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A saga do homem do campo


Caminhão-museu que percorre o Brasil com exposição itinerante sobre a história da luta pela terra no nosso país chega ao Rio de Janeiro.

A saga do homem do campo

A valorização do homem do campo é um dos temas da exposição itinerante Sentimentos da terra, que ficará aberta ao público até sexta-feira (21/03) na Fundação Oswaldo Cruz. (foto: Bruno Figueiredo)

Há um Brasil que muitos não veem: é o país dos conflitos agrários; das mortes violentas no campo; do sangue derramado em nome do direito à terra. Soa como o datado papo esquerdista dos anos 1980, é verdade. O problema é que a questão agrária – um dos mais profundos dramas históricos de nosso país – continua mal resolvida.

Abordagens as mais variadas fornecem ao visitante uma visão crítica da complexa realidade fundiária brasileira

A velha discussão ganha novo fôlego. Um museu itinerante – montado na carroceria de um caminhão – percorre o Brasil há um ano e leva consigo a história dos conflitos de terra em nosso país. É a exposição Sentimentos da terra.

Abordagens as mais variadas, que vão das artes à geografia, fornecem ao visitante uma visão crítica da complexa realidade fundiária brasileira – do século 16 aos dias de hoje.

O espaço tem um monitor interativo, seis computadores com acesso à internet e uma biblioteca especializada – além de duas salas de cinema, onde são exibidos 11 vídeo-documentários, cuja narração fica por conta dos artistas Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caio Blat, Dira Paes, José Wilker, Letícia Sabatella, Marcos Palmeira, Regina Casé, Vera Holtz e Wagner Moura.

Sala de exibição de documentários
Duas salas de exibição mostram 11 documentários sobre a história dos conflitos de terra no Brasil. (foto: Bruno Figueiredo)

Vale lembrar: a questão agrária, no Brasil, foi tomada por um estigma. Pois a luta pela terra – a despeito de fazer parte de nossa história há tantos séculos – é comumente reduzida e simplificada à militância de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a Via Campesina. “Um dos objetivos da exposição é ressignificar a discussão sobre a reforma agrária e desvinculá-la desses preconceitos”, diz a historiadora Pauliane Braga, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela é uma das coordenadoras do projeto, e ressalta que a exposição Sentimentos da terra não é militância; é pura pesquisa histórica. “Não temos nenhum caráter ideológico ou partidário.”

Na estrada

Nesta semana, o caminhão-museu está no Rio de Janeiro (RJ). Entre hoje (18/03) e sexta-feira (21/03), a exposição – que é gratuita – fica aberta à visitação na Fundação Oswaldo Cruz, ao lado do Museu da Vida.

A próxima parada é incerta. “Mas, ainda no primeiro semestre, pretendemos levar a exposição para o Norte e para o Nordeste do Brasil”, diz Braga. A cidade de Brasília (DF) também é parte do itinerário.

Exposição Sentimentos da terra
Biblioteca, monitor interativo e computadores com acesso à internet foram instalados no caminhão-museu Sentimentos da terra. (foto: Bruno Figueiredo)

Desde que começou sua jornada, em 2013, a exposição itinerante Sentimentos da terra já percorreu boa parte do sudeste brasileiro: Belo Horizonte (MG), Jequitibá (MG), Pouso Alegre (MG), Diamantina (MG), Poços de Caldas (MG), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Limeira (SP) e Araçoiaba da Serra (SP).

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Projeto República, da UFMG.

Na sua cidade
A rota do caminhão-museu Sentimentos da terra pode ser acompanhada pela internet. Interessados em solicitar uma visita a sua cidade podem entrar em contato pelo endereço eletrônico: sentimentosdaterra@gmail.com ou pelo telefone (31) 3409-6498.

 

História de luta

Os infindáveis conflitos de terra do Brasil contemporâneo têm sua gênese no modelo de ocupação territorial adotado no século 16 pela Coroa portuguesa. Foi o marco inicial da concentração fundiária.

Hoje, o termo ‘conflitos territoriais’ adquiriu um significado muito mais amplo. Ele se refere não apenas aos tradicionais embates, por vezes deveras violentos, entre campesinos e latifundiários, ou entre militantes sem-terra e forças repressoras do Estado. O conceito engloba desde impasses demarcatórios de terras indígenas até deslocamentos populacionais em função de megaprojetos governamentais, como, por exemplo, construções de grandes usinas hidrelétricas.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – órgão que monitora anualmente a evolução dos conflitos territoriais no Brasil – mostram uma realidade violenta ainda longe do que se poderia considerar aceitável em um país cuja economia está entre as dez mais pujantes da cena internacional.

Confira, no gráfico interativo abaixo, a evolução dos conflitos por terra no Brasil ao longo da última década



Em números absolutos, o número de conflitos tem-se mantido em patamares altos. E o número de assassinatos em nome da terra permanece pouco alterado ao longo da década.

Por trás desses dados, há um cenário crítico: a concentração de terras no Brasil ainda é uma das maiores do mundo. E, segundo muitos estudiosos, nossa realidade fundiária faz vista grossa à própria Constituição Federal – que, no artigo 186, define o princípio da função social da terra. De acordo com a carta magna, uma propriedade rural deve, entre outras coisas, zelar pela preservação do meio ambiente e dos recursos naturais; e promover justas relações de trabalho.

Confira abaixo vídeo sobre a exposição itinerante Sentimentos da terra


Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

Publicado por Henrique Kugler - 18/03/2014 18:25

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Raça/cor no Lattes: fomentando o debate


Pesquisadoras da USP defendem iniciativa do CNPq de incluir tal critério na definição do perfil do acadêmico brasileiro. Para elas, os dados colhidos podem contribuir para a conscientização, o estudo e a melhor compreensão de nossa sociedade.

Raça/cor no Lattes: fomentando o debate

Pesquisadoras concordam com a invalidade científica do conceito de raça, mas argumentam que tal constatação não elimina a realidade de uma sociedade altamente radicalizada em suas práticas cotidianas. (imagem: Sxc.hu/ BSK)

Tem causado polêmica a novidade da inserção no Currículo Lattes da pergunta relativa à raça ou cor do/a pesquisador/a. Nosso objetivo aqui é, mais uma vez, incentivar o debate em nossa comunidade e tentar avançar algumas questões envolvidas tanto na introdução do quesito, como na reação que ele vem causando.

Em primeiro lugar, cabe considerar que as opções constante deste item estão perfeitamente de acordo com os parâmetros da auto atribuição que vêm norteando a adoção das políticas públicas de inclusão racial no Brasil dos últimos anos. Além disso, queremos destacar que, embora a resposta ao quesito seja obrigatória, há opção para o pesquisador que não queira assim se caracterizar, bastando-lhe escolher a última alternativa, “não desejo declarar”. Dessa forma, resguarda-se a liberdade daqueles que não concordam com a implementação de uma política de delimitação do perfil sócio-racial do pesquisador brasileiro.

Mas vamos à questão de fundo. Muitos estudiosos têm destacado, acertadamente, o fato de raça não ser um conceito cientificamente válido. Em nosso entender não há dúvidas a esse respeito. No entanto, tal constatação não pode eliminar a realidade de uma sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas e inclusive no que tange ao acesso ao ensino superior e à pesquisa científica. 

“Se, cientificamente falando, não existem raças, no nosso dia a dia raça surge como um potente marcador social de diferença, delimitando hierarquias sociais, culturais e econômicas”

Julgamos, assim, que, ao lado das investigações que revelam as falácias de um modelo que usou raça de maneira essencial e ontológica (e por isso gerou a prática de determinismos e racismos políticos de toda ordem), é hora de avaliarmos como o desacreditado conceito, baseado em assertivas biológicas há muito ultrapassadas, continua sendo reatualizado e opera socialmente. Se, cientificamente falando, não existem raças – apenas uma, a humana –, no nosso dia a dia raça surge como um potente marcador social de diferença, delimitando hierarquias sociais, culturais e econômicas.

Vale, pois, perguntar se devemos exclusivamente criticar o uso canônico do termo ou se seria importante, igualmente, analisarmos as implicações cotidianas e recorrentes da utilização da categoria raça na prática social, considerando, principalmente, a maneira como esta se inscreve em nossa realidade e, em particular, no contexto universitário brasileiro. Entendido dessa maneira, o termo continua válido e seria preciso avaliar as decorrências da “raça após o racismo”. Falar de raça não significa, em nosso entender, instaurar o racismo ou racializar o cotidiano, o qual, aliás, já se encontra racializado. Falar de raça implica enfrentar o problema sem eufemismos, desvelando as práticas discursivas que pretendem não dizer, dizendo.

O conjunto crítico de livros, ensaios, artigos que faz tempo vêm mostrando o lado perverso do conceito biológico de raça cumpriu e cumpre um papel fundamental no sentido de trazer de volta valores básicos como o universalismo e o humanismo. É por isso que, contando com esses ganhos – com os quais concordamos e nos associamos –, talvez seja o momento de descer também à lógica do particular, das negociações políticas, dos discursos do senso comum que se convertem em práticas socialmente influentes como aquelas desmontadas pelas pesquisas que desnudaram, sem pejas, os perigos do racismo científico. Hoje falamos de novas formas de racismo: o social, o político, aquele que se inscreve nas formas de discriminação mais cotidianas.

Mas voltemos ao documento em pauta. Segundo o CNPq, a adoção do quesito cor/raça encontra-se embasado na Lei 12.228, de 20 de julho de 2010, que instituiu o 'Estatuto da Igualdade Racial', cujo objetivo é combater todas as formas de exclusão e discriminação racial ainda vigentes em nosso país. Tal estatuto vem corroborando outros esforços e ações públicas, especificamente voltadas para a inclusão universitária, na forma do sistema de cotas adotado pelas universidades federais, entre outras políticas de inclusão. A iniciativa do CNPq vem, pois, na esteira dessas políticas e pretende utilizar tais dados como base para a elaboração futura de políticas científicas de inclusão sócio-racial.

É de interesse da comunidade tomar a ‘novidade’ não como resultado, mas como parte de um processo, cabendo a nós o papel de interpelar a instituição sobre os usos desses dados

Na página da instituição consta também que a informação sobre raça será para “uso interno” do CNPq.  Por um lado, fica subentendido que tal dado não será exibido no currículo acessado publicamente, o que significa que não se pretende misturar, na esfera pública, a produção docente com esse tipo de caracterização. Aliás, de maneira coerente, o CNPq também não divulga dados pessoais, como endereço e CPF. Por outro lado, é preciso indagar como esse tipo de informação será efetivamente aproveitado. Enfim, é de interesse da comunidade tomar a 'novidade' não como resultado, mas como parte de um processo, cabendo a nós, pesquisadores, o papel de interpelar a instituição sobre os usos desses dados.

De toda maneira, e em nossa compreensão, não nos parece que o objetivo do CNPq seja incentivar a radicalização do debate, mas antes iluminar uma cena e evidenciar processos de discriminação facilmente observados por todos aqueles que adentram nossos campi universitários. Não é segredo para ninguém que o pesquisador/a brasileiro/a é majoritariamente branco e, por conseguinte, que os quadros de docentes de nossas universidades estão compostos igualmente, e também majoritariamente, por homens e mulheres brancos. É passível de mérito, portanto, que esse tipo de evidência seja veiculado de maneira aberta e debatido no contexto de nossas políticas públicas, para que a comunidade acadêmica brasileira possa refletir acerca das demandas de uma sociedade cidadã, atenta às desigualdades e cada vez mais avessa aos preconceitos.

Diploma
‘Cientistas que somos, é nosso mister produzir pesquisas e dados que possam deixar mais transparentes o perfil econômico, social e por que não racial de nossa comunidade estendida’, defendem pesquisadoras da USP. (foto: Mary Gobe/ Sxc.hu)

Cientistas que somos, é nosso mister produzir pesquisas e dados que possam deixar mais transparentes o perfil econômico, social e por que não racial de nossa comunidade estendida. Não se atropelam iniciativas que visam a melhor conscientização, estudo e compreensão de nossa sociedade antes que elas possam minimamente mostrar suas potencialidades. Desautorizar pesquisas é, à sua maneira, um gesto de obscurantismo. Abertas como são, as investigações, aí sim, poderão se transformar em matéria de análise, escrutínio e avaliação crítica. 

Não se atropelam iniciativas que visam a melhor conscientização, estudo e compreensão de nossa sociedade antes que possam minimamente mostrar suas potencialidades

Tendo em vista tais argumentos, nos colocamos a favor da iniciativa do CNPq que incluiu o critério racial/cor na definição do perfil do pesquisador/a brasileiro/a. Esperamos que a oportunidade retorne à comunidade acadêmica sob a forma de novos desafios pautados em informações e dados eticamente comprometidos com a pesquisa científica sobre o perfil do/a pesquisador/a, da comunidade acadêmica e sobre políticas públicas de inclusão social.


Lilia Schwarcz
Departamento de Antropologia/ Universidade de São Paulo
Global Scholar (Princeton)

Maria Helena P. T. Machado
Departamento de História/ Universidade de São Paulo

Publicado por Lilia Schwarcz e Maria Helena P. T. Machado - 12/06/2013 14:06

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O portão de Plutão?


Arqueólogos italianos podem ter encontrado uma porta para o ‘mundo inferior’, descrita em históricos textos gregos e romanos.

O portão de Plutão?

Uma simulação digital de como seria a recém-descoberta 'Porta do Inferno' nos tempos do Império Romano. O local era rota de peregrinação naquela época. (imagem: Francesco D'Andria)

Cientistas italianos descobriram a porta para o ‘inferno’. Calma, não se trata de um sinal do apocalipse. Na verdade, um grupo de arqueólogos italianos encontrou ruínas de um antigo templo que a tradição romana diz abrigar um portal para o mundo inferior, o hades. 

Segundo registros históricos, qualquer animal que entrasse no local, cheio de um vapor nebuloso e denso, encontrava a morte instantânea 

Segundo escritos de cerca de dois mil anos, esse templo estaria localizado próximo à antiga cidade romana de Hierápolis (perto da atual Pamukkale, na Turquia). Dedicado a Hades (Plutão) e Perséfone (Core), ele abrigaria uma espécie de caverna com vapores altamente mortais, a tal ‘porta do inferno’ – descrita pelo historiador grego Strabo como um local "cheio de um vapor tão nebuloso e denso que dificilmente era possível ver o chão" e no qual "qualquer animal que entre encontra a morte instantânea". 

Lugar bacana, não é? Pois bem, naqueles tempos a cidade estava na rota de muitos peregrinos que circulavam pela região. Conforme o arqueólogo Francesco D'Andria, da Universidade de Salento (Itália), declarou ao Discovery News, a maioria dos visitantes do templo vinha em busca da água da fonte existente no local, capaz de produzir profecias e visões em sonhos – e ainda aproveitava as fontes termais das proximidades

A descoberta do complexo foi feita a partir da reconstrução das rotas para essas fontes. Em meio às muitas ruínas do local, os italianos identificaram um templo dedicado às deidades do hades e evidências arquitetônicas que batem com as descrições históricas. 

Portão de Plutão
O sítio encontrado pelos arqueólogos apresenta características muito semelhantes ao local descrito nos textos históricos. As inscrições indicam um templo dedicado a Hades (Plutão) e Perséfone (Core), senhores do mundo inferior. (foto: Francesco D'Andria)

Fora seu aspecto místico, a letalidade da caverna era quase ‘turística’: os pesquisadores explicam que, apesar de serem proibidos de se aproximar da entrada, os peregrinos assistiam aos ritos dos degraus e recebiam pequenas aves para serem levadas até a abertura e comprovar os efeitos fatais. 

Os peregrinos assistiam aos ritos dos degraus e recebiam pequenas aves para serem levadas até a abertura e comprovar os efeitos fatais 

Os sacerdotes também bebiam da água alucinógena e sacrificavam touros em honra a Plutão. Os próprios arqueólogos comprovaram os efeitos dos vapores durante as escavações: diversos pássaros que se aproximaram da abertura quente morriam imediatamente com o vapor tóxico. 

Segundo D'Andria, a descoberta é excepcional por confirmar informações que só existiam em fontes históricas muito antigas. Ele explica que o templo era popular até o século 4 e foi visitado até o século 6. Com o crescimento do catolicismo, no entanto, acabou abandonado – e, posteriormente, destruído por terremotos e intempéries. 

Os pesquisadores trabalham, agora, na reconstrução digital do local. Essa não foi a primeira descoberta polêmica e mística do grupo: dois anos atrás, eles anunciaram ter encontrado, na mesma região, um túmulo que pode ter pertencido ao apóstolo Felipe, um dos doze discípulos de Jesus Cristo, segundo a Bíblia. 

Porta dos fundos?

Saindo um pouco da mitologia e da antiguidade, o nosso mundo já possui outra ‘porta para o inferno’, essa bem mais moderna. Localizada não muito longe dali, na região de Derweze  (ou Darvaza), no Turcomenistão, ela arde em labaredas incandescentes desde a década de 1970. No entanto, muito longe de ser obra de algum deus da antiguidade, esse portão em pleno deserto de Karakum é fruto da ação humana.

Derweze
No deserto do Turcomenistão, uma outra 'porta para o inferno', que nada tem a ver com deuses antigos, mas com a economia moderna. (foto: Wikimedia commons)

No início da década de 1970, a então União Soviética pretendia explorar os ricos depósitos de gás natural da região. Quando o chão abaixo da plataforma de perfuração cedeu, criou um buraco de cerca de 70 metros de diâmetro que liberava gás natural na atmosfera. Para prevenir seus efeitos tóxicos, os geólogos decidiram que a melhor opção seria ‘tacar fogo em tudo’, na esperança de que, em algumas semanas, o reservatório se esgotasse. Resultado: o regime comunista acabou, a União Soviética se esfacelou e o nosso ‘inferno moderno’ continua a arder e a espalhar um forte odor pela região. 

Apesar de nenhum templo ter sido construído e de ninguém sacrificar touros por lá, Darvaza se tornou também uma atração turística – até a tribo que habitava a região foi expulsa de lá em 2004, para não ‘incomodar’ os visitantes. Desde 2010 o governo do país vem buscando formas de fechar a porta ou ao menos limitar a sua influência no desenvolvimento de outros campos de extração de gás natural na região. 


Marcelo Garcia 
Ciência Hoje On-line

Publicado por Marcelo Garcia - 08/04/2013 17:34

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Uma triste história de fogo e gelo


O naufrágio do Titanic – o senhor dos mares – e a explosão do Hindenburg – o rei dos céus – completam datas históricas em 2012 e lembram ao mundo como tragédias podem mudar a evolução da tecnologia.

Uma triste história de fogo e gelo

O desastre parece estar na natureza dos Titanics: no mar, acabou nas geladas águas do Atlântico; no ar, explodiu em chamas. Os episódios mudaram a história do transporte mundial. (imagem: foto da Marinha dos Estados Unidos / gravura de Willy Stöwer, 1912)

Conforme o conhecimento do homem progride, o mundo parece tornar-se 'menor', em grande parte devido a novos e mais rápidos meios de transporte. O ano de 2012 é marcante para duas tragédias que ajudaram a redefinir os rumos dessa história: em 1912, Jack, Rose e mais 2.238 pessoas naufragavam com o Titanic nas águas geladas do Atlântico. Um quarto de século depois, em 6 de maio de 1937, as chamas consumiram o gigantesco zepelim alemão LZ 129 Hindenburg, o Titanic do céu, pouco antes de seu pouso, nos Estados Unidos.

Uma exposição promovida pelo National Postal Museum, nos Estados Unidos, relembra os detalhes das duas tragédias. No acervo, um mapa inédito, encontrado recentemente, mostra a rota traçada pelo dirigível, orgulho da Alemanha nazista. Além do mapa, a mostra apresenta cartas trazidas pelo zepelim – a atividade de correio pagava grande parte da despesa das viagens.

Confira o vídeo que apresenta detalhes sobre a descoberta do novo mapa e sobre a tragédia do Hindenburg


Numa época em que os aviões ainda não tinham autonomia para cruzar o oceano, os dirigíveis eram os reis dos céus. No Brasil, inclusive, foi construída a primeira base da América Latina capaz de receber as aeronaves, no Recife. Porém, a tragédia do Hindenburg, que matou 36 pessoas, acabou com esse prestígio – já abalado após as inúmeras mortes relacionadas com o uso de dirigíveis na primeira grande guerra. Depois dela, rapidamente os gigantes voadores deixariam de dominar os ares. 

O episódio é tão famoso que chegou a ilustrar a capa do álbum de estreia da banda Led Zeppelin. O nome do grupo tem tudo a ver com dirigíveis: é uma corruptela criada após Keith Moon, baterista do The Who, afirmar que a banda afundaria como um balão de chumbo (lead zeppelin, em inglês). Apesar de tão 'explosivo' como as máquinas voadoras, o Led Zeppelin acabou tendo uma vida bem mais longa que o Hindenburg. 

Capa Led Zeppelin
A capa do primeiro disco da banda inglesa Led Zeppelin exibe a clássica foto do Hindenburg em chamas. O acidente enterrou de vez o prestígio dos dirigíveis.

 

A patrulha do norte

Um quarto de século antes, no dia 15 de abril de 1912, foi o Titanic, senhor dos mares, que conheceu seu fim. Com o centésimo aniversário da tragédia, os destroços submersos passaram a ser protegidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O objetivo é impedir a pilhagem e a dispersão dos restos do transatlântico.

Porém, um estudo divulgado recentemente mostra que, em pouco tempo, pode não haver muito o que proteger: bactérias estão devorando as 50 mil toneladas de metal submerso, inclusive uma espécie inédita, Halomonas titanicae

Titanic submerso
Após completar um século submerso nas águas geladas do Atlântico Norte, os destroços do Titanic estão agora sob a proteção da Unesco. (foto: NOAA/Institute for Exploration/University of Rhode Island)

Ao contrário do Hindenburg, a tragédia com o Titanic não acabou com os transatlânticos, apesar de ter deixado 1.514 mortos, bem mais do que o dirigível. Ao invés disso, ajudou a redefinir seus padrões de segurança. Em 1914, entrou em vigor a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida no Mar (Solas), que estipulava normas de segurança obrigatórias para as embarcações. Logo após o naufrágio, também foi criada a Patrulha Internacional do Gelo (IIP) para vigiar o Atlântico Norte contra icebergs.

A iniciativa já se propôs a pintar os gigantes blocos de gelo, fixar neles radioemissores e até bombardeá-los, sem muito sucesso. Hoje, atua na prevenção e no alerta, compilando dados de satélites, aviões radares e navios que cruzam a área. O perigo ainda existe, mas segundo o IIP desde janeiro de 1959 não é registrado nenhum acidente mortal envolvendo um iceberg.

Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

Publicado por Marcelo Garcia - 07/05/2012 17:55

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Duas vozes, um só cotidiano


Peculiares e complementares, Chico Buarque e Caetano Veloso são vistos há cerca de 40 anos como paralelos da música popular brasileira, da política e da cultura.

Duas vozes, um só cotidiano

Os compositores cantam ‘Você não entende nada’ e ‘Cotidiano’ em 1986, no programa da TV Globo ‘Chico & Caetano’. A primeira interpretação das canções, um momento emblemático da interação entre os dois, aconteceu em 1972, em Salvador. (foto: reprodução)

“Você gosta mais de Chico ou de Caetano?” A pergunta, recorrente nos círculos sociais brasileiros, reflete a imagem dicotômica construída em torno dessas personalidades da música, algo que acontece em proporção bem menor com outros músicos contemporâneos – quantas vezes você já foi perguntado sobre gostar mais de Maria Bethânia ou Gal Costa?

Embora representantes da música popular brasileira, os dois compositores tinham projetos artísticos próprios

Embora representantes da música popular brasileira, os dois compositores tinham projetos artísticos próprios. De um lado, o baiano, com sua música ‘de vanguarda’, roupas extravagantes e empréstimos sonoros de ruídos e guitarras, expressava a necessidade de revolucionar o corpo e o comportamento. Tudo muito sintonizado com a modernidade internacional e os avanços tecnológicos.

De outro, o carioca – com ‘Construção’, ‘Essa moça tá diferente’ e ‘Apesar de você’ – cantava o homem simples do subúrbio, o samba e a política do país. Resistente ao tropicalismo, à cultura do ‘espetáculo’ e à indústria cultural. Defensor das raízes da cultura popular, da bossa nova e de Mário de Andrade.

Mas, então, o que está por trás de tão persistente comparação? A historiadora da Universidade de São Paulo Priscila Gomes Correa decidiu analisar a questão em sua tese de doutorado. Ela partiu das canções de Caetano Veloso e Chico Buarque que falavam sobre o cotidiano para tentar compreender melhor a imagem que opinião pública, imprensa e crítica construíram e reforçaram ao longo dos anos.

“Busquei entender o que esses dois artistas representaram e como influenciaram nossa sociedade e cultura ao longo de suas trajetórias”, explica Correa. Um detalhe: essa relação entre Caetano e Chico, observa a pesquisadora, é própria do Brasil – de nossas mídia e cultura. Na Europa, onde eles também são reconhecidos, compará-los ou mesmo associá-los está longe de ser uma tendência.

Cálice
Caetano (à esquerda) interpreta ‘A volta da Asa Branca’ no Phono 73, festival de música marcado pela crítica à censura. Chico Buarque e Gilberto Gil (à direita) tiveram seus microfones desligados enquanto cantavam ‘Cálice’. (fotograma: reprodução)

Da cultura à política

Para compreender essa tendência no Brasil, Correa não analisou só as letras das canções, mas empreendeu um trabalho minucioso de escuta para observar também voz, musicalidade, figurino e postura em palco. Além disso, resgatou centenas de entrevistas, nas quais os artistas deixaram registrados alguns de seus traços – muitas vezes banais, mas imediatamente associados a suas figuras públicas.

Numa delas, de 1977, Chico reclama da exploração política de sua imagem, em oposição à de Caetano: “Eu permito isto nas épocas de eleição. Agora, não posso permitir que se faça uma exploração política do meu nome para atacar o Caetano Veloso [...] Algumas músicas dele, inclusive neste último disco, têm, nitidamente, preocupações sociais”.

Construção e Araçá-Azul
Discos ‘Construção’, de Chico Buarque, e ‘Araçá-Azul’, de Caetano Veloso. Nos anos 1970, com projetos mais amadurecidos, o primeiro consolida sua imagem de artista ‘resistente à ditadura’ e o segundo, a radicalização do seu tropicalismo. (imagens: reprodução)

Esse tipo de confronto – como Correa chama essa comparação eterna entre as duas figuras – mostra que seus nomes carregam consigo um conjunto de valores já assimilado pelo público. Outro episódio ilustrativo: depois de ser criticado por Caetano, em 2009, o ex-presidente Lula declarou: “Minha resposta a Caetano eu dei ontem à noite, quando ouvi o CD do Chico Buarque”.

Os próprios artistas já se manifestaram sobre essa relação. A historiadora lembra que suas declarações na imprensa eram bastante sugestivas – e iam além da ‘questão’ tropicalista, considerada o cerne da divergência entre os dois. Certa vez, Caetano comentou: “Às vezes penso que minha profissão tem sido perseguir Chico Buarque, mas é uma perseguição amorosa. E tem dado bons resultados já faz muito tempo”.

 

Eu quero que você venha comigo... todo dia

Exemplo desse bom resultado é o diálogo recorrente entre suas obras. Um dos momentos mais emblemáticos dessa interação se passou em 1972, no palco do teatro Castro Alves, em Salvador, onde os dois fizeram uma interpretação conjunta das canções ‘Você não entende nada’ (de Caetano) e ‘Cotidiano’ (de Chico). 

No palco, ambos cantavam a rotina, a repetição, de certo modo a opressão – mas também o desejo de transformá-las

No palco, ambos cantavam a rotina, a repetição, de certo modo a opressão – mas também o desejo de transformá-las. E fundiam seus estilos e letras no trecho que une as duas músicas: ‘eu quero que você venha comigo... todo dia’.

Por outro lado, a realidade apresentada por Caetano em ‘Você não entende nada’ – embora semelhante à de Chico em ‘Cotidiano’ – é cantada sob uma ótica mais crítica, por um personagem mais arredio. Faz referências a produtos industriais (“você traz a coca-cola/ eu tomo”), gestos cotidianos e um desejo (“eu quero que você venha comigo”) que não chega a se concretizar, marcado pela repetição insistente e que se transforma em espera.

É essa espera – como a de ‘Pedro Pedreiro’ – que indica a transição para ‘Cotidiano’. “A longa introdução é na verdade um processo de adaptação do tom”, explica Correa. “Chico subiu o tom para poder acompanhar Caetano.” Na canção de Chico, ainda mais pessimista, a rotina (“todo dia ela faz tudo sempre igual”) oprime o personagem. Ao mesmo tempo, “me calo com a boca de feijão” é a ditadura militar censurando o artista.

Para a historiadora, essa fase artística de ambos é caracterizada por um certo desespero. E o momento de transição das músicas é também, metaforicamente, o ponto de junção entre suas críticas sociais. 

Após percorrer 40 anos de produção artística dos dois músicos, Correa se arrisca a sintetizar: “Se fôssemos esquematizar os percursos artísticos dos dois, encontraríamos predominantemente um indivíduo que percorre as instâncias da cultura rumo à cotidianidade, em Caetano; e outro que percorre os espaços da cotidianidade rumo à cultura, em Chico”. 

Falando ou não a mesma língua, não importa. Mas construindo, juntos, uma representação do Brasil.

No documentário 'Uma noite em 67', Caetano Veloso fala da sensação de "organizar o movimento". Assista.

 


Carolina Drago
Ciência Hoje On-line

Publicado por Carolina Drago - 03/01/2012 17:20

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Lições de gente imprescindível


Em depoimento emocionante, a pesquisadora Patricia Sampaio compartilha lembranças da historiadora Maria Yêdda Linhares, falecida no último dia 29.

Lições de gente imprescindível

Maria Yêdda Leite Linhares, 1921-2011. (foto: Marco Fernandes - SGCOMS/ UFRJ)

Era 1988. Eu havia lhe trazido três delicados lenços bordados de presente. Esperava que ela gostasse porque vinham de Fortaleza, sua cidade. Animada, ela abriu a caixa, mas, quando viu o conteúdo, ficou séria e saiu em busca de algo.

Colocou três moedas na minha mão. Diante do meu espanto, perguntou: “Você não sabe que, quando ganhamos lenços, devemos retribuir com o mesmo número de moedas? Se isso não acontecer, nós vamos brigar!” Não sabia. Era mais uma das lições da elegante professora.

Tinha eu 23 anos e estava no Rio fazendo mestrado. Ela? Era Maria Yêdda Leite Linhares. Uma verdadeira lenda que dispensava apresentação e estava prestes a se aposentar.

Talvez o sortilégio dos lencinhos não possa ser alçado à condição de ‘relevante’, mas era ela quem dizia e, só por isso, já valia muito a pena prestar atenção. Não importava que você discordasse depois.

Em texto emocionado, Francisco Carlos Teixeira da Silva a definiu como uma “formadora de gente”. Tenho a honra de dizer que também fui formada por ela

A lista é interminável. As modulações das memórias dos tempos duríssimos vividos na ditadura, o gosto pelo café adoçado com rapadura de um restaurante próximo à sua casa, a crítica precisa a um comentário fora de compasso, o apreço pelos eletrodomésticos vermelhos, a extraordinária capacidade de extrair o melhor de seus alunos, sua energia inacreditável, a aguda compreensão do lugar do historiador nas lutas de seu tempo, mas, sobretudo para mim, a capacidade de ser uma professora que não cabe em qualquer adjetivo. A Yêdda que conheci ensinava assim.

Em texto emocionado, Francisco Carlos Teixeira da Silva a definiu como uma “formadora de gente”. Tenho a honra de dizer que também fui formada por ela.

O mergulho nas fontes

Meu interesse pela história da agricultura de alimentos no Amazonas ia ao encontro do projeto que D. Yêdda se dedicava a consolidar desde 1977, após seu retorno ao Brasil. Era a busca do “lado escuro da lua” que tanto rendeu à historiografia brasileira.

Àquela altura, era trabalho muito bem-sucedido e forte motivo para que se escolhesse a Universidade Federal Fluminense (UFF) para pós-graduação. Era meu caso e é quase certo que o fato de ter vindo do Amazonas estudar história agrária tenha sido decisivo para que aceitasse me orientar às vésperas da aposentadoria. 

Anos de pós-graduação podem ser marcados pela aflição de jovens historiadores. Levei, junto com outros colegas, muitos ‘puxões de orelha’ por conta desses “desesperos injustificados”, como ela chamava. Impaciente, não cansava de repetir: “Não tenham medo de meter a mão na massa. Mergulhem em suas fontes. Se as fontes falam, o trabalho cresce e aparece!”. Hoje, como um mantra, repito D. Yêdda. Desta vez, para acalmar meus orientandos aflitos.

Linhares: “Não tenham medo de meter a mão na massa. Mergulhem em suas fontes. Se as fontes falam, o trabalho cresce e aparece!”

O conselho para ir fundo na documentação evidenciava suas vinculações à história agrária tal como praticada na França, e todos nós, do Porto da Folha ao Amazonas, do Rio Grande ao Pará, em todas as direções do país, éramos estimulados a explorar fontes diversificadas.

Nesse processo, invariavelmente, nos enredávamos na riqueza analítica das séries maciças embalados pelo entusiasmo da Yêdda a cada resultado.

Afinal, ela não participou da minha qualificação, marcada para 14 de julho de 1989, por uma razão simples: era convidada de honra do governo francês para as celebrações do Bicentenário da Revolução Francesa. Ciro Cardoso a substituiu na sessão de arguição.

Em 1989, o Botafogo conquistou o campeonato carioca. No dia seguinte, ostentava meu broche do time porque nasci botafoguense, pela graça de meu pai. Tínhamos um encontro marcado. Ela viu a estrela e disse: “Vamos almoçar para celebrar o Botafogo e depois trabalhamos!” Outra vez, fiquei espantada. No almoço, entre tantas histórias, falou dos “rapazes do Botafogo” e, em especial, de João Saldanha.

Botafogo
Yêdda Linhares, assim como sua ex-orientanda Patricia Sampaio, era botafoguense. Em 1989, as duas almoçaram juntas para celebrar a conquista do time no campeonato carioca. (foto: Wikimedia Commons)

Eu a veria muitas vezes até que terminasse a dissertação, que tratou dos processos de acumulação mercantil em Manaus no século 19 com base em inventários. Na véspera da defesa, um susto: ela não havia gostado do título que dera ao trabalho. Era um mal-entendido, mas não pude esclarecê-lo. Não consegui dormir de ansiedade.

No dia seguinte, ela chegou sorridente acompanhada dos outros membros da banca, João Luis Ribeiro Fragoso e Francisco Carlos Teixeira da Silva. A sessão foi longa como era de praxe, mas transcorreu sem problemas. Yêdda estava satisfeita com a arguição e com os resultados. Eu? Orgulhosa, sem dúvida, e aliviada, com certeza!

As dimensões do que ficou

Anos depois, já no doutorado, vieram outros encontros. Defendi a tese, sob orientação de Hebe Mattos, no último dia do 21º Simpósio Nacional de História, promovido pela Associação Nacional de História (Anpuh). Quando a defesa terminou, nos dirigimos para o auditório da UFF. D. Yêdda faria a conferência de encerramento e seria homenageada. Foi emocionante estar ali.

Auditório repleto, dei-me conta de que, parafraseando samba famoso, era parte do enorme batalhão que aquela extraordinária figura havia formado. Ao abraçá-la, contei-lhe da defesa. Ela respondeu: “Sua responsabilidade no Amazonas aumentou. Agora é sua vez e o trabalho está só começando!” Já se vão 10 anos e o trabalho continua, D. Yêdda.

Soube que, além das flores e da bandeira do Botafogo, nada mais foi com ela. E eu aqui, de novo espantada, tentando definir as dimensões do que ficou depois que D. Yêdda passou por nossas vidas. Neste momento, só me vem à memória a voz da Mercedes e o verso do Brecht: “Pero hay los que luchan toda la vida. Estos són los imprescindibles”.


Patricia Melo Sampaio
Departamento de História
Universidade Federal do Amazonas

Publicado por Patricia Melo Sampaio - 08/12/2011 15:10
Tags: História

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‘Guerra e Paz’ e o 11 de Setembro


Obra de Cândido Portinari ilustra capa e contracapa de edição da revista científica ‘The Lancet’ sobre os impactos dos atentados terroristas às torres gêmeas, nos Estados Unidos.

‘Guerra e Paz’ e o 11 de Setembro

Capa e contracapa da edição desta semana da revista ‘The Lancet’.

A revista The Lancet desta semana traz artigos sobre os impactos do 11 de Setembro. Até aí nada demais – boa parte das publicações vai refletir sobre os dez anos dos atentados terroristas que mudaram o mundo.

Mas a revista britânica dedicada a questões de saúde caprichou na ‘embalagem’: preencheu capa e contracapa com os dois painéis de Guerra e Paz, obra monumental do pintor brasileiro Cândido Portinari que embeleza a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (Estados Unidos).

No editorial, a equipe lembra o teor simbólico da obra no que diz respeito a saúde e bem-estar. E faz um paralelo com as intenções da ONU, que muitas vezes tem sido ignorada ou marginalizada por países em guerra.

“No aniversário do 11 de Setembro, as nações devem pensar sobre como fortalecer uma organização indispensável que deve sua existência à guerra e seu futuro à paz – talvez a mais pungente mensagem de Portinari”, conclui o texto.

Helena Aragão

Ciência Hoje On-line

Publicado por Helena Aragão - 02/09/2011 08:38
Tags: História Arte

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