Bússola
Festa no palácio da ciência
O Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está completando 194 anos. Há cinco anos a instituição comemora a data com atividades direcionadas ao público e, dessa vez, não é diferente.
A festa começou no fim de semana passado e continua no próximo, nos dias 11, 12 e 13. No evento, a instituição oferece uma série de atividades que aproxima o público da história e dos bastidores da ciência feita ali dentro.
Os pesquisadores do museu apresentam, em estandes montados na área externa do palácio, curiosidades e informações sobre suas áreas de pesquisa. Há exposições de peixes, aves, anfíbios e répteis, todos manipuláveis pelos visitantes, além de oficinas de paleontologia, em que as crianças podem ver réplicas de dinossauros, e de arqueologia, onde é apresentado o passo a passo de uma escavação.
Confira algumas atividades do evento
Pela primeira vez, o herbário do museu está aberto para visitas guiadas. A coleção de plantas da instituição, iniciada em 1831 pelo naturalista Ludwig Riedel (1790 - 1861), é uma das maiores da América Latina, com cerca de 400 mil exemplares. No acervo, estão reunidos espécimes raros coletados pela Comissão Rondon e até mesmo por D. Pedro I.
Além disso, como já é tradição, o museu recebe atores caracterizados de personagens da família real. Passeando pelos jardins do palácio, eles fazem esquetes que contam a história da instituição e do Império.
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Uma triste história de fogo e gelo
Conforme o conhecimento do homem progride, o mundo parece tornar-se 'menor', em grande parte devido a novos e mais rápidos meios de transporte. O ano de 2012 é marcante para duas tragédias que ajudaram a redefinir os rumos dessa história: em 1912, Jack, Rose e mais 2.238 pessoas naufragavam com o Titanic nas águas geladas do Atlântico. Um quarto de século depois, em 6 de maio de 1937, as chamas consumiram o gigantesco zepelim alemão LZ 129 Hindenburg, o Titanic do céu, pouco antes de seu pouso, nos Estados Unidos.
Uma exposição promovida pelo National Postal Museum, nos Estados Unidos, relembra os detalhes das duas tragédias. No acervo, um mapa inédito, encontrado recentemente, mostra a rota traçada pelo dirigível, orgulho da Alemanha nazista. Além do mapa, a mostra apresenta cartas trazidas pelo zepelim – a atividade de correio pagava grande parte da despesa das viagens.
Confira o vídeo que apresenta detalhes sobre a descoberta do novo mapa e sobre a tragédia do Hindenburg
Numa época em que os aviões ainda não tinham autonomia para cruzar o oceano, os dirigíveis eram os reis dos céus. No Brasil, inclusive, foi construída a primeira base da América Latina capaz de receber as aeronaves, no Recife. Porém, a tragédia do Hindenburg, que matou 36 pessoas, acabou com esse prestígio – já abalado após as inúmeras mortes relacionadas com o uso de dirigíveis na primeira grande guerra. Depois dela, rapidamente os gigantes voadores deixariam de dominar os ares.
O episódio é tão famoso que chegou a ilustrar a capa do álbum de estreia da banda Led Zeppelin. O nome do grupo tem tudo a ver com dirigíveis: é uma corruptela criada após Keith Moon, baterista do The Who, afirmar que a banda afundaria como um balão de chumbo (lead zeppelin, em inglês). Apesar de tão 'explosivo' como as máquinas voadoras, o Led Zeppelin acabou tendo uma vida bem mais longa que o Hindenburg.

- A capa do primeiro disco da banda inglesa Led Zeppelin exibe a clássica foto do Hindenburg em chamas. O acidente enterrou de vez o prestígio dos dirigíveis.
A patrulha do norte
Um quarto de século antes, no dia 15 de abril de 1912, foi o Titanic, senhor dos mares, que conheceu seu fim. Com o centésimo aniversário da tragédia, os destroços submersos passaram a ser protegidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O objetivo é impedir a pilhagem e a dispersão dos restos do transatlântico.
Porém, um estudo divulgado recentemente mostra que, em pouco tempo, pode não haver muito o que proteger: bactérias estão devorando as 50 mil toneladas de metal submerso, inclusive uma espécie inédita, Halomonas titanicae.

- Após completar um século submerso nas águas geladas do Atlântico Norte, os destroços do Titanic estão agora sob a proteção da Unesco. (foto: NOAA/Institute for Exploration/University of Rhode Island)
Ao contrário do Hindenburg, a tragédia com o Titanic não acabou com os transatlânticos, apesar de ter deixado 1.514 mortos, bem mais do que o dirigível. Ao invés disso, ajudou a redefinir seus padrões de segurança. Em 1914, entrou em vigor a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida no Mar (Solas), que estipulava normas de segurança obrigatórias para as embarcações. Logo após o naufrágio, também foi criada a Patrulha Internacional do Gelo (IIP) para vigiar o Atlântico Norte contra icebergs.
A iniciativa já se propôs a pintar os gigantes blocos de gelo, fixar neles radioemissores e até bombardeá-los, sem muito sucesso. Hoje, atua na prevenção e no alerta, compilando dados de satélites, aviões radares e navios que cruzam a área. O perigo ainda existe, mas segundo o IIP desde janeiro de 1959 não é registrado nenhum acidente mortal envolvendo um iceberg.
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line
Primeiros vestígios do amanhã
O anúncio, em 2010, da construção de um museu de ciência na zona portuária do Rio de Janeiro chamou a atenção para o projeto do renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava e a maquete que prometia uma experiência de sustentabilidade e reflexão sobre a natureza – incluindo um telhado com estrutura móvel que capta energia solar e água da baía de Guanabara como principal climatizador do interior do prédio.
Desde então, a comunidade científica passou a indagar: o que será, afinal, exposto no interior do Museu do Amanhã?
Parte da resposta foi dada hoje (2/5), pelo próprio Calatrava e por um dos curadores do museu, o físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) Luiz Alberto Oliveira.
A verdade é que, até agora, o museu ganhou notoriedade na imprensa mais pela capacidade de triplicar as previsões orçamentárias do que, propriamente, por suas propostas estéticas e de conteúdo.
Hoje a ideia foi, finalmente, exposta, com a apresentação das quatro salas principais do lugar, com previsão de inauguração em 2014 (a data inicial era 2012, para coincidir com a Rio+20 e, provavelmente, com as eleições municipais).
Assista à animação que mostra
como será o exterior do museu
No Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, foi apresentado um esboço do percurso do visitante no museu, um caminho que terá início numa sala que representa o que sempre esteve aqui (o cosmos), sucedida pelo ontem (o contexto), o hoje (o antropoceno) e, por fim, o amanhã (as possibilidades).
Apesar de o conteúdo de cada seção ter sido pouco aprofundado, já é possível visualizar um museu com vasto uso de telas sensíveis ao toque e projeções gigantescas, aos moldes do que já acontece, por exemplo, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.
A ideia, segundo texto de apresentação distribuído para a imprensa, é permitir que o público seja “levado a examinar o passado, manipular as várias tendências da atualidade e imaginar os futuros possíveis para os próximos 50 anos”. Intenções, importante lembrar, que o próprio Luiz Alberto Oliveira já havia adiantado, há dois anos, em longa vídeo-entrevista para a CH On-line.
O Museu do Amanhã é, segundo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o carro-chefe da revitalização da zona portuária da cidade. Em junho, será inaugurado no mesmo local o Museu de Arte do Rio, o MAR.
Confira as primeiras imagens de divulgação do interior do museu e a explicação, mais detalhada, do que tratará cada sala.
Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line
Livros acadêmicos na rede
A rede Scielo, maior repositório virtual de periódicos e artigos científicos de leitura livre do Brasil e do mundo, acaba de ganhar um novo ramo, o Scielo Livros, que contempla livros acadêmicos editados por instituições de pesquisa.
A página recém-inaugurada já conta com mais de 200 títulos, a maioria da área de ciências humanas e sociais, como história, sociologia, filosofia, literatura, letras, educação e arte.
Por enquanto, só estão disponíveis obras editadas pela Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal da Bahia e Universidade Estadual Paulista, instituições que financiam o projeto. Mas um dos coordenadores da rede, Abel Packer, avisa que o Scielo Livros está aberto a publicações de outras editoras. “À medida que novas editoras adotem o Scielo, a coleção de livros cobrirá progressivamente as demais áreas do conhecimento”, diz.
A biblioteca virtual também vai abrir espaço para a venda de livros, cuja renda será revertida para a manutenção do site. Todas as obras são disponibilizadas em pdf e em ePUB, arquivo de livro eletrônico que permite a visualização em diferentes formatos de leitores digitais, de tablets a smartphones.
Assim como os periódicos no Scielo, os livros publicados pelo Scielo Livros são selecionados segundo um controle de qualidade aplicado por um comitê científico. Packer diz que a meta inicial do projeto é atingir uma média anual de dois mil livros a partir de 2014.
Para chegar à meta, a rede vai contar ainda com publicações estrangeiras, de países que já fazem parte do Scielo tradicional. Packer anuncia que uma proposta de participação será apresentada a Argentina e Colômbia ainda neste mês. “Queremos maximizar a visibilidade, a acessibilidade, o uso e o impacto da produção científica e acadêmica do Brasil e dos demais países que participam da rede Scielo”, completa.
Assista ao vídeo de divulgação do Scielo Livros
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Divulgação premiada
“De onde veio o universo? De onde veio a vida? De onde viemos?” Para o jornalista inglês Tim Radford, que há mais de 30 anos escreve reportagens sobre ciência, essas três perguntas resumem os principais interesses dos leitores que procuram por qualquer tipo de texto sobre ciência nos meios de comunicação. O depoimento do veterano da divulgação científica, gravado em vídeo, é um dos muitos materiais interessantes disponíveis no blogue e na página do concurso Wellcome Trust Science Writing Prize 2012.
A premiação, coordenada pela associação sem fins lucrativos de divulgação científica Wellcome Trust em parceria com os jornais ingleses The Guardian e The Observer, vai contemplar textos de divulgação científica escritos por cientistas ou leigos residentes na Inglaterra. Os textos mais criativos e instigantes serão publicados nos dois jornais e seus autores receberão um prêmio em dinheiro.
Veja abaixo o depoimento do jornalista Tim Radford
O concurso está em sua segunda edição e todos os textos premiados no ano passado estão disponíveis no site da iniciativa. Apesar de brasileiros (não residentes na Inglaterra) não poderem participar, vale a pena visitar a página da premiação e conferir o material.
Além dos textos vencedores de 2011, o blogue do concurso traz depoimentos e conselhos de como divulgar ciência dados por profissionais com experiência na área.
Um deles é o documentarista Tim Usborne, diretor de vários filmes dos canais de televisão BBC, Discovery Channel e Natgeo. Outro é a escritora Louisa Young, autora do romance My Dear I Wanted to Tell You (Minha querida, queria dizer-te, na tradução feita em Portugal), que conta a história de um soldado separado de seu amor pela Primeira Guerra Mundial, tendo como pano de fundo a medicina nos campos de batalha da época.
O concurso ainda está aberto para recebimento de trabalhos e o anúncio dos vencedores sai em setembro. Acompanhe aqui o resultado!
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Ciência Hoje convida
Em 2012, o projeto Ciência Hoje comemora 30 anos. São três décadas de esforços para divulgar a ciência do Brasil e para estreitar os laços entre nossa comunidade científica e a sociedade brasileira. Assim como na vida, nem sempre foi fácil. Essa trajetória foi marcada por muita luta, mas também por grandes conquistas e por um intenso carinho que recebemos de nossos leitores desde o primeiro número – reconhecimento que motiva toda a equipe do Instituto Ciência Hoje.
Para comemorar data tão importante, nada mais natural que convidar você, leitor, que viveu tantos desafios e alegrias ao nosso lado e escreveu junto com a gente essa história, a participar da festa: uma grande exposição vai marcar as celebrações de nossos 30 anos e queremos que você faça parte dela.
Para isso, basta gravar um vídeo dando um depoimento sobre sua relação com a revista Ciência Hoje, ou sobre alguma reportagem ou artigo publicado em uma das centenas de edições da CH que tenha marcado você ou alguma passagem da sua vida. Se preferir, pode, ainda, dar a sua visão sobre o papel desempenhado pela revista na divulgação científica nacional.
Depois, é só postar o depoimento em alguma plataforma de compartilhamento de vídeos, como o YouTube ou o Vimeo, e mandar o link para a gente – por e-mail, pelas redes sociais (em nosso Facebook ou no Twitter) ou simplesmente divulgando nos comentários deste post do Bússola. Os vídeos enviados até o dia 6 de junho serão incorporados à exposição Ciência Hoje 30 anos, que estreia ainda em junho, no Rio de Janeiro, e disponibilizados no portal da CH On-line.
Uma grande festa
A mostra será composta por uma grande linha do tempo que ilustrará a trajetória do projeto Ciência Hoje em meio aos cenários políticos, econômicos e científicos do Brasil e do mundo ao longo dessas três décadas. Capas muito especiais da CH e da CHC, em tamanho gigante, e painéis interativos com acesso ao acervo completo da revista irão complementar esse mergulho pela história do projeto Ciência Hoje, da ciência e do Brasil.
Também em comemoração a essa data especial, será lançado um documentário curta-metragem sobre a trajetória da revista. Outras atividades vão acontecer em paralelo à exposição, como oficinas e palestras. Mas tenha calma, caro leitor, vamos revelar mais detalhes sobre todos os eventos que comporão as celebrações quando estivermos mais próximos do aniversário da revista. Por enquanto, é hora de preparar seu vídeo e garantir o lugar na nossa festa. Participe e divulgue!
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line
Adeus ao mestre da antropologia urbana
A morte do antropólogo carioca Gilberto Velho, aos 66 anos, na madrugada de sábado (14), vem gerando manifestações de seus colegas e amigos de profissão. Considerado por muitos o mestre da antropologia urbana brasileira, Velho morreu dormindo – as primeiras notícias dão conta de um acidente vascular cerebral. Ele era titular do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ.
Autor de diversos livros, como o clássico A utopia urbana: um estudo da antropologia social, de 1973, e artigos, além de profícuo organizador de obras, o antropólogo deixa – é o que apontam os tantos depoimentos de extremo pesar – um legado de dedicação, generosidade e, também, bom humor.
A antropóloga Karina Kuschnir escreveu texto em homenagem ao seu ex-orientador de mestrado e doutorado em que chama a atenção, justamente, para o gênio de seu amigo de anos. Ela diz:
"Aos jovens alunos do PPGAS [Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social] , [Velho] cobrava: 'Já aprenderam a cantar o hino da antropologia?' E entoava, operisticamente: 'Estranhar, relativizar...'"
O antropólogo Marco Antonio Gonçalves, cujo trabalho deve muito ao legado de Velho, deu depoimento, por e-mail, à CH On-line:
“Tive o privilégio de fazer o curso de Antropologia Urbana ministrado por Gilberto Velho quando ainda era aluno de doutorado no Museu Nacional.
Aprendi, também, a admirá-lo como professor. Seu curso era um exercício pleno desta noção de sociabilidade. Gilberto instigava, estimulava, provocava a participação de todos dando a impressão de que construímos um curso do mesmo modo que uma sociedade [é construída]: com concordâncias, discordâncias, diálogos. Aprendi não apenas os temas e os problemas das sociedades complexas mas, sobretudo, como compreender a complexidade da sociedade a partir de sua sofisticada análise da obra de Georg Simmel apontando, sempre, para a importância da sociabilidade como problema fundamental da vida social.
Ao terminarmos o curso, como era de praxe, o celebramos com um copioso almoço, organizado pelo mestre, na churrascaria Plataforma."
Academia Brasileira de Ciências
Em 2000, Velho entrou para a Academia Brasileira de Ciências, até então um território eminentemente das ciências exatas e naturais. Quem chama a atenção para esse fato é o cientista político Renato Lessa, diretor do Instituto Ciência Hoje.
Lessa ainda explica, no vídeo abaixo, a relação de Velho com o Instituto e lembra que, por anos, o antropólogo fez parte do conselho científico da revista (o nome dele está no expediente da primeira edição, de 30 anos atrás) – uma proximidade com o ICH análoga à de seu irmão, o também antrópologo Otávio Velho, que participou do conselho editorial e foi editor da CH.
Por e-mail, o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, colunista da CH On-line e companheiro de Velho no Museu Nacional, também fez questão de deixar registrada a importância do amigo de profissão e confirmar que, em breve, retornará a escrever sobre a fundamental contribuição de Velho para o entendimento das dinâmicas urbanas do Brasil.
Fique, a seguir, com as palavras do nosso colunista:
"Gilberto Velho foi meu professor desde 1973, ano em que entrei no mestrado do Museu Nacional.
Ministrava o curso básico de Antropologia Urbana e lançava naquele mesmo ano o seu livro de estreia, A utopia urbana. Já era, no entanto, um intelectual pleno e poderoso, ligado à antropologia norte-americana, particularmente aos herdeiros da Escola de Chicago e aos interacionistas simbólicos (Erving Goffman e Howard Becker).
Seus interesses no chamado comportamento desviante tornaram-no um interlocutor importante da psiquiatria modernizante e da psicanálise naqueles anos de intensa psicologização da sociedade brasileira.
Seus interesses nas dinâmicas urbanas suscitaram um enorme leque de pesquisas de alunos e orientandos, que mapearam cuidadosamente os mais diversos aspectos do caleidoscópio metropolitano brasileiro. É preciso lembrar que àquela altura, em plena ditadura e milagre econômico, as transformações urbanas fervilhavam, apresentando contornos ideais para uma investigação sistemática e de longo curso – tal como também se propusera a Escola de Chicago.
Voltei a trabalhar mais intensamente com ele em meu doutorado – e fui o primeiro de seus doutorandos a defender tese. Não era um trabalho típico de antropologia urbana, embora o campo fosse na cidade. Mas era próximo dos interesses de Gilberto pela dedicação aos temas da construção social da pessoa e das perturbações mentais.
Estivemos ambos ligados ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ, nos tempos em que lá se cultivava uma discussão abrangente sobre as condições sociais do adoecimento psíquico. Juntou-nos também o comum interesse na obra de Louis Dumont (que compartilhamos com Roberto DaMatta) e sua análise da ideologia do individualismo.
O mundo urbano, suas conformações e desvios, era um campo privilegiado para o estudo dos processos de 'individualização' – que foi tratado recorrentemente por Gilberto em toda sua carreira.
Combinando o estruturalismo de Dumont à tradição fenomenológica de Georg Simmel e de Alfred Schutz, ele tratou sobretudo dos projetos de vida, das trajetórias sociais que constituíam e instituíam os indivíduos, em especial no âmbito das camadas médias.
É o que posso dizer hoje, embora houvesse tanto mais a dizer."
A redação



