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Macacos d’água


Livro reúne conhecimento sobre primatas que vivem em ambientes alagados ao redor do mundo. Organizadores comentam a relação dos animais com esses ambientes e como as pesquisas sobre o tema podem ajudar na conservação dessas espécies.

Macacos d’água

Macaco-de-cheiro (‘Saimiri sciureus cassiquiarensis’) é uma das espécies que fazem uso de ambientes alagados. (foto: Marcelo Ismar Santana / Instituto Mamirauá)

Muitas espécies de primatas, em diferentes partes do mundo, fazem largo uso de ambientes alagados – entre eles pantanais, manguezais, igapós e até praias – para extrair recursos para sua sobrevivência. Conhecer a atual situação e as dinâmicas que regem tais ambientes é um desafio, mas também uma tarefa de grande importância para a manutenção dessas espécies. Em 2016, pela primeira vez, o conhecimento sobre esse tipo de primata será reunido em um grande livro: Primates of flooded habitat: ecology and conservation (“Primatas de hábitats alagados: ecologia e conservação”, em tradução livre), escrito com a participação de pesquisadores da África, Ásia e Américas Central e do Sul. A publicação, em inglês, tem previsão de lançamento para julho.

Ambientes alagados são, de uma forma geral, ricos em biodiversidade. No entanto, ainda há muito o que investigar sobre a presença de primatas nessas regiões. “Estudos com primatas em áreas alagadas são muito difíceis de serem realizados, primeiramente por questões logísticas, mas também porque nem sempre é possível ter acesso a essas áreas no período de águas altas, o que limita a pesquisa”, justifica a bióloga Fernanda Pozzam Paim, pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e autora de um dos capítulos do livro.

Apesar disso, o que já se sabe é bastante interessante. A quantidade de espécies que fazem uso de tais ambientes é grande: inclui gorilas e chimpanzés no Congo, orangotangos em Bornéu e até saguis na Amazônia. “Algumas espécies visitam os ambientes alagados apenas ocasionalmente para explorar alguns recursos específicos, outras podem passar a vida inteira neles”, conta Adrian Barnett, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e um dos três editores da publicação.

Macacos d´água - uacari-branco
O uacari-branco (‘Cacajao calvus’) passa parte do tempo em florestas de várzea no norte da Amazônia, região periodicamente alagada por marés fluviais. (foto: Marcelo Ismar Santana / Instituto Mamirauá)

Em esforço inédito, a iniciativa reuniu pesquisadores de Brasil, Argentina, Guiana, Bolívia, México, Japão, Indonésia, Malásia, Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul, Congo e Botswana, entre outros países. O livro vai apresentar dados sobre espécies que desenvolveram relações de dependência com ambientes alagados ao redor do mundo.

Em Pernambuco, por exemplo, os manguezais são fonte de ostras e caranguejos para os macacos-pregos da espécie Sajajus libidinosus. “Sem os martelos e quebradores que nós usamos para quebrar suas cascas e conchas, esses macacos usam peças de pau do manguezal para bater os crustáceos e moluscos até a carne suculenta ficar acessível”, explica Barnett. Já nas praias do sul do continente africano, babuínos frequentam as costas rochosas em busca de cracas e moluscos. No Japão, primatas da espécie Macaca fuscata – conhecida aqui como macaco-japonês – vão até a costa litorânea atrás das algas ricas em ferro e outros nutrientes que complementam sua alimentação.

Segundo o especialista, a preservação das áreas alagáveis é fundamental para a própria conservação dos primatas. “Algumas áreas estão realmente ameaçadas diretamente pelo desmatamento, como os manguezais de diversas partes do mundo”, alerta. “Outras estão sofrendo os impactos da mineração, como a acumulação de sedimentos e mercúrio, e outras, ainda, a extração excessiva de determinadas espécies vegetais”.

"Primatas são muito queridos ao olhar do público, as pessoas em geral acreditam que eles têm muito charme. Podemos usá-los como ‘espécies bandeiras’ para conservar os hábitats – muitos deles em perigo"

Com o lançamento do livro, cientistas da área esperam contribuir não só com a conservação dos primatas, mas também de outras espécies animais e das próprias áreas alagadas. “Primatas são animais simpáticos, que quase sempre chamam a atenção das pessoas por serem considerados ‘próximos’ do ser humano”, lembra Paim. “Por este motivo, projetos de conservação de primatas, especialmente os ameaçados de extinção, são essenciais para a conservação da biodiversidade como um todo. Uma vez que um estudo é realizado em determinada área, com o objetivo de conservar uma espécie, toda a fauna e flora associadas a tal ambiente são automaticamente protegidos”, aposta. Barnett concorda: “Primatas são muito queridos ao olhar do público, as pessoas em geral acreditam que eles têm muito charme. Podemos usá-los como ‘espécies bandeiras’ para conservar os hábitats – muitos deles em perigo”.

ERRATA (27/01/16): Este texto foi atualizado para corrigir uma informação no quinto parágrafo. Os manguezais de Pernambuco são fonte de alimentos para os macacos-prego da espécie Sajajus libidinosus, e não para os macacos-narigudos, como havíamos publicado.

Everton Lopes
Instituto Ciência Hoje/ RJ

Publicado por Everton Lopes - 26/01/2016 07:30

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Retrospectiva 2015: Más notícias e esperança para o meio ambiente


Espécies ameaçadas, florestas em declínio, desastres ambientais. Um ano de previsões alarmantes, mas também de reflexões sobre o que podemos fazer para evitar um futuro sombrio.

Retrospectiva 2015: Más notícias e esperança para o meio ambiente

Modelo matemático que calcula formação de grandes manchas de lixo no oceano é uma das pesquisas promissoras para a preservação da vida marinha em um futuro próximo. (foto: Algalita Foundation/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

O ano em que o mundo sentiu mais uma vez os efeitos do calor e da seca terminou com o relatório final da Cúpula do Clima, a COP-21, celebrado como um acordo histórico, embora questionável. No Brasil, além do desastre ambiental em Mariana (MG), resultados do presente e projeções para o futuro próximo apontam para uma conclusão em comum: é preciso correr contra o tempo para preservar as florestas e a biodiversidade de que tanto nos orgulhamos. Confira algumas das matérias publicadas sobre meio ambiente pela Ciência Hoje On-line ao longo de 2015.

Peixe das cavernas

Peixe das cavernas

Apesar de recém-descoberto, o peixe Ituglanis boticario, que vive exclusivamente em cavernas e foi encontrado na Gruna da Tarimba, em Mambaí (GO), já está ameaçado de extinção: tem dificuldade de encontrar alimento devido aos desmatamentos e ao uso de agrotóxicos e pesticidas no entorno de seu hábitat. 

Raridade capixaba

 

Raridade capixabaPequena e com a maior parte do corpo de cor branca, a saíra-apunhalada apresenta, logo abaixo do bico, uma mancha vermelha que se derrama como sangue pelo seu peito. A mancha – que lhe atribui o nome popular – é fruto de um golpe fictício; o perigo de extinção da espécie, no entanto, é uma pancada cada vez mais contundente. A estimativa dos especialistas é que menos de 50 saíras-apunhaladas ainda existam. Para protegê-las, a Associação para Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil) e o Governo do Estado do Espírito Santo pretendem criar uma área de proteção, prevista para março de 2016.

Tempo de despertar

Um bom negócioA discussão é antiga: há décadas, governos, ambientalistas, cientistas e empresas buscam alternativas para diminuir a emissão de gases de efeito estufa sem prejudicar o desenvolvimento econômico e social das nações. Entretanto, um estudo coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indica que, ao menos no Brasil, esse impasse pode estar próximo do fim. De acordo com o relatório, a adoção de medidas para o desenvolvimento sustentável do país poderia adicionar até cerca de R$ 600 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2030

Para prever o futuro

Para prever o futuro

Para compreender o que acontecerá com a costa brasileira se – ou quando – as previsões de aquecimento das águas e aumento da poluição se concretizarem, não é preciso usar uma bola de cristal. No sul da Bahia, um sistema experimental denominado mesocosmo marinho tem possibilitado a simulação de condições ambientais diversas para avaliar como a vida marinha se transformará a partir de mudanças relacionadas principalmente ao aquecimento global. Caso a temperatura dos oceanos aumente apenas dois graus Celsius, as consequências serão catastróficas para os recifes de corais.

Radiografia das florestas

Radiografia das florestasO total de árvores existentes no planeta é bem maior do que os cientistas estimavam. Segundo pesquisa publicada em setembro na revista Nature, aproximadamente 3,04 trilhões de árvores povoam a superfície terrestre. Se não houvesse interferência humana, no entanto, esse número seria ainda mais expressivo: em outra estimativa igualmente impressionante, o trabalho revela que quase metade das árvores desapareceu da Terra desde o início da nossa civilização.

O boto vai virar lenda?

Boto-cor-de-rosaO famoso mamífero amazônico corre o risco de desaparecer: ele vem sendo morto em especial para a pesca da piracatinga, uma espécie de peixe que se alimenta de carniça e gordura. De forma geral, os jacarés são os animais mais utilizados como isca, devido ao seu grande número e à facilidade de encontrá-los na região. Porém, são os botos as iscas mais valorizadas pelos pescadores. Segundo especialistas, a moratória da caça do boto-cor-de-rosa por cinco anos, iniciada em 2015, pode ser pouco para salvá-lo.

Recém-descoberta, já ameaçada

Patativa-tropeira Uma ave que sequer era conhecida já luta contra sua própria extinção. É a patativa-tropeira (Sporophila beltoni), uma espécie recém-descoberta, que vive exclusivamente no Brasil. Ela corre sério risco de desaparecer antes mesmo de ser estudada pela ciência. É durante a migração que a ave está mais exposta aos caçadores ilegais de animais silvestres. Outro problema que a espécie enfrenta é a degradação do seu local de reprodução.

No rastro do lixo marinho

No rastro do lixo marinhoA famosa grande mancha de lixo do Pacífico foi descrita pelo oceanógrafo Charles Moore como um verdadeiro lixão em mar aberto, duas vezes maior do que o estado norte-americano do Texas. No entanto, mais do que uma ilha flutuante de detritos, sua parte principal e mais perigosa é composta, na verdade, por milimétricas partículas de plástico que formam uma espécie de sopa tóxica quase invisível a olho nu, mas muito prejudicial à vida marinha. Agora, cientistas australianos desenvolveram um método matemático que rastreou em detalhes como se formam essa e outras quatro ‘manchas’ similares e que pode ser capaz de apontar ‘culpados’ pelo acúmulo de lixo no mar.

Publicado por Redação CH Online - 23/12/2015 14:18

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Além dos mitos


Exposição na cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, traz informações e curiosidades sobre serpentes que vivem no Pantanal.

Além dos mitos

Uma das espécies mais conhecidas da região, a cascavel está retratada na exposição “Serpentes do Pantanal”. (foto: Estação Natureza Pantanal)

Imagine um mundo sem serpentes. Se você não é simpatizante dos seres rastejantes, pode até pensar que isso seria algo bom – mas não é bem assim. Temidas por muitos, as serpentes são parte de inúmeros mitos e narrativas que nem sempre fazem justiça à realidade. Uma exposição montada no espaço Estação Natureza Pantanal, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, tenta mostrar o mundo das serpentes pantaneiras para além da nossa imaginação. 

Algumas espécies, por exemplo, se alimentam de roedores, muitos dos quais são vetores de doenças. Assim, as serpentes prestam um grande serviço para a sociedade ao controlar espécies que podem fazer mal à nossa saúde. “Percebemos que as pessoas têm dificuldade em entender e conhecer as serpentes melhor por causa do medo”, conta Ivonete Guaragni, administradora do Estação Natureza Pantanal. “As serpentes têm grande importância na manutenção do equilíbrio ecológico. Nosso objetivo é desmistificar a imagem das serpentes e mostrar que podemos ter boa convivência com esses animais”, explica.

Jiboia
Embora não seja venenosa, a jiboia costuma assustar pelo tamanho e pelas lendas. (foto: Estação Natureza Pantanal)

 

A exposição “Serpentes do pantanal” traz informações, curiosidades e instalações interativas sobre estes animais. “Os espaços foram projetados para aproximar o público e tirar aquele medo que muitos têm quando pensam em serpentes”, diz Guaragni. A mostra conta com o apoio técnico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que cedeu exemplares conservados e mantidos em recipientes de vidro para os visitantes observarem. 

Sucuri
Também conhecida como anaconda, a sucuri é conhecida por ser gigante e tem fama de devoradora. (foto: Estação Natureza Pantanal)<br />

 

“As pessoas das áreas rurais do Pantanal conhecem um pouco melhor o tema, mas os habitantes da área urbana ainda precisam de mais informação sobre as serpentes”, avalia Guaragni. Das 77 espécies de serpentes que habitam a região – das quais apenas sete são peçonhentas –, 20 estão retratadas na mostra, que segue até o fim do mês.

Exposição ‘Serpentes do Pantanal’
Até 31/12
Estação Natureza Pantanal
Ladeira José Bonifácio, 111 – Porto Geral – Corumbá (MS)
De terça a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h. Sábados, das 14h às 18h.
Ingressos: R$ 3 (há desconto para estudantes e moradores da cidade).
Idosos e grupos agendados de escolas públicas não pagam.

Informações: (67) 3231-9100 | Horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h.

Mais informações: estacaopantanal@fundacaogrupoboticario.org.br

Clique aqui para ler o texto que a Ciência Hoje das Crianças preparou sobre este assunto.

Everton Lopes
Instituto Ciência Hoje/RJ

 

Publicado por Everton Lopes - 15/12/2015 12:10

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Por uma ciência mais igualitária


Prêmio que incentiva participação das brasileiras na pesquisa científica chega à décima edição com sete vencedoras.

Por uma ciência mais igualitária

O Prêmio “Para Mulheres na Ciência” valoriza a presença feminina em estudos de diversas áreas. Elisa Orth (foto) foi estuda o desenvolvimento de novos materiais que podem ser aplicados na cura de doenças genéticas (foto: Acervo pessoal / Elisa Orth)

Variações genéticas em nativos americanos. Códigos para resolver falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação. Formações de galáxias. As vencedoras da décima edição do prêmio nacional “Para Mulheres na Ciência”, anunciadas nesta segunda-feira (10/08), têm estudos bem diferentes e uma característica em comum: representam uma geração de talentos que lutam por igualdade de condições entre homens e mulheres na ciência brasileira.

Oferecido pela L’Oréal Brasil em parceria com a Unesco Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o prêmio teve mais de 400 projetos inscritos em 2015. As sete ganhadoras receberão US$ 20 mil (convertidos em reais) como incentivo para seguir com seus estudos.

Premiada por um projeto que utiliza a matemática pura para estudar códigos corretores de erros, fundamentais na solução de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação, como linhas telefônicas, Cecília Salgado diz que a conquista vai além da questão financeira. “Esse tipo de iniciativa é importante para dar visibilidade a pesquisas feitas por mulheres e mostrar que a mulher não tem uma forma diferente de fazer ciência. Muitas vezes o que falta é o estímulo – quase todos os grandes nomes da ciência são homens”, ressalta a matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que torce para que outros pesquisadores se interessem pelo seu campo de estudos a partir de agora.

Cecília Salgado, matemática da UFRJ
Cecília Salgado foi selecionada por sua pesquisa na área de ciências matemáticas. Ela estuda códigos corretores de erros, usados para resolver falhas em sistemas de comunidação. (foto: Acervo pessoal / Cecília Salgado)

Para Elisa Orth, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, o prêmio pode ser justamente um incentivo para que jovens do ensino médio e superior desejem se tornar cientistas, como ocorreu com ela mesma durante a graduação. “As mulheres vêm conquistando muito espaço e têm assumido cargos importantes na ciência brasileira. Prêmios como esse vão atrair cada vez mais mulheres para a pesquisa”, acredita a laureada, que trabalha com pesquisas no desenvolvimento de novos catalisadores que acelerem diversas classes de reações químicas, como enzimas artificiais que poderiam ser usadas para resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Outro interesse de aplicação é destruir substâncias químicas nocivas à saúde humana, presentes em muitos agrotóxicos ainda utilizados no Brasil.

Segundo levantamento do chefe de gabinete da ABC, Fernando Veríssimo, as mulheres representam atualmente 13% dos membros da instituição. O número, pequeno, já foi muito menor: em 2005, primeiro ano do “Para mulheres na ciência”, elas eram apenas 8% do total. “Já houve melhora, mas esse contingente ainda é baixo. Podemos fazer mais que isso, temos mais mulheres que merecem ocupar esse lugar”, afirma Jacob Palis, presidente da ABC.

Se a lentidão das mudanças nos últimos dez anos ainda mostra que há muito a avançar, Orth argumenta que as novas gerações estão dispostas a provar que são capazes de mudar este quadro. “Eu acredito que esse número irá aumentar cada vez mais, visto que temos uma geração de muitas mulheres cientistas extremamente competentes. Claro que enfrentamos alguns preconceitos, mas só nós podemos provar o contrário: fazendo ciência de qualidade com ética e dedicação”, ressalta.

Conheça as vencedoras

Alline Campos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, foi premiada por pesquisas sobre medicamentos mais efetivos e com menos efeitos adversos para tratar pacientes que sofrem de ansiedade e depressão.

Daiana Ávila, da Universidade Federal do Pampa, no interior do Rio Grande do Sul, foi reconhecida por liderar um estudo sobre uma nova terapia para a Esclerose Lateral Amiotrófica, doença genética, degenerativa e sem cura.

Elisa Brietzke, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, estuda o envelhecimento precoce de pacientes bipolares para desenvolver e testar medicamentos capazes de bloquear o avanço da doença.

Tábita Hunemeier, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, investiga as bases genéticas de características morfológicas dos nativos americanos (indígenas) para tentar encontrar variações que os diferenciam fisicamente das populações de outros continentes.

Cecília Salgado, pesquisadora de ciências matemáticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estuda códigos corretores de erros, fundamentais para consertar de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação.

Elisa Orth, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, estuda como resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, Parkinson e Alzheimer, entre outras — e destruir substâncias químicas nocivas à saúde, presentes em agrotóxicos ainda utilizados no Brasil.

Karin Menéndez–Delmestre, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa a formação e a evolução das galáxias por meio de observações da Via Láctea e de universos distantes.

Atualização (12/08/2015)
A pedido de Elisa Orth, este texto foi atualizado para retificar o escopo de seu trabalho, descrito no quarto parágrafo: "(...) acredita a laureada, que trabalha com pesquisas no desenvolvimento de novos catalisadores que acelerem diversas classes de reações químicas, como enzimas artificiais que poderiam ser usadas para resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Outro interesse de aplicação é destruir substâncias químicas nocivas à saúde humana, presentes em muitos agrotóxicos ainda utilizados no Brasil".


Simone Evangelista
Especial para CH On-line

Publicado por Simone Evangelista - 11/08/2015 18:05

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Tecnologia a serviço dos corais


Espaço destinado a promover a conservação e o uso sustentável dos ambientes recifais é reinaugurado na Bahia com ares tecnológicos.

Tecnologia a serviço dos corais

Monitor usa tela interativa no novo Espaço Coral Vivo Mucugê, em Arraial d’Ajuda (BA). (foto: Projeto Coral Vivo)

Numa das ruas mais charmosas do Brasil, a rua do Mucugê, em Arraial d’Ajuda (BA), está localizado o Espaço Coral Vivo Mucugê, que acaba de ser reinaugurado com novas atrações. Parte do Projeto Coral Vivo, o espaço oferece uma verdadeira viagem ao mundo dos recifes de coral, agora enriquecida com recursos tecnológicos e interativos.

“O Projeto Coral Vivo é voltado para promover ações relacionadas à conservação dos recifes de coral e de ambientes coralíneos”, explica Débora Pires, bióloga e coordenadora de comunicação do Projeto Coral Vivo, iniciativa sem fins lucrativos que conta com o patrocínio da Petrobras. “Atuamos em quatro vertentes: pesquisa científica, educação ambiental, mobilização social e políticas públicas”, acrescenta.

Esqueletos de corais
Esqueletos de colônias de corais centenárias encontradas pelo mundo estão em exposição permanente no Espaço Coral Vivo Mucugê. (foto: Projeto Coral Vivo)

Aberto desde 2012, o Espaço Coral Vivo Mucugê integra as ações de mobilização social do projeto. Após a reinauguração, telas interativas, jogos e vídeos especialmente produzidos para o espaço passaram a dar um toque tecnológico para a exposição permanente de esqueletos centenários de colônias de corais.

“O Espaço Coral Vivo Mucugê foi criado para levar experiências de encantamento sobre a importância da conservação dos ambientes recifais. Ficamos em Arraial d'Ajuda, Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, e o lugar é um dos mais ricos em biodiversidade marinha do Atlântico Sul”, diz Pires.

O espaço une interatividade e informação na busca pela conscientização para a manutenção da vida marinha. “Ao trazermos para a superfície o que se encontra no fundo do mar, tanto os moradores quanto os turistas passam a contribuir para a conservação”, finaliza a bióloga.

Espaço Coral Vivo Mucugê
Funcionamento: De segunda a sábado, das 16h às 23h.
Entrada gratuita.
Rua do Mucugê, 402, Arraial d’Ajuda, Porto Seguro, Bahia.

 

Veja o documentário Vida nos recifes, realização do Projeto Coral Vivo



Everton Lopes
Ciência Hoje On-line

Publicado por Everton Lopes - 28/01/2015 12:59

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Liberdade às cutias


Vídeo-reportagem da CH On-line acompanha a maior soltura de cutias já feita na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Liberdade às cutias

Estima-se que existam hoje aproximadamente 43 cutias vivendo na floresta da Tijuca. (foto: Sofia Moutinho)

Até 2010, as cutias (Dasyprocta leporina), habitantes naturais da mata atlântica brasileira, estavam extintas numa das maiores florestas urbanas do mundo, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. De lá para cá, o cenário mudou graças à atuação de pesquisadores do projeto Refauna, que vêm esporadicamente reintroduzindo esses animais na mata. Atualmente, estima-se que aproximadamente 43 cutias vivam na área do parque.

No final de junho, biólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Fundação Parques e Jardins, a Fundação RioZoo e a Fundação Oswaldo Cruz, realizaram a maior soltura de cutias já promovida no parque, libertando 13 animais que viviam em cativeiro. A Ciência Hoje On-line acompanhou esse momento, que, além de instigante, é decisivo para manter a biodiversidade da floresta.

Assista ao vídeo e saiba mais!



Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

 

Assista também ao vídeo da CHC On-line sobre esse assunto.

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Entre a preservação e a loucura


Série fotográfica retrata zoológicos e aviva discussão: eles são peças centrais na conservação da fauna ou ambientes ultrapassados de degradação para os animais?

Entre a preservação e a loucura

A série fotográfica Captive pretende chamar a atenção para a baixa qualidade de vida dos animais nos zoológicos. Os pequenos macacos, como o sagui-da-cara-branca, estão entre os que costumam ficar em pequenas jaulas. (foto: Gastón Lacombe)

Qual a sua sensação quando vai a um zoológico? Essa resposta deve variar bastante de acordo com a instituição visitada, mas em geral os zoológicos despertam sentimentos fortes e até paradoxais – o frisson da proximidade dos animais selvagens muitas vezes contrasta com o estranhamento de observá-los em ambientes artificiais e apresentando comportamentos pouco naturais. Em pleno século 21, o papel dessas instituições é discutido por muitos: os zoológicos são fundamentais para a pesquisa e preservação das espécies? Ou seriam relíquias de tempos passados que deveriam ser aposentadas de vez?

Propositalmente, Captive não inclui ‘bons exemplos’: o objetivo é questionar o lugar dos zoológicos em nossa sociedade e incentivar a reavaliação dessas instituições

É exatamente essa a discussão despertada pela série Captive (Cativos, em tradução livre), que reúne imagens do fotógrafo Gastón Lacombe. O trabalho apresenta registros melancólicos – apesar de belos – das péssimas condições a que animais são submetidos em muitos zoológicos. As fotos foram feitas ao longo dos últimos quatro anos em dezenas de zoos de nove países (Estados Unidos, Canadá, Letônia, Brasil, Argentina, África do Sul, Itália, Sri Lanka e Filipinas). O fotógrafo não identifica as instituições que visitou, pois acredita que o debate deve independer de preconceitos políticos, econômicos ou sociais. 

Propositalmente, Captive não inclui ‘bons exemplos’: o objetivo é questionar o lugar dos zoológicos em nossa sociedade e incentivar a reavaliação dessas instituições. A questão é relevante, em especial pelo fato de denúncias sobre maus-tratos nessas instituições ainda serem, infelizmente, frequentes. Nos últimos anos, por exemplo, podemos citar os casos do ‘Zoo da morte’, na cidade de Surabaya, na Indonésia, do urso polar argentino maltratado Arturo, do zoológico chinês que tentou fazer cachorros se passarem por leões, da instituição na Malásia onde macacos foram encontrados fumando, do parque britânico que vendeu raros filhotes de leão para circos japoneses e do fechamento do centro croata considerado o pior zoo do mundo – entre muitos outros.

Costume antigo, discussão moderna

Os ‘ancestrais’ mais antigos dos zoológicos são as coleções de animais já reunidas há milhares de anos no Egito, na Mesopotâmia, na China e em outras regiões, então símbolos de status de reis e nobres.

“Os zoológicos modernos, acessíveis ao público, nasceram no século 18, mas o bem-estar dos animais é uma preocupação bem mais recente, do início do século 20”, conta o biólogo Cristiano Schetini de Azevedo, da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (MG). “Hoje, os zoológicos são importantes centros de conservação, educação ambiental e lazer, realizam pesquisas em educação, biologia e veterinária e devem seguir normas que garantam a qualidade de vida dos bichos.”

Urso polar
Lacombe não costuma identificar as suas fotos, mas essa do urso polar Arturo, da Argentina, se destacou pela campanha popular em prol da transferência do animal para instalações mais adequadas no Canadá. (foto: Gastón Lacombe)

Em especial no que se refere à conservação, a zoóloga Yara de Melo Barros, presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), destaca que os zoos já foram fundamentais para salvar da extinção dezenas de espécies, como o cavalo-de-Przewalski, o condor-da-Califórnia, o bisão-americano, o furão-do-pé-preto e o mico-leão-dourado. “O suporte técnico e logístico dos zoológicos tem contribuído ainda para melhorar o status de conservação de muitos outros animais”, avalia. 

Barros também destaca o poder transformador que enxerga nessas instituições. “Para muitas pessoas, elas são o único meio de acesso à natureza e, portanto, sua maior propaganda, além de ferramenta educacional mais efetiva para falar sobre conservação”, defende. “A ‘mágica’ proporcionada pela visita a um bom zoo pode mudar atitudes, gerar empatia e estimular uma conexão mais sustentável e menos predatória com nosso planeta.”

Barros: “Para muitas pessoas, elas são o único meio de acesso à natureza e, portanto, sua maior propaganda, além de ferramenta educacional mais efetiva para falar sobre conservação”

Muitos, no entanto, pensam de forma diferente. Para a coordenadora da divisão latina da organização não governamental People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), Renée Saldana, os zoológicos ensinam que animais podem passar a vida toda presos em nome do entretenimento. “Os visitantes vagam por lojas e lanchonetes e se detêm apenas alguns instantes numa jaula ou outra – mas, para os animais, esse é o dia a dia”, lembra. “Mesmo no caso de bichos que não podem viver em liberdade, a alternativa mais saudável seriam os santuários de animais sem fins lucrativos, não os zoos.”

Saldana cita o polêmico caso do zoológico de Copenhagen (Dinamarca), que sacrificou uma girafa e quatro leões em saúde perfeita, para falar de falta de respeito à vida dos animais. O zoo dinamarquês não é o único a adotar a eutanásia, em especial no caso de bichos idosos. “Sob o pretexto da preservação, os zoos mantêm espécies que não estão ameaçadas e criam animais para vender mais ingressos”, argumenta. “Não há nada mais atrativo do que filhotinhos, mas animais velhos gastam muito.” 

Recentemente, a Costa Rica anunciou a decisão de fechar todos os zoos públicos do país, libertando ou enviando os animais para santuários – um exemplo louvável, na opinião da ativista. “Se queremos proteger a natureza, deveríamos investir os recursos dos zoológicos na proteção das populações selvagens, combatendo ameaças como a destruição de hábitats, a caça e a introdução de espécies exóticas”, defende. “Não queremos jaulas maiores, mas sim jaulas vazias.”

Tigre
A falta de espaço e de ambientes adequados aumenta o estresse dos animais, baixa sua imunidade e pode levá-los a desenvolver comportamentos neuróticos. (foto: Gastón Lacombe)

Para a presidente da SZB, no entanto, nem sempre há alternativas. “Se considerarmos o ritmo de perda e degradação dos hábitats, a criação de reservas naturais é cada vez menos possível, e não se aplica a qualquer animal, especialmente aos que requerem cuidado intensivo”, observa. “A questão central é fazer com que essas instituições sigam padrões éticos no tratamento dos animais, fundamentais à conservação da natureza.”
 

Mínimo necessário

O ponto é polêmico, mas pelo menos há consenso sobre o fato de que os animais não podem ser vistos como objetos para o entretenimento. “No mundo conectado em que vivemos, será que precisamos expor os animais para diversão?”, indaga-se o fotógrafo Lacombe. “Idealmente, creio que não existiriam mais zoológicos, porém eles não deixarão de existir; então precisamos debater como garantir que propiciem melhor qualidade de vida aos animais e promovam a preservação de nossa fauna.”

Lacombe: “No mundo conectado em que vivemos, será que precisamos expor os animais para diversão?”

A tarefa, no entanto, não é tão simples. Para Cristiano Azevedo, o trabalho de Lacombe evidencia uma precária realidade ainda comum em muitas instituições. Ele elenca características necessárias para um zoológico de qualidade, que passam pela existência de recintos espaçosos e naturalísticos, de equipes qualificadas de biólogos e veterinários e de um programa permanente de enriquecimento ambiental para diminuir efeitos do cativeiro, além da presença de pares reprodutivos, da manutenção de registros dos animais para a criação de planos de manejo e da promoção de programas de educação ambiental.

Apesar de dizer não acreditar na felicidade de animais cativos, Renée Saldana destaca outras condições mínimas que precisam ser atendidas: a ideia principal é simular a natureza e garantir o espaço necessário para cada espécie. “Todos devem ter um ambiente diverso – com vegetação, areia e áreas longe das vistas do público – e que possibilite relações sociais apropriadas”, elenca. “Os animais também não devem sofrer mutilações, ter garras ou dentes arrancados, nem ter contato direto com visitantes ou realizar truques e apresentações.”

O problema, no entanto, é que muitos zoológicos e aquários não seguem essa ‘cartilha’. Nesses casos, a avaliação do bem-estar dos animais, feita com base em parâmetros comportamentais e fisiológicos, como índices de doenças, de sucesso reprodutivo e comparação com indivíduos na natureza, mostra padrões pouco naturais e neuróticos.

Abutre
Grandes aves, como o abutre, precisam de áreas espaçosas, em que possam voar e desempenhar seus comportamentos naturais – mas espaço é um item caro para os zoológicos. (foto: Gastón Lacombe)

“O estresse elevado baixa a imunidade, provoca doenças e comportamentos anormais e até automutilação, algo bastante degradante para os bichos e para o público”, avalia Azevedo. Saldana completa: “Elefantes são isolados por toda a vida, felinos perambulam inquietos, aves mal podem abrir as asas; estamos levando esses animais à loucura.”

Exemplos como o do zoo de Lujan (Argentina), acusado de sedar bichos para que interajam com os visitantes, são apontados como inaceitáveis. O documentário Black Fish, de 2013, também mostrou o efeito de cativeiro, maus-tratos e adestramento em baleias orca. No Brasil, também não faltam exemplos de problemas em zoológicos, como em Niterói, no Rio de Janeiro, onde a instituição foi  fechada e acusada de tráfico de animais.

Barros: “Julgar todos os zoológicos com base em exemplos ruins é uma forma tendenciosa e simplista de ver o problema”

A zoóloga Yara Barros admite a existência de muitos problemas nos zoológicos brasileiros, que ela credita a questões que vão da má administração à falta de recursos, passando pela pouca valorização por parte do poder público. “Uma pesquisa da SZB identificou 106 zoos e 10 aquários no país, mas muitos não constam nas listagens oficiais e não têm registro do número de animais que abrigam”, lamenta a zoóloga. “Das instituições mapeadas, mais da metade é municipal e 81% dessas têm entrada gratuita, são completamente dependentes das prefeituras.”

Barros ainda lembra, por outro lado, que existem exemplos positivos no país, como os zoos de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, e que a discussão deveria se focar nas alternativas para criar mais centros de excelência. Para isso, ela defende a construção de estratégias que envolvam não só os zoos, mas também as entidades ligadas ao repasse de recursos, à normatização e à fiscalização da atividade.

“Julgar todos os zoológicos com base em exemplos ruins é uma forma tendenciosa e simplista de ver o problema”, pondera. “A qualificação dos zoos brasileiros passa pela criação de políticas que auxiliem as mudanças estruturais e a capacitação das equipes, deem mais eficiência às agências de normatização e fiscalização e promovam o comprometimento de cada zoo com o respeito pelas vidas que estão sob sua guarda”, completa.

 

Confira outras fotos da série Captive numa galeria de imagens especial.

 

Marcelo Garcia

Ciência Hoje On-line

Clique aqui para ler o texto que a CHC preparou sobre esse assunto.

 

Publicado por Marcelo Garcia - 25/06/2014 12:15

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