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Narrativas tecnológicas


Ficção científica não inspira novas tecnologias, defende especialista, mas pode ser um bom veículo para avaliar a viabilidade de dispositivos ainda inexistentes.

Narrativas tecnológicas

Em ensaio sobre ficção científica, o especialista britânico Jon Turney discute a possível aplicação das narrativas tecnológicas numa perspectiva inovadora de se refletir sobre o gênero. (foto: Pierre Metivier/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

Imaginar novas tecnologias e sociedades nas quais elas são usadas pode impulsionar a inovação? Essa imaginação aumenta as chances de que ideias ou dispositivos específicos venham a se concretizar? Ela pode evitar o desenvolvimento de técnicas indesejáveis?

Todas essas perguntas se originam de uma única questão: a ficção científica pode influenciar a tecnologia e a inovação? Esse é o tema abordado pelo divulgador científico inglês Jon Turney no ensaio Imagining technologies (imaginando tecnologias, em português).

Nele, Turney faz uma revisão da literatura e das reflexões que vêm sendo feitas sobre o tema para chegar a algumas conclusões. Mas, como ele mesmo diz, pelo tema envolver pessoas, cultura e história, não há respostas simples e os detalhes variam muito de caso pra caso.

O ensaio não se limita, no entanto, a listar as interações entre a ficção científica e o desenvolvimento tecnológico. Turney também discute a possível aplicação prática das narrativas tecnológicas, numa perspectiva inovadora de se refletir sobre o gênero.

Ficção científica
A ficção científica tem encontrado espaço em diferentes suportes – literatura, cinema, seriados, entre outros – e diversos estudos buscam compreender a influência desse gênero no desenvolvimento científico e tecnológico. (foto: Pierre Metivier/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

Afinidades

Para Turney, embora a ficção científica seja mais do que simplesmente uma história a respeito de uma determinada tecnologia, essa generalização é mais ou menos correta. Esse gênero literário seria, assim, uma arena importante para se pensar os efeitos da tecnologia, pois permite imaginar mundos nos quais a vida é determinada por desenvolvimentos tecnológicos que ainda não vimos, mas cuja criação pode ser influenciada pelo papel que exercem nessas realidades alternativas.

As narrativas tecnológicas se desenvolveram junto com a tecnologia e a ficção científica foi umas das respostas culturais mais poderosas ao seu desenvolvimento

Por outro lado, toda novidade tecnológica começa na imaginação e precisa de uma descrição do seu objetivo, argumenta. Toda patente contém uma narrativa: construa este dispositivo ou siga este procedimento e certas coisas acontecerão – coisas que jamais foram vistas.

Ou seja, assim como as diversas tecnologias vêm com histórias, sempre houve ficção a respeito de tecnologia. Exemplos disso são os mitos de Prometeu e Ícaro. As narrativas tecnológicas se desenvolveram junto com a tecnologia e a ficção científica foi umas das respostas culturais mais poderosas ao seu desenvolvimento.

Animadora de torcida

Para Turney, deve-se ter cautela com afirmações de supostos elos entre ficção e novas tecnologias, mesmo quando estas têm o suporte de testemunhos pessoais. Mesmo eles não são prova concreta de influência direta, já que a similaridade pode ser mera coincidência e a memória humana enviesada.

Na análise do divulgador, a ficção científica é uma ótima maneira de visualizar o uso de uma tecnologia específica em um determinado contexto e, se outras condições forem propícias, estimular a criação dessa tecnologia, espalhando a ideia e promovendo o quão ‘legal’ ela poderia ser. Nesse sentido, a ficção científica seria uma espécie de animadora de torcida.

E o cinema de ficção científica seria o meio mais propício para esse tipo de torcida, pois as colaborações entre os produtores dos filmes e os desenvolvedores de uma tecnologia poderiam levar a criações avançadas de supostos protótipos desses artefatos tecnológicos e funcionar como uma prévia de como funcionariam na sociedade.

Por outro lado, histórias de ficção raramente têm sucesso em bloquear o avanço de uma determinada tecnologia, não importando quão terrível e apocalíptico seja o futuro descrito. Os casos das formas artificiais de reprodução e das armas nucleares são exemplos da impotência da ficção científica nesse sentido.

Admirável mundo novo
Segundo Turney, a ficção científica não tem o poder de impedir o desenvolvimento de tecnologias, como no caso das técnicas de fertilização artificial, que, em livros como 'Admirável mundo novo', são vistas de maneira negativa. (foto: reprodução)

O poder da narrativa

O ensaio mostra também que há algumas maneiras de se aproveitar o rico acervo de histórias de ficção científica no desenvolvimento de novas tecnologias. Uma maneira seria por meio da prospecção de dados (data mining, em inglês), ou seja, pela análise exaustiva dessas narrativas e a identificação de ideias que possam levar a novos projetos.

Mas Turney se concentra mais profundamente na chamada ficção de design, na qual se busca criar projetos ficcionais e científicos que suscitem a discussão de possibilidades tecnológicas específicas que estão no horizonte, mas ainda não existem como produtos reais. Esta seria a etapa mais recente de um movimento que Turney resume assim:

Tabela ficção científica

Esses três tipos de história podem se influenciar mutuamente, tomando emprestados elementos umas das outras. Todas se beneficiam da flexibilidade ilimitada da ficção. A seu ver, elas seriam muito poderosas, considerando a extrema dificuldade de se visualizar os efeitos de novos desenvolvimentos tecnológicos.

Só se pode ter uma imagem clara do que aconteceria se colocarmos a nova tecnologia num mundo fictício desenvolvido para simular esses efeitos na realidade. Ou seja, segundo Turney, a narração inspirada seria uma ferramenta mais poderosa que a análise lógica.


Fred Furtado
Ciência Hoje/ RJ

Publicado por Fred Furtado - 15/04/2013 11:51

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Tem dono? Negocio e compartilho


Plataforma de financiamento coletivo paga pelo direito de relançar digitalmente e sob licença autoral mais flexível livros já publicados.

Tem dono? Negocio e compartilho

Plataforma serve para detentores de direito autoral e para fãs de livros. Os primeiros podem negociar as suas obras; os últimos, ajudar no pagamento e fazer campanha para novas aquisições. (foto: Flickr/ furiousgeorge81 – CC BY-NC-SA 2.0)

Imagine um livro do qual você goste muito, mas, por alguma razão, adquiri-lo seja quase impossível, ou porque a obra é muito cara, ou porque é rara, saiu de catálogo etc. Outro exercício: imagine que você tenha à mão esse livro muito caro, raro ou que saiu de catálogo e deseje que mais pessoas possam lê-lo.

O site pretende, por meio de doações, adquirir os diretos autorais de determinadas obras e disponibilizá-las em Creative Commons

Seja pelo desejo pessoal de ter acesso a uma obra ou pela motivação altruísta de compartilhá-la com o mundo, a sua vontade, provavelmente, é que o livro possa ser acessado de alguma forma – de preferência pela internet e em formato digital (e-book).

Não é só você que quer isso. Os fundadores e os usuários do Unglue.it (em tradução livre, 'Descole') também. O site – uma plataforma de crowdfunding  pretende, por meio de doações, negociar o direito de publicar digitalmente determinadas obras. Se a arrecadação for suficiente, o livro é digitalizado e fica disponível sob a licença Creative Commons, que permite leitura e distribuição gratuitas do e-book.

Lembrando: já falamos de crowdfunding na CH On-line. É basicamente um sistema de financiamento coletivo de projetos;  há um sem-número de plataformas que possibilitam a inscrição de propostas com as mais variadas facetas: cultural, esportiva e até científica. O Unglue.it é uma das poucas que existem especializadas em captar recursos exclusivamente para livros.

Fundado em maio deste ano nos Estados Unidos, o site é voltado tanto para leitores quanto para detentores do direito autoral de obras já lançadas. No Unglue.it,  os donos dos direitos de livros publicados inscrevem suas obras para serem negociadas e veiculadas em Creative Commons. Além disso, fãs carentes de algum livro podem fazer campanha pelo direito de publicar e distribuir a obra. O raciocínio: quanto mais pessoas estiverem ávidas para compartilhar uma obra, mais fácil será convencer o detentor dos direitos a permitir que o livro seja 'arrendado' no Unglue.it.

Oral literatureComo quase todo projeto no esquema crowdfunding, quanto mais dinheiro você doar, maior será a sua recompensa por ter ajudado. No caso do Unglue.it, a recompensa vai desde o livro ser entregue diretamente na sua caixa de e-mail até mensagens de sua autoria serem colocadas no final da obra.

Até agora, um projeto de captação foi bem-sucedido: adquiriu-se o direito de publicar o livro Oral literature in Africa (Literatura oral na África, em português), importante estudo feito na década de 1970. A obra – atualmente fora de catálogo – custou 15 mil reais e contou com a ajuda de 286 doadores. O livro digital será lançado em breve.


Nem tudo vai bem

A ideia do Unglue.it é boa. Ganhou adesão, repercutiu no exterior e, em menor escala, no Brasil. Mas foi por outra razão – nem tão nobre e um tanto inesperada – que a iniciativa chamou atenção neste mês; um imbróglio que sugere atuação pouco sutil de um gigante do mercado editorial: a Amazon, a loja virtual que mais vende livros digitais no mundo.

Imbróglio que sugere atuação pouco sutil de um gigante do mercado editorial: a Amazon

A história é inusitada e foi contada no blogue da empresa de crowdfunding: segundo os administradores do Unglue.it, o sistema de pagamento virtual contratado pela plataforma – a Amazon Payments, da Amazon – avisou que não prestará mais serviço para o site.

Segundo a nota do blogue, a Amazon deixou claro que não pretende trabalhar com novas iniciativas do 'tipo crowdfunding' no momento. Vale ressaltar que um dos mais importantes sites de financiamento coletivo no exterior é o Kickstarter, que promove iniciativas variadas e usa o sistema de pagamento da Amazon.

Por mais que as matérias nos veículos estrangeiros relutem em deixar claro qual é a razão dessa saída de cena, a jogada da loja virtual soou tão grosseira que alguns articulistas sugeriram que a Amazon está, na verdade, boicotando um possível concorrente. Um artigo publicado na Wired, por exemplo, insinuou que a Amazon tem receio de ver estremecido o seu modelo de negócios. 

A equipe do Unglue.it, por sua vez, avisa no blogue que já está trabalhando em uma solução. E vislumbra: “Talvez um dia bilhões de pessoas estejam lendo livros ‘descolados’ [unglued] e olhem para trás espantados com o punhado de tempo durante o qual a Amazon dominou o mundo dos e-books.”


Thiago Camelo

Ciência Hoje On-line

Publicado por Thiago Camelo - 25/08/2012 15:05

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Ícaro virtual


Vídeo de engenheiro holandês voando como um pássaro com asas mecânicas vira sucesso na internet. Mas será verdade?

Ícaro virtual

O cineasta Floris Kaayk interpreta o inventor Jarno Smeets, sucesso da internet com suas asas mecânicas. (foto: Revolver Media)

Voar é um antigo sonho da humanidade que, graças à tecnologia, já é possível. Temos aviões, parapentes, asas-deltas e até foguetes. Mas nenhum desses dispositivos nos proporciona a possibilidade de voar como fez Ícaro – personagem da mitologia grega que construiu asas de penas de gaivota e cera de abelha para alcançar o céu. Pairar nas alturas batendo os próprios braços como se fossem asas é também o sonho do engenheiro holandês Jarno Smeets. Um sonho que se tornou realidade no último dia 19.

A trama faz parte de um projeto transmídia que visa criar um novo modo de contar histórias

O parágrafo anterior seria a abertura de um post que eu ia escrever para este blogue sobre a invenção de uma asa de sete metros de comprimento que permitiu a seu criador voar como um pássaro – momento emocionante registrado em um vídeo que teve mais de seis milhões de acessos no Youtube. Seria, não fosse tudo uma grande mentira de internet, uma história que, como Ícaro, despencou.

Mentira não. Segundo o criador da farsa, o cineasta amador e animador gráfico holandês Floris Kaayk, que interpreta Jarno no vídeo, a trama faz parte de um projeto transmídia que visa criar um novo modo de contar histórias.

“Sei que algumas pessoas ficaram desapontadas com o fato de a história não ser real, mas minha intenção nunca foi enganar ninguém e sim compartilhar e tornar visual um sonho pessoal e universal por meio das mídias digitais”, explica Kaayk à CH On-line.  “O único modo de pegar a audiência pela mão e guiá-la por essa incrível viagem era tornar a história o mais real possível. Se eu tivesse dito de cara que eu era um cineasta e que nada era verdade, poucos seguiriam o meu sonho.”

Assista ao vídeo do voo fictício de Jarno



Kaayk e amigos da empresa de comunicação Revolver Media passaram oito meses alimentando diariamente Twitter, Facebook, Youtube e o blogue Human Birdwings, que funcionava com um diário em que o personagem Jarno Smeets compartilhava suas descobertas e avanços na tentativa de fazer um homem voar como um pássaro.

A página, ainda disponível, está repleta de vídeos, esquetes, protótipos e textos que narram a trajetória do projeto e do inventor. Os vídeos de voo foram manipulados com o uso de computação gráfica em 3D, expertise de Kaayk.

Para tornar tudo mais emocionante, Jarno se apresenta no blogue como um idealista que se inspirou no sonho do avô, que também cultivava a vontade de voar e arriscava fazer alguns desenhos de uma máquina voadora. Segundo Kaayk, essa é a única parte da história que tem um pouco de verdade, pois seu avô se chamava Smeets e também se dedicou a realizar esse sonho.

O apelo da história foi tão grande que diversos veículos de comunicação (Wired, G1, Gizmodo, PopularScience, Daily Mail e Discovery, além de jornais locais) noticiaram o voo de Jarno Smeets. No blogue do projeto, pessoas de todo o mundo deixaram comentários e até tentaram ajudar o personagem do engenheiro com sugestões e dicas para melhorar o funcionamento das asas mecânicas.

Sonho real?

O projeto era mesmo elaborado. Kaayk disponibilizou ao público os detalhes da invenção. A asa mecânica teria sido construída com base nas asas dos albatrozes e movimentada por um potente motor alimentado a baterias e ligado a um computador preso a uma mochila. Os pulsos do piloto recebiam sensores de movimento do videogame Wii, que repassavam as informações para o computador. Este tratava de repetir o movimento dos braços nas asas, também equipadas com sensores.

Esquemas da asa mecânica
No site do projeto há esquemas do funcionamento da asa mecânica fictícia. Mesmo que fosse construída, não alçaria voo. (imagens: Floris Kaayk)

Apesar de bem arquitetado, o projeto contradiz as leis da física e, mesmo que fosse sério, não faria um homem levantar-se do chão. O biofísico Henrique Lins de Barros, especialista em história aeronáutica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), explica que não existe uma solução viável para uma asa como essa.

“O problema é a relação entre peso (pessoa mais aparato) e potência (dada pela limitação da força humana)”, afirma. “Mesmo que o aparato pesasse 'nada', o peso da pessoa exigiria uma grande potência para que ela se alçasse ao ar. Seria necessário conseguir uma força de sustentação maior que o peso”. E completa: “O homem definitivamente não foi feito para voar.”

Apesar da limitação do projeto fictício, que vai virar documentário, Kaayk ainda acredita que sua história pode inspirar um dispositivo que funcione de verdade. “Na minha opinião, esse mito pode se tornar realidade com o desenvolvimento tecnológico da última década”, diz. “E é essa visão que queremos compartilhar com o nosso projeto. Muitas pessoas ficaram entusiasmadas com o conceito e compartilharam com seus amigos. Quem sabe não surja um Jarno Smeets real por aí?”

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

Publicado por Sofia Moutinho - 09/04/2012 13:55

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Tecnologia e arte para manipulação


Exposição de cartazes do artista Fernando Pimenta foge do tradicional e apresenta painéis interativos que permitem ao público recriar e compartilhar as obras.

Tecnologia e arte para manipulação

Na exposição, cartazes de cinema podem ser recriados pelo público. (foto: Sofia Moutinho)

Arte e tecnologia se confundem na exposição ‘Cartaz em cartaz – presente, passado, futuro’, do artista gráfico Fernando Pimenta, autor de cartazes de famosos filmes nacionais, como Bye Bye Brasil, de Carlos Diegues, Pixote, de Hector Babenco, e O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Júnior.

Em cartaz (impossível não fazer o trocadilho) no Oi Futuro de Ipanema, no Rio de Janeiro, a mostra reúne as mais célebres criações do artista de forma nada tradicional. Em vez de imagens estáticas em painéis, os cartazes são apresentados ao público em grandes telas de acrílico nas quais é possível manipular cada detalhe da imagem com os dedos.

No melhor estilo obra aberta, pode-se mudar a posição do título, a fonte usada, desenhar novas figuras, alterar as cores... enfim, fazer o que a criatividade do visitante desejar e ainda compartilhar o resultado final de modo imediato nas redes sociais Facebook e Twitter.

“Quando me convidaram para fazer uma exposição de cartazes eu logo disse que não porque é uma coisa muito chata, mas quando me propuseram o uso da tecnologia eu achei o máximo”, conta Fernando Pimenta. “Abrir a obra para as outras pessoas interferirem e fazerem outras versões é fantástico, só me envaidece.”

Confira o vídeo da exposição produzido pela CH On-line



Na ponta dos dedos

O artifício que permite toda essa intervenção é trabalho da companhia Ice Interactive, da Incubadora de Empresas do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

Não se trata de telas sensíveis ao toque convencionais, mas sim de uma nova tecnologia que pode ser usada em qualquer superfície lisa, pois usa raios infravermelhos para detectar o movimento dos dedos na tela.

Não se trata de telas sensíveis ao toque convencionais, mas sim de uma nova tecnologia que pode ser usada em qualquer superfície lisa

O segredo fica mesmo escondido. Nos painéis de vidro existem refletores de LED que emitem luz infravermelha e atrás dele, imperceptível para o público, ficam posicionados um equipamento que projeta a imagem do cartaz e uma câmera que mapeia a luz infravermelha e detecta os pontos que foram tocados. 

Assim, a localização espacial exata do toque no painel é transferida pela câmera para um computador central, que roda o programa de manipulação de imagem. 

Além dos cartazes interativos, a exposição conta ainda com a exibição de entrevistas em vídeo com designers, cineastas e diretores de arte que comentam o processo criativo por traz do cartaz e as técnicas usadas desde os primórdios das artes gráficas até hoje.

 

Cartaz em cartaz – presente, passado, futuro
De 11 de outubro a 6 de novembro
Oi Futuro de Ipanema
Rua Visconde de Pirajá, 54, Ipanema, RJ


Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

Publicado por Sofia Moutinho - 25/10/2011 11:05

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Que peixe é esse?


Aplicativo brasileiro para celulares e ‘tablets’ ajuda a identificar espécies de peixes no mar, no aquário ou na peixaria.

Que peixe é esse?

O aplicativo apresenta fichas completas sobre cada espécie de peixe, com fotos, ilustrações e informações científicas e de manejo. (imagem: divulgação)

Para os amantes de peixes – na pescaria, no aquário, no mergulho ou no prato – uma dica é o aplicativo para smartphones e tablets Peixes Marinhos do Brasil – Guia Prático de Identificação. O programa é uma espécie de enciclopédia virtual, com a qual o usuário pode identificar peixes brasileiros de água salgada.

O aplicativo, baseado no livro homônimo do biólogo marinho Marcelo Szpilman, conta com fichas ilustradas de mais de 200 espécies de peixes, contendo dados como a coloração, medidas físicas, ocorrência, hábitat, hábitos, status de ameaça de extinção e qualidade da carne do animal.

O aplicativo conta com fichas ilustradas de mais de 200 espécies de peixes

A consulta por conteúdo pode ser feita de diversas maneiras. O usuário pode buscar pelo nome popular ou científico de um peixe para acessar informações sobre ele ou procurar diretamente nas ilustrações e fotos para descobrir a identidade de uma espécie. “É muito mais do que um e-book, pois é interativo,” aponta Szpilman.

Os animais estão catalogados por famílias, gêneros e espécies e também podem ser buscados por seus nomes em inglês e espanhol. Além disso, o aplicativo oferece um jogo da memória – com imagens de peixes, é claro; um jogo de identificação de espécies e alguns artigos com noções básicas de pesca e preparação para o consumo.

“A ideia é que pessoas de todas as idades usem o aplicativo, até mesmo crianças com os pais; por isso os jogos, que, além de divertir, reforçam o aprendizado”, diz Szpilman.

O guia virtual de peixes custa 6,99 dólares para iPhone e iPod e 9,99 dólares para iPad – preços um tanto salgados nesse meio – e está disponível para compra na loja da Apple.

Confira o aplicativo em funcionamento



Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

Publicado por Sofia Moutinho - 20/10/2011 17:30

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Jobs não inventava, inovava


O cientista da computação Geraldo Xexéo, da Coppe/UFRJ, escreve sobre o homem por trás da Apple, que transformou tecnologia em moda.

Jobs não inventava, inovava

Steve Jobs morre nos Estados Unidos, após anos de luta contra câncer no pâncreas. A foto acima, uma homenagem da Apple, está estampada nos ‘sites’ da empresa e como plano de fundo dos computadores nas suas lojas. (foto: reprodução)

A criação do computador é um dos fatos econômicos mais importantes do século 20. Steve Jobs estava no centro dessa revolução. Na verdade, para muitos, Jobs era uma espécie de ‘Che Guevara’ da revolução dos computadores pessoais.

Um líder obstinado, implacável e com um carisma imenso. Suas apresentações de novos produtos são lendárias. Sua palestra em Stanford em 1995 é um dos ‘memes’ mais conhecidos da internet.

Um líder obstinado, implacável e com um carisma imenso. Suas apresentações de novos produtos são lendárias

Jobs não inventava, ele era a locomotiva que transformava inventos que encontrava ou que achava serem possíveis em produtos desejados. Foi ele que empurrou Steve Wosniak para criar um computador barato e simples que todos queriam ter em casa, o Apple II, a semente para tudo que veio depois. Wosniak era o cérebro, Jobs o coração.

Criada a Apple, Jobs garantiu que ela seria uma empresa única. Nunca permitiu que fosse copiada ou que seus produtos se transformassem em commodity. Ele não queria só dominar o mercado, queria definir o mercado.

Foi Jobs que lançou o Apple MacIntosh, agora ‘Mac’ para os íntimos. Se você está acostumado a clicar no seu Windows, ou no seu Linux, agradeça a Jobs por ter viabilizado uma invenção que era adorada por cientistas, mas considerada imatura para os pobres mortais.

Com o Mac, nós aprendemos a clicar. Com um comercial lendário baseado no livro 1984, o Mac se tornou em uma noite o símbolo da resistência à computação sem graça. Era o computador dos artistas, de quem era cool.

Mais tarde, despedido – sim, alguém, um dia, teve coragem de despedir Steve Jobs –, ele resolveu que não ia se deixar abater e criou duas empresas: a NeXT, com um computador lindo, que é a origem do novo Mac OS, e a Pixar.

Cartaz de Toy StoryComo se não bastasse saber fazer computadores, Jobs provou que computadores podiam fazer animação de altíssima qualidade. Toy Story – primeiro longa-metragem dos estúdios Pixar e pioneiro na aplicação da computação gráfica no cinema – é um marco que mudou o mercado de animação.

Tanto a NeXT quanto a Pixar foram compradas, a primeira pela própria Apple e a segunda, pela Disney, que de ‘professora’ virou ‘aluna’ no quesito animação.

E Jobs voltou para uma Apple falida para lançar no mercado uma sequência de produtos e conceitos que terão impacto por anos: computadores com design fantástico, iPods de vários tamanhos, iTunes Store, iPhone e iPads. Resultado: a Apple se tornou a empresa de maior valor no mercado, mesmo sem estar montada em galões de petróleo.

Jobs parecia ser a única pessoa da indústria que transformava tecnologia em moda, gadgets em objetos de desejo. Seus produtos são fáceis de usar e difíceis de largar

Seu segredo? Jobs não inventava, inovava. Tudo já existia, mas não daquele jeito, não com aquele design, não com aquele charme. Jobs parecia ser a única pessoa da indústria que transformava tecnologia em moda, gadgets em objetos de desejo. Seus produtos são fáceis de usar e difíceis de largar.

Como li no Twitter, Steve Jobs deu upgrade. E quando me perguntaram se o mundo vai parar porque Jobs se foi, eu tive que dizer que não, o mundo continua a rodar, mas certamente perdeu um pouco da sua graça.

Geraldo Xexéo
Programa de Engenharia de Sistemas e Computação
Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ)

Publicado por Geraldo Xexéo - 06/10/2011 13:00

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360º de astronomia


Planetário do Rio de Janeiro inaugura, em sua cúpula infantil, um novo sistema de projeção que proporciona ao espectador a sensação de imersão nos filmes.

360º de astronomia

Quatro décadas após sua inauguração, a cúpula Galileu Galilei recebe um sistema de projeção digital que garante alta qualidade de imagem. (foto: Fundação Planetário)

“Vamos virar estrelas?” Com esse convite, durante anos, o ‘robô-projetor’ Spacemaster da cúpula Galileu Galilei do Planetário do Rio de Janeiro chamou as crianças para um passeio ao espaço sideral por meio de simples projeções no teto. 

A seção de cúpula infantil era simpática, mas já estava ficando ultrapassada. Por isso, o espaço passou por uma grande reforma e vai receber uma nova tecnologia de projeção que proporciona à plateia a sensação de imersão no filme projetado. 

Em vez do velho Spacemaster, que tinha um sistema de projeção ótico, a cúpula agora tem seis projetores de cristal líquido no silício, que garantem uma imagem de alta resolução, com 10 milhões de pixels, em toda a superfície da abóbada. Assim, o espectador pode assistir aos filmes em 360º, como se estivesse dentro do ambiente ficcional.

As telas de projeção que cobriam a cúpula também foram substituídas por placas de ferro especialmente construídas para o novo sistema. A reforma, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT&I), custou 1,5 milhões de reais.

Projetores
O antigo projetor 'Spacemaster', à esquerda, foi substituído por projetores digitais de alta definição, à direita. (foto: Fundação Planetário)

“Não medimos esforços para transformar a cúpula Galileu Galilei em uma das mais modernas da América Latina”, disse o diretor do Planetário, Celso Cunha, durante a inauguração do novo sistema de projeção da cúpula Galilei Galilei na semana passada (30/8). “O planetário é uma das mais importantes portas de ciência, tecnologia e educação; temos orgulho de poder oferecer ao público um sistema de imersão de ponta.”

As primeiras sessões da cúpula, com capacidade para 90 pessoas, começam a partir do dia 7 de setembro. Por enquanto, a programação reúne cinco filmes infantis importados que usam a ficção para passar alguns conceitos ligados à astronomia.

O primeiro na lista de reprodução, A caminho da Terra, conta a história de duas raças rivais de extraterrestres que habitam a Lua e alimentam o desejo de viajar no espaço até a Terra. A corrida espacial disputada pelos dois povos serve de pano de fundo para ensinar princípios básicos de funcionamento dos foguetes, como as forças de impulso e gravidade.

A caminho da Terra
O filme ‘A caminho da Terra’ será o primeiro da programação depois da reforma da cúpula. (foto: Sofia Moutinho)

Produção nacional 

O diretor de astronomia do Planetário, Fernando Vieira, contou que, em breve, o público poderá assistir a uma produção nacional na cúpula. A equipe da instituição já está criando o filme Constelações, estrelas e mitos, que deve ficar pronto em dezembro, para ser exibido durante as férias escolares.

Segundo Vieira, a intenção da instituição é criar um filme mais adaptado à realidade educacional do Brasil. 

“No exterior, as crianças vão ao planetário já sabendo conceitos básicos de astronomia, o passeio é mais para ilustrar em profundidade o que já foi visto em duas dimensões na lousa da sala de aula”, explicou Vieira. “Infelizmente, no Brasil, a ida ao planetário não é complementar às aulas; aqui temos que começar do zero. Então precisamos de um material próprio que, além de entreter, seja educacional.”

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

Publicado por Sofia Moutinho - 01/09/2011 00:00

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Bússola é o blogue da CH On-line, atualizado por jornalistas, pesquisadores e colaboradores do Instituto Ciência Hoje. Ele traz textos sobre a atualidade científica no Brasil e no mundo, comentários de cientistas sobre resultados de pesquisas, um apanhado do que há de melhor sobre ciência na internet e novidades dos bastidores da redação. Leia nosso post inaugural para saber mais sobre o que você vai encontrar por aqui.

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