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Por uma ciência mais igualitária


Prêmio que incentiva participação das brasileiras na pesquisa científica chega à décima edição com sete vencedoras.

Por uma ciência mais igualitária

O Prêmio “Para Mulheres na Ciência” valoriza a presença feminina em estudos de diversas áreas. Elisa Orth (foto) foi estuda o desenvolvimento de novos materiais que podem ser aplicados na cura de doenças genéticas (foto: Acervo pessoal / Elisa Orth)

Variações genéticas em nativos americanos. Códigos para resolver falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação. Formações de galáxias. As vencedoras da décima edição do prêmio nacional “Para Mulheres na Ciência”, anunciadas nesta segunda-feira (10/08), têm estudos bem diferentes e uma característica em comum: representam uma geração de talentos que lutam por igualdade de condições entre homens e mulheres na ciência brasileira.

Oferecido pela L’Oréal Brasil em parceria com a Unesco Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o prêmio teve mais de 400 projetos inscritos em 2015. As sete ganhadoras receberão US$ 20 mil (convertidos em reais) como incentivo para seguir com seus estudos.

Premiada por um projeto que utiliza a matemática pura para estudar códigos corretores de erros, fundamentais na solução de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação, como linhas telefônicas, Cecília Salgado diz que a conquista vai além da questão financeira. “Esse tipo de iniciativa é importante para dar visibilidade a pesquisas feitas por mulheres e mostrar que a mulher não tem uma forma diferente de fazer ciência. Muitas vezes o que falta é o estímulo – quase todos os grandes nomes da ciência são homens”, ressalta a matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que torce para que outros pesquisadores se interessem pelo seu campo de estudos a partir de agora.

Cecília Salgado, matemática da UFRJ
Cecília Salgado foi selecionada por sua pesquisa na área de ciências matemáticas. Ela estuda códigos corretores de erros, usados para resolver falhas em sistemas de comunidação. (foto: Acervo pessoal / Cecília Salgado)

Para Elisa Orth, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, o prêmio pode ser justamente um incentivo para que jovens do ensino médio e superior desejem se tornar cientistas, como ocorreu com ela mesma durante a graduação. “As mulheres vêm conquistando muito espaço e têm assumido cargos importantes na ciência brasileira. Prêmios como esse vão atrair cada vez mais mulheres para a pesquisa”, acredita a laureada, que trabalha com pesquisas no desenvolvimento de novos catalisadores que acelerem diversas classes de reações químicas, como enzimas artificiais que poderiam ser usadas para resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Outro interesse de aplicação é destruir substâncias químicas nocivas à saúde humana, presentes em muitos agrotóxicos ainda utilizados no Brasil.

Segundo levantamento do chefe de gabinete da ABC, Fernando Veríssimo, as mulheres representam atualmente 13% dos membros da instituição. O número, pequeno, já foi muito menor: em 2005, primeiro ano do “Para mulheres na ciência”, elas eram apenas 8% do total. “Já houve melhora, mas esse contingente ainda é baixo. Podemos fazer mais que isso, temos mais mulheres que merecem ocupar esse lugar”, afirma Jacob Palis, presidente da ABC.

Se a lentidão das mudanças nos últimos dez anos ainda mostra que há muito a avançar, Orth argumenta que as novas gerações estão dispostas a provar que são capazes de mudar este quadro. “Eu acredito que esse número irá aumentar cada vez mais, visto que temos uma geração de muitas mulheres cientistas extremamente competentes. Claro que enfrentamos alguns preconceitos, mas só nós podemos provar o contrário: fazendo ciência de qualidade com ética e dedicação”, ressalta.

Conheça as vencedoras

Alline Campos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, foi premiada por pesquisas sobre medicamentos mais efetivos e com menos efeitos adversos para tratar pacientes que sofrem de ansiedade e depressão.

Daiana Ávila, da Universidade Federal do Pampa, no interior do Rio Grande do Sul, foi reconhecida por liderar um estudo sobre uma nova terapia para a Esclerose Lateral Amiotrófica, doença genética, degenerativa e sem cura.

Elisa Brietzke, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, estuda o envelhecimento precoce de pacientes bipolares para desenvolver e testar medicamentos capazes de bloquear o avanço da doença.

Tábita Hunemeier, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, investiga as bases genéticas de características morfológicas dos nativos americanos (indígenas) para tentar encontrar variações que os diferenciam fisicamente das populações de outros continentes.

Cecília Salgado, pesquisadora de ciências matemáticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estuda códigos corretores de erros, fundamentais para consertar de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação.

Elisa Orth, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, estuda como resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, Parkinson e Alzheimer, entre outras — e destruir substâncias químicas nocivas à saúde, presentes em agrotóxicos ainda utilizados no Brasil.

Karin Menéndez–Delmestre, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa a formação e a evolução das galáxias por meio de observações da Via Láctea e de universos distantes.

Atualização (12/08/2015)
A pedido de Elisa Orth, este texto foi atualizado para retificar o escopo de seu trabalho, descrito no quarto parágrafo: "(...) acredita a laureada, que trabalha com pesquisas no desenvolvimento de novos catalisadores que acelerem diversas classes de reações químicas, como enzimas artificiais que poderiam ser usadas para resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Outro interesse de aplicação é destruir substâncias químicas nocivas à saúde humana, presentes em muitos agrotóxicos ainda utilizados no Brasil".


Simone Evangelista
Especial para CH On-line

Publicado por Simone Evangelista - 11/08/2015 21:05

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Tecnologia a serviço dos corais


Espaço destinado a promover a conservação e o uso sustentável dos ambientes recifais é reinaugurado na Bahia com ares tecnológicos.

Tecnologia a serviço dos corais

Monitor usa tela interativa no novo Espaço Coral Vivo Mucugê, em Arraial d’Ajuda (BA). (foto: Projeto Coral Vivo)

Numa das ruas mais charmosas do Brasil, a rua do Mucugê, em Arraial d’Ajuda (BA), está localizado o Espaço Coral Vivo Mucugê, que acaba de ser reinaugurado com novas atrações. Parte do Projeto Coral Vivo, o espaço oferece uma verdadeira viagem ao mundo dos recifes de coral, agora enriquecida com recursos tecnológicos e interativos.

“O Projeto Coral Vivo é voltado para promover ações relacionadas à conservação dos recifes de coral e de ambientes coralíneos”, explica Débora Pires, bióloga e coordenadora de comunicação do Projeto Coral Vivo, iniciativa sem fins lucrativos que conta com o patrocínio da Petrobras. “Atuamos em quatro vertentes: pesquisa científica, educação ambiental, mobilização social e políticas públicas”, acrescenta.

Esqueletos de corais
Esqueletos de colônias de corais centenárias encontradas pelo mundo estão em exposição permanente no Espaço Coral Vivo Mucugê. (foto: Projeto Coral Vivo)

Aberto desde 2012, o Espaço Coral Vivo Mucugê integra as ações de mobilização social do projeto. Após a reinauguração, telas interativas, jogos e vídeos especialmente produzidos para o espaço passaram a dar um toque tecnológico para a exposição permanente de esqueletos centenários de colônias de corais.

“O Espaço Coral Vivo Mucugê foi criado para levar experiências de encantamento sobre a importância da conservação dos ambientes recifais. Ficamos em Arraial d'Ajuda, Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, e o lugar é um dos mais ricos em biodiversidade marinha do Atlântico Sul”, diz Pires.

O espaço une interatividade e informação na busca pela conscientização para a manutenção da vida marinha. “Ao trazermos para a superfície o que se encontra no fundo do mar, tanto os moradores quanto os turistas passam a contribuir para a conservação”, finaliza a bióloga.

Espaço Coral Vivo Mucugê
Funcionamento: De segunda a sábado, das 16h às 23h.
Entrada gratuita.
Rua do Mucugê, 402, Arraial d’Ajuda, Porto Seguro, Bahia.

 

Veja o documentário Vida nos recifes, realização do Projeto Coral Vivo



Everton Lopes
Ciência Hoje On-line

Publicado por Everton Lopes - 28/01/2015 15:59

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Liberdade às cutias


Vídeo-reportagem da CH On-line acompanha a maior soltura de cutias já feita na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Liberdade às cutias

Estima-se que existam hoje aproximadamente 43 cutias vivendo na floresta da Tijuca. (foto: Sofia Moutinho)

Até 2010, as cutias (Dasyprocta leporina), habitantes naturais da mata atlântica brasileira, estavam extintas numa das maiores florestas urbanas do mundo, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. De lá para cá, o cenário mudou graças à atuação de pesquisadores do projeto Refauna, que vêm esporadicamente reintroduzindo esses animais na mata. Atualmente, estima-se que aproximadamente 43 cutias vivam na área do parque.

No final de junho, biólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Fundação Parques e Jardins, a Fundação RioZoo e a Fundação Oswaldo Cruz, realizaram a maior soltura de cutias já promovida no parque, libertando 13 animais que viviam em cativeiro. A Ciência Hoje On-line acompanhou esse momento, que, além de instigante, é decisivo para manter a biodiversidade da floresta.

Assista ao vídeo e saiba mais!



Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

 

Assista também ao vídeo da CHC On-line sobre esse assunto.

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Entre a preservação e a loucura


Série fotográfica retrata zoológicos e aviva discussão: eles são peças centrais na conservação da fauna ou ambientes ultrapassados de degradação para os animais?

Entre a preservação e a loucura

A série fotográfica Captive pretende chamar a atenção para a baixa qualidade de vida dos animais nos zoológicos. Os pequenos macacos, como o sagui-da-cara-branca, estão entre os que costumam ficar em pequenas jaulas. (foto: Gastón Lacombe)

Qual a sua sensação quando vai a um zoológico? Essa resposta deve variar bastante de acordo com a instituição visitada, mas em geral os zoológicos despertam sentimentos fortes e até paradoxais – o frisson da proximidade dos animais selvagens muitas vezes contrasta com o estranhamento de observá-los em ambientes artificiais e apresentando comportamentos pouco naturais. Em pleno século 21, o papel dessas instituições é discutido por muitos: os zoológicos são fundamentais para a pesquisa e preservação das espécies? Ou seriam relíquias de tempos passados que deveriam ser aposentadas de vez?

Propositalmente, Captive não inclui ‘bons exemplos’: o objetivo é questionar o lugar dos zoológicos em nossa sociedade e incentivar a reavaliação dessas instituições

É exatamente essa a discussão despertada pela série Captive (Cativos, em tradução livre), que reúne imagens do fotógrafo Gastón Lacombe. O trabalho apresenta registros melancólicos – apesar de belos – das péssimas condições a que animais são submetidos em muitos zoológicos. As fotos foram feitas ao longo dos últimos quatro anos em dezenas de zoos de nove países (Estados Unidos, Canadá, Letônia, Brasil, Argentina, África do Sul, Itália, Sri Lanka e Filipinas). O fotógrafo não identifica as instituições que visitou, pois acredita que o debate deve independer de preconceitos políticos, econômicos ou sociais. 

Propositalmente, Captive não inclui ‘bons exemplos’: o objetivo é questionar o lugar dos zoológicos em nossa sociedade e incentivar a reavaliação dessas instituições. A questão é relevante, em especial pelo fato de denúncias sobre maus-tratos nessas instituições ainda serem, infelizmente, frequentes. Nos últimos anos, por exemplo, podemos citar os casos do ‘Zoo da morte’, na cidade de Surabaya, na Indonésia, do urso polar argentino maltratado Arturo, do zoológico chinês que tentou fazer cachorros se passarem por leões, da instituição na Malásia onde macacos foram encontrados fumando, do parque britânico que vendeu raros filhotes de leão para circos japoneses e do fechamento do centro croata considerado o pior zoo do mundo – entre muitos outros.

Costume antigo, discussão moderna

Os ‘ancestrais’ mais antigos dos zoológicos são as coleções de animais já reunidas há milhares de anos no Egito, na Mesopotâmia, na China e em outras regiões, então símbolos de status de reis e nobres.

“Os zoológicos modernos, acessíveis ao público, nasceram no século 18, mas o bem-estar dos animais é uma preocupação bem mais recente, do início do século 20”, conta o biólogo Cristiano Schetini de Azevedo, da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (MG). “Hoje, os zoológicos são importantes centros de conservação, educação ambiental e lazer, realizam pesquisas em educação, biologia e veterinária e devem seguir normas que garantam a qualidade de vida dos bichos.”

Urso polar
Lacombe não costuma identificar as suas fotos, mas essa do urso polar Arturo, da Argentina, se destacou pela campanha popular em prol da transferência do animal para instalações mais adequadas no Canadá. (foto: Gastón Lacombe)

Em especial no que se refere à conservação, a zoóloga Yara de Melo Barros, presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), destaca que os zoos já foram fundamentais para salvar da extinção dezenas de espécies, como o cavalo-de-Przewalski, o condor-da-Califórnia, o bisão-americano, o furão-do-pé-preto e o mico-leão-dourado. “O suporte técnico e logístico dos zoológicos tem contribuído ainda para melhorar o status de conservação de muitos outros animais”, avalia. 

Barros também destaca o poder transformador que enxerga nessas instituições. “Para muitas pessoas, elas são o único meio de acesso à natureza e, portanto, sua maior propaganda, além de ferramenta educacional mais efetiva para falar sobre conservação”, defende. “A ‘mágica’ proporcionada pela visita a um bom zoo pode mudar atitudes, gerar empatia e estimular uma conexão mais sustentável e menos predatória com nosso planeta.”

Barros: “Para muitas pessoas, elas são o único meio de acesso à natureza e, portanto, sua maior propaganda, além de ferramenta educacional mais efetiva para falar sobre conservação”

Muitos, no entanto, pensam de forma diferente. Para a coordenadora da divisão latina da organização não governamental People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), Renée Saldana, os zoológicos ensinam que animais podem passar a vida toda presos em nome do entretenimento. “Os visitantes vagam por lojas e lanchonetes e se detêm apenas alguns instantes numa jaula ou outra – mas, para os animais, esse é o dia a dia”, lembra. “Mesmo no caso de bichos que não podem viver em liberdade, a alternativa mais saudável seriam os santuários de animais sem fins lucrativos, não os zoos.”

Saldana cita o polêmico caso do zoológico de Copenhagen (Dinamarca), que sacrificou uma girafa e quatro leões em saúde perfeita, para falar de falta de respeito à vida dos animais. O zoo dinamarquês não é o único a adotar a eutanásia, em especial no caso de bichos idosos. “Sob o pretexto da preservação, os zoos mantêm espécies que não estão ameaçadas e criam animais para vender mais ingressos”, argumenta. “Não há nada mais atrativo do que filhotinhos, mas animais velhos gastam muito.” 

Recentemente, a Costa Rica anunciou a decisão de fechar todos os zoos públicos do país, libertando ou enviando os animais para santuários – um exemplo louvável, na opinião da ativista. “Se queremos proteger a natureza, deveríamos investir os recursos dos zoológicos na proteção das populações selvagens, combatendo ameaças como a destruição de hábitats, a caça e a introdução de espécies exóticas”, defende. “Não queremos jaulas maiores, mas sim jaulas vazias.”

Tigre
A falta de espaço e de ambientes adequados aumenta o estresse dos animais, baixa sua imunidade e pode levá-los a desenvolver comportamentos neuróticos. (foto: Gastón Lacombe)

Para a presidente da SZB, no entanto, nem sempre há alternativas. “Se considerarmos o ritmo de perda e degradação dos hábitats, a criação de reservas naturais é cada vez menos possível, e não se aplica a qualquer animal, especialmente aos que requerem cuidado intensivo”, observa. “A questão central é fazer com que essas instituições sigam padrões éticos no tratamento dos animais, fundamentais à conservação da natureza.”
 

Mínimo necessário

O ponto é polêmico, mas pelo menos há consenso sobre o fato de que os animais não podem ser vistos como objetos para o entretenimento. “No mundo conectado em que vivemos, será que precisamos expor os animais para diversão?”, indaga-se o fotógrafo Lacombe. “Idealmente, creio que não existiriam mais zoológicos, porém eles não deixarão de existir; então precisamos debater como garantir que propiciem melhor qualidade de vida aos animais e promovam a preservação de nossa fauna.”

Lacombe: “No mundo conectado em que vivemos, será que precisamos expor os animais para diversão?”

A tarefa, no entanto, não é tão simples. Para Cristiano Azevedo, o trabalho de Lacombe evidencia uma precária realidade ainda comum em muitas instituições. Ele elenca características necessárias para um zoológico de qualidade, que passam pela existência de recintos espaçosos e naturalísticos, de equipes qualificadas de biólogos e veterinários e de um programa permanente de enriquecimento ambiental para diminuir efeitos do cativeiro, além da presença de pares reprodutivos, da manutenção de registros dos animais para a criação de planos de manejo e da promoção de programas de educação ambiental.

Apesar de dizer não acreditar na felicidade de animais cativos, Renée Saldana destaca outras condições mínimas que precisam ser atendidas: a ideia principal é simular a natureza e garantir o espaço necessário para cada espécie. “Todos devem ter um ambiente diverso – com vegetação, areia e áreas longe das vistas do público – e que possibilite relações sociais apropriadas”, elenca. “Os animais também não devem sofrer mutilações, ter garras ou dentes arrancados, nem ter contato direto com visitantes ou realizar truques e apresentações.”

O problema, no entanto, é que muitos zoológicos e aquários não seguem essa ‘cartilha’. Nesses casos, a avaliação do bem-estar dos animais, feita com base em parâmetros comportamentais e fisiológicos, como índices de doenças, de sucesso reprodutivo e comparação com indivíduos na natureza, mostra padrões pouco naturais e neuróticos.

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Grandes aves, como o abutre, precisam de áreas espaçosas, em que possam voar e desempenhar seus comportamentos naturais – mas espaço é um item caro para os zoológicos. (foto: Gastón Lacombe)

“O estresse elevado baixa a imunidade, provoca doenças e comportamentos anormais e até automutilação, algo bastante degradante para os bichos e para o público”, avalia Azevedo. Saldana completa: “Elefantes são isolados por toda a vida, felinos perambulam inquietos, aves mal podem abrir as asas; estamos levando esses animais à loucura.”

Exemplos como o do zoo de Lujan (Argentina), acusado de sedar bichos para que interajam com os visitantes, são apontados como inaceitáveis. O documentário Black Fish, de 2013, também mostrou o efeito de cativeiro, maus-tratos e adestramento em baleias orca. No Brasil, também não faltam exemplos de problemas em zoológicos, como em Niterói, no Rio de Janeiro, onde a instituição foi  fechada e acusada de tráfico de animais.

Barros: “Julgar todos os zoológicos com base em exemplos ruins é uma forma tendenciosa e simplista de ver o problema”

A zoóloga Yara Barros admite a existência de muitos problemas nos zoológicos brasileiros, que ela credita a questões que vão da má administração à falta de recursos, passando pela pouca valorização por parte do poder público. “Uma pesquisa da SZB identificou 106 zoos e 10 aquários no país, mas muitos não constam nas listagens oficiais e não têm registro do número de animais que abrigam”, lamenta a zoóloga. “Das instituições mapeadas, mais da metade é municipal e 81% dessas têm entrada gratuita, são completamente dependentes das prefeituras.”

Barros ainda lembra, por outro lado, que existem exemplos positivos no país, como os zoos de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, e que a discussão deveria se focar nas alternativas para criar mais centros de excelência. Para isso, ela defende a construção de estratégias que envolvam não só os zoos, mas também as entidades ligadas ao repasse de recursos, à normatização e à fiscalização da atividade.

“Julgar todos os zoológicos com base em exemplos ruins é uma forma tendenciosa e simplista de ver o problema”, pondera. “A qualificação dos zoos brasileiros passa pela criação de políticas que auxiliem as mudanças estruturais e a capacitação das equipes, deem mais eficiência às agências de normatização e fiscalização e promovam o comprometimento de cada zoo com o respeito pelas vidas que estão sob sua guarda”, completa.

 

Confira outras fotos da série Captive numa galeria de imagens especial.

 

Marcelo Garcia

Ciência Hoje On-line

Clique aqui para ler o texto que a CHC preparou sobre esse assunto.

 

Publicado por Marcelo Garcia - 25/06/2014 15:15

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Campeões da conservação


Pesquisadores propõem que, para cada gol marcado na Copa do Mundo do Brasil, sejam preservados mil hectares de caatinga, hábitat da mascote da competição.

Campeões da conservação

Durante a Copa do Mundo de 2014, Fuleco ficará internacionalmente conhecido. Cientistas esperam que tamanha exposição ajude a preservar seu hábitat, a caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. (foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil – CC BY-SA 3.0)

Você já deve ter ouvido falar do Fuleco. É a mascote da Copa do Mundo de 2014, que está prestes a começar. Ele é um simpático tatu-bola – e seu nome vem da mistura entre as palavras ‘futebol’ e ‘ecologia’.

O personagem foi inspirado em um curioso representante de nossa fauna: o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus). Trata-se de uma espécie endêmica brasileira que está ameaçada de extinção. E seu ambiente natural, a caatinga, também passa por uma situação que, definitivamente, não é das melhores. Esse bioma, segundo a comunidade científica, está em péssimo estado de conservação.

“Escolheram um animal que está ameaçado para ser símbolo da Copa. Mas por que não usar essa divulgação toda para promover ações de conservação dessa espécie?”, provoca o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Até agora, o retorno que o tatu-bola-da-caatinga recebeu foi praticamente zero.”

Tatu-bola-da-caatinga
O tatu-bola-da-caatinga (‘Tolypeutes tricinctus’) é uma espécie ameaçada de extinção. (imagem: Wikimedia Commons/ ChrisStubbs – CC BY-SA 3.0)

O pesquisador, em parceria com colegas das universidades federais do Vale do São Francisco (Univasf) e da Paraíba (UFPB), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Autônoma do México, publicou um recente artigo criticando a falta de ações concretas de conservação da mascote da Copa.

“É uma provocação à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e ao governo brasileiro”, diz Bernard. A equipe sugere que a Fifa e o Ministério do Meio Ambiente aproveitem melhor a alta exposição do bicho para ajudar em sua conservação.

Além da crítica

No artigo, os pesquisadores propõem algumas ideias bem práticas. A primeira delas é expandir o sistema de parques e reservas na caatinga. Eles também esperam que o governo acelere a publicação de um plano de conservação para o tatu-bola.

No dia 22 de maio, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que prevê a criação de dois parques para proteção da espécie

Outra sugestão, que, segundo os cientistas, não está sendo levada muito a sério, é que fossem honrados os investimentos prometidos para os chamados Parques da Copa. Eram projetos que pretendiam criar unidades de conservação voltadas a atividades turísticas. Seriam parques e reservas naturais – onde se poderiam promover ações turísticas de visitação de modo a atrair tanto brasileiros quanto estrangeiros para conhecer as belezas naturais da caatinga. E não só durante o período da Copa. Futuramente, o turismo nacional poderia se beneficiar dessas novas áreas.

Mas, de fato, a mais audaciosa das propostas dos pesquisadores é a seguinte: para cada gol marcado nos jogos da Copa, seriam protegidos mil hectares de áreas naturais de caatinga. Ou seja: gols resultariam diretamente em novos territórios a auxiliar na proteção do tatu-bola e seu hábitat.

As ideias têm sido amplamente divulgadas e foram enviadas ao Ministério do Meio Ambiente e à Fifa. No dia 22 de maio, como parte de um pacote de ações pelo Dia Mundial da Biodiversidade, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que, entre outras medidas, prevê a criação de dois parques para proteção da espécie. “Agora é aguardar para ver se vão honrar mais esse compromisso”, finaliza Bernard.

Gabriel Toscano
Ciência Hoje On-line

Clique aqui para ler o texto que a CHC preparou sobre esse assunto.

 

Publicado por Gabriel Toscano - 12/06/2014 13:41

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Sobrevivente sortuda


No Dia Mundial das Tartarugas, conheça a história de Hofesh, tartaruga marinha que recuperou sua capacidade de nadar graças a equipamento inspirado em avião de guerra.

Sobrevivente sortuda

Encontrada numa praia de Israel com duas patas condenadas, a tartaruga Hofesh agora recuperou sua capacidade de nado graças a nadadeiras artificiais especificamente desenhadas para ela. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)

Você sabia que 23 de maio é o Dia Mundial das Tartarugas? A data é celebrada pela American Tortoise Rescue para chamar a atenção do mundo para a necessidade de proteger esses répteis tão simpáticos – e, em muitos casos, tão ameaçados. Para marcar a efeméride, vamos contar a história de Hofesh, a tartaruga verde que escapou da morte certa pela ação do Centro de Resgate e Reabilitação de Tartarugas Marinhas de Israel e recebeu implantes tecnológicos especialmente desenhados que devolveram sua mobilidade.

Hofesh foi encontrada jogada numa praia mediterrânea em Israel, em péssimas condições: estava presa numa rede de pesca e suas duas patas esquerdas apresentaram necrose, pela falta de circulação e pela infecção dos ferimentos. “Depois de perder o controle de suas nadadeiras, ela provavelmente sobreviveu apenas flutuando no oceano, pois estava incapacitada de nadar e, ao mesmo tempo, precisava pegar ar na superfície”, conta Orit Friehmann Elad, do centro israelense. “Isso a deixou muito vulnerável aos predadores e provavelmente a teria matado de qualquer forma em pouco tempo.”

Equipamento improvisado
Os pesquisadores chegaram a experimentar alternativas para recuperar a habilidade de nado de Hofesh, mas as soluções improvisadas não funcionaram. (foto: Yaniv Levy/ Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)

A única solução encontrada pelos cientistas foi recolher o animal ao seu centro de reabilitação e tratamento, onde ele teve os dois membros amputados, para salvar sua vida. Os pesquisadores chegaram a improvisar um sistema para tentar devolver sua capacidade de nado usando equipamentos de mergulho, mas a solução pecava pela falta de estabilidade e não resolveu o problema. 

Esperança, liberdade e amor

Por quatro anos, Hofesh permaneceu nessa situação, limitando-se basicamente a boiar e, quando ficava nervoso ou assustado por qualquer motivo, acabava afundando numa perigosa espiral e correndo sério risco de se afogar. A história, no entanto, começou a mudar quando Shlomi Gez, um estudante de desenho industrial da Hadassah Academic College, de Jerusalém, ficou sabendo do problema da tartaruga verde e decidiu ajudar: a partir de um projeto que havia elaborado para peixes, ele criou uma barbatana de polipropileno (um plástico durável, flexível e resistente à água) especificamente para Hofesh, desenhada com base no design do caça supersônico F-22 Raptor. 

Amarrada no casco da tartaruga, ela devolveu o equilíbrio ao animal, que pôde enfim nadar mais livremente. “Hofesh ficou muito mais confortável e calmo com o equipamento, já é possível perceber um grande avanço na sua capacidade de locomoção, mesmo tendo recebido a barbatana faz pouco tempo”, conta Elad. 

Tartaruga reabilitada
Já equipado com suas nadadeiras artificiais, Hofesh divide seu tanque agora com Tzurit, fêmea cega de sua espécie. Embora nenhum dos dois possa retornar ao mar, seus possíveis filhotes ganharão a liberdade. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)

O mais irônico é que, apesar de seu nome em hebraico significar ‘liberdade’, Hofesh jamais poderá retornar à vida selvagem, pois ainda seria presa fácil no oceano. No entanto, ele não viverá sozinho: a tartaruga macho divide seu tanque com uma fêmea da mesma espécie, Tzurit, que ficou cega após um acidente com um barco e também não pode ser devolvida à natureza. Os pesquisadores acreditam que eles podem formar um belo casal – ambos têm cerca de 25 anos, idade aproximada em que a espécie atinge a maturidade sexual. 

“Hofesh e Tzurit já vivem juntos no mesmo tanque e interagem bastante”, conta Elad. “Poderíamos até chamar esse comportamento de um flerte brincalhão, conforme eles se aproximam da sua maturidade sexual”, comemora. Quem sabe um dia seus filhos possam, enfim, retornar ao mar, não é mesmo? Elad conta, ainda, que as duas tartarugas poderão ter a companhia de outros espécimes também preservados pelo grupo, quando as novas instalações do centro forem construídas.

No Brasil
Em nosso país, o projeto Tamar se destaca como um importante programa de conservação das tartarugas marinhas em território nacional. Com bases espalhadas por toda a costa brasileira, o projeto tem sido fundamental na proteção das cinco espécies do animal que vivem em nosso litoral. Suas atividades incluem pesquisa, mapeamento e Projeto Tamarproteção de ninhos, marcação dos répteis, trabalho junto a populações locais e pescadores para auxiliar na preservação, atividades de educação ambiental e divulgação científica em mais de 10 centros de visitação pública em diversas praias do Brasil, entre outras. 

Saindo um pouco dos oceanos, vamos falar sobre as tartarugas terrestres – afinal, hoje também é um dia dedicado à proteção delas! No seco, talvez o maior destaque sejam as tartarugas gigantes de Galápagos. Sobre elas, vale relembrar a morte de George, o solitário, que marcou a provável extinção de uma de suas subespécies, a tartaruga-das-galápagos-de-pinta, e também um estudo que encontrou indicações de que outra espécie do animal, dada como extinta desde o século 19, pode ainda existir escondida nas ilhas do arquipélago equatoriano.
Clique aqui para ler o texto que a CHC preparou sobre esse assunto.


Marcelo Garcia

Ciência Hoje On-line

Publicado por Marcelo Garcia - 23/05/2014 14:27

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Ciência a um toque de distância


Conheça alguns aplicativos para ‘tablets’ e celulares voltados a quem se interessa por temas científicos.

Ciência a um toque de distância

O aplicativo Stelarium permite visualizar o céu noturno e identifica a posição, o nome e a distância de cada astro. (imagem: reprodução)

A moda dos aplicativos para tablets e celulares já atingiu o público que gosta de ciência. Há programas para todos os gostos, da astronomia à biologia, passando pela matemática. Além disponibilizar informações científicas para os aficionados de plantão, os aplicativos podem ser úteis no aprendizado de crianças e até auxiliar na coleta de dados para pesquisas. Confira abaixo uma pequena seleção:

O céu na palma da mão

Você passa muito tempo de cabeça baixa olhando para a telinha do celular? Então esses aplicativos vão te ajudar a erguer a cabeça. Voltados para quem gosta de astronomia e quer passar mais tempo observando o céu, esses programas trazem informações e curiosidades, além de terem um visual muito bonito. Dá pra passar horas só admirando os gráficos.

O programa mostra o céu noturno e possibilita a visualização dos planetas e da posição de estrelas e constelações dos hemisférios Sul e Norte

O Stelarium é um dos mais famosos e mais clássicos dentre os aplicativos de astronomia. Apesar de a versão para celular ser paga, é possível baixar gratuitamente o aplicativo para computador diretamente do site. O programa mostra o céu noturno e possibilita a visualização dos planetas e da posição de estrelas e constelações dos hemisférios Sul e Norte, com informações como o nome e a distância a que está cada estrela.

O 100.000 stars, que, apesar do nome, exibe a representação de 119.617 estrelas, é um guia interativo que permite navegar entre esses corpos celestes usando o mouse e dando zoom na tela. Para visualizar as informações das estrelas, basta clicar em cada uma delas. O programa usa dados e imagens das agências espaciais norte-americana (Nasa) e europeia (ESA) e seu visual, assim como o da maioria dos aplicativos do gênero, é de encher os olhos. Embora tenha sido desenvolvido para o Google Chrome, também é possível acessá-lo em outros navegadores.

Aplicativo 100.000 stars
O aplicativo 100.000 stars permite navegar em meio a 119.617 estrelas representadas na tela, inclusive com ‘zoom’. (imagem: reprodução)

Já o Planetary fica aqui como curiosidade. O aplicativo não traz informações sobre o cosmos, mas organiza a sua lista de músicas do iTunes como se fosse um pequeno universo. Cada estrela é um artista, cada planeta que orbita a estrela é um álbum e cada lua dos planetas é uma música da lista. O visual é bacana e divertido para quem curte astronomia. O aplicativo está disponível gratuitamente para o sistema operacional IOS 4, disponível em aparelhos da Apple, como iPhone e iPad.

Ferramenta educacional

Com o uso cada vez maior das ferramentas tecnológicas na educação, não é de se espantar que se criem aplicativos para ajudar no aprendizado escolar. Esses programas podem ser uma forma divertida de aprender ou relembrar o que nos ensinam na escola.

Um deles é o The Human Body, disponível para o sistema operacional IOS. Seu objetivo é mostrar o funcionamento do corpo humano. Voltado para crianças, o aplicativo tem um visual simples e fácil de entender. Na tela, aparecem o coração, as córneas, o estômago, o intestino grosso e outros órgãos do corpo, que a criança pode ver em ação com as funções do aplicativo e até fazer o boneco soltar pum.

Aplicativo The Human Body
O aplicativo The Human Body mostra o funcionamento do corpo humano. Voltado para crianças, ele pode ajudar no aprendizado escolar. (imagem: reprodução)

Já o aplicativo brasileiro MathYou pretende auxiliar crianças no aprendizado de matemática. Desenvolvido por um menino de 13 anos para uso gratuito em Iphone e Ipad, o aplicativo disponibiliza exercícios voltados para alunos do ensino fundamental. Ele gera diversas equações, desde as mais básicas, como adição, multiplicação, soma e subtração, até as que incluem exponenciação, radiciação, frações ou números negativos. Uma mão na roda para quem precisa de ajuda com matemática.

Da natureza para o celular

Aqueles que se preocupam com a proteção da fauna e querem contribuir com estudos desenvolvidos na área podem baixar o aplicativo brasileiro Urubu Mobile.

Criado para ser um banco de dados sobre animais atropelados em estradas brasileiras, o aplicativo segue uma lógica colaborativa

Criado para ser um banco de dados sobre animais atropelados em estradas brasileiras, o aplicativo segue uma lógica colaborativa: junta informações tanto de pesquisadores quanto de pessoas não especializadas no assunto. Para ajudar, é simples: basta fotografar o animal atropelado usando o aplicativo. Por meio do GPS, o local do atropelamento fica registrado.

Idealizado pelos grupos de pesquisa dos departamentos de ciência da computação, ciências florestais e biologia da Universidade Federal de Lavras (MG), o aplicativo contribui para acrescentar informações às pesquisas e aos registros de animais atropelados, dados ainda escassos no Brasil.

E você, tem alguma dica?

Fernanda Távora
Especial para CH On-line

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