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Alô, Professor / Intervalo

Mata atlântica divertida

Jogo eletrônico criado na Universidade Federal de Santa Catarina apresenta os seis ecossistemas desse bioma presentes no estado para alunos do ensino fundamental. A tecnologia usada promove o trabalho colaborativo entre os jogadores.

Por: Fernanda Braune

Publicado em 10/04/2012 | Atualizado em 10/04/2012

Mata atlântica divertida

No jogo eletrônico ‘Mata atlântica: o bioma onde eu moro’, um papagaio-de-peito-roxo guia os alunos por atividades que ensinam sobre seis ecossistemas desse bioma. (imagem: reprodução)

As aulas de geografia e ciências podem ficar mais divertidas com um novo jogo eletrônico criado pela equipe do Laboratório de Educação Cerebral (LEC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lançado em março, o jogo tem o objetivo de apresentar a mata atlântica, um dos biomas de maior biodiversidade do mundo, para estudantes do 4º e 5º anos do ensino fundamental, tendo como foco os ecossistemas desse bioma presentes em território catarinense.

Segundo uma das colaboradoras do projeto, a bióloga Cristina Santos, a proposta foi criar uma atividade de ‘edutenimento’, ou seja, que utilize modelos de entretenimento na educação.

“O objetivo não é competir, mas sim estimular a aprendizagem por meio da colaboração”

Batizado de ‘Mata atlântica: o bioma onde eu moro’, o jogo promove a interatividade e utiliza uma tecnologia chamada multimouse. Com ela, dois ou mais mouses podem ser conectados a um mesmo computador, estimulando o trabalho colaborativo entre os usuários. Os pesquisadores ressaltam ainda que essa tecnologia resolve o problema da falta de computadores nas escolas, pois acopla mais estudantes a uma mesma máquina.

O jogo, que pode ser baixado gratuitamente na internet, foi desenvolvido para um trabalho em dupla, em que cada jogador comanda o seu mouse e não avança para a próxima etapa sem que o outro também tenha cumprido corretamente as suas tarefas daquela fase. “O objetivo não é competir, mas sim estimular a aprendizagem por meio da colaboração entre os participantes para que eles consigam terminar a atividade”, explica a bióloga.

A missão de cada jogador é reconhecer os seis ecossistemas da mata atlântica em Santa Catarina – manguezal, restinga, campos de altitude e florestas ombrófila densa, ombrófila mista e estacional decidual –, além de 36 espécies de animais que vivem no bioma e são apresentadas ao longo do jogo.

Hora de jogar

O jogo é dividido em sete fases – uma para cada ecossistema e um desafio final. Elas incluem quebra-cabeças, jogos de lógica e raciocínio e brincadeiras para testar os conhecimentos do participante sobre os animais que vivem nos diferentes ecossistemas. Ao final de cada fase, a dupla recebe cartões virtuais com os dados do lugar recém-conhecido e dos animais ali encontrados.

Jogo mata atlântica
Por meio de quebra-cabeças, jogos de lógica e raciocínio e desafios de conhecimento, o jogo eletrônico ensina de forma lúdica sobre ecossistemas e animais da mata atlântica. (imagem: reprodução)

Os jogadores são conduzidos por um papagaio-de-peito-roxo, que diz se eles completaram corretamente a atividade e os estimula a passar para o próximo exercício. Ao fim do jogo, o papagaio-de-peito-roxo aparece para explicar como os ecossistemas da mata atlântica eram distribuídos há 200 anos e destacar que, apesar do nível avançado de desmatamento, ainda há reservas florestais que podem ser visitadas.

Antes de seu lançamento, o jogo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, foi testado em três turmas do 5º ano do Colégio de Aplicação da UFSC. “Os alunos gostaram demais do trabalho em dupla”, conta Santos. “E nos deram dicas para melhorar o jogo, como usar um personagem para conduzir os jogadores e criar as fichas dos animais.”

Agora a equipe do LEC, coordenada por Emílio Takase, espera que os professores os ajudem com informações sobre como o jogo tem sido aplicado. “A gente precisa que os educadores utilizem o jogo eletrônico educativo e identifiquem possíveis pontos de melhora”, diz a bióloga. O grupo pretende captar mais recursos para ampliar o jogo – acrescentando informações sobre a mata atlântica em outros estados – e estender seu uso para todo o país.

Sobre a mata atlântica
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, a mata atlântica cobria cerca de 15% do território do país, passando por 17 estados – do Piauí ao Rio Grande do Sul.

O bioma é formado por diversos ecossistemas: as florestas ombrófila densa, ombrófila mista, ombrófila aberta, estacional semidecidual e estacional decidual, os manguezais, as restingas, os campos de altitude, as ilhas litorâneas e os brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. Eles abrigam 20 milhões de espécies de plantas (50% endêmicas) e 1,6 milhão de espécies de animais.

Desde a chegada dos colonizadores, a mata atlântica foi muito explorada para fins econômicos, como a retirada do pau-brasil, a mineração do ouro e diamantes e as plantações de cana-de-açúcar e café. 

Hoje, só existem 7,84% da mata original: ela é o segundo bioma mais desmatado do mundo, só perdendo para as florestas da ilha de Madagascar, na África. Apesar disso, a mata atlântica ainda responde por parte do equilíbrio climático do país.


Fernanda Braune
Ciência Hoje On-line

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