Bússola
Biodiversidade marinha
Museu Oceanográfico Univali passa a abrigar a segunda maior coleção de peixes cartilaginosos do mundo.
Pesquisadores da Univali mostram algumas espécies do acervo do Museu Oceanográfico. (foto: Divulgação/ Univali)
O Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), localizado em Balneário Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, passou a abrigar a segunda maior coleção de tubarões, raias e quimeras do mundo. A instituição chegou à vice-liderança no ranking depois de receber cinco mil peças de peixes cartilaginosos do Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (Nupec), que já abrigava a antiga coleção do Instituto de Pesca de São Paulo (Ipesca) e recentemente fechou sua sede.
Com a integração dos acervos, o museu tem agora 12 mil exemplares, entre espécies raras que ocorrem na costa brasileira e animais de outras regiões do globo. A coleção supera em quantidade amostras seculares de cidades como Londres, Paris e Nova Iorque e só fica atrás do Museu Nacional dos Estados Unidos, com sede em Washington.
Segundo o geógrafo da Univali Jules Soto, curador geral do museu, um dos maiores destaques do novo acervo é o tubarão mangona-negra (Odontaspis noronhai). “Dessa espécie, que é raríssima, apenas três exemplares estão expostos em museus do mundo todo”, diz Soto. “Agora um deles está no nosso museu”, orgulha-se o geógrafo.

- Exemplar de mangona-negra (‘Odontaspis noronhai’), espécie rara de tubarão, pertencente à Univali. O animal foi capturado no início da década de 1980 na costa sul do Brasil. (foto: Jules Soto)
Com barbatanas pretas – em alguns casos a nadadeira dorsal tem a ponta branca – e o focinho pontudo, o mangona-negra ocorre em diferentes regiões do oceano Atlântico e pode ser encontrado no sul do Brasil. O macho chega a medir até 3,6 m, e a fêmea, 3,3 m.
Exposição e pesquisa
As peças de maior notoriedade serão agregadas a outras já em exposição no museu. Antes da montagem dos módulos, os exemplares vão passar por processos de revisão, higienização e acomodação.
Todo o material será disposto de uma forma que leve o espectador a passar por todo o museu. “Assim, ele não perde nenhuma atração”, comenta o curador. A previsão é de que o trabalho de organização do acervo esteja concluído em julho próximo.

- Parte do acervo do Museu Oceanográfico Univali, que passa por processo de organização. (foto: Divulgação/ Univali)
O principal objetivo da nova coleção, de acordo com Soto, é dar ao pesquisador condições de realizar estudos em áreas como anatomia, sistemática e biogeografia. A análise das peças pela comunidade científica deverá, segundo ele, ampliar o conhecimento sobre tubarões e raias encontrados no Brasil. “Essa coleção é o maior testemunho da biodiversidade brasileira nesse grupo zoológico”, avalia.
Além da ampla coleção de peixes cartilaginosos, o Museu Oceanográfico Univali abriga também 89 mil peças de conchas, 708 lotes de mamíferos marinhos (baleias, golfinhos, focas, lobos e leões-marinhos) e 644 lotes de tartarugas-marinhas.
Marina Sequinel
Ciência Hoje On-line/ PR
Seres de luz
Exposição do Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, recria ambientes onde vivem animais brilhantes e trata do fenômeno de bioluminescência.
Modelo da espécie ‘Phausis reticulata’, aumentada 65 vezes. Encontrado nas regiões central e sudeste dos EUA, esse vaga-lume é chamado de fantasma azul, por seu brilho constante. (foto: D. Finnin/ AMNH)
Demora alguns segundos até os visitantes do Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque (EUA), se adaptarem ao escuro das salas que abrigam a exposição ‘Criaturas da luz, a bioluminescência na natureza’. A penumbra visa recriar o cenário de uma noite de verão, atmosfera perfeita para se esbarrar com simpáticos vaga-lumes, que piscam em busca do par ideal.
Grupos de crianças e adultos, embalados por uma música de fundo instrumental, são levados a explorar ambientes onde vivem seres bioluminescentes – aqueles que emitem luz fria produzida por meio de uma reação química dentro de seu organismo.
Entender como se dá esse fenômeno, para que serve e conhecer alguns desses animais e seus hábitats são os objetivos da exposição, em cartaz até janeiro de 2013.
Dentre essa fauna diversa, talvez os mais familiares do público sejam os pirilampos. Na exposição, réplicas gigantes desses insetos permitem observar detalhes do seu corpo. Num módulo interativo, os visitantes tentam reproduzir a linguagem dos vaga-lumes, usando pequenas lanternas, a exemplo de como fazem os cientistas que estudam esses animais. Se acertam o padrão de emissão de luz – um verdadeiro código Morse –, recebem respostas dos vaga-lumes machos. Cada espécie possui um ritmo diferente de comunicação.

- Na reprodução da caverna Waitomo, na Nova Zelândia, visitantes observam larvas de mosquito que 'pescam' suas presas com teias luminescentes. (foto: D. Finnin/ AMNH)
O passeio também revela outros organismos mais raros e menos românticos, como uma espécie de verme (Arachnocampa luminosa) que habita as cavernas de Waitomo, no norte da Nova Zelândia, reproduzidas na exposição. As larvas produzem um tipo de teia grudenta e luminosa, cujo brilho atrai e encarcera suas presas. O que serve de armadilha para insetos é, para os humanos, um espetáculo da natureza.
O fundo do mar, no entanto, é um dos ambientes mais ricos em seres bioluminescentes: em profundidades abaixo de 700 metros, estima-se que até 90% dos animais emitam luz, seja para caçar, acasalar ou ao movimentar-se. Mas apenas uma pequena fração dessa fauna é conhecida.
Em águas mais rasas, como na baía de Porto Mosquito, em Porto Rico, basta passar as mãos pela superfície para deixar um rastro luminescente. Lá vivem seres unicelulares chamados de dinoflagelados que brilham em contato com outros corpos ou pelo movimento brusco da água – quanto mais ensolarado o dia, mais forte é o brilho desses organismos à noite.
Para se ter uma ideia do efeito causado pelos dinoflagelados, um dispositivo interativo projeta no chão da exposição milhares de partículas luminosas que seguem os passos dos visitantes – diversão garantida para adultos e crianças.

- Crianças brincam no projetor interativo que simula a baía de Porto Mosquito, em Porto Rico, onde seres unicelulares brilham, sensíveis ao toque. (foto: D. Finnin/ AMNH)
A exposição também fala sobre animais fluorescentes, que, em vez de produzir sua própria luz, absorvem o brilho do Sol e o reemitem, a exemplo dos recifes de corais. Outros organismos ainda combinam bioluminescência e fluorescência, como as águas-vivas.
Outra preocupação da mostra é revelar como são feitas as pesquisas científicas com os seres bioluminescentes. Para o biólogo John Sparks, curador de ‘Criaturas da luz’, o aspecto mais empolgante – e desafiador – da exposição é a incorporação de informações de pesquisas atuais. Segundo Sparks, muitas das imagens expostas são objetos de investigações ainda em curso, algumas delas capturadas três meses antes do lançamento da mostra.
Ao final do trajeto, fica clara a mensagem de que, seja no mar, no ar ou na terra, ainda há muito por explorar no fascinante universo dos seres bioluminescentes.
Assista ao vídeo produzido pela equipe da exposição com os bastidores de sua montagem
Marina Ramalho
Especial para a CH On-line
Dicas de campo a distância
Pesquisadores criam série de vídeos em que ensinam técnicas para monitoramento de animais e plantas em experimentos ‘in loco’.
O biólogo Pedro Ivo Simões apresenta o vídeo sobre monitoramento de sapos. Divido em três partes, o vídeo ensina como preparar uma expedição à floresta, como agir em campo e como analisar e conservar o material coletado na volta ao laboratório.
Cursos a distância são realidade para muitas carreiras, mas seria possível aprender técnicas de campo virtualmente? Apostando em uma resposta afirmativa para a pergunta, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) lançaram uma série de vídeos em que ensinam como coletar e monitorar algumas espécies de animais e plantas.
Todos os vídeos foram produzidos, filmados e narrados pelos próprios pesquisadores. Se em alguns momentos eles parecem pouco confortáveis com o texto ensaiado, em outros mostram com desenvoltura o passo a passo do trabalho na floresta. “Para nós era importante ter a pessoa do pesquisador apresentando, afinal, não é uma novela”, conta o biólogo William Magnusson, coordenador da iniciativa.
Magnusson explica que a série surgiu para complementar os cursos presenciais que o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Inpa oferece a profissionais que realizam monitoramento ambiental para órgãos governamentais como a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
“A demanda por esses cursos aumentou muito e não tínhamos capacidade de atender. Também percebemos que quem dava a disciplina em campo às vezes esquecia alguma coisa e que muitos alunos não prestavam atenção e voltavam com dúvidas. Com os vídeos, isso não acontece, eles servem como uma revisão.”
Cinco vídeos já estão disponíveis gratuitamente na página do programa e no seu canal do YouTube. Todos seguem uma metodologia padrão, abordam grupos específicos de plantas e animais – árvores comerciais, samambaias, sapos e primatas – e explicam desde como montar o experimento no campo até como organizar os dados coletados. O próximo vídeo a sair tratará de peixes.
“Estamos aprendendo; cada vez fazemos um pouco melhor”, avalia Magnusson. “Estamos fazendo algumas mudanças para melhorar o áudio, que é sempre o mais complicado. Mas o mais importante é que os vídeos sejam úteis."
Confira a primeira parte do vídeo sobre trabalho de campo com sapos
Mariana Ferraz
Ciência Hoje On-line/ AM
Cérebros!
Exposição em Londres mostra como esse órgão vem sendo tratado pela humanidade há milhares de anos.
Metade de um cérebro humano seco. A peça compõe a exposição ‘Cérebros’, em cartaz na Wellcome Collection de Londres. (foto: Museu de Ciência, Londres)
É o sonho de qualquer zumbi de filme de terror: uma galeria inteira ocupada por cérebros. Fatiados, inteiros, em vidros, secos, fotografias de cérebros, moldes, esculturas. A exposição, singelamente nomeada Brains (cérebros, em inglês), que está em cartaz na Wellcome Collection de Londres, deixa bem claro, logo na entrada, que o assunto não é a mente. É o cérebro, físico, aquele órgão enrugado que há milhares de anos fascina a humanidade.
“[Esta exposição] não é sobre o que os cérebros fazem por nós, mas o que nós fazemos com eles”, é o texto logo na entrada. Na parede ao lado, em letras menores: “Esta exposição contém imagens e objetos que alguns visitantes podem achar perturbadores”, provavelmente se referindo a alguns dos vídeos mostrando operações no cérebro (afinal, esta é a Wellcome Collection, que fica no meio do caminho entre uma galeria de arte e um museu de medicina).
Mexer e futucar a massa encefálica é algo que a humanidade faz há milhares de anos. É possível ver na exposição um crânio da Idade do Bronze com sinais de uma trepanação, uma das primeiras operações cerebrais de que se tem notícia, que consistia em abrir buracos no crânio.
Há também as histórias tocantes de pacientes do começo do século 20, fotografados antes ou depois de operações cirúrgicas. Aliás, a técnica para neurocirurgias pode ter evoluído, mas a parte de serrar e abrir o crânio nunca vai ser considerada delicada. Instrumentos lembram o quanto o cérebro, esse órgão tão exposto nessa galeria, fica protegido dentro do nosso corpo.
Cérebros ilustres
Em paralelo às operações neurológicas, o estudo anatômico do cérebro, principalmente nos séculos 19 e 20, buscava entender a mente por meio das propriedades físicas do órgão. Cientistas estudavam cérebros de criminosos ou de pessoas geniais para tentar entender de onde vinham aquelas características.

- Cérebro da sufragista Helen H. Gardener. (crédito: Burt Green Wilder Brain Collection, Cornell University; foto: Peter Ross)
A técnica pode não ter levado a muitos avanços científicos, mas é graças a ela que nessa exposição podemos dar uma olhada, bem de perto, em cérebros famosos como os de Einstein (na verdade, duas lâminas manchadas, duas fotos e um molde em resina), da sufragista Helen H. Gardener, do matemático e ‘pai do computador’ Charles Babbage e do assassino William Burke, escocês que no século 19 matava e vendia os corpos das vítimas para serem dissecados na Universidade de Medicina – e que acabou também dissecado após ser condenado à forca.
Ao lado de uma carta da médica Anita Newcomb McGee, datada de 1896, oferecendo para estudo o cérebro de seu bebê que estava morrendo de meningite, veem-se as imagens e ouvem-se os depoimentos de sorridentes idosos contemporâneos, entusiasmados com a perspectiva de terem seus cérebros igualmente escarafunchados por pesquisadores após sua morte. Hoje em dia o estudo anatômico do cérebro é feito para se tentar entender melhor doenças degenerativas como o Alzheimer. Ou seja, a doação de cérebros para pesquisa continua relevante.
Órgãos e tecidos conservados e modelos de cérebros de diversos animais dividem espaço na galeria com obras de arte como as esculturas de Katharine Dowson, onde se vê seu próprio cérebro, ou o tumor no cérebro de seu primo, gravados a laser em um cristal – as esculturas têm uma leveza que o órgão de verdade não tem.

- ‘My Soul (Minha Alma)’, obra feita em 2005 pela escultora Katharine Dowson em que se veem as formas de seu próprio cérebro gravadas a ‘laser’ em um cristal. (foto: Katharine Dowson e GV Art)
Perto da saída, ao lado de poltronas e livros disponíveis para consulta, uma parede inteira está coberta com pôsteres de filmes B sobre... cérebros. Há desde títulos conhecidos como Frankenstein ou O homem com dois cérebros, com Steve Martin, até histórias de cérebros vindos do espaço ou transplantes de cérebros. Todos têm os cérebros como protagonistas, o que talvez explique a ausência dos filmes de zumbis comedores de massa encefálica, onde o órgão mais importante do nosso corpo é tão somente o prato principal.
Confira mais imagens da exposição.
Barbara Axt
Especial para a CH On-line/ Londres
Corrida maluca
Células naturais e modificadas disputaram o pódio na menor e mais lenta competição de velocidade do mundo.
Células de diferentes tipos, entre naturais e modificadas, competiram na curiosa corrida, que demorou um dia inteiro. (foto: reprodução)
Uma linhagem de células-tronco embrionárias de Cingapura venceu a primeira corrida mundial de células e ganhou o título de mais veloz do mundo. É isso mesmo, você não entendeu errado.
A World cell race (corrida mundial de células, em português), cujo resultado final foi divulgado durante a 51ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Biologia Celular, na semana passada, é literalmente uma corrida em que variados tipos de células disputam para ver quem atravessa mais rápido uma placa de Petri, aqueles recipientes de vidro redondos que os cientistas usam para cultivar pequenos organismos em laboratório.
As células-tronco vencedoras deixaram para trás 50 outras competidoras – entre células cancerosas, mutantes e modificadas artificialmente – ao atingir a incrivelmente lenta velocidade de 5,2 micrômetros por segundo, o equivalente a 0,000000312 quilômetros por hora.
Pela dificuldade de reunir as amostras de células enviadas por pesquisadores de todo o mundo em um só lugar, a corrida se deu simultaneamente em laboratórios nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Cingapura. Sob a vigilância de câmeras superpotentes, as competidoras tiveram 24 horas para completar o percurso de 0,4 mm. Para garantir que as células permanecessem no trajeto, as minipistas foram besuntadas com a proteína adesiva fibronectina.
Assista ao vídeo da corrida
A inusitada competição pode parecer maluca, mas teve um propósito científico importante: estudar a migração celular. Em nosso corpo, e também em cultura, as células normalmente se movem espontaneamente. Essa migração está envolvida tanto no processo de crescimento de órgãos quanto na aparição do câncer.
“Queríamos criar um evento divertido para a comunidade de pesquisadores que trabalha com migração celular e esperávamos que a corrida nos ajudasse a descobrir algumas da regras universais por trás desse processo de migração, o que de fato aconteceu”, conta um dos idealizadores da competição, o microbiólogo Matthieu Piel, do Instituto Curie, na França.
Os pesquisadores participantes observaram que quanto mais rápida uma célula, menos ela muda de direção. As células mais lentas, por sua vez, não conseguem seguir um mesmo sentido por muito tempo, parecem perdidas – o que na corrida deixou as chances de pódio ainda mais distantes para elas.
Entre as células mais rápidas da competição, além das vencedoras embrionárias, estavam as cancerosas. Segundo Piel, essa informação pode ser muito útil para entender melhor os mecanismos de propagação da doença.
Piel e mais dois amigos com os quais criou a competição, Manuel Théry e Ana-Maria Lennon-Duménil, pretendem dar continuidade ao projeto, introduzindo, porém, algumas mudanças nas regras. Na próxima corrida, as células terão que se mover por dentro de tubinhos. A ideia é que com esse novo formato os pesquisadores possam ver como elas se comportam em espaços confinados.
Além disso, os pesquisadores pensam em lançar competições de levantamento de peso e natação, ou seja, medir a força que as células exercem e promover corridas com células nadadoras, como esperma e células flageladas.
As novas modalidades só devem estrear daqui a dois anos. Mas para o ano que vem dá para apostar em uma favorita!
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Nascer: a que será que se destina?
Exposição na Fiocruz, no Rio de Janeiro, explora as características científicas e culturais do começo da vida, da concepção à primeira infância.
A exposição conta com objetos e fotos de diversas instituições científicas e culturais para mostrar a variedade de maneiras de lidar com o nascimento. (foto: Peter Ilicciev/ Fiocruz)
No princípio era o verbo: nascer. Todo mundo parte dele para seguir em frente. Mas a variedade de possibilidades que envolvem concepção, gravidez e parto é enorme. E as particularidades só fazem aumentar a partir das primeiras horas de vida.
A exposição Nascer, inaugurada na semana passada (2/9) no Castelo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, busca mostrar essa diversidade cultural em torno do início da vida humana por meio de objetos, textos e imagens. “Nosso objetivo é provocar discussão sobre esse ato comum a todos nós, mas ao mesmo tempo único, individual”, explica a jornalista Luisa Massarani, chefe do Museu da Vida, instituição responsável pela mostra.
Confira o vídeo com um pequeno passeio pela exposição
O visitante começa a ‘viagem’ por uma antessala que reproduz as características de um útero. Dali, ele passa a circular pelos módulos dedicados à concepção, ao nascimento e à apresentação da criança à sociedade.
Em todos, há objetos artísticos e científicos e fotos, cedidos por uma gama variada de instituições, como o Clube Militar do Rio de Janeiro, o Museu do Folclore Edison Carneiro, o Museu Nacional da UFRJ, o Museu do Índio e o Museu Judaico, além da própria reserva técnica do Museu da Vida.
Um dos pontos altos da exposição é a área dedicada a réplicas de fetos em 3D, feitas por pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia a partir de imagens de ultrassom de alta resolução para identificação de problemas na gestação (veja detalhes no vídeo).
“Na ciência, acabamos tratando do parto muitas vezes sob a perspectiva dos problemas, mas há o lado simbólico, do prazer de se trazer mais um ser para este mundo”, conta a curadora da exposição, a museóloga Eloísa Sousa, lembrando que o desejo de fazer a mostra existia desde a criação do museu, mas foi estimulado agora pela doação do acervo de um obstetra, cujos objetos estão expostos.
A ideia é que, assim como na vida, ‘Nascer’ seja parte de uma proposta de longo prazo. Eloísa planeja uma segunda exposição, dedicada ao período adulto e, em seguida, uma terceira, voltada a outra etapa inevitável: a morte. “Vai ser interessante ver como se lida de modo diferente com ela”, comenta a museóloga.
A exposição Nascer pode ser conferida gratuitamente na sala 307 do Castelo da Fiocruz (Av. Brasil, 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro) até 17 de dezembro de 2011.
Helena Aragão
Ciência Hoje On-line
Pensamentos de ponta
Terminou, na semana passada, mais uma edição do TEDGlobal, evento que congrega palestrantes com as ideias mais instigantes e modernas do planeta.
Um pássaro-robô sobrevoa a plateia no TED: inovações dão o tom do evento. (foto: Robert Leslie/ TED)
O TEDGlobal, que ocorreu na semana passada (11-15/7) em Edimburgo, na Escócia, teve falas especialmente interessantes. Só para lembrar: o TED (Technology, Entertainment, Design – ou Tecnologia, Entretenimento e Design, em português) é uma instituição sem fins lucrativos que organiza, desde 1984, palestras sobre ciência e inovação.
Pense, por exemplo, nos cientistas famosos contemporâneos: o evolucionista pop star Richard Dawkins; o físico, cientista da computação e criador da internet Tim Berners-Lee; e o bioquímico e empresário, pioneiro nos trabalhos de sequenciamento do genoma humano, Craig Venter. Os três já participaram do TED.
O melhor: os organizadores do evento publicam, há cinco anos, as palestras em um canal na internet. Isso significa que quase mil falas dos mais importantes pensadores de ponta do planeta estão disponíveis na rede. E mais: boa parte delas é legendada por uma comunidade colaborativa, que traduz as exposições para diversos idiomas, inclusive o português.
Todo ano, o TED tem um tema central que guia, mesmo que indiretamente, as falas. O deste foi the stuff of life, ou, em tradução livre, ‘as coisas da vida’. A ideia: dar voz a propostas e iniciativas que investigam a existência e refletem sobre como ela pode ser mais bem desfrutada.
Um dos palestrantes que se destacaram foi o psicólogo Paul Bloom, que fez curiosa relativização dos sentimentos, inclusive da dor e da felicidade. A premissa do pensador é de que nossas crenças e conhecimentos prévios moldam a forma de sentir o mundo. Ele explicou a tendência humana à gradação sugestionada de certas emoções, dependendo do que é dito ou aprendido: “um vinho barato com rótulo de bebida cara pode ser mais gostoso”, disse.
Outros destaques: a palestra do ex-extremista islâmico Maajid Nawaz e sua defesa do que chama de ‘ativismo social global’, as propostas do economista Tim Harford, estudioso de sistemas complexos, que fez ode à aleatoriedade e aos ‘erros melhores’, e a entrevista realizada com Nadia Al-Sakkaf, editora-chefe do Yemen Times, que falou da importância do jornal, escrito em inglês, para divulgar ao mundo o que acontece no Iêmen, país atualmente à beira de uma guerra civil.
As três falas do TEDGlobal elencadas acima já estão disponíveis em vídeo na internet. As mais de 50 palestras do evento deste ano serão disponiblizadas no decorrer de julho e nos meses seguintes.
Abaixo, assista a uma famosa palestra de Richard Dawkins de 2002, resgatada pelo TED de seus arquivos e traduzida para o português e mais 35 línguas. O vídeo no qual o evolucionista prega o seu ‘ateísmo militante' foi visto mais de um milhão de vezes. Acesse, também, as últimas palestras do TED disponibilizadas na internet.
Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line

