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Alô, Professor / Intervalo

Teste de DNA: um velho conhecido

Biólogo propõe atividade em sala de aula com o teste de DNA. Para o cientista, assuntos como clonagem, mutação e o próprio teste estão sempre em voga na mídia – o que ajudaria o conhecimento prévio do aluno sobre o tema.

Por: Thiago Camelo

Publicado em 20/07/2010 | Atualizado em 26/07/2010

Teste de DNA: um velho conhecido

Escada remete à estrutura em dupla hélice do DNA. Imagens e programas do TV do cotidiano podem ser usados para ensinar sobre o assunto (foto: CC BY- NC 2.0/ Flickr / liber).

Um sujeito de porrete na mão, que usa impropérios à guisa de vírgulas e faz da ciência trampolim para um tipo de entretenimento duvidoso. Quem diria que o apresentador de TV Ratinho serviria como personagem central para um exercício de biologia?   

Quem diria que o apresentador de TV Ratinho serviria como personagem central para um exercício de biologia?   

Caso se tenha dúvida, basta pensar. Com o que se associa o Programa do Ratinho? As respostas são muitas, mas surge sempre uma questão comum: o teste de DNA.

Se no Brasil a técnica foi implementada em 1988, dez anos depois Ratinho já colocava homens na parede para todo o Brasil ver. "É teu filho ou não é?", ele perguntava – com a resposta na mão, obtida justamente por meio do teste.

Por que o Ratinho está no Alô, Professor?

Porque dois cientistas resolveram imitar o apresentador. Na verdade, imitar com ironia. Em 2000, os biólogos Rodrigo da Silveira e Felipe Mendes, então estudantes de mestrado da Universidade de São Paulo, promoveram, no Congresso Brasileiro de Genética, um exercício aos jovens da cidade de Águas de Lindoia (SP), que sediava o evento. A proposta consistia em descobrir, por meio do teste de DNA, quem era o pai de Ratinho. Claramente uma inversão de papéis.

– O Ratinho é um grande popularizador do teste de DNA. Foi engraçado brincar com isso. Muita gente veio participar motivada pelo nome do apresentador – conta Rodrigo, por telefone.

Ele, atualmente mestre em ensino de genética pela USP, publicou – junto com Felipe (doutor em evolução também pela USP) – um artigo na última edição da revista Genética na Escola que relata a reprodução da experiência em diversos colégios. 

O texto [PDF], que por razões práticas e de direito autoral não tem o Ratinho como protagonista do teste, conta, passo a passo, os caminhos de uma aula sobre o assunto. O artigo ensina como montar a experiência com fios coloridos representando as cadeias do DNA.

O teste tem como objetivo apresentar elementos de genética aos alunos. Uma passagem do texto diz:

[...] Uma vez que compreendemos esses avanços [da biologia molecular], eles se tornam uma grande oportunidade para abordar conceitos de genética de maneira contextualizada e estimulante. O teste de identificação por meio de DNA, ou apenas teste de DNA, é largamente conhecido pelos alunos, o que faz dele uma grande porta por onde podemos conduzi-los ao mundo da biologia. 

De fato, há algumas bases conceituais do teste que são conteúdo obrigatório do currículo escolar. Por exemplo? O reconhecimento das estruturas do DNA e a noção de que metade da nossa carga genética vem do nosso pai e a outra metade, da nossa mãe.

– Na aula, mostramos cenas de filmes sobre o tema. Citamos as novelas O clone e Os mutantes, esta última para falar também de mutação genética. Em geral, dá certo trazer temas que estão na mídia para discutir com os alunos – explica Rodrigo, que é professor do ensino médio da Escola Móbile, em São Paulo.

 

 

 

 

Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line

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