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Liberdade às cutias


Vídeo-reportagem da CH On-line acompanha a maior soltura de cutias já feita na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Liberdade às cutias

Estima-se que existam hoje aproximadamente 43 cutias vivendo na floresta da Tijuca. (foto: Sofia Moutinho)

Até 2010, as cutias (Dasyprocta leporina), habitantes naturais da mata atlântica brasileira, estavam extintas numa das maiores florestas urbanas do mundo, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. De lá para cá, o cenário mudou graças à atuação de pesquisadores do projeto Refauna, que vêm esporadicamente reintroduzindo esses animais na mata. Atualmente, estima-se que aproximadamente 43 cutias vivam na área do parque.

No final de junho, biólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Fundação Parques e Jardins, a Fundação RioZoo e a Fundação Oswaldo Cruz, realizaram a maior soltura de cutias já promovida no parque, libertando 13 animais que viviam em cativeiro. A Ciência Hoje On-line acompanhou esse momento, que, além de instigante, é decisivo para manter a biodiversidade da floresta.

Assista ao vídeo e saiba mais!



Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

 

Assista também ao vídeo da CHC On-line sobre esse assunto.

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Ditadura orquestrada


Documentos secretos recém-revelados confirmam protagonismo dos Estados Unidos na instauração da ditadura militar no Brasil. A investigação é tema de documentário.

Ditadura orquestrada

O então presidente do Brasil João Goulart (à esq.) e o embaixador norte-americano Lincoln Gordon (à dir.) em 1961. Gordon foi figura-chave no planejamento do golpe que depôs Jango em 1964. (foto: TV Brasil – EBC/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

Não é exatamente uma novidade. Rezam as más línguas que a ditadura militar brasileira foi arquitetada pelos Estados Unidos. Para alguns, é um fato histórico inquestionável. Para outros, no entanto, isso é mera teoria da conspiração.

O tema é sensível. Mas, de acordo com documentos históricos recém-revelados, não resta dúvida: o golpe militar de 1964 foi, de fato, uma tramoia dos ianques.

Os dados indicam que os norte-americanos tramaram e executaram, meticulosamente, cada passo que culminaria, em abril de 1964, na deposição do presidente João Goulart

Essa história sempre foi mal contada. Agora, um instigante documentário – O dia que durou 21 anos – apresenta fatos e dados de difícil refutação. São documentos oficiais e gravações em áudio que mostram conversas de embaixadores e políticos norte-americanos tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Esses dados indicam que os norte-americanos tramaram e executaram, meticulosamente, cada passo que culminaria, em abril de 1964, na deposição do presidente João Goulart e na instauração de um dos períodos mais sombrios de nossa história política.

E é claro que, para o sucesso do plano, foi fundamental a cumplicidade de alguns conhecidos barões de imprensa. Em tempo: o regime militar alavancou a ascensão de um império midiático ainda hoje influente no país – assunto que, é claro, não poderia ficar de fora do documentário.

Vale a pena assistir. Dirigido por Camilo Tavares, o documentário foi lançado em março de 2013. E a dica vem em boa hora. Pois em 2014 memoramos – ou lamentamos – os 50 anos do início da ditadura militar no Brasil.

Veja abaixo a primeira parte do documentário O dia que durou 21 anos



Em narrativa bem estruturada, o diretor apresenta documentos e gravações outrora secretos que provam a intervenção estadunidense em nosso país. Historiadores brasileiros e norte-americanos são entrevistados, além de militares da velha guarda – que, em discursos ora cínicos, ora realistas, expõem as contradições do regime que, em nome de uma suposta democracia, impôs uma ditadura.

Figura-chave é o embaixador norte-americano Lincoln Gordon. A mando dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, ele dedicava-se com afinco ao planejamento de estratégias de intervenção.

Ciência e subversão

A ciência brasileira foi particularmente afetada pelo regime ditatorial – que durou de 1964 a 1985. Quem nos dá um relato vivaz a esse respeito é o patologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva, atualmente diretor do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Rondônia. Ele publicou, em 2012, o livro Crônicas subversivas de um cientista (resenhado na CH 294, disponível para assinantes em nosso acervo digital).

No Brasil, houve uma verdadeira diáspora de cientistas

Hildebrando relata os percalços de sua carreira científica – e da de seus colegas – durante as décadas em que a academia estava subjugada aos caprichos dos militares. E dá exemplos contundentes de que, no Brasil, houve uma verdadeira diáspora de cientistas, que, sob acusações descabidas de subversão, exilaram-se ou rumaram em definitivo para outras terras.

Foi assim que, segundo Hildebrando, o país atrasou em pelo menos duas décadas seu progresso científico e tecnológico.

Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

Publicado por Henrique Kugler - 01/04/2014 14:36

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O Cosmos da nova geração


Nova versão da clássica série de Carl Sagan apresenta um espetáculo científico, mas tem a dura missão de ser tão relevante quanto a original para novas gerações de espectadores.

O Cosmos da nova geração

A nova série ‘Cosmos’ tem como meta atualizar a clássica produção estrelada por Carl Sagan, utilizando a tecnologia para ambientar uma fantástica viagem pelo espaço-tempo. (imagem: divulgação)

Na onda dos remakes na indústria do entretenimento, uma clássica série dos anos 1980 voltou repaginada à programação da TV em 2014. Cosmos, originalmente apresentada pelo astrofísico norte-americano Carl Sagan, no entanto, não é uma produção qualquer: foi um marco na história da divulgação científica mundial.

A nova versão propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo

A nova versão, que propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo – agora guiada pelo também astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, discípulo do próprio Sagan –, precisa lidar com outras questões científicas e contextos socioculturais distintos para responder a uma pergunta ingrata: é possível ser relevante como sua predecessora num mundo globalizado e com uma concorrência muito maior de seriados semelhantes?

A Cosmos original, que estreou na rede norte-americana PBS em 1980, apresentou a toda uma geração, nos resquícios da corrida espacial e da Guerra Fria, temas como a exploração do espaço, a história da Terra, a origem da vida e possibilidade de vida fora de nosso planeta. Vista por centenas de milhões de pessoas, inovou ao apresentar a discussão científica como entretenimento, explorando temas complexos de forma simples. Sucesso de crítica, a produção recebeu três prêmios Emmy e a versão impressa dos roteiros do programa foi elencada em 2012 pela Biblioteca do Congresso norte-americano entre os 88 livros que deram forma aos Estados Unidos.

Série Cosmos original
A série ‘Cosmos’ original foi um importante marco da popularização da ciência, tendo sido assistida por centenas de milhões de telespectadores em todo o mundo. (foto: Wikimedia Commons)

O remake de 2014 estreou no início de março – o terceiro capítulo, de um total de 13, vai ao ar nesta quinta-feira (27/03), às 22h30, no National Geographic Channel – e conta com a participação da viúva e colaboradora de Sagan, Ann Druyan, além da produção executiva de Seth Macfarlane (criador do desenho Uma família da pesada e fã declarado de Sagan). Seu objetivo é o mesmo da série original: levar a ciência a todos os públicos. “Quando Sagan era vivo, não tentávamos pregar para os convertidos. Queríamos evocar nas pessoas, que talvez fossem até hostis à ciência, um senso de deslumbramento”, afirmou Druyan ao Space.com.

Uma jornada pelo espaço-tempo

A estreia da produção foi suntuosa: foi ao ar em 170 países, em 48 idiomas, e contou com ninguém menos que o presidente Barack Obama como garoto-propaganda. Para Bruno Mendonça, astrônomo do Planetário do Rio de Janeiro, os produtores estão sendo acertadamente ambiciosos. “A série original foi um grande sucesso e temos visto a ciência se tornar tema principal em várias séries televisivas, aparecendo até mesmo em comédias como The Big Bang Theory; ela está na ‘crista da onda’”, avalia.

Nos dois primeiros episódios, Cosmos falou das origens da vida, abordou a evolução da vida desde a Terra primordial até o ser humano, recordou grandes extinções, visitou a Inquisição e viajou até as luas de Saturno e seus oceanos de metano líquido. A viagem percorreu exatamente esse trajeto pouco lógico, tão parecido com a memória humana – um recurso interessante para correlacionar assuntos, mas que às vezes cria certo desconforto por deixar temas em aberto e histórias por contar (em alguns casos, provavelmente nos próximos capítulos).

A estreia da produção foi suntuosa: foi ao ar em 170 países, em 48 idiomas, e contou com ninguém menos que o presidente Barack Obama como garoto-propaganda

Para a produtora cultural Roberta Manaa, idealizadora do projeto de rodas de leitura do Planetário do Rio de Janeiro e uma das organizadoras da Jedicon, a série tem mantido sua característica original de tornar palpáveis temas complexos, sem acabar com seu encantamento natural e sem evitar pontos espinhosos. “Vivemos em um momento delicado, no qual muitos propagam ideologias que vão contra a ciência e contra o acesso ao conhecimento. Por isso, todo esforço para trazer assuntos complexos para uma linguagem compreensível é válido”, diz. “Um bom exemplo disso foi dado pela Fox Oklahoma, que tirou o programa do ar quando foi abordado o tema da evolução, alegando ‘problemas técnicos’, sanados assim que essa parte acabou.”

O astrônomo Fernando Roig, do Observatório Nacional, pondera, no entanto, que ressuscitar uma série clássica, independentemente do resultado final, sempre traz um quê de falta de originalidade. “A Cosmos original foi única em muitos aspectos, como foram outras séries da mesma época. É difícil conceber um remake que possa ter o impacto que tiveram”, acredita. “Mas eu sou velho e ainda por cima sou astrônomo; talvez essa opinião deva ser dada por um adolescente curioso, como eu era quando vi a original.”

Se hoje os documentários científicos como Cosmos se tornaram mais comuns (ao menos na TV paga), Roig ressalta que o cenário era diferente na década de 1980, em especial no Brasil. “Não havia Discovery, History e canais desse tipo, o melhor dos mundos era quando a TV aberta passava algum documentário velho da BBC”, relembra. “Por isso, Cosmos teve um impacto tão grande; ela inovou em termos de linguagem científica, efeitos especiais e, principalmente, ao abordar um tema até então inexistente no mundo do documentário: a astronomia, e a sua relação com o pensamento humano.”

Bruno Mendonça também destaca a mudança de cenário, mas acredita numa concorrência não excludente. “Há muito mais séries com temática científica hoje – e quanto mais, melhor!”, comemora. “A inovação da nova Cosmos não é sua existência, mas os recursos tecnológicos que pode utilizar.”

Nova versão da série Cosmos
Para nos guiar por uma fantástica viagem da origem da vida aos confins do Universo, Neil deGrasse Tyson conta hoje com muitos recursos tecnológicos que não estavam à disposição de Carl Sagan em 1980. (imagem: divulgação)

De fato, a série atual lança mão de animações digitais que não existiam na época de Sagan e algumas passagens chamam a atenção pela riqueza estética (como a árvore da vida e o passeio pelo Sistema Solar do segundo episódio) – mas contrastam com a simplicidade do cenário da ‘nave’ em que Tyson nos leva pelo espaço-tempo, que parece aquém do esperado para uma produção atual.

Uma viagem pessoal pela ciência

As transformações midiáticas e tecnológicas, claro, não foram as únicas – a ciência também mudou nessas três décadas. “Muitos avanços aconteceram em todas as áreas, o que justifica o remake”, avalia Fernando Roig. “O próprio Sagan fez atualizações no original, adicionando conteúdo no fim dos capítulos, mas o resultado não foi bom.”

Roig: A primeira série era uma viagem pessoal filtrada pelos olhos de um pesquisador de opiniões muito fortes. Até aqui, a nova versão parece mais alinhada com o formato informativo dos documentários modernos

Mendonça, no entanto, relativiza as mudanças na ciência. “A nova Cosmos traz um calendário cósmico proposto por Sagan que mostra como nossa presença no Universo é recente”, explica. “Muita coisa aconteceu em 30 anos, a ciência evoluiu, mas quase nada mudou tanto assim, os principais temas permanecem atuais.” Uma das curiosidades dos fãs é como serão mostradas as descobertas sobre os exoplanetas, que não eram conhecidos na época da série original.

Mais do que no conteúdo, Roig aponta grandes diferenças na abordagem das duas produções – algo de certa forma refletido no próprio subtítulo das versões, que passou de Uma viagem pessoal para Uma jornada pelo espaço-tempo. “A primeira série tinha uma cadência que chamava à reflexão, era uma viagem pessoal filtrada pelos olhos de um pesquisador de opiniões muito fortes”, pondera. “Até aqui, a nova versão parece mais alinhada com o formato informativo dos documentários modernos, não há uma visão pessoal de Tyson – mas talvez ainda seja cedo para julgar isso.”

De forma geral, esperava-se mais de Cosmos do que apenas entretenimento de qualidade – afinal, a série original teve grande importância para a popularização da ciência para toda uma geração. Mas essa talvez seja uma expectativa injusta, dados os contextos social, econômico e cultural em que vivemos hoje. Pode ser demais acreditar que uma série de televisão, mesmo uma desse naipe, seja capaz de mudar concepções e resolver celeumas intermináveis sobre pontos que envolvem diversos interesses comerciais e até religiosos, como mudanças climáticas, energia limpa, sustentabilidade e evolução.

Neil deGrasse Tyson
Discípulo de Carl Sagan e um dos nomes mais conhecidos da área da popularização da ciência hoje em dia, Neil deGrasse Tyson tem a dura missão de substituir seu ‘mestre’ e tentar fazer da nova ‘Cosmos’ um marco tão significativo como a produção original. (imagem: divulgação)

Por sua vez, Tyson tem recebido críticas devido à sua posição em relação a determinados temas – em especial pela ‘neutralidade’ quanto à utilização militar do conhecimento científico. Sagan, apesar de grande incentivador da exploração espacial, foi grande crítico do projeto militarista do então presidente Reagan de criar um sistema de defesa espacial contra mísseis soviéticos (o famoso projeto Guerra nas Estrelas). Tyson parece ter uma visão mais romântica sobre o papel do cientista na sociedade e tende a isentá-lo da responsabilidade por esse tipo de uso do seu trabalho.

De qualquer forma, Roberta Manaa defende a escolha do astrofísico, um discípulo do próprio Sagan, para assumir a nova Cosmos. “Tyson parece apaixonado pelo que faz, é engraçado, inteligente, inspirador. Não imaginaria ninguém além dele que pudesse assumir esse papel”, diz.

A produtora cultural destaca, ainda, a importância da série e de outras produções de temática científica para despertar o interesse dos jovens pela ciência. “Ao seu modo, séries, documentários e até produções como Jornada nas Estrelas geram inquietude, admiração e desejo de conhecer”, avalia. “Isso é importante em especial em países como o Brasil, onde o investimento em educação e ciência não é o ideal e a qualidade da programação da TV é ruim, mas existe interesse por teatro e cinema de ficção científica e por atividades de divulgação.”

Assista ao trailer da nova versão de Cosmos


Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

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Desatando os nós


Exposição Nós do mundo chama atenção para o consumo e desperdício exagerados e busca promover uma reflexão sobre a relação do ser humano com o planeta.

Desatando os nós

O consumo exagerado e a produção de lixo são alguns dos temas abordados na mostra Nós do mundo, em cartaz até o fim do mês na Casa da Ciência, no Rio de Janeiro. (foto: Isabelle Carvalho)

Poluição do ar e das águas, extinção de espécies, desmatamento, desperdício de recursos naturais. Mesmo que alguns não queiram ver ou admitir, é muito claro que a atividade humana tem um enorme impacto sobre o mundo em que vivemos – e é justamente para essa relação que a exposição Nós do mundo, em cartaz na Casa da Ciência, no Rio de Janeiro, até o dia 30 de março, tenta abrir nossos olhos.

Os números assustadores são só um dos muitos dados alarmantes que ilustram o desperdício de recursos naturais decorrente do estilo de vida moderno

A mostra evidencia nossa relação com o planeta e busca promover a reflexão sobre as consequências da aparente necessidade infinita humana de consumo. Vídeos, fotografias e plataformas interativas apresentam ao visitante temas como as mudanças climáticas, fontes de energia, geração de lixo e consumo exagerado.

A área do ‘lixômetro’, por exemplo, destaca a quantidade de lixo gerada desde que a exposição foi montada. No ‘mercado’ que integra a mostra, os visitantes são convidados a escolher produtos e alimentos e se deparam com a sempre chocante informação sobre o total de litros de água gastos para a fabricação do item escolhido. Um exemplo: para se produzir um quilo de manteiga são necessários dezoito mil litros de água.

Os números assustadores são só um dos muitos dados alarmantes espalhados pela exposição que ilustram o desperdício de recursos naturais decorrente do estilo de vida moderno, um belo alerta para a necessidade de repensar as atividades humanas.

Confira abaixo uma vídeo-reportagem sobre a exposição

 

Exposição Nós do mundo
Casa da Ciência
Rua Lauro Müller, n.º 3. Botafogo, Rio de Janeiro.
Até o dia 30 de março, com entrada gratuita.


Isabelle Carvalho
Ciência Hoje On-line

Publicado por Isabelle Carvalho - 25/03/2014 19:26

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A saga do homem do campo


Caminhão-museu que percorre o Brasil com exposição itinerante sobre a história da luta pela terra no nosso país chega ao Rio de Janeiro.

A saga do homem do campo

A valorização do homem do campo é um dos temas da exposição itinerante Sentimentos da terra, que ficará aberta ao público até sexta-feira (21/03) na Fundação Oswaldo Cruz. (foto: Bruno Figueiredo)

Há um Brasil que muitos não veem: é o país dos conflitos agrários; das mortes violentas no campo; do sangue derramado em nome do direito à terra. Soa como o datado papo esquerdista dos anos 1980, é verdade. O problema é que a questão agrária – um dos mais profundos dramas históricos de nosso país – continua mal resolvida.

Abordagens as mais variadas fornecem ao visitante uma visão crítica da complexa realidade fundiária brasileira

A velha discussão ganha novo fôlego. Um museu itinerante – montado na carroceria de um caminhão – percorre o Brasil há um ano e leva consigo a história dos conflitos de terra em nosso país. É a exposição Sentimentos da terra.

Abordagens as mais variadas, que vão das artes à geografia, fornecem ao visitante uma visão crítica da complexa realidade fundiária brasileira – do século 16 aos dias de hoje.

O espaço tem um monitor interativo, seis computadores com acesso à internet e uma biblioteca especializada – além de duas salas de cinema, onde são exibidos 11 vídeo-documentários, cuja narração fica por conta dos artistas Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caio Blat, Dira Paes, José Wilker, Letícia Sabatella, Marcos Palmeira, Regina Casé, Vera Holtz e Wagner Moura.

Sala de exibição de documentários
Duas salas de exibição mostram 11 documentários sobre a história dos conflitos de terra no Brasil. (foto: Bruno Figueiredo)

Vale lembrar: a questão agrária, no Brasil, foi tomada por um estigma. Pois a luta pela terra – a despeito de fazer parte de nossa história há tantos séculos – é comumente reduzida e simplificada à militância de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a Via Campesina. “Um dos objetivos da exposição é ressignificar a discussão sobre a reforma agrária e desvinculá-la desses preconceitos”, diz a historiadora Pauliane Braga, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela é uma das coordenadoras do projeto, e ressalta que a exposição Sentimentos da terra não é militância; é pura pesquisa histórica. “Não temos nenhum caráter ideológico ou partidário.”

Na estrada

Nesta semana, o caminhão-museu está no Rio de Janeiro (RJ). Entre hoje (18/03) e sexta-feira (21/03), a exposição – que é gratuita – fica aberta à visitação na Fundação Oswaldo Cruz, ao lado do Museu da Vida.

A próxima parada é incerta. “Mas, ainda no primeiro semestre, pretendemos levar a exposição para o Norte e para o Nordeste do Brasil”, diz Braga. A cidade de Brasília (DF) também é parte do itinerário.

Exposição Sentimentos da terra
Biblioteca, monitor interativo e computadores com acesso à internet foram instalados no caminhão-museu Sentimentos da terra. (foto: Bruno Figueiredo)

Desde que começou sua jornada, em 2013, a exposição itinerante Sentimentos da terra já percorreu boa parte do sudeste brasileiro: Belo Horizonte (MG), Jequitibá (MG), Pouso Alegre (MG), Diamantina (MG), Poços de Caldas (MG), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Limeira (SP) e Araçoiaba da Serra (SP).

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Projeto República, da UFMG.

Na sua cidade
A rota do caminhão-museu Sentimentos da terra pode ser acompanhada pela internet. Interessados em solicitar uma visita a sua cidade podem entrar em contato pelo endereço eletrônico: sentimentosdaterra@gmail.com ou pelo telefone (31) 3409-6498.

 

História de luta

Os infindáveis conflitos de terra do Brasil contemporâneo têm sua gênese no modelo de ocupação territorial adotado no século 16 pela Coroa portuguesa. Foi o marco inicial da concentração fundiária.

Hoje, o termo ‘conflitos territoriais’ adquiriu um significado muito mais amplo. Ele se refere não apenas aos tradicionais embates, por vezes deveras violentos, entre campesinos e latifundiários, ou entre militantes sem-terra e forças repressoras do Estado. O conceito engloba desde impasses demarcatórios de terras indígenas até deslocamentos populacionais em função de megaprojetos governamentais, como, por exemplo, construções de grandes usinas hidrelétricas.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – órgão que monitora anualmente a evolução dos conflitos territoriais no Brasil – mostram uma realidade violenta ainda longe do que se poderia considerar aceitável em um país cuja economia está entre as dez mais pujantes da cena internacional.

Confira, no gráfico interativo abaixo, a evolução dos conflitos por terra no Brasil ao longo da última década



Em números absolutos, o número de conflitos tem-se mantido em patamares altos. E o número de assassinatos em nome da terra permanece pouco alterado ao longo da década.

Por trás desses dados, há um cenário crítico: a concentração de terras no Brasil ainda é uma das maiores do mundo. E, segundo muitos estudiosos, nossa realidade fundiária faz vista grossa à própria Constituição Federal – que, no artigo 186, define o princípio da função social da terra. De acordo com a carta magna, uma propriedade rural deve, entre outras coisas, zelar pela preservação do meio ambiente e dos recursos naturais; e promover justas relações de trabalho.

Confira abaixo vídeo sobre a exposição itinerante Sentimentos da terra


Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

Publicado por Henrique Kugler - 18/03/2014 18:25

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Mais que mil palavras


Vídeos com animações em três dimensões buscam transmitir de forma mais simples o conhecimento sobre o ciclo de vida dos agentes causadores da leishmaniose e da doença de Chagas.

Mais que mil palavras

Um dos primeiros vídeos com ilustrações em 3D elaborados pelos pesquisadores teve como tema o ciclo de vida do protozoário causador da doença de Chagas. (imagem: Dirceu E. Teixeira, Marlene Benchimol, Paulo H. Crepaldi e Wanderley de Souza)

Uma imagem, como diz o ditado, vale mais que mil palavras. E pode informar melhor do que muitas páginas descritivas. Ferramentas tecnológicas como vídeos, por exemplo, podem ajudar a explicar de modo mais fácil conceitos científicos. Partindo desse princípio, os pesquisadores Wanderley de Souza e Marlene Benchimol, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb), estão produzindo vídeos com animações em três dimensões para melhor explicar o ciclo de vida dos agentes causadores da leishmaniose e da doença de Chagas.

O principal objetivo do projeto, segundo um de seus participantes, o biólogo Dirceu Esdras Teixeira, é facilitar o acesso ao conhecimento científico. Os vídeos também apresentam os dados mais recentes disponíveis sobre a biologia dos protozoários Trypanosoma cruzi (responsável pela doença de Chagas) e Leishmania (responsável pela leishmaniose). “Boa parte dos livros usados em salas de aula estava desatualizada”, afirma Teixeira. “No caso da Leishmania, destacamos a parte do ciclo biológico do protozoário no corpo do inseto; este ciclo é pouco conhecido. É diferente quando você visualiza o ciclo de vida e quando você o descreve.”

Assista a um dos vídeos na íntegra

 


Para o pesquisador, as figuras bidimensionais usadas tradicionalmente em salas de aula podem levar a equívocos durante o aprendizado. “Normalmente, professores desenham no quadro uma célula, que é tridimensional, de forma bidimensional. Assim, importantes relações espaciais não são compreendidas, algumas informações acabam se perdendo e os alunos não formam conceitos completamente corretos.” Com os vídeos em três dimensões, mais próximos da realidade, será mais fácil, segundo Teixeira, assimilar o conteúdo científico, ou seja, visualizar o processo e entendê-lo.

Quem produz os vídeos tridimensionais é o designer gráfico Paulo Henrique Crepaldi, do Núcleo de Animações Científicas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A equipe já tinha experiência na produção de animações científicas para o curso de biologia a distância de Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). “Já estávamos familiarizados com toda a teoria de aprendizagem envolvida nesse processo”, afirma o pesquisador. A produção dos vídeos é relatada em artigos publicados nas revistas PLOS Pathogens e PLOS Neglected Tropical Diseases.

 

Aplicações e desdobramentos

Além de importantes para ilustração de artigos ou para apresentações em congressos científicos, Teixeira explica que os vídeos são uma forma de aprendizagem lúdica e acessível a alunos desde o ensino médio até a pós-graduação. Um dos primeiros vídeos produzidos, sobre o ciclo de vida do Trypanossoma cruzi, foi distribuído para as escolas públicas de ensino médio do Rio de Janeiro, acompanhado de um atlas didático com as ilustrações em três dimensões e um CD com as animações. O grupo pretende fazer o mesmo com o material sobre o ciclo de vida da Leishmania.

mosquito palha
A animação em três dimensões do ciclo de vida da ‘Leishmania’ foi exibida em sala de aula para alunos do ensino médio e da graduação. (imagem: Dirceu E. Teixeira, Marlene Benchimol, Paulo H. Crepaldi e Wanderley de Souza)

O biólogo conta que a utilização dos vídeos em sala de aula trouxe bons resultados. O material foi apresentado para alunos de ensino médio, graduação e pós-graduação, e, logo depois, os pesquisadores aplicaram um pequeno teste. “Avaliamos dois grupos de alunos: um ao qual foram ministradas aulas tradicionais; outro ao qual foram ministradas aulas com o material multimídia”, conta Teixeira. Os resultados indicam que os alunos que assistiram aos vídeos assimilaram melhor o conteúdo.  “A principal vantagem que percebemos foi a motivação dos estudantes, o que indicou que o ensino com as animações foi mais agradável e mais eficiente. Constatamos, de fato, que o aprendizado foi mais rápido.”

A utilização dos vídeos em sala de aula trouxe bons resultados: os alunos que assistiram aos vídeos assimilaram melhor o conteúdo

O projeto já está atraindo o interesse de instituições de outros países. O Inbeb recebeu recentemente da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) um pedido de cessão do vídeo sobre o ciclo de vida do T. cruzi. A Nasa quer usar o material para instruir os participantes de um programa de pesquisa sobre a possibilidade de ação dos vetores do Trypanossoma cruzi e da entrada da doença de Chagas nos Estados Unidos em decorrência das mudanças climáticas. 

Outros vídeos já estão sendo produzidos ou programados pelos pesquisadores. “Está em produção um vídeo sobre o ciclo de vida do Toxoplasma gondii, protozoário causador toxoplasmose”, diz Teixeira. “Além disso, planejamos elaborar um vídeo sobre protozoários do gênero Plasmodium, causadores da malária, a partir do início de 2014.”

Confira o vídeo sobre o ciclo de vida do T. cruzi no homem

 

 

Fernanda Távora
Especial para CH On-line

Publicado por Fernanda Távora - 10/02/2014 11:00

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Múmia moderninha


Assista a uma vídeo-reportagem sobre como tecnologias modernas estão ajudando pesquisadores do Museu Nacional da UFRJ a desvendar mistérios do Egito antigo.

Múmia moderninha

Uma das peças estudadas pelos pesquisadores da UFRJ é o sarcófago egípcio da múmia Sha-amun-en-su. (foto: Jorge Lopes)

Nem só de escavações, ossos e objetos antigos é feito o estudo das civilizações que habitaram nosso planeta no passado. As tecnologias modernas podem ser grandes aliadas dos arqueólogos nessa tarefa. No Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por exemplo, pesquisadores contam com a ajuda da tomografia computadorizada e do escaneamento a laser para desvendar novas histórias do Egito antigo.

Por meio dessas tecnologias, é possível acessar e estudar os esqueletos dentro das múmias e fazer cópias desse material e de peças raras a partir de impressões em 3D. As réplicas produzidas integram uma exposição permanente do Museu sobre o Egito antigo.

A CH On-line visitou o laboratório onde as técnicas são usadas e a exposição e conversou com o curador da mostra, Antonio Brancaglion, e com o designer de produtos Jorge Lopes, responsáveis pelo trabalho. Nesta vídeo-reportagem, você poderá conhecer essa aplicação diferente das tecnologias avançadas e ter uma prévia da exposição permanente do Museu Nacional.

Confira abaixo a vídeo-reportagem



Isadora Vilardo
Ciência Hoje On-line

Publicado por Isadora Vilardo - 14/01/2014 15:19

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Carta de intenções

Bússola é o blogue da CH On-line, atualizado por jornalistas, pesquisadores e colaboradores do Instituto Ciência Hoje. Ele traz textos sobre a atualidade científica no Brasil e no mundo, comentários de cientistas sobre resultados de pesquisas, um apanhado do que há de melhor sobre ciência na internet e novidades dos bastidores da redação. Leia nosso post inaugural para saber mais sobre o que você vai encontrar por aqui.

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