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Conectados com a natureza


Exposição itinerante percorre diversas capitais brasileiras levando tecnologia, diversão e informação ambiental

Conectados com a natureza

Na mostra Conexão Estação Natureza, visitantes interagem com jogos controlados por sensores de movimento. A brincadeira procura sensibilizar a população para a preservação da natureza. (foto: Mila Maluhy)

Na selva de concreto de grandes cidades, os shopping centers representam, para muitos, as opções mais seguras e práticas de entretenimento e passeio. Por outro lado, é difícil imaginar ambientes mais desligados da natureza. Para fazer uma ponte entre esses centros urbanos e as questões ambientais atuais, a mostra itinerante Conexão Estação Natureza aposta na tecnologia, na interatividade e na provocação dos sentidos dos visitantes.

Em cartaz no Shopping Iguatemi de Brasília até 20 de junho, a exposição organizada pela Fundação Grupo Boticário já passou por Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte e viajará por outras seis capitais até fevereiro de 2016. Para ajudar os citadinos a mergulharem fundo no universo natural, os organizadores investiram em aparato tecnológico de ponta.

Conexão Estação Natureza
A exposição é montada em ‘shoppings’ de grandes cidades do país e passará por diversas capitais até o início de 2016. (foto: Mila Maluhy)

Um dos maiores atrativos da mostra é um cinema sensorial que permite ao visitante sentir frio, calor e cheiros – tudo para tornar a experiência mais real. O filme, projetado numa tela de 360º, ressalta o quanto dependemos da natureza e mostra que não podemos descuidar de sua preservação.

“O uso da tecnologia é uma forma de mediar o diálogo com o público. Hoje, as pessoas passam a maior parte do tempo conectadas através de seus dispositivos eletrônicos”, comenta Valéria Moro Werzbitzki, analista de educação e cultura da Fundação Grupo Boticário. “Nossa proposta é utilizar a tecnologia para sensibilizar os visitantes”.

Se você não vai à floresta...

Por muitos motivos, visitar reservas naturais não faz parte do cotidiano de grande parte dos moradores de nossas metrópoles – assim como a proteção do ambiente não está entre suas preocupações. Para mudar isso, os organizadores do evento resolveram levar a natureza até a cidade, com óculos de realidade virtual que convidam o visitante para uma experiência mais individual, um passeio ecológico. Envolto por sons e imagens, ele pode conhecer as belezas da reserva ambiental Salto Morato, no litoral do Paraná, e se aproximar de uma realidade quem nem sempre está ao seu alcance.

Atividade com óculos de realidade virtual
Visitante utiliza óculos de realidade virtual para um fazer um passeio virtual pela reserva ambiental de Salto Morato, no litoral paranaense. (foto: Mila Maluhy)

A exposição interativa conta ainda com jogos planejados especialmente para a mostra, que fazem uso de sensores de movimento para divertir, informar e conscientizar. De forma geral, os jogadores são desafiados a evitar os danos causados pelo homem ao meio ambiente e, assim, passam a conhecer e saber aplicar as boas práticas ambientais. Enciclopédias digitais em telas sensíveis ao toque complementam a mostra, oferecendo informações sobre o ecossistema marinho e as grandes regiões naturais do Brasil.

Conexão Estação Natureza

Itinerário:
* Brasília, DF – Shopping Iguatemi – Até 20/06
* Salvador, BA – Salvador Shopping – De 4/07 a 18/07
* Fortaleza, CE – Shopping Rio Mar – De 28/07 a 11/08
* Curitiba, PR – Shopping Paladium – De 23/08 a 6/09
* Porto Alegre, RS – Barra Shopping Sul – De 3/10 a 17/10
* Campo Grande, MS – Shopping Bosque dos Ipês – De 27/10 a 10/11

O horário de funcionamento em cada cidade dependerá do horário de funcionamento dos shoppings onde a exposição será montada.

Entrada gratuita.

Informações: contato@fundacaogrupooboticario.org.br


Everton Lopes
Instituto Ciência Hoje/ RJ

Clique aqui para ler o texto que a CHC preparou sobre esse assunto.

 

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Saúde na ponta dos dedos


Aplicativos auxiliam médicos e pacientes no diagnóstico e prevenção de doenças, mas não devem substituir acompanhamento profissional.

Saúde na ponta dos dedos

Com a disseminação das novas tecnologias digitais, aplicativos para celulares e ‘tablets’ surgem como possíveis aliados da saúde, ao transmitir informações úteis e ajudar a prevenir e diagnosticar doenças. (foto: Intel Free Press/ Flickr – CC BY 2.0)

O uso de aplicativos para tablets e celulares é uma realidade do mundo atual. E quando o assunto é saúde não poderia ser diferente. Há uma infinidade de programas voltados aos mais diversos fins.

Um bom exemplo é o brasileiro Virtual Check Up, que, com o apoio do Ministério da Saúde e de outras instituições de renome internacional, transmite gratuitamente aos usuários dados atualizados relativos a exames que devem ser feitos, assim como indicações de vacinas. Seu sistema funciona de acordo com a idade, o sexo e outras informações do paciente.

A médica dermatologista Tatiana Gabbi, da Universidade de São Paulo (USP), considera esse aplicativo um aliado dos médicos. “O Virtual Check Up é uma ferramenta desenvolvida por médicos clínicos que atuam em um hospital universitário dos Estados Unidos e visa auxiliar outros médicos a solicitarem, de acordo com o perfil do paciente que estiver diante deles, exames de checkup”, explica.

Aplicativo Virtual Checkup
O aplicativo Virtual Check Up recomenda vacinas ou exames para pacientes com base em informações como idade, sexo e condições de saúde. Seu objetivo é auxiliar na prevenção de doenças sem substituir a consulta médica. (imagens: reprodução)

Gabbi ressalta que, para determinar a confiabilidade de um aplicativo voltado à saúde, é necessário avaliar como ele foi desenvolvido. “É preciso saber quem esteve envolvido no projeto e quais são seus reais objetivos ao fazê-lo – geralmente essas informações estão disponíveis junto com o aplicativo”, comenta a médica. “No geral, há consulta de especialistas para o seu desenvolvimento.”

Observados esses pontos, a médica dermatologista apoia o uso de aplicativos por seus pacientes. “Esses aplicativos disseminam informações importantes de saúde e não devem ser tratados como uma ameaça”, afirma. “Pode ocorrer de algumas dessas informações estarem erradas, mas isso também acontece com livros e até artigos científicos publicados; com aplicativos não é diferente”, completa.

Outro aplicativo que Gabbi considera uma boa ferramenta para uso da população é o FotoSkin, gratuito e desenvolvido na Espanha. Ele auxilia na prevenção do câncer de pele, divulgando informações sobre pintas ou manchas suspeitas que podem aparecer no corpo (por exemplo, sinais que mudam de tamanho e de cor). Além disso, o sistema ajuda na identificação desse tipo de mancha por meio de fotos da pele do usuário, para que ele possa posteriormente procurar o dermatologista.

Médicos relegados?

Não é de hoje que o acesso às novas tecnologias está mudando a relação entre médicos e pacientes. A maior disponibilidade de informações tem levado a uma postura mais ativa dos doentes e a um diálogo mais embasado sobre os diagnósticos, acompanhados pela preocupação compreensível de que o papel do médico seja relegado.

Os aplicativos de saúde também não são unanimidade entre profissionais da área

Nesse contexto, os aplicativos de saúde também não são unanimidade entre profissionais da área. O dermatologista Dolival Lobão, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), por exemplo, é contra o seu uso. “O exame clínico da pele visando diagnosticar câncer ou qualquer outra dermatose é um ato médico; portando, cabe somente a um profissional realizá-lo”, enfatiza ele sobre o emprego do FotoSkin.

Muitos aplicativos, no entanto, pretendem ser parceiros dos médicos. É o caso do PA Kids, desenvolvido no Brasil e destinado a auxiliar pediatras no diagnóstico de hipertensão infantil, problema que cresce atualmente. Por meio da inserção de informações como sexo, idade, altura e valor da pressão arterial, o sistema aponta qual o estágio de hipertensão da criança ou adolescente. Além disso, em função dos níveis de pressão arterial do paciente, o aplicativo – que é pago – indica atividades que ele pode ou não realizar.

Segundo o cardiologista pediátrico Gustavo Foronda, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o PA Kids pode se tornar um aliado, mas deve ser usado com cautela. “Com o aumento na taxa de obesidade infantil, o diagnóstico de hipertensão pediátrica tem crescido”, comenta. “O aplicativo alerta para situações de risco de saúde e, por isso, é muito bem-vindo quando não substitui o acompanhamento médico”, conclui.

E você, usa algum aplicativo para ajudar a cuidar da sua saúde?

Valentina Leite
Ciência Hoje On-line

Publicado por Valentina Leite - 27/05/2015 18:40

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Aplicativo para uma rede mais segura


Estudante cria ferramenta digital para testar a segurança de redes que une praticidade, mobilidade e rapidez no acesso a informações.

Aplicativo para uma rede mais segura

O aplicativo Manual Hacker permite que o usuário, por meio do celular, teste a segurança de uma rede e se proteja de invasões. (foto: Flickr/ Davide Restivo – CC BY-SA 2.0)

Em uma época em que está cada vez mais difícil controlar o fluxo de informações, empresas, indivíduos e governos precisam investir mais em formas de proteger seus dados. Pensando em facilitar essa tarefa, um estudante do curso de Técnica de Informática do Instituto Federal da Bahia (IFBA) desenvolveu um aplicativo que pode ajudar a melhorar a segurança de redes por meio de testes realizados diretamente do celular.

A ferramenta permite o acesso a tutoriais que ensinam as melhores maneiras de testar a segurança de uma rede em relação a invasões

O aplicativo Manual Hacker, desenvolvido por Pedro Paulo Silveira, na época com 18 anos, é voltado tanto para leigos, que buscam conhecimentos gerais sobre a área, quanto para quem já tem certa experiência e procura informações um pouco mais avançadas. A ferramenta permite o acesso a tutoriais que ensinam as melhores maneiras de testar a segurança de uma rede em relação a invasões.

“O Manual possibilita o uso de ferramentas de testes de redes e sistemas, como Scanner de Portas TCP, HTTP Header, DNS lookup, que fornecem informações importantes sobre um sistema on-line, orientando sobre a melhor forma de se proteger de invasores", explica Silveira, que hoje, aos 19 anos, cursa ciência da computação na Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais.

O aplicativo inclui também outras ferramentas dedicadas a promover uma maior interação entre usuários e mantê-los atualizados com informações dessa área. Existe, por exemplo, uma seção de notícias sobre o campo da segurança da informação no Brasil e no mundo e uma ferramenta de chat (conversa instantânea) que possibilita a troca de mensagens e a colaboração entre os usuários.

Manual Hacker
O Manual Hacker, disponível em versão gratuita, reúne ferramentas para testar a segurança de redes e sistemas, para promover a interação entre os usuários e para mantê-los informados sobre as novidades da área. (imagem: reprodução)

“Eu sempre quis unir em um software mobilidade, informação e interação, então tive essa ideia de juntar tudo em um aplicativo leve e dinâmico, onde, além de se informar, o usuário ainda consegue testar a rede e se proteger contra invasão”, conta Silveira. “Com o aplicativo, os usuários podem testar se existem pontos vulneráveis em suas redes, o que geralmente é feito a partir de computadores de mesa ou notebooks; mas o aplicativo permite fazer o mesmo de qualquer lugar, pelo telefone.”

Popularidade internacional

O aplicativo já conta com mais de 100 mil downloads e tem duas versões: uma grátis, que contém propagandas, e outra paga, que custa 1,30 dólares e está livre de publicidade. Além disso, o Manual Hacker ganhou uma versão em inglês e começa a fazer sucesso em outros países. “Ele já foi acessado em mais de 30 países e agora estou trabalhando na sua tradução para o espanhol”, comemora o desenvolvedor, que recebeu um prêmio do IFBA pelo aplicativo.

Silveira: “A facilidade de manuseio também permite que não só especialistas na área de segurança da informação o utilizem, mas também usuários comuns”

Como parte de seus planos futuros, o estudante pretende expandir o uso do aplicativo para outras plataformas. “Por enquanto, só é possível baixar o aplicativo em sistemas Android, mas estou buscando investimento para levá-lo também para o Windows Phone e iOS (Apple)”, destaca.

Para Silveira, a importância do novo programa é levar informações que geralmente estão em livros, manuais e outras ferramentas físicas para um meio mais rápido. “A facilidade de manuseio também permite que não só especialistas na área de segurança da informação o utilizem, mas também usuários comuns”, conclui.

Isabelle Carvalho
Especial para CH On-line

Publicado por Isabelle Carvalho - 07/04/2015 22:20

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Brasil de volta ao espaço


Parceria entre os governos brasileiro e chinês, satélite CBERS-4, lançado no início do mês, teve suas primeiras imagens divulgadas.

Brasil de volta ao espaço

As primeiras imagens do CBERS-4, feitas pela câmera brasileira MUX, mostram detalhes da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. (imagem: CBERS/ Inpe)

Depois de um longo interstício, o Brasil volta a ter olhos próprios no espaço. Lançado com sucesso na madrugada do dia 07 deste mês, o satélite CBERS-4, fruto de uma parceria entre os governos brasileiro e chinês, teve as primeiras imagens que registrou divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) um dia após ter entrado na órbita da Terra. Feitas pela câmera multiespectral brasileira MUX, primeiro equipamento do tipo desenvolvido e produzido totalmente no Brasil e colocado a bordo de um satélite, elas mostram detalhes da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro.

A MUX tem resolução de 20 metros e registra imagens no azul, verde, vermelho e infravermelho próximo, para uso em diferentes aplicações. Ela é uma das quatro câmeras de alta resolução que compõem o CBERS-4. Na última quinta-feira (11/12), outras duas câmeras – a brasileira WFI e a chinesa PAN – tiveram seus registros divulgados. Os equipamentos, com resolução de 64 metros e 10 metros, respectivamente, mostraram a região de São Felix do Xingu (PA), na Amazônia.

Imagem da câmera WFI
Registro da Amazônia feito pela câmera brasileira WFI, com resolução de 64 metros. (imagem: CBERS/ Inpe)

O CBERS é um programa de sensoriamento remoto por satélite, que produz imagens da superfície da Terra em alta resolução, com aplicações que vão desde mapas de desflorestamento até estudos na área de desenvolvimento urbano de grandes cidades. O novo satélite facilitará, por exemplo, o monitoramento da Amazônia, o controle de recursos hídricos e florestais e o mapeamento da agricultura e da expansão das cidades, além de reforçar as relações do Brasil na América Latina, já que poderá fornecer informações para outros países da região.

Imagem da câmera PAN
Região de São Felix do Xingu, na Amazônia, registrada com resolução de 10 metros pela câmera chinesa PAN. (imagem: CBERS/ Inpe)

O lançamento bem-sucedido do CBERS-4 (feito a partir de uma base espacial chinesa) pode representar um ponto de virada no Programa Espacial Brasileiro, quase paralisado após o acidente de Alcântara, em 2003, e que amargou, no fim do ano passado, uma falha no lançamento do antecessor do novo satélite, o CBERS-3.

Em entrevista à Ciência Hoje On-line em julho de 2013, o presidente do Inpe explicou a importância do programa CBERS, em plena contagem regressiva para o lançamento do CBERS-3.

Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

Publicado por Marcelo Garcia - 15/12/2014 20:25

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Nada transcendental


Ficção científica ‘Transcendence’ levanta questões muito interessantes sobre as possibilidades da inteligência artificial, mas decepciona com trama superficial e pouco inovadora.

Nada transcendental

A busca por uma inteligência artificial cada vez mais avançada e consciente, tema de ‘Transcendence’, levanta questões que talvez enfrentemos num futuro não muito distante: até onde devemos ir? E como preservar o que faz de nós humanos? (foto: Divulgação)

É possível um computador desenvolver consciência? E transferir a consciência humana para uma máquina? Até que ponto permaneceríamos nós mesmos nesse processo? Poderemos um dia compartilhar uma consciência coletiva? A evolução da inteligência artificial, tema recorrente da ficção, é abordada pela nova produção hollywoodiana Transcendence – a revolução, em cartaz no Brasil. O filme, embora traga ideias interessantes e questionamentos inquietantes, sofre por conta de seu desenvolvimento confuso e vale muito mais pelas possibilidades que deixa de abordar.

Na história, o renomado pesquisador Will Caster (Johnny Depp), um dos maiores especialistas no campo da inteligência artificial, trabalha na construção de uma máquina ‘consciente’, que conjugue capacidade de processamento com a variedade das emoções humanas. Desenganado após uma tentativa de assassinato perpetrada por um grupo extremista que é contra a tecnologia, o pesquisador convence sua esposa Evelyn (Rebecca Hall) e seu melhor amigo Max Waters (Paul Bettany), também pesquisadores da área, a testar seu novo invento nele mesmo, ‘unindo’ sua consciência à da máquina.

Caster, Turing e Ela

O filme chega ao Brasil num momento curioso: no início do mês, houve muito estardalhaço sobre o primeiro computador que teria passado no teste de Turing – uma ‘prova’ proposta pelo matemático inglês Alan Turing em que programas devem se passar por humanos e enganar um grupo de jurados. O episódio foi cercado de polêmica, já que o chatbot Eugene teve que enganar apenas 30% do júri numa conversa em inglês de aproximadamente 5 minutos, via chat – e ainda fingindo ser um jovem estrangeiro, com todas as limitações de conversação derivadas desse fato contando a favor do bot.

Será que um dia chegaremos a ter os debates éticos que Transcendence levanta?

A máquina/homem Caster é infinitamente mais avançada do que Eugene, é claro, mas o paralelo entre realidade e ficção é interessante. Ainda mais se considerarmos as dúvidas levantadas em alguns momentos do filme sobre quem está realmente no controle: uma versão deturpada da consciência de Caster ou a máquina consciente se passando por ele? Será que um dia chegaremos a ter os debates éticos que Transcendence levanta?

Apesar de serem filmes completamente diferentes, a proximidade temática também torna impossível não traçar paralelos entre a nova produção e um dos grandes sucessos de 2013, Ela. No filme do ano passado, temos uma inteligência totalmente artificial, mas absurdamente humana, agradável, apaixonante, sensível ao ponto de embarcar numa jornada de ‘autoconhecimento’. Em Transcendence, pelo contrário, a personalidade humana de Caster parece perder força para a objetividade da máquina, conforme se transforma num ‘deus’ cibernético. 

Inconsistente

O maior problema do filme talvez seja transformar uma história que poderia ser densa em algo raso, amarrado por um roteiro fraco. Vale o aviso: a partir daqui, cuidado com os spoilers – continue por sua conta e risco caso ainda não tenha visto o filme e não queira saber mais detalhes da trama.

Então vamos lá: depois de escapar dos extremistas, a então máquina/homem Caster orienta Evelyn a criar um supercomplexo científico no interior dos Estados Unidos, que servirá de ‘abrigo’ para sua consciência. Com o passar dos anos, Caster avança décadas em relação ao conhecimento humano, apesar de manter inexplicavelmente todo esse novo conjunto de informações produzidas no subterrâneo do laboratório.

Cena do filme Transcendence
Na trama de ‘Transcendence’, quando um renomado e desenganado pesquisador da área da inteligência artificial transfere sua consciência para uma máquina, ele transforma-se num ser pós-humano, capaz de determinar o futuro da humanidade. (foto: Divulgação)

Nesse ponto, outro paralelo interessante pode ser feito com o último conto do livro Eu, robô, intitulado ‘O conflito evitável’, de Isaac Asimov. Nele, a Terra é administrada por quatro 'máquinas', com capacidade de previsão e raciocínio muito superior à humana e que ditam a logística de produção e emprego da mão de obra. Esse controle total é apenas uma perspectiva em Transcendence, porém muito menos sutil – em especial quando a ideia de transcendência, proposta como uma consciência coletiva conectada, é simplificada no clichê de um exército de ‘zumbis’ tecnológicos controlados por Caster.

Por um lado, a nanotecnologia e as células-tronco são tratadas como pó de pirlimpimpim científico. Por outro, a faceta on-line da máquina, que permitiria acesso a amplos recursos, é pouco explorada

A relação nada problematizada dos cientistas e do governo com o grupo extremista responsável por dezenas de mortes (de cientistas) é destaque negativo do roteiro, mas talvez seu maior problema seja a falta de limites claros dos ‘poderes’ de Caster. Por um lado, a nanotecnologia e as células-tronco são tratadas como pó de pirlimpimpim científico: possibilitam tudo, de ‘desintegrar’ armas a regenerar estruturas em instantes. Por outro, a faceta on-line da máquina, que permitiria acesso a amplos recursos, é pouco explorada.

Com nanossensores (nanorobôs?) espalhados pelo mundo, Caster pode ‘sentir’ a natureza, mas não o ataque iminente ao laboratório? Por que não usa arsenais militares para se proteger? E ele seria de fato tão vulnerável à destruição de um campo de painéis solares ou à ação de um vírus e não teria sistemas de segurança e backups espalhados pelo mundo?

Pouca inteligência, muito artificial

A premissa de Transcendence é fascinante e, apesar de não ser assim tão original, renderia uma bela ficção científica – por isso é uma pena observar a falta de cuidado com a trama, que vai perdendo o rumo após algumas boas escolhas iniciais. A atuação apática de Deep (mais uma em sua carreira recente) e a um tanto acima do tom de Kate Mara, como a líder terrorista Bree, também não ajudam a criar o clima que a produção mereceria.

Por tudo isso, Transcendence tem muito pouco de revolução, mas pode ser uma boa pedida para pensar sobre as questões e possibilidades que levanta. No entanto, talvez valha mais a pena reler ou rever os velhos clássicos do gênero, em casa.

Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

Publicado por Marcelo Garcia - 30/06/2014 16:42

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Ciência para cego sentir


Projeto inovador faz réplicas aumentadas de células em três dimensões com o objetivo de incluir alunos deficientes visuais no estudo científico.

Ciência para cego sentir

Monócito (célula do sangue) em três dimensões desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia. (foto: Divulgação)

Estudar ciência no Brasil nunca foi fácil. A maioria das escolas não dispõe de material adequado para cativar os alunos. No caso dos estudantes com necessidades especiais, a precariedade de equipamentos didáticos de apoio costuma ser ainda maior.

O objetivo é difundir o estudo científico entre estudantes cegos ou com baixa visão, de maneira que eles consigam, por meio do tato, conhecer o formato das células

Pensando nisso, um projeto da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com a colaboração do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), inovou ao desenvolver réplicas aumentadas de células em três dimensões. O objetivo é difundir o estudo científico entre estudantes cegos ou com baixa visão, de maneira que eles consigam, por meio do tato, conhecer o formato das células.

“Certa vez, conversando com o professor Athelson Bittencourt, responsável pelo Museu de Ciências da Vida da Ufes, ele me relatou que já havia recebido visitas de estudantes cegos ou com visão imperfeita e não sabia que estratégia didática utilizar com eles”, conta o imunologista Marco Guimarães, pesquisador da Ufes e coordenador do projeto, que teve início em 2011. “Foi assim que tivemos a ideia de elaborar células em três dimensões.”

Para confeccionar o material, os pesquisadores geram, no Laboratório de Ultraestrutura Celular da Ufes, modelos digitais a partir de imagens reais das células. Esses modelos são obtidos com técnicas de microscopia eletrônica de transmissão – essa tecnologia possibilita que a estrutura celular seja reproduzida de forma proporcional à verdadeira.

Modelos de leucócitos
Modelos tridimensionais de leucócitos sanguíneos obtidos com técnicas de microscopia eletrônica de transmissão, que permitem reproduzir proporcionalmente a estrutura celular. (imagem: Divulgação)

Após o desenvolvimento da estrutura digital, os modelos são enviados para a equipe do designer de produtos Jorge Roberto Lopes dos Santos, do INT, onde são materializados por meio de uma impressora 3D. As réplicas produzidas passam a integrar o acervo permanente do Museu de Ciências da Vida da Ufes.

Inovação e inclusão

“Professores de biologia celular costumam fazer modelos de célula com isopor e massinha de modelar, por exemplo”, contextualiza Guimarães. E acrescenta: “Já existem no mercado alguns projetos similares ao nosso. Mas essa é a primeira vez em que a célula impressa é oriunda de um modelo digital baseado em uma célula verdadeira.”

Já estão à disposição dos alunos dois modelos de células sanguíneas

Já estão à disposição dos alunos dois modelos de células sanguíneas: um monócito e um neutrófilo, que são tipos de leucócitos (glóbulos brancos), integrantes do sistema imunológico. Outros tipos celulares estão em processo de produção. A intenção dos pesquisadores é imprimir todas as células do sangue ao longo de 2014 para depois partir para a impressão de tecidos.

“Esperamos que um dia esse trabalho possa estar à disposição de estudantes cegos em todo Brasil”, finaliza Guimarães.

Gabriel Toscano
Ciência Hoje On-line

Publicado por Gabriel Toscano - 27/05/2014 18:04

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Ciência a um toque de distância


Conheça alguns aplicativos para ‘tablets’ e celulares voltados a quem se interessa por temas científicos.

Ciência a um toque de distância

O aplicativo Stelarium permite visualizar o céu noturno e identifica a posição, o nome e a distância de cada astro. (imagem: reprodução)

A moda dos aplicativos para tablets e celulares já atingiu o público que gosta de ciência. Há programas para todos os gostos, da astronomia à biologia, passando pela matemática. Além disponibilizar informações científicas para os aficionados de plantão, os aplicativos podem ser úteis no aprendizado de crianças e até auxiliar na coleta de dados para pesquisas. Confira abaixo uma pequena seleção:

O céu na palma da mão

Você passa muito tempo de cabeça baixa olhando para a telinha do celular? Então esses aplicativos vão te ajudar a erguer a cabeça. Voltados para quem gosta de astronomia e quer passar mais tempo observando o céu, esses programas trazem informações e curiosidades, além de terem um visual muito bonito. Dá pra passar horas só admirando os gráficos.

O programa mostra o céu noturno e possibilita a visualização dos planetas e da posição de estrelas e constelações dos hemisférios Sul e Norte

O Stelarium é um dos mais famosos e mais clássicos dentre os aplicativos de astronomia. Apesar de a versão para celular ser paga, é possível baixar gratuitamente o aplicativo para computador diretamente do site. O programa mostra o céu noturno e possibilita a visualização dos planetas e da posição de estrelas e constelações dos hemisférios Sul e Norte, com informações como o nome e a distância a que está cada estrela.

O 100.000 stars, que, apesar do nome, exibe a representação de 119.617 estrelas, é um guia interativo que permite navegar entre esses corpos celestes usando o mouse e dando zoom na tela. Para visualizar as informações das estrelas, basta clicar em cada uma delas. O programa usa dados e imagens das agências espaciais norte-americana (Nasa) e europeia (ESA) e seu visual, assim como o da maioria dos aplicativos do gênero, é de encher os olhos. Embora tenha sido desenvolvido para o Google Chrome, também é possível acessá-lo em outros navegadores.

Aplicativo 100.000 stars
O aplicativo 100.000 stars permite navegar em meio a 119.617 estrelas representadas na tela, inclusive com ‘zoom’. (imagem: reprodução)

Já o Planetary fica aqui como curiosidade. O aplicativo não traz informações sobre o cosmos, mas organiza a sua lista de músicas do iTunes como se fosse um pequeno universo. Cada estrela é um artista, cada planeta que orbita a estrela é um álbum e cada lua dos planetas é uma música da lista. O visual é bacana e divertido para quem curte astronomia. O aplicativo está disponível gratuitamente para o sistema operacional IOS 4, disponível em aparelhos da Apple, como iPhone e iPad.

Ferramenta educacional

Com o uso cada vez maior das ferramentas tecnológicas na educação, não é de se espantar que se criem aplicativos para ajudar no aprendizado escolar. Esses programas podem ser uma forma divertida de aprender ou relembrar o que nos ensinam na escola.

Um deles é o The Human Body, disponível para o sistema operacional IOS. Seu objetivo é mostrar o funcionamento do corpo humano. Voltado para crianças, o aplicativo tem um visual simples e fácil de entender. Na tela, aparecem o coração, as córneas, o estômago, o intestino grosso e outros órgãos do corpo, que a criança pode ver em ação com as funções do aplicativo e até fazer o boneco soltar pum.

Aplicativo The Human Body
O aplicativo The Human Body mostra o funcionamento do corpo humano. Voltado para crianças, ele pode ajudar no aprendizado escolar. (imagem: reprodução)

Já o aplicativo brasileiro MathYou pretende auxiliar crianças no aprendizado de matemática. Desenvolvido por um menino de 13 anos para uso gratuito em Iphone e Ipad, o aplicativo disponibiliza exercícios voltados para alunos do ensino fundamental. Ele gera diversas equações, desde as mais básicas, como adição, multiplicação, soma e subtração, até as que incluem exponenciação, radiciação, frações ou números negativos. Uma mão na roda para quem precisa de ajuda com matemática.

Da natureza para o celular

Aqueles que se preocupam com a proteção da fauna e querem contribuir com estudos desenvolvidos na área podem baixar o aplicativo brasileiro Urubu Mobile.

Criado para ser um banco de dados sobre animais atropelados em estradas brasileiras, o aplicativo segue uma lógica colaborativa

Criado para ser um banco de dados sobre animais atropelados em estradas brasileiras, o aplicativo segue uma lógica colaborativa: junta informações tanto de pesquisadores quanto de pessoas não especializadas no assunto. Para ajudar, é simples: basta fotografar o animal atropelado usando o aplicativo. Por meio do GPS, o local do atropelamento fica registrado.

Idealizado pelos grupos de pesquisa dos departamentos de ciência da computação, ciências florestais e biologia da Universidade Federal de Lavras (MG), o aplicativo contribui para acrescentar informações às pesquisas e aos registros de animais atropelados, dados ainda escassos no Brasil.

E você, tem alguma dica?

Fernanda Távora
Especial para CH On-line

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