manifestam Burnout.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/05/imagens/dorteburnout02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/05/imagens/dorteburnout02.jpg/image_preview" alt="Professora em sala" title="Professora em sala" height="301" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Entre os profissionais mais afetados pela síndrome de Burnout estão os da área de educação, como os professores, que têm um envolvimento direto com os alunos. (foto: Elias Minasi/ Sxc.hu)</dd>
</dl>

<p><br /><strong>Essas são doenças típicas do final do século 20 e início do século 21. Por quê?</strong><br />A partir dos anos 1990, o desenvolvimento de novas tecnologias aumentou o ritmo de produção. Além disso, o número de horas extras dos trabalhadores também cresceu, houve uma intensificação do trabalho. As pessoas, além de trabalhar mais de oito horas por dia, ficam nas suas casas e não desligam do trabalho; elas continuam trabalhando por meio do computador. Então você tem uma diminuição das atividades de lazer e um aumento das atividades de trabalho.<br /><br /><strong>Como as empresas devem se comportar em relação às doenças do trabalho?</strong><br />Em primeiro lugar, elas deveriam oferecer pausas compensatórias a esses trabalhadores, pausas com ginásticas laborais, descanso, ciclos de conversa, por exemplo, além de orientar os gestores em relação ao tipo de tratamento a ser dado a seus subordinados, para que não seja muito ríspido.</p>
<p>Há também a questão da falta de solidariedade entre os colegas de trabalho, que faz com que as pessoas se isolem e não procurem ajuda em casos de transtorno mental com medo de perder o emprego. Então as empresas devem estimular as pessoas a procurarem ajuda e oferecer as condições para que elas sejam realmente ajudadas.<br /><br /><strong>Qual é o tratamento recomendado?</strong><br />Tanto para D.O.R.T quanto para transtorno mental, o tratamento começa com o afastamento provisório da pessoa.</p>
<div class="pullquote">Tanto para D.O.R.T quanto para transtorno mental, o tratamento começa com o afastamento provisório da pessoa do trabalho</div>
<p>No caso de D.O.R.T, esse afastamento pode acontecer por um período de um a seis meses. Nossa experiência mostra que o tratamento tem durado de quatro a seis meses até a recuperação das lesões. Quando a pessoa retorna ao trabalho, tem que realizar uma atividade compatível com o seu estado, porque, se voltar às condições anteriores ao afastamento, vai ter novamente a lesão.</p>
<p>No caso de transtorno mental, o profissional deve fazer psicoterapia, no sentido de conseguir se equilibrar com sua condição de trabalho. Se ele não conseguir, tem que pensar em mudar a sua atividade profissional.<br /><br /><strong>O que se pode fazer para evitar a doença?</strong><br />As pessoas podem fazer ioga, fisioterapia, uma atividade de lazer para tentar se desligar do trabalho, ou seja, ela pode tentar se fortalecer do ponto de vista psíquico. Mas quem consegue fazer isso hoje?<br /><br /><strong>Você participa de um grupo que se reúne para discutir casos relacionados à medicina do trabalho no Hospital de Clínicas da Unicamp. Quais os resultados dessas reuniões?</strong><br />Nessas reuniões, discutimos inclusive se a doença tem relação com o trabalho ou não. Depois, são feitas visitas às empresas para estabelecimento de nexo causal. Nessas visitas, muitas vezes nós aproveitamos para orientar o setor produtivo a evitar algumas atividades antiergonômicas que estão desencadeando as lesões. A partir das discussões dos casos clínicos, nós tentamos sugerir atitudes de prevenção para evitar novas ocorrências entre os trabalhadores.<br /><br /><strong>Fernanda Braune</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Fernanda Braune</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Psicologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Trabalho</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Depressão</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-02T02:09:52Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/barreira-climatica">
  <title>Barreira climática</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/barreira-climatica</link>

  


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    <![CDATA[
<p>Apesar do cenário alarmista de aquecimento global, podemos ficar tranquilos: não haverá mudanças climáticas abruptas na Terra nos próximos 20 mil anos, enquanto estiver aberto o estreito de Bering, faixa de água que separa a América do Norte da Rússia. Pelo menos é o que mostra uma série de simulações de computador conduzidas por uma equipe internacional de pesquisadores.</p>
<p>Os cientistas partiram da história do clima para simular o que acontece com a temperatura mundial quando o estreito de Bering está aberto e quando está fechado. Hoje ele está aberto, mas já esteve fechado durante as eras glaciais, períodos em que as águas se concentraram em geleiras e o nível do oceano baixou, deixando à mostra uma faixa de terra de cerca de 80 km entre os continentes.&nbsp;</p>
<p>No final da última era glacial, entre 100 mil e 17 mil anos atrás, o estreito foi de extrema importância para a história humana. Acredita-se que foi no final desse período que os primeiros humanos chegaram às Américas, cruzando a ‘ponte’ que se abriu no lugar do mar. &nbsp;</p>
<div class="pullquote">As variações climáticas ocorridas entre 80 mil e 11 mil anos atrás teriam origem no efeito que o fechamento do estreito de Bering provoca na dinâmica do oceano</div>
<p>Apesar de prevalecer o frio, essa época foi marcada por mudanças climáticas extremas, chamadas de eventos Heinrich, principalmente entre 80 mil e 11 mil anos atrás. Pela análise de camadas de gelo pré-históricas, os cientistas sabem que a temperatura chegou a subir 10 ºC em pouco menos de uma década e depois cair drasticamente por mil anos onde hoje é a Groenlândia.&nbsp;</p>
<p>Os pesquisadores envolvidos nas simulações acreditam que essa variação climática se deve aos efeitos que o fechamento do estreito de Bering provoca na dinâmica do oceano. Uma das evidências disso é que, quando o clima se estabilizou, durante o Holoceno (época que se estende de 11,5 mil anos atrás até hoje), o estreito estava aberto.</p>
<p>Segundo os cientistas, o fim da ligação entre os oceanos Ártico e Pacífico faz com que a água fria e pouco salina proveniente do derretimento de geleiras no Ártico fique represada e não consiga escoar para o Pacífico, como ocorre normalmente. Ela então segue caminho direto para o Atlântico Norte, que fica mais frio e menos salgado.</p>
<p>O acúmulo de água fria no Atlântico causa o colapso de uma importante corrente oceânica responsável pela estabilidade do clima, a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc, na sigla mais usada, em inglês). <br /><br /></p>
<h3 style="text-align: center;">Confira o funcionamento da Amoc</h3>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/UT2Xy6dZXpQ" frameborder="0" height="315" width="420"></iframe></p>
<p>Esse sistema de circulação oceânica é caracterizado pelo transporte de águas quentes do Atlântico Sul para o norte e de águas frias do Ártico para o sul. Um ciclo que se dá principalmente pela diferença de densidade das águas: a água salgada e fria no extremo norte afunda e segue para o sul, retornando aos poucos à superfície, enquanto a água quente do sul flutua e segue para o norte.</p>
<p>Se a água fria vinda do norte que chega ao Atlântico é menos salgada – pois atingiu diretamente essa região, sem se misturar com a água salgada do Pacífico –, ela não afunda e a circulação Amoc para, mudando bruscamente o clima do planeta.</p>
<p>Nas simulações feitas em computadores com modelos do clima das eras glaciais, de hoje e de um possível futuro com o estreito fechado, os pesquisadores confirmaram essa teoria.&nbsp;</p>
<p>“Nossos modelos mostram que, enquanto o estreito de Bering estiver aberto, estamos a salvo de mudanças climáticas abruptas, pois a Amoc não corre perigo”, afirma o líder da <a class="external-link" href="http://www.pnas.org/content/early/2012/04/02/1116014109.abstract">pesquisa publicada na <em>PNAS</em></a>, Aixue Hu, meteorologista do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos.<br /><br /></p>
<h3>Estamos mesmo a salvo?</h3>
<p>Segundo Hu, sob condições normais, é possível prever que o estreito fique aberto nos próximos 10 mil anos, quando poderia se iniciar uma nova era glacial. Mas, devido à influência do aquecimento global causado pelo acúmulo de gases-estufa na atmosfera, esse período pode só chegar daqui a 20 mil anos.</p>
<p>“Para que o estreito se feche é preciso que o nível do mar caia no mínimo 50 metros, como ocorreu no último período glacial devido à elevação das faixas de gelo na América do Norte”, explica o pesquisador. “Enquanto a emissão de gases do efeito estufa aumentar, espera-se que o clima seja mais quente, então não precisamos nos preocupar com a possibilidade de fechamento do estreito.”</p>
<div class="pullquote">Com a grande emissão de gases do efeito estufa, não há risco de fechamento do estreito. No entanto, a alta concentração desses gases pode provocar a parada da Amoc</div>
<p>Isso não quer dizer, porém, que o aquecimento global não seja um problema. O oceanógrafo Alexandre Fernandes, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), conta que muitos outros trabalhos apontam justamente a concentração de gases-estufa como um fator que pode levar à parada da Amoc.</p>
<p>O pesquisador explica que o derretimento do gelo continental, devido ao aquecimento global, causa o mesmo problema observado nas simulações com o estreito de Bering fechado. Mais água fria chega ao Atlântico, podendo também parar a importante corrente oceânica.</p>
<p>“Esse trabalho é interessante, mas foca apenas em um dos fatores que podem influenciar a Amoc e o clima, o que não é suficiente para afirmar que não correrão mudanças climática abruptas”, diz. “Além disso, simulações trabalham elementos que são difíceis de quantificar e sempre existe um grau de incerteza.” E completa: “Devemos olhar esses resultados com ceticismo”.<br /><br /></p>
<p><strong>Sofia Moutinho</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sofia Moutinho</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Oceanografia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Meteorologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Mudança climática</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-30T19:55:51Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/pesquisa-facilitada">
  <title>Pesquisa facilitada</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/pesquisa-facilitada</link>

  


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    <![CDATA[
<p>Produzir animais geneticamente modificados para experimentos científicos é prática cada vez mais comum em laboratórios de todo o mundo. Mas a forma como isso vem sendo feito ainda deixa muito a desejar: o processo é demorado, e o resultado nem sempre é o que se espera.</p>
<p>Esses problemas podem estar com os dias contados, graças a um grupo de pesquisadores chineses que conseguiu criar camundongos geneticamente modificados por meio de um método inédito. A novidade foi que eles usaram uma célula-tronco embrionária no lugar de um espermatozoide para fertilizar um óvulo imaturo.</p>
<div class="pullquote">A forma como se produz animais geneticamente modificados ainda deixa 
muito a desejar: o processo é demorado, e o resultado nem sempre é o que 
se espera</div>
<p>A descrição do trabalho está na última edição da revista <a class="external-link" href="http://www.cell.com/"><em>Cell</em></a> , publicada nesta quinta-feira (26/04). Para entender a estratégia que os pesquisadores usaram, é preciso saber alguns conceitos técnicos.</p>
<p>As células da maior parte dos animais são classificadas em duas categorias segundo a configuração genética. No caso da espécie humana, por exemplo, as células reprodutivas (espermatozoides e óvulos imaturos) têm 23 cromossomos e são chamadas haploides. Já as demais, que compõem os órgãos e tecidos humanos, carregam 46 cromossomos e, por isso, são classificadas como diploides.</p>
<p>O número de cromossomos nas células varia de acordo com a espécie de animal, mas as haploides sempre terão a metade do que as diploides contêm. Na fecundação do óvulo imaturo pelo espermatozoide, o futuro embrião passa a ter material genético tanto do pai quanto da mãe e, assim, torna-se diploide.</p>
<p>Portanto, as células-tronco embrionárias são, por natureza, diploides. Para que os pesquisadores conseguissem utilizar uma delas no lugar de um espermatozoide, foi necessário primeiramente criar células-tronco haploides, que, no caso do camundongo de laboratório (<em>Mus musculus</em>), têm 20 cromossomos.</p>
<p>O procedimento consistiu em retirar o núcleo de um óvulo imaturo, transformando-o em uma célula sem material genético, e injetar em seu interior um espermatozoide. Quem explicou à <em>CH On-line</em> foi o bioquímico Jinsong Li, um dos autores do trabalho.</p>
<div class="pullquote">“Ainda precisamos aperfeiçoar as características de espermatozoide dessa
 célula, mas o que fizemos foi suficiente para usá-la na fecundação”</div>
<p>“O que obtivemos foi uma célula-tronco embrionária haploide que manteve as impressões químicas características da linhagem paterna encontradas no esperma”, diz Li, pesquisador do <a class="external-link" href="http://www.sibcb.ac.cn/eindex.asp">Instituto de Bioquímica e Biologia Celular</a> do Instituto de Ciências Biológicas de Xangai.</p>
<p>“Ainda precisamos aperfeiçoar as características de espermatozoide dessa célula, mas o que fizemos foi suficiente para usá-la na fecundação”, acrescenta.</p>
<p align="left">Camundongos geneticamente modificados são essenciais para pesquisas com doenças que vão do mal de Alzheimer ao câncer. Em 2007, o Nobel de Medicina ou Fisiologia <a title="Embrionárias, mutantes e laureadas" class="internal-link" href="/especiais/premio-nobel-2007/embrionarias-mutantes-e-laureadas">foi dividido</a> pelo britânico Sir Martin J. Evans e pelos norte-americanos Mario R. Capecchi e Oliver Smithies justamente pela criação de uma tecnologia para produção de camundongos geneticamente modificados.<br /><br /></p>
<h3>Vantagens<br /></h3>
<p>No modelo usual para modificação genética de camundongos de laboratório, uma nova linhagem é produzida a partir de células-tronco embrionárias comuns, que carregam tanto os genes do ‘pai’ quanto os da ‘mãe’ que as geraram, ou seja, são diploides. Por meio de engenharia genética, o pesquisador pode alterar alguma parte da estrutura que seja de interesse científico.</p>
<p>Essas células, modificadas, são injetadas em um blastócito (tipo de pré-embrião), que por sua vez é implantado em uma fêmea que será uma espécie de ‘mãe de aluguel’. O filhote nascido dessa gestação é chamado de quimera, pois é constituído tanto de células com mutações quanto de células normais.</p>
<dl class="image-inline captioned">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/04/imagens/copy2_of_copy_of_Ratotransgnicofig2.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/imagens/copy2_of_copy_of_Ratotransgnicofig2.jpg/image_preview" alt="Ninhada 3" title="Ninhada 3" height="299" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Ninhada nascida de uma fêmea modificada geneticamente pelo novo método. A roedora mãe transmite a alteração genética para sua prole. (foto: Cell/ Elsevier)</dd>
</dl>

<p>Como o genoma modificado é incorporado aleatoriamente nas células que darão origem a óvulos e espermatozoides, as modificações genéticas podem passar para os futuros filhotes do animal ou não.</p>
<p>Caso sejam transferidas para a geração seguinte, consegue-se a linhagem geneticamente modificada. “Mas esse processo leva pelo menos um ano”, explica Li.</p>
<p>A técnica desenvolvida por sua equipe permite que, após a preparação das células-tronco e a fertilização, a espera por um roedor transgênico que transmitirá suas características para as próximas gerações seja apenas do período de gestação do animal, que é de cerca de 20 dias.</p>
<p>No experimento, o grupo de pesquisadores chineses utilizou uma linhagem de camundongo de laboratório já modificada geneticamente, chamada tecnicamente pelo código Oct4-EGFP .<br /><br /></p>
<h3>Outros animais</h3>
<p>Li explica que a nova metodologia deve permitir ainda a modificação genética de outros animais, como macacos, que sempre apresentaram restrições para serem manipulados, uma vez que a espécie não admite a produção de quimeras. “A eficiência ainda precisa ser testada em primatas, mas tudo indica que nosso modelo abre novos caminhos para trabalhos com macacos geneticamente modificados.”</p>
<div class="pullquote">A nova metodologia deve permitir ainda a modificação genética de outros animais, como macacos</div>
<p>“Para usar nosso procedimento em outros animais, é preciso que tecnologias como a de transferência nuclear e de microinjeção intracitoplasmática já estejam estabelecidas para a espécie”, afirma o bioquímico. “Todas essas tecnologias estão disponíveis para macacos.”</p>
<p>Os pesquisadores afirmam que a utilização de células-tronco embrionárias haploides ainda não é tão boa para a fertilização <em>in vitro</em> humana quanto o uso de espermatozoides. “Nossas células mantêm apenas parcialmente as características paternas encontradas no espermatozoide e, além disso, essas características tendem a se perder durante a cultura de células”, diz Li.</p>
<p>Futuramente, porém, eles acreditam que o aperfeiçoamento da técnica pode permitir seu uso para modificar células reprodutoras humanas para que um casal com genes de uma doença genética possa ter um filho saudável.<br />&nbsp;<br /><strong>Célio Yano</strong><br />Ciência Hoje On-line/ PR<br /><br /><em>Este texto foi modificado para incluir a seguinte alteração:</em><br />O estudo foi realizado com camundongos (<em>Mus musculus</em>), e não ratos, como constava na versão anterior. (27/04/2012)<br /><br /></p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Célio Yano</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Genética</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Reprodução</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Bioquímica</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-27T14:58:50Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/materia-fugaz">
  <title>Matéria fugaz</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/materia-fugaz</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>A matéria escura é uma misteriosa substância invisível que, segundo os cientistas, compõe cerca de 80% do universo. Para torná-la ainda mais enigmática, uma pesquisa de uma equipe internacional de astrônomos mostra que ela não está presente em um dos locais onde se supunha estar, uma região vizinha ao nosso Sol.</p>
<p>Com um telescópio de 2,2 metros de diâmetro do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, a equipe de astrônomos mapeou o movimento de mais de 400 estrelas em uma área do chamado disco espesso da Via Láctea, região que concentra as estrelas mais antigas da nossa galáxia. O pedaço analisado, que foi quatro vezes maior do que o já considerado em estudos anteriores sobre a mesma região, fica a 13 mil anos-luz de distância do Sol.</p>
<p>Hoje a matéria escura não pode ser detectada diretamente, mas apenas por medições indiretas, como o movimento das estrelas. A velocidade de rotação das estrelas é influenciada pela força gravitacional que a matéria ao seu redor exerce sobre elas. Ao calcular a quantidade de matéria visível, é possível saber se somente ela é suficiente para provocar o movimento observado nos astros ou se existe outro tipo de matéria exercendo força sobre eles.</p>
<p>Como a velocidade das estrelas na região do disco espesso da Via Láctea é geralmente maior do que aquela que a matéria visível é capaz de provocar, os cientistas assumem que ela deve ser influenciada por outra matéria, oculta: a matéria escura.</p>
<div class="pullquote">A rotação das estrelas vizinhas ao Sol pode ser totalmente explicada pela matéria visível, como gases, outras estrelas e poeira</div>
<p>No entanto, ao medir a velocidade das estrelas vizinhas ao Sol nesse experimento do ESO, os astrônomos não perceberam nada de incompatível. A rotação delas podia ser totalmente explicada pela matéria visível, como gases, outras estrelas e poeira.</p>
<p>“A quantidade de massa que calculamos coincide muito bem com o que vemos lá”, diz o líder da equipe, Christian Moni Bidin, astrônomo da Universidade de Concepción, no Chile. "Surpreendentemente, não há espaço em nossos cálculos para a matéria escura que era de se esperar que houvesse.”</p>
<p>Segundo os modelos mais aceitos, a quantidade de matéria escura em nossa galáxia seria 10 vezes maior do que a de matéria visível e a chance de não haver matéria escura na região vizinha ao Sol seria mínima.<br /><br /></p>
<h3>Existência inquestionável</h3>
<p>A existência da matéria escura não é questionada; ela já foi detectada, indiretamente, em outras regiões do espaço. No início do ano, um consórcio internacional de astrônomos anunciou o <a class="external-link" href="http://www.cfht.hawaii.edu/en/news/CFHTLens/">maior mapeamento de matéria escura já realizado</a>, usando dados do telescópio CFHT (Canadá-Grance-Hawaii Telescope), que escaneou 10 milhões de galáxias localizadas a distâncias de um bilhão a seis bilhões de anos-luz da Terra.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/04/imagens/materiafugaz02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/imagens/materiafugaz02.jpg/image_preview" alt="Mapeamento de matéria escura" title="Mapeamento de matéria escura" height="351" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">O maior mapeamento de matéria escura já feito concentrou-se em regiões distantes do universo, a cerca de seis bilhões de anos-luz do nosso sistema solar. Na imagem, os pontos mais claros indicam a presença de matéria escura. (imagem: CFHTLens/Van Waerbeke/Heymans)</dd>
</dl>

<p>Até hoje poucos estudos analisaram áreas da Via Láctea próximas ao Sol. A maioria das pesquisas sobre matéria escura feitas na nossa galáxia se concentrou em sua região periférica.</p>
<p>Para o astrofísico Martín Makler, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), não é possível descartar imprecisões nos cálculos e nas hipóteses em que o estudo se baseou. “A pesquisa precisa ser refeita e verificada por outros cientistas antes de uma conclusão definitiva. Se confirmados, os resultados obtidos teriam muitas implicações para o entendimento do universo.”</p>
<p>Makler explica que os modelos mais aceitos sobre matéria escura a descrevem como fria, ou seja, uma matéria com velocidade baixa, se comparada à da luz, e que tende a se aglomerar. A ausência de matéria escura perto do Sol poderia significar que ela não é fria – mas morna –, tem velocidade maior e, por isso, está mais espalhada.</p>
<p>“Alguns trabalhos já apontam para a possibilidade de a matéria escura ser morna e essa é uma das explicações para a ausência verificada”, diz o astrofísico. “Mas existe ainda uma chance de que ela seja mesmo fria e, contra todas as estatísticas, não esteja presente na região observada.”</p>
<p>Makler lembra que a nossa galáxia tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro, quase dez vezes mais que a região analisada na pesquisa.<br /><br /></p>
<h3>Esperança no espaço</h3>
<p>Hoje, dezenas de laboratórios no mundo tentam, ainda sem sucesso, detectar matéria escura de forma direta pela medição da chamada força nuclear fraca. Essa força, em teoria, seria perceptível quando a matéria escura ‘esbarrasse’ no núcleo de um átomo.</p>
<div class="pullquote">Se não houver matéria escura perto do Sistema Solar, a busca por essa substância no nosso planeta torna-se quase impossível</div>
<p>Se não houver matéria escura perto do Sistema Solar, a busca por essa substância no nosso planeta torna-se quase impossível. “Caso seja confirmado, esse resultado é uma mensagem para os laboratórios dizendo que é muito mais difícil detectar matéria escura em laboratórios na Terra do que imaginamos”, comenta Makler.</p>
<p>Nesse caso, as esperanças de detecção vão mesmo (literalmente) para o espaço. O astrônomo chileno Christian Bidin aposta em rastreamentos futuros da Via Láctea. “O enigma da matéria escura tornou-se agora ainda mais misterioso”, diz. “Rastreamentos como os da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, serão cruciais para avançarmos a partir deste momento.”</p>
<p>A <a class="external-link" href="http://sci.esa.int/science-e/www/area/index.cfm?fareaid=26">missão Gaia</a>, prevista para 2013, tem com principal objetivo criar um mapa tridimensional da Via Láctea, revelando sua composição e formação. O levantamento de mais de um bilhão de estrelas incluirá também a região próxima ao Sol e vai fornecer mais dados para detecção da matéria escura.&nbsp; <br /><br /><strong>Sofia Moutinho</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sofia Moutinho</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Astrofísica</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Astronomia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-25T20:24:57Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/pesquisa-no-tatame">
  <title>Pesquisa no tatame</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/pesquisa-no-tatame</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O preparo físico de atletas de judô pode estar sendo feito há cerca de 30 anos com base em um princípio parcialmente equivocado, revela um estudo realizado por pesquisadores da <a class="external-link" href="http://www.usp.br/eef/">Escola de Educação Física e Esporte</a> da Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>A pesquisa, publicada recentemente no periódico <em>on-line <a class="external-link" href="http://www.jove.com/video/3413/determining-the-contribution-of-the-energy-systems-during-exercise?access=ybyomkk0">Journal of Visualized Experiments</a></em>, investigou de que forma o organismo dos judocas libera a energia necessária para a realização dos movimentos exigidos na arte marcial.</p>
<p>A conclusão foi de que o esporte de origem japonesa demanda energia de três diferentes sistemas metabólicos. Até agora acreditava-se que a modalidade dependia majoritariamente de apenas um deles.</p>
<div class="pullquote">Até agora acreditava-se que o judô dependia majoritariamente de apenas um dos três sistemas metabólicos do organismo</div>
<p>O organismo dispõe de três sistemas de conversão de nutrientes em energia. Atividades como corrida ou ciclismo, que representam períodos longos de exercício moderado, dependem do metabolismo aeróbico, que utiliza oxigênio para transformar glicose em energia, água e gás carbônico.</p>
<p>Em exercícios mais curtos e intensos, como salto e musculação, a glicose é quebrada sem a necessidade de oxigênio e gera como subproduto ácido lático – são chamados, por isso, de anaeróbicos láticos ou glicolíticos.</p>
<p>Já para demandas muito rápidas de energia, os músculos se valem de outro tipo de sistema anaeróbico, o chamado alático, que usa fosfagênio como fonte energética em vez de moléculas de glicose.</p>
<p>“Na literatura especializada, encontramos referências desde a década de 1980 que afirmam que o judô é um esporte essencialmente lático”, diz o doutor em educação física Emerson Franchini, coordenador do estudo. “Embora haja um nível elevado de participação desse sistema, os outros dois são igualmente importantes.”</p>
<p>Segundo Franchini, que coordena o <a class="external-link" href="http://grupodestudoslutas.blogspot.com.br/">Grupo de Estudos e Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate da USP</a>, o conhecimento sobre a contribuição energética de cada um dos sistemas é fundamental para a organização de treinos e para o desenvolvimento de estratégias de suplementação alimentar, por exemplo.<br />&nbsp;</p>
<h3>Equipamento portátil</h3>
<p>Os sistemas metabólicos utilizados em exercícios cíclicos como caminhada, corrida ou ciclismo são facilmente mensuráveis. No laboratório, é possível monitorar a composição gasosa da respiração de um atleta enquanto ele executa os movimentos e, após a conclusão da atividade, medir o nível de açúcar e outros compostos no sangue.</p>
<p>Artes marciais em geral e esportes em equipe, como futebol, não podem ser reproduzidos em laboratório, já que os movimentos utilizados são imprevisíveis e dependem das ações dos parceiros ou oponentes. Por isso, explica Franchini, essas modalidades têm recebido muito menos atenção de pesquisadores.</p>
<p>Para estudar os sistemas metabólicos utilizados durante a prática do judô, além de trabalhar com exames de sangue antes e depois da luta, o grupo da USP lançou mão de um equipamento portátil que analisa os gases liberados na respiração do atleta durante o combate.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/04/imagens/pesquisanotatame02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/imagens/pesquisanotatame02.jpg/image_preview" alt="Judô" title="Judô" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Atletas lutam enquanto o equipamento, que pesa cerca de 800 gramas, monitora os gases liberados na respiração de um deles. A identidade dos voluntários é mantida em sigilo. (foto: Emerson Franchini)</dd>
</dl>

<p>Franchini explica que o aparelho usado para medir os gases não atrapalha a realização de qualquer tipo de movimento pelo atleta. “Como funciona por telemetria, não precisa de cabos que o conectem a um computador para a coleta dos dados.” O dispositivo pesa cerca de 800 gramas, o que equivale a menos de 1% do peso dos judocas.</p>
<div class="pullquote">O aparelho usado para medir os gases não atrapalha a realização de qualquer tipo de movimento pelo atleta</div>
<p>Os experimentos envolveram 12 judocas profissionais de São Paulo, todos faixa marrom ou preta, e foram realizados em um ambiente típico de treinamento. Assim como em pesquisas com voluntários na área de saúde, a identidade dos participantes do estudo é mantida em sigilo.</p>
<p>Em um primeiro momento, os atletas realizaram três diferentes técnicas de projeção durante cinco minutos, sendo que cada projeção era realizada a cada 15 minutos. Em outro teste, os judocas trabalharam na maior intensidade possível, derrubando o adversário o mais rápido que conseguiam.</p>
<p>O coordenador do estudo explica que o método utilizado em atletas de judô pode ser adaptado para outros esportes de difícil análise. O próprio grupo da USP já fez experimentos com modalidades como escalada <em>indoor</em> e remo.</p>
<p>Além de pesquisador e professor na USP, Franchini é faixa preta em judô e preparador físico de atletas de nível internacional, como os medalhistas olímpicos Leandro Guilheiro e Thiago Camilo. Segundo ele, a rotina de treino desses atletas já tem incorporado o conhecimento sobre os sistemas metabólicos envolvidos nos exercícios.<br /><br /><strong>Célio Yano</strong><br />Ciência Hoje On-line/ PR</p>
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  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Célio Yano</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Educação Física</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Fisiologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-23T22:07:51Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/populacao-dividida">
  <title>População dividida</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/populacao-dividida</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Quantos livros você leu nos últimos três meses? Se a resposta for menos que dois, você está dentro da média brasileira, segundo resultados de pesquisa divulgada recentemente pelo <a class="external-link" href="http://www.prolivro.org.br/">Instituto Pró Livro</a>. O levantamento, feito a partir de cinco mil entrevistas domiciliares em 2011, também mostra que apenas metade dos brasileiros cultiva o hábito da leitura.</p>
<p>Em sua terceira edição, a pesquisa apontou uma leve queda no número de leitores brasileiros. Se atualmente o país tem cerca de 88,2 milhões de pessoas que leram pelo menos um livro (inteiro ou em parte) nos últimos três meses, em 2007 essa parcela era estimada em cerca de 95,6 milhões de pessoas (55% da população). Mas essa diminuição pode ser explicada por mudanças na metodologia da pesquisa, que ganhou novas perguntas no formulário de entrevistas.</p>
<p>Mesmo assim, os resultados do levantamento revelam um cenário preocupante. O Brasil é um dos países que menos leem na América do Sul. Enquanto os brasileiros leem cerca de quatro livros por ano, os argentinos leem 4,5 e os chilenos, 5,4.</p>
<div class="pullquote">A principal razão apresentada por mais da metade dos entrevistados para 
não ler é a falta de tempo, seguida pela falta de interesse</div>
<p>“Não temos motivo para comemorar esses índices”, comenta a presidente do instituto responsável pelo estudo, Karine Pansa. “Esperamos que esse quadro contribua para a avaliação e a implementação de políticas públicas que melhorem os índices de leitura no Brasil.”</p>
<p>A principal razão apresentada por mais da metade dos entrevistados para não ler é a falta de tempo, seguida pela falta de interesse. A maioria também considera mais prazerosas outras atividades que não a leitura. Assistir à televisão é o passatempo preferido de 85% das pessoas. Ouvir rádio e sair com amigos também estão entre as preferências. Já a leitura, seja de livro, revista ou jornal, só está nos planos para tempo livre de 28% dos entrevistados.</p>
<p>Apesar de ser uma das últimas opções de muita gente, a leitura é considerada importante por grande parte dos entrevistados. Para 64%, ler representa “fonte de conhecimento” e 6% pensam que a leitura é uma forma de “vencer na vida” e “melhorar a situação financeira”, embora 47% dos entrevistados digam não conhecer ninguém que tenha se tornado bem-sucedido por causa dos livros. <br /><br /></p>
<h3>Ler, só se for obrigado</h3>
<p>A pesquisa também mostra que no Brasil são os estudantes os que mais leem. Crianças entre cinco e 17 anos, em idade escolar, representam 35% dos leitores do país.</p>
<p>Entre os entrevistados que estudam, o percentual de leitores – 48% – é três vezes maior do que o de não leitores – 16%.Entre as pessoas que não estudam, a parcela de não leitores é cerca de 50% superior à de leitores.</p>
<p>Os dados mostram ainda que a maioria das crianças só lê livros didáticos obrigatórios e paradidáticos indicados pela escola. Isso é mais evidente entre os cinco e 10 anos, faixa etária em que somente 28% leem por iniciativa própria.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/noticias/2012/04/imagens/populacaodividida02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/imagens/populacaodividida02.jpg/image_preview" alt="Mulher lendo" title="Mulher lendo" height="265" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">A pesquisa aponta a mãe como figura determinante para a aquisição do hábito da leitura pelos filhos. (foto: Ariel da Silva Parreira/ Sxc.hu)</dd>
</dl>

<p>Para Pansa, isso é reflexo de que não basta investir em políticas públicas de incentivo à leitura no ambiente escolar, mas é preciso incentivar o contato com livros em casa. “Os pais têm que dar o exemplo, mostrar que a leitura também é entretenimento, não apenas obrigação”, afirma.</p>
<p>A pesquisa confirma a influência da família na aquisição do hábito da leitura. Entre os leitores, 43% apontam a mãe como figura determinante nessa escolha, enquanto seis em cada dez não leitores afirmam nunca terem visto os pais lendo.</p>
<p>Como solução possível, Pansa aponta o investimento em espaços não formais de educação, como bibliotecas. “Tornar as bibliotecas públicas um ambiente atraente e acolhedor, com opções de atividades culturais e de lazer – com programações atrativas, espaços confortáveis, grupos de leitura, horários acessíveis, entre outros – ajudaria a fazer com que a imagem da biblioteca não seja associada somente a um dever escolar.”<br /><br /><strong>Sofia Moutinho</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sofia Moutinho</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Educação</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Literatura</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-18T16:17:37Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/viciados-em-consumir">
  <title>Viciados em consumir</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/04/viciados-em-consumir</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>A compra compulsiva, também chamada <a class="external-link" href="http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2001/espaco07abr/editorias/comportamento.htm">oniomania</a>, é um distúrbio caracterizado pela aquisição exagerada – e desnecessária – de objetos, além da incapacidade de controlar os gastos. Apesar de ter sintomas característicos, a presença de sinais de depressão e ansiedade tende a dificultar o diagnóstico da doença, confundida frequentemente com o transtorno obsessivo compulsivo ou com o transtorno bipolar.</p>
<div class="pullquote">A presença de sinais de depressão e ansiedade tende a dificultar o 
diagnóstico da doença</div>
<p>Diante da dificuldade e da confusão frequente, a psicóloga Tatiana Filomensky decidiu, em sua <a class="external-link" href="http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-12012012-165404/pt-br.php">pesquisa de mestrado</a>, buscar aspectos específicos que ajudem a detectar o problema. Filomensky aplicou questionários de autopreenchimento a 80 pacientes do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde desenvolveu sua tese.</p>
<p>Todos os pacientes envolvidos na pesquisa já haviam sido diagnosticados com oniomania, transtorno obsessivo compulsivo ou transtorno afetivo bipolar. As perguntas dos questionários tentavam evidenciar quais eram os sinais específicos de cada distúrbio.</p>
<p>Com os dados coletados, a psicóloga conseguiu identificar algumas diferenças importantes entre as doenças. “Diferente do comprador compulsivo, o paciente com transtorno obsessivo compulsivo mostrou intensa preocupação com limpeza e possibilidade de contaminação, enquanto o paciente bipolar foi caracterizado pela variação de humor entre os estados eufórico e deprimido”, explica.</p>
<p>Filomensky explica que o comprador compulsivo pode ser caracterizado pela impulsividade e dificuldade de planejamento. Ela também detectou que o comprador compulsivo costuma gastar na tentativa de suprir carências emocionais. “O ato de comprar gera prazer e ameniza a sensação de tristeza do paciente, que não consegue controlar o impulso por gastar e acaba tendo problemas financeiros e familiares.”<br /><br /></p>
<h3>Origem incerta</h3>
<p>Não se sabe exatamente por que a oniomania surge, mas alguns estudos mostram que ela pode estar relacionada a mutações em um gene que codifica a MAO-A, proteína que controla a produção de serotonina. A doença também pode surgir após eventos traumáticos, como o abuso sexual ou por influência do consumismo que vem se difundindo cada vez mais na sociedade.</p>
<div class="pullquote">O comprador compulsivo se sente angustiado até poder comprar alguma coisa, como um dependente químico que anseia pela droga</div>
<p>Mesmo em quem não sofre do problema, o ato de comprar estimula a produção de substâncias que atuam no cérebro e geram prazer. A diferença entre quem tem uma queda por liquidações e quem é viciado em compras é que o comprador compulsivo se sente angustiado até poder comprar alguma coisa, como um dependente químico que anseia pela droga.</p>
<p>Quando não podem comprar, os oniomaníacos chegam a ter sintomas comuns aos de dependentes em abstinência de drogas, como tremores, suor em excesso e irritação. Em alguns casos, a busca pelo prazer é desastrosa: o paciente adquire dívidas e muitos passam horas comprando e perdem compromissos importantes no emprego, além de criar conflitos com os familiares que tentam impedi-los de comprar.</p>
<p>Por não haver um medicamento específico contra a doença, os psiquiatras costumam tratar os sintomas de depressão e ansiedade. No entanto, para a psicóloga, o melhor modo de administrar a doença é a partir de terapias que trabalhem os problemas característicos de cada paciente. “O tratamento psicológico é mais específico e usa a terapia individual ou em grupo para ajudar o paciente a se libertar do vício, reatar os laços com a família e se livrar das dívidas.” <br /><strong><br />Mariana Rocha</strong><br />Ciência Hoje On-line</p>
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  </content:encoded>
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  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Mariana Rocha</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Psicologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Psicanálise</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Psiquiatria</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-17T20:39:05Z</dc:date>
  <dc:type>Notícia</dc:type>
 </item>

 


</rdf:RDF>

